como fonte de informação nas classes de comportamentos gerais constituintes da classe mais geral “Intervir no subcampo de atuação profissional de psicoterapia com apoio de cães”.
5.3 Distribuição não homogênea das classes de comportamentos identificadas nos diferentes âmbitos de abrangência do sistema comportamental indica classes ainda desconhecidas que necessitam serem descobertas
Ao analisar a Tabela 5.13 e a Figura 5.2 é possível constatar que as classes de comportamentos identificadas ficaram concentradas principalmente nos âmbitos de abrangência “Classes de comportamentos que constituem procedimentos para (como) fazer o que precisa ser feito” e “Classes de comportamentos relacionadas ao manejo de instrumentos ou recursos envolvidos com o que precisa ser feito”. No âmbito de abrangência “Classes de comportamentos que constituem procedimentos para (como) fazer o que precisa ser feito” a distribuição nos sub- âmbitos fica mais equilibrada, 41 classes estão alocadas no sub-âmbito “Operações envolvidas em uma tarefa – OP” e 46 no sub-âmbito “Ações constituintes de uma operação – AC”. Já com relação
158 ao âmbito de abrangência “Classes de comportamentos relacionadas ao manejo de instrumentos ou recursos envolvidos com o que precisa ser feito” não ocorre o mesmo. Das 68 classes alocadas nesse âmbito de abrangência, 51 classes estão alocadas no sub-âmbito “Comportamentos imediatamente relacionados à maneira de fazer algo – A” e 17 classes no sub-âmbito “Comportamentos relacionados ao conhecimento sobre a maneira de fazer algo – B”. Essa diferença revela a necessidade de identificar mais classes além das já identificadas com relação aos conhecimentos sobre a maneira de fazer algo.
A desproporção também existe entre os próprios âmbitos de abrangência. O âmbito de abrangência “Classes de comportamentos relacionadas a situações ou ocasiões para fazer (ou deixar de fazer) algo” tem 18 classes de comportamentos alocadas, o que representa 9% das 196 classes de comportamentos identificadas. Nesse âmbito de abrangência foram identificadas oito classes do sub-âmbito “Classe de comportamentos relacionados ao manejo de instrumentos ou recursos envolvidos com o que precisa ser feito” e 10 classes do sub-âmbito “Comportamentos relacionados aos conhecimentos sobre instrumentos e recursos para fazer algo”. É possível encontrar na literatura com mais facilidade descrições sobre como preparar uma intervenção e como executá-la em um âmbito mais abrangente (Delta Society, 1996; Burch, 2003; Dotti, 2005; Fine, 2006) do que exames mais detalhados dessas intervenções que descrevam comportamentos relacionados ao uso de instrumentos e aos conhecimentos relacionados ao uso desses instrumentos. Com relação ao sub- âmbito “Classes de comportamentos relacionadas a conseqüências ou decorrências de fazer (ou deixar de fazer) algo” a desproporção é maior ainda, pois não foi identificada nenhuma classe de comportamento pertencente a esse âmbito. Tal fato pode ser analisado levando em consideração que essas classes são as menos abrangentes de todas. Como os exames sobre a intervenção em psicoterapia com apoio de cães ainda são limitados, principalmente no que diz respeito à investigação dos processos psicológicos envolvidos, é provável que âmbitos mais microscópicos de análise sejam mais incomuns na literatura. Em sua obra sistematizadora sobre terapia assistida por animais Dotti (2005) destaca a necessidade de estudos que compreendam esse tipo de intervenção como processo psicológico.
Com a distribuição das classes de comportamentos identificadas nas classes gerais de comportamentos ocorreu o mesmo que com a distribuição dessas classes nos âmbitos de abrangência. Houve uma concentração das classes de comportamentos identificadas nas duas classes gerais “Projetar a intervenção de psicoterapia com apoio de cães” e “Executar a intervenção em psicoterapia com apoio de cães projetada”. As duas classes juntas constituem 88%
159 das classes organizadas nessas classes mais abrangentes. Desse modo, também é possível perceber a necessidade de identificar mais classes de comportamentos referentes às classes mais gerais de “Caracterizar necessidades de intervenção com psicoterapia com apoio de cães” e “Avaliar a intervenção em psicoterapia com apoio de cães executada”.
Ainda que as classes de comportamentos identificadas sejam provenientes de um único capítulo de uma obra que faz referência ao processo de seleção de animais para a intervenção, a distribuição das classes de comportamentos entre as classes mais abrangentes de comportamentos é compatível com a ênfase encontrada na literatura (Delta Society, 1996; Burch, 2003; Dotti, 2005; Fine, 2006) sobre a preparação da intervenção e a execução da intervenção propriamente. As classes identificadas e sua organização em um mapa geral dessas classes organizadas em âmbitos de abrangência podem, ainda que de forma incompleta, orientar o ensino desses comportamentos, ou intervenções diretas de profissionais de psicologia no subcampo de atuação profissional de psicoterapia com apoio de cães.
5.4 A identificação de 196 classes de comportamentos de intervenções de psicólogos em psicoterapia com apoio de cães é uma contribuição para a orientação da atuação de profissional nesse subcampo de atuação profissional, mas ainda é apenas um começo
Ao longo das 24 páginas do capítulo The art of animal selection for animal-assisted activity and therapy programs escrito por Frederickson-MacNamara e Kris Bulter e contido na obra Handbook on Animal Assisted Therapy: Theoretical foundations and guidelines for practice organizada por Aubrey H. Fine foram identificadas 193 classes de comportamentos referentes a intervenções em psicoterapia com apoio de cães. Outras três classes de comportamentos que somadas às 193 classes identificadas totalizam as 196 classes obtidas nesta pesquisa, foram obtidas por meio do exame de outras duas referências que tratavam especificamente de intervenções sobre fenômenos e processos psicológicos. Essas três classes de comportamentos obtidas por meio do exame dessas duas referências (Botomé e col., 2003 e Mattana, 2004) são classes gerais que possibilitaram, juntamente com outra classe de comportamentos identificada no capítulo de MacNamara e Butler (2006) organizar as demais classes de comportamentos identificadas nos âmbitos de abrangência do sistema comportamental elaborado como resultado deste trabalho.
160 Retirando a classe mais geral “Intervir no subcampo de atuação profissional de psicoterapia com apoio de cães” e as quatro classes gerais “Caracterizar necessidades de intervenção com psicoterapia com apoio de cães”, “Projetar a intervenção de psicoterapia com apoio de cães”, “Executar a intervenção em psicoterapia com apoio de cães projetada” e “Avaliar a intervenção em psicoterapia com apoio de cães executada” restam 191 classes identificadas distribuídas entre essas quatro classes gerais. A grande maioria dessas classes, o equivalente a 88% do total, são classes menos abrangentes das classes “Projetar a intervenção de psicoterapia com apoio de cães” e “Executar a intervenção em psicoterapia com apoio de cães projetada”. O capítulo utilizado orientado para o exame da seleção de animais apropriados para intervenções em atividades ou terapias assistidas por animais ajuda a compreender essa proporção de classes identificadas com relação a duas das quatro classes gerais. Como a seleção do cão está mais ligada com o “projetar” e “executar” a intervenção, as classes obtidas no capítulo utilizado diziam respeito a essas duas classes gerais. Esse resultado vai ao encontro do próprio objetivo da seleção do capítulo que visava identificar os comportamentos do psicólogo com relação aos comportamentos do cão. As demais classes de comportamentos identificadas pertencentes às classes “Caracterizar necessidades de intervenção com psicoterapia com apoio de cães” e “Avaliar a intervenção em psicoterapia com apoio de cães executada” proporcionam alguma visibilidade com relação a o que um psicólogo precisa fazer nessas etapas, mas a orientação proporcionada é pouca. É útil examinar outras referências que ajudem a completar melhor essas classes.
A quantidade de 193 classes de comportamentos identificadas é considerável diante do tamanho do capítulo utilizado para obtê-las. Esse valor demonstra que o procedimento é útil para identificar classes de comportamentos, pois de um capítulo composto por pouco mais de 20 páginas foi possível obter 193 classes. Mas o trabalho precisa ser complementado, pois as classes identificadas são referentes a comportamentos de âmbitos de abrangências intermediários (44% estão alocadas no âmbito “Classes de comportamentos que constituem procedimentos para fazer o que precisa ser feito” e 35% no âmbito “Classe de comportamentos relacionados ao manejo de instrumentos ou recursos envolvidos com o que precisa ser feito”). Isso dificulta a organização das classes identificadas, pois não há as classes de maior abrangência para orientar essa organização. Essas classes de maior abrangência são lacunas que necessitam serem preenchidas em trabalhos subseqüentes. É necessário identificar as classes mais abrangentes para ter maior clareza sobre a própria intervenção, pois essas classes de âmbitos mais abrangentes são norteadoras desse tipo de trabalho. Essas classes mais abrangentes possuem aplicabilidade mais generalizada às várias atuações possíveis no subcampo de atuação profissional de psicoterapia com apoio de cães. São
161 classes que podem ser consideradas “gerais” dentro daquilo que define esse tipo de intervenção. Classes de menor abrangência são detalhes que complementam essa orientação proporcionada por essas classes “gerais”. Há uma vasta literatura a respeito do subcampo de atuação profissional em Terapia Assistida por Animais, basta conferir as referências dos artigos e livros que examinam esse tipo de trabalho. No entanto em psicoterapia com apoio de cães, a intervenção mais própria de psicólogos, a produção não é na mesma proporção. De qualquer forma, o conhecimento já produzido tanto sobre terapia assistida por animais, como em psicoterapia com apoio de animais é capaz de proporcionar a identificação de mais classes de comportamentos, especialmente as mais gerais. Essas novas descobertas ajudarão a completar o “mapa” produzido nesse trabalho, que já é uma contribuição inicial para aumentar a visibilidade sobre um tipo específico de intervenção profissional sobre fenômenos ou processos psicológicos em contextos clínicos que aos poucos vem se tornando conhecido dos psicólogos.
162
6
CLASSES DE COMPORTAMENTOS CONSTITUINTES DA CLASSE GERAL