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Organisation du centre

Dans le document Avis 52.341 du 2 juillet 2019 (Page 46-54)

Directive « services »

Chapitre 2- Organisation du centre

Esta dimensão do bem-estar alimentar está relacionada com a influência que as emoções podem exercer no comportamento alimentar. De acordo com Desmet e Schifferstein (2008), as relações entre a comida, as características do indivíduo, o comportamento alimentar e as emoções, são estudadas sob várias perspectivas. Nesta seção, buscou-se compreender como as emoções estão envolvidas no relacionamento das informantes com a comida, sendo este, um dos fatores centrais para ajudar a determinar o nível de bem-estar alimentar dos consumidores. Tendo em vista que emoções positivas ou negativas podem aumentar a quantidade e o tipo de alimentos que os consumidores ingerem, faz-se importante compreender tanto o lado emocional da relação dos indivíduos com os alimentos, como fornecer ferramentas que os auxiliem a gerenciarem suas emoções, de modo que facilite a tomada de decisões por alimentos saudáveis, o que consequentemente acelera o progresso ao longo do contínuo da FWB (Bublitz et al., 2012). Nesse sentido, buscou-se identificar as expressões de emoções relacionadas ao comportamento alimentar das informantes, conforme pode ser verificado nos trechos retirados das entrevistas realizadas.

Desde muito nova, eu sempre fui acostumada a o ponto de escape ser o alimento (...) Semana passada eu fui pra a endocrinologista (...) ela me passou um remédio de ansiedade, só que o impacto foi grande, porque eu não queria aceitar que eu tava descontando a minha ansiedade na comida (...) há três anos no meu terceiro ano, eu passei o ano inteiro descontando tudo em alimentação e eu engordei 10kg. Aí foi super impactante pra mim, porque eu nunca tinha chegado a esse peso (Informante 2, 20 anos).

Porque pra mim comida era assim, se eu estava muito feliz, eu comia. Se eu estava muito triste, eu comia. Se eu estava super empolgada com alguma coisa, comia. Se eu estava ansiosa com alguma coisa, comia (...) todas as minhas emoções eram desculpa pra comer (Informante 3, 30 anos).

Partindo-se do contexto exposto e do que foi visto na literatura, pode-se dizer que muitas vezes os indivíduos realizam escolhas alimentares automáticas em resposta aos aspectos emocionais. Muitas vezes os consumidores veem a comida como uma maneira de regular o humor, tomando decisões que os conduzem aos alimentos “conforto”. Wansink, Cheney e Chan (2003, p.739), definem ‘comfort foods’ ou ‘comida conforto’, como “alimentos cujo consumo evoca um estado psicologicamente confortável e prazeroso para uma pessoa”.

Em diversas ocasiões, as decisões alimentares são tomadas com base nas emoções. Assim, torna-se relevante que os consumidores identifiquem situações que levam a uma alimentação emocional e ao consumo de “comidas conforto”, para criarem a partir disso, hábitos alimentares saudáveis.

E muitas vezes, eu ia dormir triste, ia dormir chorando, assim, com a autoestima baixa (...) porque não tava bem com o corpo, não tava bem comigo, mas (...) no outro dia eu tava comendo chocolate, escondida. Era chorando de noite e de dia comendo besteira, quando tava em casa (...) mas aí o que me deu estalo mesmo [para mudar a alimentação] foi quando eu tinha uma única calça que me cabia e ela rasgou. As roupas já não estavam mais cabendo. Eu usava 44 e nem as roupas 44 estavam me cabendo (Informante 1, 28 anos).

Então é uma questão de colocar na balança o que tem mais valor, não deixar que essa relação que é afetiva se transforme numa relação de dependência como foi pra mim por muito tempo, uma relação desequilibrada. Afeto parece uma coisa boa, mas pode descambar pra uma coisa ruim, não uma coisa saudável. E como eu disse, eu chorava... quando eu tava fazendo dieta restritiva de alimentos, eu chorava por não ta comendo... tinha mau humor, ficava extremamente depressiva porque eu precisava da comida para me sentir bem, né (Informante 4, 35 anos).

As decisões alimentares podem desencadear o consumo excessivo se os consumidores não estiverem cientes de como as emoções influenciam o consumo. Muito embora estas decisões resultem em escolhas alimentares inadequadas, por outro lado, podem proporcionar decisões mais saudáveis, quando os consumidores se tornam mais conscientes das consequências inerentes ao consumo alimentar associado às emoções, conforme verificado nos depoimentos das informantes 1 e 4 (Bublitz et al., 2013).

Além disso, outro aspecto levantado pela informante 2, diz respeito ao sentimento de culpa que ocorre quando desconta na comida suas emoções.

Quando estou uma dieta bem, regrada, eu faço e consigo manter. Mas, quando não estou, é bem mais difícil. E quando eu tô e saio, eu tenho um sentimento de culpa profundo. Profundo, profundo, que, assim, me consome, que eu acho que nunca mais vou conseguir, que eu perdi tudo o que eu consegui, não sei quê, e isso piora 100% toda a situação, porque, assim, a pessoa já ta se esforçando pra caramba pra fazer aquilo, já ta fazendo de tudo, ta abdicando de várias coisas e ainda assim a pessoa erra, comete o erro de se alimentar diferente e se culpa eternamente por aquilo (Informante 2, 20 anos).

O componente interno das influências emocionais, diz respeito ao sentimento de culpa por exemplo, que um indivíduo sente ao ceder às tentações de determinados alimentos, quando este se esforça para manter uma alimentação saudável (Bublitz et al., 2013). Além de

responderem emocionalmente as comidas, os indivíduos ficam tentados como quando seus recursos de autocontrole se esgotam.

Por fim, cabe ressaltar, que possuir uma maior consciência das informações emocionais que orientam as escolhas alimentares, podem auxiliar os consumidores a promoverem seu próprio FWB, e adotarem a partir disso, uma alimentação mais saudável.

Dans le document Avis 52.341 du 2 juillet 2019 (Page 46-54)