3 GESTION DE CONTENU WEB
4.2 Organisation éditoriale de SPIP .1 Rôles des intervenants
Países pequenos normalmente atraem somente pequenas quantidades de IDE a menos que funcionem como sedes internacionais (Hunya, 2004), o que não acontece com Portugal. Também é habitual verificarmos que os pequenos países normalmente atraem investimentos dos seus vizinhos ricos. O número de estudos empíricos sobre os determinantes de IDE em Portugal é muito pequeno e os seus resultados são muitas vezes contraditórios. De acordo com Rita (2002) a internacionalização da economia portuguesa, nomeadamente, em termos de realização de investimentos no exterior não tem sido acompanhada de um crescimento significativo no sentido inverso, ou seja, de investimento do exterior em Portugal. Se desenvolvermos a mesma análise para a questão dos rendimentos obtidos, vamos constatar diferenças mais significativas, verificando que os investimentos diretos em Portugal pelo Exterior, se apresentam bastante mais rentáveis que os investimentos realizados por Portugal no exterior, se fizermos uma análise inicial com base apenas nos fluxos de investimento direto.
Existem vários estudos, nomeadamente teses de mestrado e doutoramento, que se debruçaram sobre a internacionalização da economia portuguesa, mas do lado do investimento direto português no exterior e não do IDE em Portugal. Muitos destes estudos abordam o investimento português em áreas geográficas específicas, como: Brasil (e.g. Brito, 2001; Costa, 2003 ;
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Mendonça, Farto, Ribeiro, Dias, & Fonseca, 2001; Soares, Ipiranga, & Zourabichvili, 2005), China (Ilhéu, 2006) ou Polónia (Martins, 2005). Outros abordam o investimento português em vários países (e.g. Caldeira, 1998; Fernandes, 2006) e existem, ainda, aqueles estudos que abordam a internacionalização das empresas portuguesas em indústrias específicas, como os Moldes (Crespo, 2002), a Cerâmica (Fernandes, 1999; Viana, 2006) e as Manufaturas/Lã/Vestuário/Textil (e.g. Castro, 2000; Jerónimo, 2003; Ramos, 2003; Ramos, 1995; Raposo, 1996).
Os poucos autores que analisam a atratividade da economia portuguesa para IDE (e.g. Castro, 2000, 2004; Castro & Buckley, 2001; Tavares & Teixeira, 2006) e os relatórios levados a cabo pela Ernst & Young (2005, 2006, 2008, 2009, 2010) permitem concluir que a existência de pesquisa dos determinantes de IDE em Portugal fornece somente visões superficiais do assunto. Os determinantes de IDE em Portugal sugerem uma dicotomia de motivações (Castro, 2000). A lista de determinantes representa uma combinação de variáveis locais, determinantes de internalização e fatores impulsionadores.
A tabela II.9., que compila as principais motivações para a realização de IDE em Portugal, mostra que a motivação dominante parece ser o acesso ao mercado local, assim como o tamanho e crescimento do mesmo. Os baixos custos salariais e o privilégio de aceder a alguns dos mais desenvolvidos mercados na Europa surgem também como determinantes importantes. Outras razões que levam as empresas estrangeiras a investir em Portugal são: a estabilidade política, económica e social, proximidade geográfica e cultural, um “friendly environment”, a imagem de Portugal no estrangeiro, o capital humano, a disponibilidade e qualificação da mão de obra nacional, os custos de transportes, as privatizações, a concessão de incentivos e as políticas governativas de atração de IDE. A procura de mercados nomeadamente para fortalecer a posição competitiva da empresa num mercado global/regional já estabelecido e as condições e concorrência dos países de origem são apresentadas por alguns autores como determinantes a ter em conta. Também as limitações financeiras, tecnológicas e a baixa eficiência das empresas locais foram consideradas como uma atração para os investidores estrangeiros. A importância dos recursos naturais na atração de IDE recebeu um suporte limitado nos estudos apresentados na tabela II.9.
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Tabela II. 9. Resumo de estudos que identificam as principais motivações para a realização de IDE em Portugal (autor/resultado)
Autor (ano) Resultado: principais motivações para a realização de IDE
Matos (1973)
A estabilidade política e monetária e um “friendly environment” são apresentados como as principais vantagens oferecidas por Portugal a investidores estrangeiros. Apesar de pequeno e simples, o mercado doméstico é considerado também um determinante importante. Está protegido por altas tarifas e custos de transporte e pode atingir os mercados coloniais de África. Também a baixa eficiência das empresas locais foi considerada como uma atração para os investidores estrangeiros. Estes optam por Portugal devido aos seus recursos naturais (minério, turismo e celulose) e baixos custos laborais. O acesso privilegiado à EFTA e ao mercado da União Europeia incrementa a atratividade de Portugal.
Carrière e Reix (1989)
Baixos salários, acesso privilegiado ao mercado da União Europeia e recursos naturais.
Saraiva (1993) Baixos salários, acesso privilegiado ao mercado da União Europeia, estabilidade política e social, limitações financeiras e tecnológicas das empresas locais, privatizações e incentivos públicos.
Taveira (1984) A procura de mercado e a capacidade das empresas estrangeiras diferenciarem os seus produtos tendo em conta o tamanho do mercado e a concentração em conjunto com a não interferência do governo, assim como os custos de trabalho. O acesso ao mercado local é também uma importante motivação. Os recursos naturais não foram identificados como determinantes para o IDE em Portugal.
Fontoura (1995) A exploração dos recursos naturais é a principal razão para as empresas estrangeiras investirem em Portugal. Os custos da mão de obra foram considerados irrelevantes, uma vez que o IDE é mais comum na indústria com elevados custos salariais, capital humano intensivo e tecnologia e com economias de escala substanciais. Este estudo concluiu que não existe uma relação entre o IDE e as exportações.
Simões (1997) A decisão de investimento em Portugal é tomada porque o país é membro da UE e é encarado pelos investidores internacionais prima facie como “um lugar na Europa” e não como uma localização independente, autónoma.
Buckley e Castro (1998)
O IDE em Portugal é substancialmente influenciado não só pelas políticas do governo, mas também por eventos políticos externos, como a adesão de Portugal à UE, a queda do muro de Berlim, entre outros.
Castro (2000)
O tamanho e o crescimento do mercado doméstico foram as variáveis com uma associação mais forte ao IDE em Portugal. Outros fatores determinantes associados ao IDE em Portugal: estabilidade política e económica; integração a montante e integração a jusante; acesso ao mercado local; acesso ao mercado UE; condições de trabalho; proximidade geográfica e cultural; expansão passiva; diversificação de mercado; competição no país de origem. Parte da atratividade de Portugal tem sido dependente dos baixos custos salariais e o acesso preferencial aos mercados mais desenvolvidos da Europa. A importância dos recursos naturais na atração de IDE recebeu um suporte limitado.
Buckley e Castro (2000)
Este estudo investiga as caraterísticas do IDE espanhol em Portugal e as diferenças entre os investidores espanhóis e outros. O acesso ao mercado foi identificado como o determinante mais importante do IDE espanhol em Portugal, seguido da proximidade geográfica e cultural. Outros determinantes importantes são as condições no país de origem, estabilidade política e económica e integração a jusante. Custos de laboração e competências têm pouca importância para as firmas espanholas, o que contrasta com a motivação de outras empresas de outros locais. A proximidade tinha pouca importância antes de Portugal e a Espanha entrarem na UE.
Cap ítu lo III In vest im ent o D ire to E stran geiro e Turi sm o
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Autor (ano) Resultado: principais motivações para a realização de IDE
Castro e Buckley (2001)
Usaram os estudos de IDE de Dunning e Mcqueen (1981) e Dunning e Narula (1996) para analisar a evolução da competitividade de Portugal. Condições laborais e estabilidade política e económica foram os determinantes identificados como os mais importantes para Portugal. Competição no mercado de origem, acesso ao mercado local e a internacionalização de atividades a jusante também foram relevantes. Cinco variáveis dominaram a motivação das empresas de manufaturas espanholas para IDE em Portugal. A lista é encabeçada pela necessidade de expandir o volume de negócios do grupo, seguida das expectativas de crescimento do mercado local, estabilidade económica e política e proximidade geográfica.
Ribeiro e Santos (2001); Santos
(1997)
Os principais fatores de atração de Portugal são, por ordem decrescente: os baixos custos salariais; o mercado nacional, isto é, a “necessidade da empresa estar próxima dos seus clientes”; o acesso a outros mercados especialmente comunitários; a disponibilidade e qualificação da mão de obra nacional, os custos de transporte e ainda a proximidade geográfica e cultural. Muitos dos entrevistados (37 empresas estrangeiras) referiram ainda como importante a imagem positiva de Portugal no estrangeiro, visto como um país estável política e socialmente, com mão de obra barata habituada a trabalho industrial, com uma economia em desenvolvimento crescente com um risco agradável para os investidores internacionais. Os resultados do estudo revelam que os investidores começam a dar menos importância a atributos isolados como os custos dos fatores, por exemplo, para exacerbar características como a imagem externa do país e a sua tradição industrial.
Leitão et al. (2003) Nos fatores determinantes do IDE em Portugal tiveram relevância, no passado, os níveis salariais relativamente baixos, bem como a concessão de incentivos.
Ernst & Young (2005)
As forças de Portugal para IDE são: Qualidade de Vida; Estabilidade do clima social e ambiente; Infraestruturas de telecomunicações; Cultura e língua portuguesa; Ambiente político, jurídico e regulamentar claro e estável; Infraestruturas de transporte e logísticas; Aumento potencial de produtividade; Nível de qualificações laborais locais; Qualificações específicas de Portugal.
Tavares e Teixeira (2006)
Este estudo identifica o capital humano como um determinante importante na atração de IDE para Portugal.
Castro (2010)
As empresas investem em Portugal especialmente por razões de procura de mercados, nomeadamente para fortalecer a posição competitiva num mercado global/regional já estabelecido, ganhar acesso a novos mercados regionais/globais e colocar a empresa mais próxima do cliente. As políticas governativas de atração de IDE surgem aqui como necessárias e bastante promissoras. É ainda importante referir que a procura de recursos é cada vez menos uma razão para o investimento em Portugal, o que é uma mais-valia para o país na medida em que deixa de ser tão procurado por motivos como baixos custos salariais. Portugal começa a ser procurado por motivos de eficiência.
Fonte: elaboração própria
Cap ítu lo III In vest im ent o D ire to E stran geiro e Turi sm o
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