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Organigramme fonctionnel

Dividendes distribués au cours des trois derniers exercices

SENSIBILITES DE LA NOTATION

VII.1. Organigramme fonctionnel

Os dias se repetem. Apenas as duas, jovem e velha, sozinhas no meio do mato. – A senhora não se sentia muito sozinha, antes da minha chegada? – Não, Mariana, eu nunca estou sozinha. – Como não? A Guardiã do Fogo já estava lá fora. Mariana sabia que não devia ir atrás. Estava aprendendo que nem tudo tem resposta. [...] – Mas é tão difícil tentar romper as barreiras e os preconceitos das pessoas e da sociedade. – Mas é preciso, Mariana. É como a morte. Todos sabemos que vamos morrer. Podemos passar a vida sofrendo com essa ideia ou podemos encarar a morte como uma passagem e uma transformação. Mais uma vez, só depende de nós. – É tão complicado entender a morte. Quando eu era pequena eu tinha medo de morrer. Ficava pensando o que aconteceria com as pessoas se o mundo acabasse. Eu era bem pequena. Lembro que chorava e tinha pavor só de pensar nesta hipótese. Me perguntava pra onde iriam as pessoas e os dias. “Pra onde vão os dias que passam, mãe?” Ela sempre respondia “que eles iam pra eternidade”. Na minha lógica de criança, eu ficava imaginando como deveria ser grande a tal da eternidade, pra caber tanto dia. A gente é tão ingênua quando é criança. Agora sei que esses dias se tornaram minhas lembranças. Recordar tudo isso é muito bonito. Mas é muito doloroso também. [...] Ninguém cresce sem dor, Mariana. Isso faz parte do nosso aprendizado na vida. Todas as épocas e todas as gerações obedecem ao ciclo de vida. Você é parte desse ciclo há muito tempo. – Como assim? O que você quer dizer com muito tempo? – Eu estou falando sobre vida, morte e nascimento. A morte e a eternidade são como a flor que lhe dei. Ela floresce sempre no seu tempo. Morre. Suas sementes caem no chão. Germinam e outra flor nasce naquele lugar. Pense nisto

A transcrição acima mostra o relacionamento entre uma Jovem e uma Velha. Esta última assume o papel de guia e conselheira espiritual; é a orientadora, a Mulher Sábia que inicia a Jovem Mariana num mundo que ainda lhe é desconhecido; aquela que mostra o caminho que deve ser seguido durante a longa jornada em busca da natureza interior.

A Jovem iniciada ainda não se sente familiarizada com todas aquelas novidades que a cercam, com os mistérios da Floresta, da Cabana da Velha, do Fogo, de cada etapa que deve ser seguida minuciosamente, de cada tarefa que deve ser realizada com zelo porque faz parte de um processo ainda maior que é a sua preparação para a vida e seus transtornos, para as dificuldades que certamente encontrará pela frente. A Velha tem a missão de transportar a Jovem Donzela para o mundo adulto e para que ela possa enfrentar essa nova realidade, precisa estar preparada. Como uma Mãe, a Velha repassa as diretrizes da vida para Mariana, ensinando e aconselhando a menina no caminho que deve andar.

Mariana estava tendo a oportunidade de compreender a sua natureza e tudo o que com ela viria junto, acrescentado. Passo a passo estava percebendo que fazia parte de um grande ciclo que incluía a semeadura, o amadurecimento e a colheita. Agora ela é uma Jovem Donzela dando os primeiro passos para a vida adulta, em que possivelmente, se tornará também Mãe. Quando tiver adquirido a maturidade, poderá também aconselhar outras meninas, repassando os seus conhecimentos adquiridos como uma Velha Sábia. Todas essas mudanças sofridas pela personagem são notadamente doloridas e desconfortantes para ela. Como diz Gould (2007, p. 63), a dor e o sofrimento parecem, de fato, acompanhar cada estágio da vida de um ser humano em transformação. Quando atravessamos de um nível para outro da vida, nunca nos sentimos totalmente seguros, confiantes e preparados para tal mudança. É sempre desconfortante a dor que a garota sente na primeira relação sexual, bem como as dores do parto quando se dá à luz; passar de dona da casa para mulher de negócios; de esposa a viúva e depois a amante e a mulher solteira novamente. Todas essas mudanças envolvem sofrimento e nunca estamos preparados o suficiente para transpormos as etapas da vida e nos tornarmos despercebidos pela dor. As metamorfoses e as mudanças de consciência que sofremos da infância à idade adulta, nos afligem e inquietam nosso ser.

A Jovem, a Mãe e a Velha fazem parte do ciclo de nascimento, vida e morte. Constituem, portanto, as forças de criação, manutenção e destruição, que são parte

do ciclo da vida e da Natureza. Mariana faz parte desse ciclo contínuo de vida e esta é a comprovação de que o fim não constitui a estagnação de tudo, mas representa um recomeço.

Mariana é a Donzela que está sendo iniciada num processo de transformação da puberdade para a maturidade, antes do casamento, ao mesmo tempo em que está sendo preparada para ser Mãe e esposa. Por fim, se tornará uma Velha Sábia e poderá, então, dar continuidade à tarefa de iniciar outras jovens, contribuindo, então, para a permanência do grande ciclo vital do qual também é participante. É o que a escritora Jamie Sams (1993, p.14) chama de “rica experiência da partilha”, um trabalho realizado no sentido de ajudar às pessoas a melhor compreender a si mesmas e a todas as suas relações. Mariana reconhece a beleza e a grandiosidade presentes nos ensinamentos que recebe da Velha e passa a perceber que todas as coisas positivas devem ser partilhadas com os outros.

Em sua jornada, Mariana aprendeu muitas lições com os diversos Guias que surgiram no seu caminho. Ao observar cada ajudante, foi possível aprender as novas lições que a natureza estava tentando transmitir. O homem da Floresta, a própria Floresta, as árvores, a cachoeira, a Montanha, a Gruta... Mas de todos estes, o Guia que mais chamou a atenção de Mariana foi a Velha Guardiã do Fogo. A Jovem sentiu-se atraída pela Velha porque ela lhe ensinava através da sábia linguagem do amor, o que a tornou totalmente receptiva, permitindo que a mensagem fosse devidamente recebida.

1.4 Mariana: a face Donzela da Deusa no conto Pra onde vão os dias que