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1. Organisation des attributs pour la reconnaissance des instruments

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classification des instruments de musique

VIII- 1. Organisation des attributs pour la reconnaissance des instruments

Para tanto, na perspectiva de elucidar o trajeto da escrita, partimos do entendimento do que é mediação. “Por mediação entende-se aqui como processo de circulação de sentidos nos diferentes sistemas culturais, operando um percurso entre a esfera pública e o espaço singular e individual dos sujeitos”. (BARROS, 2013, p.09) A mediação cultural, como um terceiro elemento que se interpõem a recepção e a produção do bem cultural.

Partindo-se de tal percepção, pode-se notar que está em causa a criação de um território que convive, articula-se, conecta-se, mas se distingue dos demais (os da produção e da recepção) que constituem o campo cultural amplo. Em sendo assim, ao afirmar e afirmar-se por sua territorialidade, a mediação implicitamente reivindica e marca um lugar especial, uma posição própria e singular, uma centralidade que em modelos históricos e epistemológicos tradicionais era negada aos “passadores”, relegados sempre a uma posição secundária nos quadros das hierarquizações culturais. (PERROTI, 2015, p. 09)

O autor nos alerta sobre a importância da consolidação do campo teórico- metodológico no Brasil, através do entrecruzamento de diversas áreas de estudos, mas

também do registro das suas práticas, em diálogo com a teoria. Neste sentido, acreditamos que o registro desta experiência também pode contribuir com os estudos nesta área. Desmistificando, sobretudo, o lugar do mediador, como um mero distribuidor ou decodificador do produto cultural. Mas, apresentando um sujeito extremamente propositivo e observador da realidade cultural em qual se insere, pois o seu olhar para o outro (o público) não é de um consumidor cultural, mas principalmente de sujeito do direito (participar, contribuir e ter acesso a vida cultural), para o pleno exercício da cidadania.

O autor Edmir Perroti (2015) coloca ainda, que a mediação cultural situa-se em um território discursivo, de embates e possibilidades, ao mesmo tempo que de afirmação da influência da esfera pública/instituições na construção do campo simbólico. Diante do exposto, vamos analisar a realização de atividades de sensibilização artística (pré-espetáculo) que originalmente deverá ocorrer antes da fruição do espetáculo. Visto que

no âmbito da mediação teatral pressupõe-se que o público aprenderá, introdutoriamente, os conteúdos específicos do fazer teatral, o jogo cênico e os diversos temas relacionados aos elementos do espetáculo. Esta aprendizagem integra o público e a obra teatral, da forma mais livre, criativa e autônoma possível, favorecendo sua capacidade individual de vivenciar a obra. (WENDELL, 2011, p. 32)

O objetivo deste trabalho foi aproximar prioritariamente o público jovem (a partir de 16 anos) da rede pública de ensino, ao trabalho técnico e estético desenvolvido pelo BJS, a partir de uma vivência prática em dança contemporânea. Contudo no decorrer do trabalho foi ampliada a quantidade de instituições61 atendidas, assim como de públicos (adultos, idosos e portadores de necessidades especiais). O trabalho teve o seguinte planejamento, que foi ajustada a partir da especificidade dos públicos atendido: 1 – Bate-papo sobre o Balé Jovem de Salvador e o projeto Solos Baianos; 2 – Vivência prática em dança (CONTEÚDOS: leitura de imagens, alongamento, consciência corporal, foco, integração de grupo, reconhecimento do espaço etc); 3 – Apreciação do fragmento de um dos solos do BJS 4 – Aprendizado de trecho da coreografia; 5- Bate-papo sobre a fruição assistida e registro da experiência.

61 Fundac /CASE Feminina Universidade Federal da Bahia / Curso de Produção e BI em; Artes Centro

Estadual De Educacao Profissional Em Artes E Design; Colégio Estadual Alípio Franca; Centro de Esporte, Arte e Cultura César Borges; Escola Municipal Alfredo Amorim; Previs- Previdência Social da Prefeitura; APABB - Associação de Pais e Amigos do Banco do Brasil

Para a realização deste trabalho a mediadora cultural com o acompanhamento de um bailarino do BJS, atendeu cerca de oito instituições, totalizando 12 ações de mobilização, recebendo um público de cerca de 180 pessoas. O trabalho desenvolvido teve a carga horária aproximada de 2h e contou com a importante parceria de educadores que nos viabilizou o acesso a dinâmica das instituições. Importante pontuar que devida a demanda em alguns casos, fomos duas vezes à mesma instituição.

Imagem 1 - Jovens do Colégio Estadual Alípio Franca

Crédito Poliana Bicalho

É notória a grande diversidade das instituições, neste trabalho. O que nos aponta o quanto a arte, a dança contemporânea é plural e acessível as mais diversas realidades. Pudemos neste trajeto perceber que independente da escolaridade, muitos jovens/adultos/idosos precisam ter o acesso simbólico ao campo da dança. Foi comum nestes encontros, o questionamento dos públicos sobre que dança é esta? Cadê os passos? Quero dançar?! Desta forma,

pensando nos desdobramentos que a heterogeneidade de interesses para investigar o corpo traz para o campo da dança, é possível observar que de modo geral não existe uma técnica específica de dança contemporânea, ou melhor, na medida em que existem muitas técnicas específicas ajustadas para cada criação e contexto artístico de um grupo ou de um artista, não existe uma técnica única, universal, de dança contemporânea. Não existem códigos

base, comumente chamados de “passos”, com variações ou com utilizações distintas. (VIEIRA, 2012,p.02)

A autora Maria Carolina Vieira (2012) nos esclarece que as diversas técnicas corporais como o balé clássico, o jaz,, hip hop, moderno são importantes, pois ampliam as possibilidades corporais, tanto para o movimento quanto para a criação, mas a ampliação do entendimento de técnica no interior da dança contemporânea lança o olhar para o projeto estético e principalmente para a questão que a obra possui. Neste sentido a autora Helena Katz (2013) coloca que a dança contemporânea realiza um pacto entre palco e platéia, onde não ocorre apenas um fluxo de emissão e recepção de uma mensagem, mas a um lugar para a co-autoria, uma responsabilidade compartilhada entre todos os envolvidos.

Assim, nos interessou na execução destas atividades de sensibilidade artística, foi que os públicos pudessem refletir sobre esta outra experiência estética, estando assim mais disponíveis e talvez motivados para assistir o espetáculo, em um dos teatros, movidos, sobretudo pelo desejo. No trajeto também, pudemos encontrar nos grupos pessoas com necessidades especiais: cego, deficiente físico, deficiente intelectual, ou ainda o encontro com meninas que cumprem a medida socioeducadiva de internação. Estas realidades nos foi bastante desafiador e estimulador para pensar nas possibilidades afetivas e sensíveis do campo da arte, deslocando a profissional da mediação cultural e bailarinos de uma zona de conforto e buscando reajustar um roteiro pré-concebido a partir da escuta do outro.

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