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Ordonnancement du graphe de test en-ligne

4.2 Verication de calcul

4.2.5 Ordonnancement du graphe de test en-ligne

No início da entrevista um dos elementos do grupo assinalou que para investigadora a questão da infertilidade era um ponto fechado, daí o avanço para a gravidez. Isabel anunciara uma grande história, mas depois não funcionou, não correu como desejava. Contou que a boa história era também a má história, duplicava os sentidos e o problema ficava duplicado.

Estava fixada no universo do ponto porque retirava história e a investigadora ia propondo o tempo, para a retirar do ponto denso da impossibilidade. Para ela os tratamentos de infertilidade sobrepunham-se à gravidez. Falava em dois corpos, o corpo que engorda e depois o corpo da gravidez, não os juntava como se pode mostrar no seguinte trecho:

(I) Lembra-se quando começou a sentir o corpo a modificar-se?

(M) Mas como? Por causa da gravidez?... Quer dizer… É assim, eu não senti logo porque os tratamentos engordam muito, incham muito… já tinha alguma barriga por causa dos tratamentos, então depois é que comecei a sentir mais… e agora já tenho uma barriga muito grande (ri).

A investigadora ia mudando de ângulo durante a entrevista, não estava à procura do que lá estava mas a propor ângulos, a fazer uma reposição de qualquer coisa que ela tinha tirado e o que propunha repor era o tempo, falando do corpo a modificar-se, da vida a modificar-se.

(I) Modificaram muito a vossa vida para conseguirem esta gravidez?

(M) Este é o nosso objetivo principal… há quatro anos que vivemos para conseguir ter um filho… Estamos casados há sete anos… éramos muito novos, casámos aos 24, ele tinha 23 e eu 24… depois pronto, passados três anos de casados pensámos ter filhos… éramos novos… Modificámos muito a nossa vida porque esta é uma gravidez mais exigente tanto fisicamente como… mas muito mais psicologicamente… porque quando há qualquer coisa negativa é uma deceção… apesar de claro, a punção custar e a aspiração de ovários… mas isso aguenta-se, agora quando vêm coisas negativas…

Ela estava fixada no ponto em que não era, na turbulência. Nela não havia ambivalência mas paralelo.

Estes dados permitem-nos considerar que na narrativa de Isabel havia um predomínio dos estados mentais mais primitivos da mente, dos estados protomentais, pelo que a comunicação se dava num nível concreto, o seu O era rígido e com pouca capacidade de tolerância à experiência emocional de frustração (Bion, 1962/1991a). Estava grávida de si própria, daí a dificuldade que tinha em suportar a dúvida e a incerteza.

No seu dizer destacava-se a duplicação de sentidos, todo o seu ser e estar pareciam ter parado no tempo da impossibilidade e na coexistência de um bebé sobrevivente com um bebé morto. Perdida no tempo e no espaço, não se focava na gravidez do filho. Não sabia se

conseguiria apropriar-se do bebé. Desapossada, fazia emergir a ideia de dano que tinha como sendo da sua responsabilidade.

No global verificava-se que a investigadora não saindo do lugar onde Isabel estava, ia propondo vários organizadores. A comunicação passava por se prestar a reverberar a sonoridade dela.

Na fala intercalada do marido verificava-se que ele se igualizava a ela, punha-se lá e ela logo a seguir dicotomiza-se com ele. Ela sabia que ele tinha que ser outro. No reconhecimento da sua falta, Isabel constituía o outro para colmatar a falta dela. Ela dava-lhe um lugar. O lugar dele era o de completar as falhas dela.

A investigadora sublinhava o que ela necessitava: Que fossem os dois diferentes, percebendo o que ela precisava, era como se dissesse, então, vamos lá falar disso:

(I) E como é que imagina o seu marido como pai e a Isabel como mãe?

(M) Acho que vai ser um bom pai, acho que vai ser o melhor pai (sorri)… é calmo… é ponderado, é tudo o que eu não sou (ri)… eu como mãe imagino-me mais stressada, acho que vou ser um bocadinho mãe galinha, acho que vou fazer-lhe todas as vontades, o pai é que terá que por ali um bocado (ri) travões.

Nesta resposta diz o que espera do marido, a diferença. Como se dissesse: Para eu ser, preciso de um marido assim, mas depois não conseguia ser. Adiante na entrevista pudemos aperceber-nos que ela não sabia constituir nada, o filho era um misto dela e do marido. Somava sem integrar, o somatório A + B não era uma unidade. O objeto incoerente era a chave da coisa. Quando procurava constituir uma temporalidade situava-se em linhas paralelas. Saía do ponto fixo, o tempo e o espaço não lhe serviam de organizadores. Um estava ao serviço do outro, um revelava o outro. A questão aqui tinha a ver com as origens, ela não se inscrevera na filiação.

(I) Então, como é que imagina o João?

(M) Imagino-o parecido com ele (ri), não sei porquê acho que vai nascer parecido com o pai… vai ser muito mimado (ri), coitadinho, acho que vai ser irrequieto, vai chorar muito durante a noite, estou preparada para isso… vai ser bonitinho… pelo menos é como eu penso… mas é como for… e depois os feitios também têm a ver com a educação…

Em grupo dei-me conta do meu movimento, eu ia para a frente não só por não querer esmiuçar a infertilidade, mas também por sentir que a Isabel estava fixada no ponto em que não era, na turbulência. Ela não desenvolvia os temas “que eu queria”, não se ligava à vida e à história da gravidez.

Através da análise em grupo pudemos compreender que tinha havido uma apropriação emocional, daí a investigadora utilizar o mesmo tom. Captava o tom dela, falava sobre isso e propunha organizadores espaço-temporais. O que se destacava na entrevista era a dinâmica intersubjetiva inconsciente, um lugar vivido onde se é verdadeiramente, que não é um lugar onde se fala mas um lugar onde se é. A contratransferência é onde se sabe, se faz e se realiza. Nesta entrevista pode ver-se uma ilustração da comunicação profunda que ocorre e que estávamos a procurar saber qual é. Não se conhece profundamente o que lá está senão através da análise contratransferencial.