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OUTILS ET LISTES DE CONTRÔLE

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EXEmPLE CONCRET

OUTILS ET LISTES DE CONTRÔLE

Esta fase apresenta um importante salto de qualidade por se referir ao semestre que segue de imediato ao estágio em Portugal, claramente enriquecedor dos conteúdos teórico-práticos da pesquisa, somado às experiências vivenciadas pelo grupo Poéticas e Estéticas das Artes (primeira fase). Construído este patamar, visando dar sequência aos propósitos da investigação, senti a necessidade de investigar duas situações distintas no ICA: a incorporação de práticas criativas de educação sonoro-musical na disciplina Coral I do curso de Música, e a criação do grupo de pesquisa Sonoridades múltiplas, para expandir estas mesmas práticas a alunos do Teatro, Cinema/Audiovisual, além dos alunos da Música. O grupo Sonoridades possuía um número de participantes bem mais reduzido do que a turma de Coral I, o que permitia o aprofundamento daquelas práticas, facilitado ainda pelo confronto de situações, propiciando realimentá-las teórica e praticamente, pela circularidade de procedimentos e reflexões.

A criação do grupo Sonoridades deu-se de forma semelhante ao primeiro grupo, i.e, a partir da nossa divulgação aleatória entre alunos daqueles cursos do ICA, cujo critério de participação baseou-se igualmente no seu interesse e disponibilidade para investigar. O grupo foi constituído por dezesseis alunos assim distribuídos: três do Teatro sem experiências em práticas musicais, atuantes em grupos teatrais semiprofissionais; dois do Cinema - um sem experiência musical prévia e outro multi-instrumentista com atuação em bandas profissionais. Quanto aos onze da Música, dois participavam de coral cênico “Vitrola Nova”, um era flautista em banda de sopro, um atuava como baterista, um tinha experiência com música eletrônica, um tocava cavaquinho em grupos de choro, e cinco eram estudantes do terceiro semestre do curso de Música, sem atuações anteriores como os demais. Dentre os onze, cinco cursavam a disciplina Coral I, sendo que três eram também bolsitas do PET/Música 97 somando-se a quatro outros participantes também do PET/Música.

Os encontros com os intérpretes/investigadores ocorriam duas vezes por semana, com três horas de duração cada, uma mais do que o primeiro grupo, numa sala de disciplinas práticas do ICA, no campus do Benfica, para as seguintes atividades: ateliers/laboratórios práticos de sensibilização cênico-sonoro-musical, a exemplo de alguns exercícios descritos na

primeira fase e outros novos; leitura e estudo dos autores-referência e outros textos; debates a partir de conteúdos suscitados pela investigação; apreciação musical de performances exemplares de práticas musicais contemporâneas; elaboração de diários de bordo individuais constituídos de desenhos, textos em prosa e verso, e registros dos encontros em fotos e vídeos para análises.

Destas práticas e reflexões foi gerada a performance Leitura 1: experimentos, inspirada em práticas propostas pelo educador musical John Paynter, e que foi apresentada para alunos dos Cursos de Teatro e Dança do ICA, e na ABEM Regional Nordeste realizada em Fortaleza, em junho de 2012.

Uma das ressonâncias da pesquisa do grupo Sonoridades foi fruto de sua expansão na disciplina Coral I ofertada a alunos da Música, com a intenção de introduzir no curso de licenciatura, práticas criativas de educação sonoro-musical inspiradas nas Oficinas de Música conforme propostas pedagógicas de Conrado Silva e de outros educadores, bem como nas experiências educativas de Schafer. Tais ressonâncias se materializaram em vivências inventivas, a exemplo de paisagem sonora e transposição vocal, e criação e notação de partituras gráficas.

Nesta simultaneidade de duas situações distintas verificamos diferenças em seus procedimentos e resultados, cujas razões podem ser encontradas na natureza dos dois grupos em questão: o grupo Sonoridades era mais reduzido com uma importante representatividade de três áreas (Música, Teatro, Cinema/Audiovisual), criado a partir de uma escolha voluntária e aleatória, com a intenção direta de investigação interdisciplinar no campo cênico-sonoro- imagético; a classe de Coral I, disciplina obrigatória no primeiro semestre para os alunos de Música com interesse diretamente voltado para formação como músicos-educadores, contava com um número bem maior de participantes (quarenta e cinco alunos), com dois encontros semanais.

Tais diferenças não implicavam desnível de qualidade no cotejo das ações dos dois grupos, mas certamente no grau de estranhamento. Para a maioria dos alunos de Coral I, o maior ganho foi a inflexão de suas expectativas com relação à música coral, via de regra, baseada no repertório da música tonal, ao entrar em contato com práticas musicais da contemporaneidade. Abriu-se, então, para eles um amplo espectro de possibilidades de escuta diversificada, incluindo aí a tradição tonal, enriquecendo flagrantemente seus desempenhos. A constatação desta inflexão já era para mim visível, sendo corroborada por alguns RIAs, o instrumento de investigação utilizado pelos intérpretes/investigadores e alunos da disciplina, para se destinar não apenas à coleta de observações e informações, mas sobretudo para

internalizar reflexões e realimentar suas ações, as dos colegas e as minhas próprias, conforme destacamos no capítulo sobre a pesquisa ação.

Apresentamos em anexo dois RIAs de alunos do Coral I, bastante representativos para indicar mudanças perceptivas e expressivas ocorridas no seio do grupo. Estes RIAs

(anexos 2 e 3) referem-se às atividades de paisagem sonora e criação/notação de partituras

gráficas, realizadas em classe, nos quais podemos observar o engajamento individual e coletivo, nos exercícios de sensibilização e na criação e execução das partituras gráficas expressando concretamente aqueles ganhos perceptivos e expressivos. Abaixo fotos de algumas criações sonoras e notações gráficas realizadas nesta disciplina.

Figura 16 Partitura Gráfica 1 criada pelos alunos da Disciplina de Canto Coral I

3.4 quarta fase (2012/2): grupo de pesquisa Sonoridades múltiplas com novas

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