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Organisation des structures d'hébergement

Dans le document Avis 52.341 du 2 juillet 2019 (Page 54-58)

Directive « services »

Chapitre 2- Organisation des structures d'hébergement

Para Bublitz et al., (2012) os dados demográficos dos consumidores, como idade, gênero, renda, entre outros; indicadores de saúde, como Índice de Massa Corporal (IMC), histórico de dietas, condições médicas familiares e hábitos alimentares atuais, além da maneira como os consumidores reagem ao marketing alimentar, são fatores primordiais para compreender o FWB de um indivíduo. No entanto, os referidos autores incluem características físicas e psicológicas dos indivíduos, como uma importante maneira de avaliar o bem-estar alimentar.

No que tange esta dimensão do bem-estar alimentar, torna-se relevante considerar os aspectos individuais, os quais envolvem a relação do indivíduo com o corpo e fatores comportamentais como compulsão alimentar e autocontrole, os quais serão discutidos nesta seção com base nas entrevistas realizadas com as informantes.

Quanto à relação do indivíduo com o corpo, a informante 1 afirmou que há alguns anos estava consideravelmente acima do peso e que não se sentia bem com seu próprio corpo. Além disso, mencionou que um dos que a motivaram a perder peso, foi o desejo de engravidar: “para as coisas que eu queria fazer eu não podia estar acima do peso. Eu não tinha condições de engravidar com o peso que eu tava pela série de doenças... pela série de problemas que aquilo podia me causar (...)”.

Algumas informantes mencionaram suas tentações relacionadas à alimentação e as dificuldades que possuem para controlá-las. A informante 2 diz que: “sinceramente, sinceramente eu não consigo hoje em dia ainda [referindo-se a uma reeducação alimentar], mas cada dia a mais eu tô indo ao encontro dessa minha vontade, que realmente é me reeducar. Hoje em dia eu não tenho controle sobre isso ainda, mas estou tentando”. A informante ainda relata que após sua avó ter tido complicações de saúde, a alimentação realizada na casa sofreu

alterações em alguns pontos para melhor, ou seja, uma alimentação mais balanceada foi inserida na dieta da família. No entanto, a mesma afirma que se alimenta de forma não saudável, ingerindo alimentos ricos em calorias e práticos, e conclui que: “então, pra mim, se eu acompanhasse a dieta dela, seria ótimo. Só que o problema justamente é que eu não fico muito em casa”.

Nos indivíduos que realizam dietas, as emoções negativas minam sua capacidade de continuar a dieta, porque eles impuseram uma preocupação mais urgente (como lidar com o estresse) do que realizar dieta, ou seja, o estresse emocional desinibe a contenção dietética e, portanto, aumenta a ingestão de alimentos, como é o caso da informante 2, descrito anteriormente (Macht, 2008).

A questão do doce, do chocolate também era uma coisa, uma compulsão. Então, eu não conseguia comer um chocolate, eu tinha que comer 3, 4 seguidos um do outro. Então era uma relação bem de compulsão mesmo. E ainda que eu comesse pouco, esse pouco era errado. Não era o equilibrado, não tinha... todos os nutrientes” (Informante 1, 28 anos).

Então, assim, eu sempre tô lutando contra a balança e essa questão da alimentação pra mim vem também em forma de compulsão, devido a ansiedade que eu tenho também, o fator da ansiedade e que gerou em mim também uma compulsão alimentar (Informante 11, 34 anos).

Os fatores psicológicos estão entre os determinantes mais fortes sobre a decisão de quais alimentos um indivíduo ingere. Destes fatores, as preferências alimentares, os gostos, aversões alimentares e as respostas aos atributos sensoriais estão intimamente relacionados com a escolha dos alimentos (Asp, 1999). Comer uma refeição irá alterar de certa forma o humor e a predisposição emocional, normalmente reduzindo a excitação e a irritabilidade, e aumentando a calma e o afeto positivo (Gibson, 2006; Köster, 2009).

Outro aspecto relevante das características físicas e psicológicas, diz respeito ao autocontrole, que pode ser visto como um processo que reflete uma luta interior e um esforço intencional que os indivíduos investem, para anular o desejo de realizar ações ou inações que prometem gratificação imediata no presente (Haws, 2016; Ein-Gar, Goldenberg & Sagiv, 2012). Sobre este aspecto, as informantes relataram o seguinte:

Porque a cada brigadeiro que eu recusava, eu pensava: esse brigadeiro vai me acrescentar o quê? Eu vou comer pra suprir uma necessidade, mas, assim, nutricionalmente falando, ele não vai me acrescentar em nada, só calorias vazias, calorias ruins (...) eu nunca tinha tido esse foco em nada na minha vida. Foi a primeira vez que eu cumpri 2 meses de uma coisa que se tornou um hábito (...) um mês depois, eu já to com 14kg a menos. Eu já tô comendo normalmente, só que o normal de hoje não é o normal de 3 meses atrás. (...) eu não tenho mais coragem, por exemplo, de comer 3 pedaços de pizza como eu comia. Eu não tenho mais coragem de tomar 5 copos de refrigerante como eu tomava (Informante 1, 28 anos).

Eu não acreditei por muito tempo, mas, por exemplo, nesses dois meses de dieta, eu não fugi da dieta nem um dia. E todos os dias que eu conquistava isso eu pensava: como é que eu to conseguindo? Como é que eu to sendo capaz de fazer isso? Mas eu passei os 60 dias sem fugir nenhum dia, tanto da dieta quanto dos exercícios físicos, que ontem fez 5 meses que eu faço exercício físico todos os dias da minha vida. Não faltei nenhum dia (Informante 3, 30 anos). Eu acho que a pessoa sozinha não consegue, não. Até consegue, sabe, mas pra fazer correto realmente precisa do profissional, da conscientização. O nutricionista é muito bom, mas você... como é que eu posso dizer? Quando você tem um acompanhamento melhor, porque é como se você se desafiasse a mostrar resultados. Não somente a você, mas a quem tá lhe acompanhando (Informante 12, 44 anos).

Sendo assim, o autocontrole refere-se à capacidade do indivíduo em anular impulsos imediatos (como o desejo de comer de modo não saudável) (Baumeister & Exline, 2000; Askegaard et al., 2014), ou seja, motiva os consumidores a restringir e moderar a ingestão de alimentos, e a dieta configura-se como uma estratégia comum que os consumidores usam para manter seus desejos sob controle (Askegaard et al., 2014). Quando não conseguem controlar sua ingestão de alimentos os consumidores experimentam culpa e arrependimento (Ramanathan & Williams, 2007).

Quando eu exagero e, tipo, vem o sentimento de culpa... domingo de noite eu e minha irmã, fizemos pipoca com brigadeiro e era comendo e comentando: ‘meu Deus do céu, o que é que a gente tá fazendo, meia-noite, comendo isso’? E, tipo, não tinha nada de ansiedade, era realmente vontade de comer e mesmo assim já com culpa porque tava comendo. Aí, pronto, quando foi no outro dia a gente ficou até meio-dia sem comer nada pra ver se diminuía... [risos] (Informante 16, 30 anos).

Por exemplo, eu fui sexta-feira pra casa de uma amiga, ela fez pudim. Não tava na minha programação comer pudim, porque, assim, quando eu vou fugir da dieta, aí eu já me programo: ah, deixa eu colocar mais verdura no meu almoço hoje, deixa eu diminuir o arroz, por exemplo, fiz exercício e tudo pra compensar (Informante 3, 30 anos).

Eu prefiro evitar comer... por mais que eu queira comer, eu consigo dizer: não, eu não vou. Porque no outro dia a sensação que eu vou ter de saber que eu não comi é infinitamente melhor do que eu comer, ter aquele prazer momentâneo e no outro dia aquele arrependimento o dia todinho (Informante 6, 31 anos).

A informante 10, afirma que quando ‘quebra’ a dieta “equilibro mais no outro dia, como um pouco menos no outro dia, faço mais exercício ou uso mais o racional pra comer. Eu treino no dia, porque tem gente que quer fugir no fim de semana, né?”. Nesse sentido, de acordo com os relatos, existem concessões que as informantes realizam quanto à ingestão de alimentos considerado calóricos em períodos em que estão realizando dietas, mas em seguida, criam meios para ‘compensar’ a ‘quebra da dieta’.

Os traços psicológicos, de acordo com o que foi visto nesta seção, são responsáveis por questões relacionadas à estima corporal, níveis de autocontrole, impulsividade, e consequentemente por influenciar o consumo alimentar. A partir da literatura e dos relatos das informantes, foi possível perceber alguns aspectos comportamentais e a relação que as mulheres possuem com sua imagem corporal. Além disso, algumas informantes possuem maiores sucessos do que outras, em administrar impulsos em um contexto alimentar, conforme apontado por Bublitz et al., (2011).

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