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3 RECOMMANDATIONS POUR LA MISE EN ŒUVRE DES ÉVALUATIONS

D’ORGANISATION ECRITE

O processo de integração da chamada web 2.0 ao universo governamental teve como marco consolidador as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2008. O presidente eleito Barack Obama teve nessas ferramentas um de seus trunfos de campanha, o que provocou a seguinte declaração do diretor de pesquisa do Projeto Democracia Online da Universidade George Washington, o cientista político Michael Cornfield, ainda durante o processo eleitoral:

Sem internet não haveria Obama. A diferença de compreensão, entre as campanhas de Obama e Clinton, sobre o que se pode realizar por meio da política online tem sido um fator decisivo nessa que é a maior reviravolta na história das primárias presidenciais. [...] nenhuma delas teria sido tão decisiva sem o dinheiro que Obama arrecadou online, os vídeos que Obama postou online e, acima de tudo, os milhões

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Embora o termo web 2.0 tenha sido convertido numa palavra utilizada por muitos, talvez sua denominação seja menos importante do que os projetos envolvidos nessas características conceituais e técnicas. De todo modo, trata-se mais de uma evolução constante da ecologia dos meios do que de um momento estático que se introduz de forma revolucionária (tradução nossa).

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Tomamos como base os dados apresentados pelo Alexa, um site de pesquisas sobre número de usuários que visitam páginas na web, trazendo ranking mundial e nacional. Endereço.: www.alexa.com

de pessoas que aderiram online à campanha de Obama, em seus tempos e termos próprios (in GOMES et. al., p. 02, 2009).

Vencida a corrida presidencial, a equipe do democrata trabalha o uso das mídias sociais enquanto ferramentas de governo eletrônico. Para isso já foram criados perfis em Blogs, Facebook, Orkut, Twitter, onde são passados esclarecimentos à população, bem como um atendimento a dúvidas sobre as ações do Governo, num canal direto entre governo e comunidade. O objetivo é transmitir à população uma idéia de maior proximidade com o presidente e, consequentemente, de participação nas ações políticas do governo, além de ter ali um canal para prestação de contas.

De modo geral, pode-se falar em novas funções para as ferramentas disponíveis na internet onde as páginas funcionam não como um canal emissor de conteúdos, mas como um centro distribuidor, relacionado a diversas outras páginas e ferramentas, para compartilhamento de fotos, vídeos, mensagens, dentre outras finalidades. A partir da interligação de conteúdos em ferramentas complementares sobre uma mesma plataforma, ampliam-se as possibilidades de participação em torno das questões públicas, com maior agilidade, menor custo para o governo e facilidade de acesso ao cidadão.

No entanto, vale a pena voltar a chamar atenção sobre os requisitos necessários ao cidadão a fim de viabilizar essa participação. Num estudo sobre a relação entre produção de capital social e redes sociais na internet, La Due Lake e Huckfldt (1998) apontam o nível educacional dos cidadãos como fator mais significativo de participação política, tendo em vista que quanto mais alto o nível educacional, mais competências e recursos os indivíduos terão para interagir politicamente. Os autores concluem ainda que aqueles com maior escolaridade são, em geral, os mais beneficiados com o capital social gerado a partir de suas redes de relacionamento, e quanto maior o capital social gerado, maiores as possibilidades de participação.

Outro ponto importante é o perfil colaborativo das mídias sociais, que altera as formas de apresentação dos agentes públicos, uma vez que a sensação de proximidade entre os usuários remete a uma maior informalidade na interação, em relação aos websites tradicionais. Quanto à vigilância nesses espaços, tem-se duas perspectivas. De um lado o governo, que obtém maiores condições de monitorar a opinião pública, retirando daí elementos para uma intervenção rápida, direta e a baixo custo. De outro os cidadãos, cujas manifestações ganham eco na rede, obtendo nesses espaços condições mais amplas de mobilização, denúncias, questionamentos aos agentes públicos e manifestação de pensamentos. Com isso, amplia-se também o constrangimento ao qual o Estado passa a estar submetido, diante de

maior exposição e visibilidade, o que exige dele uma postura condizente com o perfil interacional das mídias sociais.

De acordo com Chang e Kannan (2008), esse posicionamento governamental pode ser posto em prática baseado em três formas de uso distintas: foco na comunicação com a sociedade, no sentido de divulgar as ações governamentais; foco na interatividade, buscando um feedback dos cidadãos sobre as políticas, serviços e ações do Governo; ou foco nos serviços, disponibilizando pela web 2.0 serviços públicos oferecidos por outros canais de relacionamento entre Estado e sociedade, aumentando a confiança dos cidadãos nas relações virtuais com o governo.

Cada uma das três formas acima de uso das mídias sociais implica em níveis diferenciados de relacionamento G2C. Embora os autores não explorem as condições de participação para fins políticos, cabe salientar que cada uma dessas perspectivas carrega, por si só, potencial para aprofundamento das interações digitais entre Estado e sociedade, exigindo, por parte do primeiro, projetos inovadores capazes de garantir a privacidade, legalidade e segurança dos dados, além da disponibilização de ferramentas que estimulem e facilitem construções coletivas.

Para isso deve ser considerada uma diversidade de questões, referentes à estrutura, política de acesso, intenções do governo, capacitação técnica e política dos cidadãos, dentre outras já apresentadas neste trabalho De todo modo, iniciativas-piloto podem se apresentar como formas ricas de aprendizagem sobre os potenciais problemas e desafios a serem enfrentados.