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2.1. A amostra – Considerações gerais

Nesta secção, apresentamos a exploração de um corpus alargado (corpus 1) de mais de 1000 produções e registos escritos compilados ao longo de vários anos e de um outro corpus (corpus 2), extraído deste, circunscrito aos anos letivos 2009/10 e 2010/2011, uma vez mais, e tal como no capítulo anterior, sem esquecer a interligação com o suporte teórico, restantes elementos empíricos e todo o trabalho de campo implícito nas observações diretas e nos registos por nós produzidos.

Este corpus alargado (corpus 1) compreende atividades de escrita diversificadas (escrita criativa101, textos de opinião102, escrita seguindo determinado género/modelo

101 Estas atividades/estes exercícios são, pelos alunos e por nós, muito bem recebidos e revelam-se muito eficazes

textual, testes, etc.), que foram realizadas durante o trabalho de mestrado (2007) – atividades de desenhografia, em escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, ensinos de tipo público e privado103, deste doutoramento e o restante corpus resulta da nossa experiência profissional, dos últimos anos letivos, com turmas do 3.º Ciclo (público e privado), mas essencialmente do Ensino Secundário (público e privado), de Cursos de Aprendizagem em Alternância (nível III) e ainda de Cursos Tecnológicos (nível IV), uma turma de Ensino Profissional, duas turmas CEF, um curso EFA e um CET.

A opção por, numa primeira fase, analisar diversos registos de diferentes níveis e tipos de ensino provém dos resultados do nosso trabalho de mestrado, no que ao EO diz respeito, apresentando-o como transversal, e a uma necessidade de perceber se há, também a outros níveis, EE e dificuldades transversais, isto é, comuns a diferentes níveis e tipos de ensino.

Numa fase inicial, prospetiva, diríamos, e numa perspetiva de avaliação qualitativa deste corpus alargado (corpus 1), procedemos à análise (leitura atenta, verificação, sublinhados de cores diferentes atendendo ao tipo de erro e criação de uma listagem de EEs) de centenas de documentos escritos autênticos, de diferentes géneros, níveis e tipos de ensino, que temos reunidos em várias capas de arquivo104 (e que atrás denominamos por “base de dados”/fonte de informação).

Desta inicial verificação resultaram as primeiras impressões e uma lista, que a seguir apresentamos, das características gerais do corpus, no que toca a erros e dificuldades de escrita:

ANÁLISE CORPUS 1

Identificação e registo de EE evidentes no corpus: – Ortografia - erros ortográficos de diferentes tipos;

– Acentuação - inexistente e/ou colocação errada - local e tipo de acento gráfico;

revelam-se momentos de muita fruição… de prazer através da escrita, principalmente quando são realizadas(os) ao ar livre e/ou associadas(os) a cores, cheiros, sons, música,… isto é, através do apelo e envolvimento de todos os sentidos.

102

Igualmente muito importantes, especialmente se sobre um tema de interesse geral e/ou do aluno, se atual e se com intenção de ser editado (Jornal da Escola, online, outros).

103 Três turmas do 4.º ano eleitas por não termos experiência de ensino neste nível; três turmas do 9.º ano de

escolaridade, por representar o final da escolaridade obrigatória.

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Pensamos digitalizar estes materiais, incluí-los num CD e disponibilizá-los para eventual consulta. No entanto, e atendendo ao volume (mais de 1000 produções escritas) não nos pareceu exequível fazê-lo (pelo menos até à data de entrega deste trabalho). Em suporte papel serão sempre por nós disponibilizados para consulta e em CD, a seu tempo, teremos uma seleção de alguns exemplares representativos de cada nível e tipo de ensino e/ou género textual.

– Construção sintática da frase - errada colocação dos constituintes da frase; frases incompletas; errada ou inexistente ligação entre frases ou parágrafos; organização e ligação frásicas incoerentes (intra e inter);

– Pontuação - inexistente e/ou colocação errada dos sinais; – Concordâncias - errada entre Suj./Pred., outras;

– Regência - nominal e verbal incorretas;

– Coesão/Coerência - dificuldades com a utilização dos pronomes, com o léxico; pouca variedade e repetição no uso de conectores (frequentemente são usados apenas os seguintes: pois, porque, mas,…) e de outras palavras e expressões de ligação;

– Léxico - desadequado (in/formal); repetido, dificuldades ao nível da seleção, qualidade, variedade;

– Texto - a organização da informação não é coerente nem coesa; não há ou são deficitárias as estratégias utilizadas para assegurar os interesses dos leitores; desconhecimento e/ou incumprimento das regras do género de texto utilizado; falta de coerência da estrutura global do texto;

– Ideias/Conteúdo - A qualidade e clareza da informação mobilizada, das ideias que se pretendem defender, transmitir,… nem sempre são asseguradas; dificuldades ao nível da formulação e articulação das ideias, porque os alunos apenas as acrescentam sem as relacionar, somam ideias que não têm nada a ver umas com as outras, misturam ideias diferentes no mesmo parágrafo, etc.;

– Adequação do escrito às finalidades visadas (falta de); – Apresentação (descuidada);

– Caligrafia (ilegível);

– Intenção comunicativa (não há uma intenção comunicativa previamente determinada); carece a voz do autor;

– Outros.

Como se pode depreender pela quantidade de itens e pelo número de documentos (re)avaliados não seria exequível tratar com a necessária profundidade todos os elementos que registamos nesta lista e todos os documentos que reunimos. Acresce o facto de que, a

dada altura, a nossa lista de verificação atingiu o “ponto de saturação”105, uma vez que as tipologias de erros e dificuldades de escrita se repetiam e nada de novo e/ou relevante se encontrava.

Por sua vez, alguns destes registos apresentam um caráter pouco objetivo e, por isso, de difícil organização, classificação e justificação em termos de rigor científico. Temos aqui informações que poderíamos reagrupar, por exemplo, como: representação gráfica (acentuação, ortografia, pontuação,…); morfologia (flexão em género, número, caso; grau; flexão verbal; processos de formação de palavras;…); sintaxe (pontuação, constituintes da frase, funções da frase, articulação entre constituintes e entre frases…); léxico (semântica lexical, polissemia, sinonímia,…); análise do discurso (intenções comunicativas); e ao nível do texto, coesão e coerência; etc.

Interessou, pois, num segundo momento, encurtar o número de documentos a analisar e de EE a estudar, objetivar e declarar critérios quanto à tipologia de erros e dificuldades a utilizar para análise e para a demonstração e experimentação do funcionamento do código de apoio à revisão (CAR).

Pelas razões apontadas, criamos, a partir do corpus 1, o que designamos por corpus 2 e que merecerá, de seguida, uma atenção privilegiada.

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