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Organisation et gestion de la DREAL

O primeiro medicamento antiretroviral (ARV) a ser utilizado no tratamento de pessoas com HIV foi a zivudina (AZT) no ano de 1987

(MITSUYA et al., 1988). Entretanto, o tratamento monoterápico com AZT não obteve resultados duráveis e durante quase 10 anos que sucederam sua descoberta, nenhuma inovação surgiu no campo da terapia antiretroviral. Em 1995 dois análogos de nucleosídeos demonstraram resultados melhores que a monoterapia com AZT e o uso destes foi recomendado imediatamente (HAMMER et al., 1996). No final do mesmo ano começaram a ser testados três inibidores da protease (PI) do HIV,

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sendo aprovados para utilização quase que imediatamente (CAMERON et al., 1998). Em 1996, surgiu o primeiro inibidor não nucleosídico da transcriptase reversa (NNRTI).

A partir destas descobertas, o número de indivíduos em tratamento subiu de 2% para 64% em um período de três anos na Europa, resultando em uma queda acentuada da incidência de AIDS entre os indivíduos soropositivos (KIRK et al., 1998). Porém o surgimento de efeitos colaterais alertou sobre os perigos da terapia antiretroviral. Muitos pacientes começaram a apresentar lipodistrofia, principalmente no rosto e nas costas. O risco de desenvolver diabetes e toxicidade mitocondreal também foram relatados como conseqüências do tratamento. Finalmente estudos com as células reservatórios do vírus mostraram que o tratamento com os medicamentos disponíveis até então não era capaz de erradicar o HIV do organismo, evidenciando a necessidade da busca por novas terapias (SILICIANO et al., 2003).

No início do século XXI, uma nova gama de medicamentos focando diferentes fases do ciclo viral começaram a ter sua eficácia avaliada. O inibidor de fusão chamado T20 foi o primeiro fármaco licenciado capaz de impedir a entrada do vírus na célula (LAZZARIN et al., 2003). Antes disso, todos os fármacos focavam sua ação na fase de replicação e maturação do HIV. Poucos anos depois, em 2007, foi autorizada a utilização do maraviroc, outro fármaco capaz de combater a entrada do HIV na célula, porém com mecanismo de ação distinto do T20 (LIEBERMAN-BLUM et al., 2008). No mesmo ano raltegravir, primeiro medicamento inibidor da enzima integrase, teve seu uso aprovado (MARCHAND et al., 2009). Tornou-se possível combater o HIV em vários momentos de seu ciclo, seja inibindo a ação de qualquer uma de suas três enzimas, ou impedindo sua entrada na célula alvo. Atualmente existem 25 medicamentos aprovados para uso na terapia antiretroviral altamente ativa (HAART), sendo estes divididos em seis classes (BRODER, 2010):

•Inibidores da RT nucleosídicos (NRTI): agem como falso substrato para a enzima RT, competindo com os nucleotídeos da célula infectada e impedindo a síntese de DNA ao serem adicionados;

•Inibidores da RT não-nucleosídicos (NNRTI): ligam-se à enzima RT próximo ao sítio catalítico que adiciona nucleotídeos à fita de DNA crescente,

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resultando na diminuição significativa da velocidade de polimerização do DNA;

•Inibidores da protease (PI): ligam-se à protease e inibem sua ação, impedindo a formação das proteínas do capsídeo e enzimas do HIV;

•Inibidores de fusão: agem ligando-se a sequências peptídicas hidrofóbicas da gp41 responsáveis pela fusão do envelope viral à célula, impedindo a entrada do HIV;

•Inibidores de entrada: são moléculas sintéticas com efeito antagonista ao receptor de quimiocina CCR5, impedindo a interação da gp120 viral com seu co- receptor;

•Inibidores da integrase (INTI): são moléculas que se ligam à enzima integrase, impedindo o processo de integração do genoma viral no DNA da célula hospedeira.

Apesar das opções disponíveis para tratamento, a necessidade de avanços tecnológicos no campo da terapia antiretroviral é constante. Além dos graves problemas com efeitos colaterais que exigem a descoberta de medicamentos menos tóxicos ao organismo, a seleção de variantes do HIV resistentes aos medicamentos antiretrovirais é um grande obstáculo a ser vencido em busca da supressão completa do vírus. Mutações que conferem resistência (DRM) são selecionadas sob a forte pressão seletiva exercida pelos antiretrovirais, fazendo com que cepas resistentes adquiram uma importante vantagem adaptativa sobre a população viral até então prevalente no organismo (HOFFMANN; ROCKSTROH; KAMPS, 2007). Quando isto acontece, a carga viral sobe e é preciso trocar de terapia. Este fenômeno é tão comum que se estima que aproximadamente 70% dos indivíduos em tratamento e com carga viral detectável apresentem vírus com DRM à pelo menos um medicamento utilizado (SCOTT et al., 2004). Existem dois tipos de mutações relacionadas à resistência a fármacos: as mutações primárias são selecionadas inicialmente e levam a mudanças perceptíveis na susceptibilidade do vírus a um medicamento específico, enquanto que as mutações secundárias apenas auxiliam e complementam o efeito de mutações primárias. Mutações secundárias quando ocorrem sozinhas não levam a mudanças consideráveis na susceptibilidade aos ARV

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A falta de adesão ao tratamento é um fato que favorece o surgimento e dispersão de cepas virais resistentes. O fenômeno de resistência primária ocorre quando um indivíduo nunca antes exposto a antiretrovirais é infectado por cepas resistentes, podendo apresentar falhas terapêuticas no momento em que for necessário iniciar a terapia. Pesquisas com indivíduos soropositivos recém-infectados mostram taxas de resistência primária superiores a 22,7% nos Estados Unidos (LITTLE et al., 2002) e 14,2% na Inglaterra (CANE et al., 2005). No Brasil o acesso universal ao tratamento antiretroviral gera uma grande preocupação com relação à seleção e transmissão de cepas resistentes entre indivíduos infectados. Apesar disto, estudos demonstraram prevalência entre 7-8% de DRM em pacientes virgens de tratamento, números consideravelmente menores que os encontrados em países desenvolvidos (SPRINZ et al., 2009; INOCENCIO et al., 2009). Contudo, alguns estudos em grandes cidades portuárias brasileiras apresentaram prevalências de DRM variando de 14-36% (PEDROSO et al., 2007; PIRES et al., 2004; SUCUPIRA et al., 2007) Em Santa Catarina poucas informações sobre o padrão de resistência do HIV circulante estão disponíveis. Em um estudo realizado com indivíduos virgens de tratamento foi demonstrado que nas cidades de Itajaí e Camboriú 8,3% dos pacientes apresentavam pelo menos uma mutação de resistência

(BRIGIDO et al., 2007).

O estado de Santa Catarina apresenta um cenário muito peculiar no tocante à epidemiologia molecular do HIV, uma vez que apresenta uma das maiores prevalências de subtipo C encontradas no Brasil. A cidade de Florianópolis possui o maior número de indivíduos infectados pelo HIV no estado e uma das maiores incidências de casos do país e ainda assim as características moleculares do vírus nesta região são pouco conhecidas. Em vista disso, estudos que visem descrever subtipos virais, formas recombinantes e mutações de resistência circulantes na região da grande Florianópolis fazem-se necessários. Este tipo de conhecimento pode auxiliar no monitoramento de transmissão de cepas virais resistentes ao tratamento, estabelecer políticas de saúde pública e possibilitar o desenvolvimento de novos tratamentos e testes vacinais, quando os mesmos estiverem disponíveis.

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2 OBJETIVOS

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