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How optimistic or pessimistic are you that, with the proper use of resources, the spread of the HIV can be stopped by 2015?

Para além do terceiro momento da cultura digital, que trata o lugar como eixo central de funcionalidade e articulação, o quarto momento identificado traz dois elementos concomitantes em sua estrutura principal. O primeiro deles tem a ver com o acesso à internet e à produção de conteúdo, tendo a mobilidade como novo paradigma desse momento. Embora ainda se possa acessar a internet por meio de computadores fixos, as viabilidades técnicas dessa fase já ultrapassa- ram o conceito de computador estático e lidam com as ideias de ubiquidade e computação espalhada. Potencialmente, espera-se que boa parte dos objetos co- tidianos estejam conectados em rede e sensíveis ao contexto espacial – muita embora o telefone celular seja o exemplo maior dessa hiperconectividade.

A mobilidade, nesse cenário, diz respeito não só à possibilidade de locomo- ção como também à relação dos objetos e dispositivos eletrônicos com seu entor- no. O lugar continua tendo um papel preponderante, mas não necessariamente

precisa lidar com as manifestações experimentais das primeiras iniciativas em mídias locativas (que realmente o colocavam em destaque): ele pode servir, afi- nal, como contextualizador das dinâmicas sociais. É esse papel levemente des- centralizado que nos faz indicar a ocorrência de um novo momento. Se, nas ex- periências iniciais das mídias locativas a relação com o lugar precisava do papel principal a fim de angariar as atenções às novas capacidades técnicas daquele momento, agora a localização pode ser posta num papel dialógico com outros recursos tecnológicos.

O segundo elemento que compõe o eixo desse novo momento são as redes sociais mantidas e visualizadas por meio técnico. Os sites de redes sociais não criaram o conceito de “rede social”, uma ideia trabalhada em áreas diversas, como Ciências Sociais e Matemática, mas conseguiram erigir uma metáfora para um novo tipo de ambiência paradigmática – que, a um só tempo, nem são blogs pessoais nem comunidades virtuais, mas trouxeram um pouco de cada. Nessas ambiências, a persistência, a visibilidade, a espalhabilidade e a buscabilidade (BOYD; ELLISON, 2011) dos dados digitais possibilitam que todo o conteúdo, in- cluindo os laços estabelecidos, assumam um aspecto de portabilidade. Ou seja, podem ser “transportados” para diferentes tipos de ambiências e acessos, in- cluindo os aplicativos para smartphones.

Em outras palavras, ao se depararem com o potencial (desestabilizador, a priori, mas repleto de oportunidades, a posteriori), os sites de redes sociais precisaram se reinventar em suas proposições. Uma vez que os sites de redes sociais passaram a atuar como ambiências eletrônicas cujo alicerce é a identi- ficação e a ligação de pessoas entre si, as invenções posteriores, especialmente a transposição dessa estrutura nodal para o dispositivo móvel, possibilitaram a imediata correlação de indivíduos com a prática do espaço – daí o surgimento de redes sociais baseadas em localização. (SUTKO; DE SOUZA E SILVA, 2011) Mas o próprio movimento visualizado em nosso histórico nos leva à compreensão de que plataformas de redes sociais estão se deslocando para os dispositivos móveis e sendo mescladas a recursos georreferenciais.

A passagem do século XX para o século XXI trouxe a capacidade de pessoas mapearem digitalmente a si e a seus laços sociais, sublinhando a ocorrência de uma espécie de olhar rizomático que traça linhas (invisíveis, mas rastreáveis) a ligarem os indivíduos e explorarem as decorrências dessas ligações. O espaço, nesse caso, vai além de acolher as pessoas, estabelecendo um diálogo que, a um

só tempo, cria as bases para sua própria transformação e desafia a forma como os elos e as dinâmicas sociais se estabelecem.

É diante desses desafios que enxergamos um movimento duplo de integração e incorporação de sensibilidade à localização e elos sociais como fomentadores de dinâmicas em rede. Nesse contexto, tanto a espacialidade quanto os laços que uma pessoa tem com outras atuam na maneira como os dados em rede são coletados, contextualizados e ofertados de volta sob a forma de serviços, conteúdos, buscas, dentre outras possibilidades. Isso significa que não só a espacialidade é apreendida e construída de forma a depender desses laços, como as próprias redes sociais já não mais se localizam num espaço etéreo e, supostamente, sem relações com a materialidade cotidiana. Esse cenário, diante de tais correlações de dados, oferece algumas possibilidades que já se desenham com certa clareza, como o uso da localização para a proposição de dinâmicas momentâneas e o uso concomitante de dados georreferenciais e de laços sociais, ambas possibilidades aplicadas a serviços, softwares e dispositivos digitais. Além disso, frisa-se com isso a natureza social do espaço (LEFEBVRE, 1991) e que lugares e localizações não independem do olhar e das dinâmicas hu- manas. Compreende-se, assim, que espacialidade pode influenciar diretamente na oferta, no consumo e na produção de informações, tanto quando baseadas na localização quando baseadas na temporalidade das ações e até no histórico de movimentações individuais e de amigos próximos.

Na medida em que essa quarta fase toma as ligações sociais dos indivíduos para a formação do seu eixo central, ela ainda sublinha a pessoa e sua indivi- dualidade como elemento crucial para o funcionamento de serviços, aplicativos, sites etc. A própria localização, afinal, também ressalta essa dimensão indivi- dual, especialmente ao criar um elo entre um perfil pessoal e suas movimenta- ções. Isso nos leva ao entendimento mais claro de que, para todos os efeitos, esse momento se distancia das proposições temáticas daquele primeiro visualizado e toma os mesmos eixos do segundo e do terceiro momentos, integrando essas duas colunas paralelamente. Dessa forma, nem os laços sociais nem a localiza- ção contam mais que o outro: os dois tipos de dados ajudam na composição e na proposição de dinâmicas em rede. Contudo, esse movimento e seu caráter indi- vidual não implica num isolamento da pessoa (mesmo porque ela está conecta- da a outros indivíduos): apenas sublinha o aspecto personalizado que modelos de negócio, aplicações e produtos diversos nesse contexto se apresentam.

Tendo em vista esses aspectos considerados, propomos no Quadro 1 uma atualização do que já foi apresentado, alocando um quarto momento da cultura digital, o qual tem, como eixo central das dinâmicas sociais e do funcionamento de aplicações e serviços, uma dupla arquitetura e utilização de dados relativos à espacialidade e aos elos sociais dos indivíduos em rede. Nesse quarto momento, assim, localização e redes sociais entrecruzam-se, arrematando em si um aspec- to de materialidade e disposição de informações em rede.

Quadro 1 - Momentos da cultura digital quanto à relação do espaço com as formas sociabilidade em rede

Momento Eixo central das articulações em rede

O papel

do espaço Relação entre o espaço e as formas de congregação social

Paradigma de acesso à internet / natureza das informações

1º momento Tema como eixo central.

O espaço e suas constrições são vencidos.

Espaço como metáfora.

Espaço serve de tema e contextualização das pessoas (cidade natal, cidade de moradia etc.). Criação de ambiências pautadas em metáforas (salas, canais etc.)

Computador fixo e pessoal; informações comuns a todos.

2º momento Pessoa como

eixo central. Espaço desconstruído e expandido: as ambiências não lidam com metáforas e um novo espaço é erigido.

Ligações interpessoais pautadas em indivíduos como nós de uma rede.

Computador fixo e pessoal; informações e interações personalizadas. 3º momento Lugar como eixo

central. Espaço interfere no funcionamento. Congregações presenciais; o espaço serve de contexto. Telefones celulares; informações e interações personalizadas. 4º momento Localização e elos sociais no eixo central Espaço desconstruído e expandido: sites de redes sociais explodem em networked publics. Espaço interfere no funcionamento.

Ambiências acessíveis por dispositivos móveis. Dinâmicas sofrem interferência dos elos sociais e da espacialidade Dispositivos móveis em geral (smartphones, tablets, smartwatches); informações e interações personalizadas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao questionarmos o papel do espaço para as interações eletronicamente media- das, buscamos, neste texto, entender como a sociabilidade encontrou formas específicas perante a espacialidade e as ambiências digitais. Está claro que, em termos comunicacionais, outros formatos próprios desse campo de estudo (jor- nalismo, fotografia, audiovisual, política etc.) apresentam seus próprios históri- cos, seus marcos e suas estruturações distintas. Portanto, quando visualizamos

o caminho apresentado, compreende-se que esse resultado se remete a uma di- mensão interacional do cotidiano.

A estruturação desses momentos (especialmente o quarto) não diz respeito ao futuro, mas aos anos recentes e, no máximo, às tendências visualizáveis para etapas a seguir. Nesse sentido, tanto as áreas de criação de aplicações e soluções digitais quanto as das pesquisas científicas devem seguir atentas aos dispositi- vos móveis como campos de interesses, de produção da cultura, de incorpora- ção tecnológica e de desenvolvimento social. Assim, é necessário entender que as dissociações e as preocupações territoriais de outros tempos já não fazem o mesmo sentido. Se as décadas de 1990 e de 2000 testemunharam uma massiva “migração” para a web enquanto seara de atuações, com suas metáforas visuais e conceituais (desktop, interfaces gráficas), a fase de “download” do ciberespaço (LEMOS, 2009) já punha em xeque aquele espectro de “alucinação consensual” anteriormente frisado e, agora, os dispositivos móveis - quer sejam celulares, quer sejam wearables – devem ser entendidos como o paradigma de conexão constante e de mediações nas interações. Ao mesmo passo, a ubiquidade e a pervasividade da cultura digital serão outras dimensões a explorarem o espaço conceitual e empiricamente.

A espacialidade, agora atrelada aos elos sociais, apresenta-se como um dos recursos tecnológicos e simbólicos que interferem significativamente nas re- lações, interações e congregações efetivadas em rede. O espaço não mais é um elemento entendido como continente nem meramente físico: é apreendido e produzido por meio de códigos-fonte, softwares, sensores e ferramentas digitais. Além disso, saiu de um patamar de uso metafórico e de contextualização (salas de chat, por exemplo) para um nível em que, ao mesmo tempo, sublinha sua mate- rialidade e imaterialidade: é atribuído ao cotidiano sob a forma de metadados de localização, que são produzidos efetivamente a partir da própria espacialidade.

Em conjunção, tecnologias que lidam com o espaço e as redes sociais cami- nham para um amadurecimento em termos de funcionalidade de serviços em rede. Essa ideia já se mostra com clareza quando visualizamos o modo como aplicativos e recursos básicos dos smartphones realizam a leitura da localização e de contatos pessoais. Serviços voltados à locomoção (Uber, 99, Waze), à pa- quera (Tinder, Grindr, Happn), à busca espacial (Google, Foursquare) e mesmo as principais redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram) abarcam a localização e a contextualização espacial como dados produtores de novas relações de uso,

fruição e sociabilidade – agora não mais de maneira experimental, mas de forma silenciosa e mesmo subentendida. Essa incorporação discreta do espaço e da lo- calização aos serviços, às redes e às tecnologias em geral é um demonstrativo de que informações, interações e funcionalidades estão sendo compostas e progra- madas a partir de contextos espaciais e sociais, ou seja, levam em consideração não apenas localizações específicas, cidade natal ou de moradia, mas também buscam realizar leituras de elos sociais (amizades, laços de trabalho, familiarida- de etc.) para compor dinâmicas individualizadas e circunstanciais. Dessa forma, cada um dos momentos é um indício de demarcação paradigmática, com uma consequente superação de cada um deles em busca de novos formatos e práticas sociotécnicas. Espera-se, assim, que, tendo em vista conceitos como cidades in- teligentes, objetos conectados, computação pervasiva e wearables, uma vez mais o espaço passe por novas transformações conceituais e empíricas diante do sur- gimento e da ampla adoção dessas novas tecnologias.

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PERFORMATIVIDADE E CONFLITOS ENTRE