3.3 Autres fonctions
3.3.3 Opérations algébriques sur les fonctions
1. Discussão
Os resultados obtidos neste estudo vieram contrariar as recomendações do ACSM (2002) e outros estudos (Simão 2002; Novaes 2007; Simão, 2007; Chaves s.d.) realizados no mesmo âmbito, que indicam o início do treino de força pela solicitação dos exercícios que solicitam grandes grupos musculares, passando depois para os pequenos grupos musculares, isto porque nesses estudos o número de repetições alcançado foi superior nesta ordem. Resultados semelhantes seriam os esperados nesta investigação, no entanto tal não ocorreu, dado que o número de repetições foi superior nos exercícios dos grandes grupos musculares quando o treino era iniciado pelos exercícios dos pequenos grupos musculares, nomeadamente na Prensa de Pernas e na Flexão de Pernas.
Para o estudo foram definidas variáveis que nortearam a formulação das hipóteses, designadamente: ordem dos exercícios, número de repetições, média e pico da potência. Com a hipótese H0₁ - A ordem dos exercícios não influencia
significativamente o número de repetições – pretendíamos demonstrar que o número
de repetições realizado pelos elementos da amostra em cada um dos exercícios, não tem relação com a sequência utilizada, isto é, a ordem dos exercícios é indiferente para o número de repetições alcançado.
Para esta investigação definimos, na formulação da hipótese em estudo que a ordem dos exercícios não teria influência no número de repetições conseguido, atendendo ao tempo de repouso existente entre repetições, à motivação e encorajamento verbal prestado ao indivíduo em cada exercício e às características dos elementos da amostra que se encontram familiarizados com o treino de força.
Embora, os estudos apresentados pelo ACSM (2002) recomendem o inicio do treino pelos grandes grupos musculares, existem evidências noutros estudos realizados, que referem a não interferência da ordem dos exercícios no número de repetições (Monteiro, Simão e Farinatti 2005; Silva, Monteiro e Farinatti 2009).
Uma das explicações sugeridas é a fadiga acumulada ao longo do treino. De facto, seria de esperar que não havendo fadiga, no início do treino um indivíduo fosse
capaz de realizar um maior número de repetições, desenvolvendo consequentemente, maior volume de força. Neste sentido, considerando que a quantidade de massa muscular envolvida deverá influenciar a fadiga fisiológica e/ou percebida, então tem sido recomendada a realização de exercícios que envolvam maior massa muscular no início da sessão de treino, de forma a trabalhar mais massa muscular. De facto, atendendo a que, o treino de força deve contemplar todos os grupos musculares e considerando que em cada sessão deva ser exercitado pelo menos um sexto da massa muscular total (Zimmerman 2004), se o indivíduo começar pelos grandes grupos musculares e se ocorrer fadiga a meio ou perto do final de uma sessão de treino, o sujeito já terá trabalhado um grande volume de massa muscular, sendo os benefícios superiores àqueles que se obteriam se apenas tivesse solicitado pequenos grupos musculares.
Com efeito, alguns estudos apresentam como evidente o facto de ser obtido um maior número de repetições nos exercícios realizados no inicio do treino (Simão 2007; Chaves s.d.), reforçando a tese da interferência da fadiga na prestação de um indivíduo. No entanto, apesar de este raciocínio ser aquele que está na base das recomendações do ACSM (2002) e ser reforçado por alguns estudos (Simão 2007; Chaves s.d.), parece também lógico que, se a selecção dos exercícios numa sessão de treino solicitar grupos musculares diferentes, então é possível que a fadiga de um grupo muscular não interfira com a prestação dos restantes grupos musculares. Se assim for, a ordem dos exercícios não deverá ser uma condicionante do número de repetições obtido em cada um dos exercícios, justificando os resultados obtidos no nosso estudo em todos os grupos musculares dos membros superiores e na extensão de pernas. Estes resultados foram também observados em alguns grupos musculares de outros estudos (Monteiro, Simão e Farinatti 2005; Silva, Monteiro e Farinatti 2009).
A possibilidade da fadiga explicar a escolha da ordem dos exercícios perde força quando verificamos que, no nosso estudo, o número de repetições na Prensa de Pernas e Flexão de Pernas foi maior quando os exercícios foram realizados no final da sessão de treino. No entanto em dois dos exercícios realizados (Prensa de Pernas e Flexão de Pernas) foi conseguido um número de repetições mais elevado na SEQB,
respectiva à ordem dos exercícios dos membros superiores (Pequenos grupos musculares) para os membros inferiores (Grandes grupos musculares).
Estes resultados contrariam as recomendações do ACSM (2002) que referem o dever iniciar-se o treino pelos grandes grupos musculares, para a obtenção de melhores resultados, bem como os estudos posteriormente realizados, nos quais não foram encontradas diferenças significativas no número de repetições obtido em cada sequência (Simão 2005; Novaes 2007). Assim, de acordo com os nossos resultados, o facto de os exercícios serem realizados na segunda metade do treino, parece, surpreendentemente, favorecer o número de repetições conseguidas, dado que o maior número de repetições nos exercícios dos membros inferiores se verifica nos exercícios realizados no final do treino (SEQ.B). Este facto tem maior relevância no exercício da Prensa Pernas, onde a fadiga produzida pelos exercícios dos pequenos grupos musculares parece não afectar directamente os exercícios dos grandes grupos musculares. Isto é, os resultados obtidos sugerem que a fadiga muscular produzida na primeira parte do treino, não interfira negativamente nas repetições efectuadas nos exercícios finais. Assim, a fadiga produzida na SEQ.B, pela realização, em primeiro lugar dos exercícios dos membros superiores não afecta o número de repetições dos exercícios dos membros inferiores. Os nossos resultados sugerem, assim, que outro(s) factor(es), para além da fadiga, deverão explicar a diferenças obtidas no número de repetições quando a ordem dos exercícios é alterada.
Outro factor que poderá ajudar a compreender as diferenças nos resultados obtidos, nos diferentes estudos, é a motivação associada ou não ao encorajamento verbal. Este factor não foi controlado em nenhum dos estudos, apesar de ser referenciado em todos eles, motivo pelo qual, foi incluído na nossa metodologia. Todavia, a impossibilidade de quantificar o encorajamento verbal e a susceptibilidade dos executantes face a este factor poderá ter sido decisivo nos resultados obtidos. Assim, parece-nos que seria útil estudar a influência da ordem dos exercícios na força total, com e sem encorajamento verbal.
Como foi possível verificar em alguns dos estudos referidos neste trabalho, para o responsável pela estrutura de um programa de treino de força de exercícios de
força, definir a ordem dos exercícios é um dos principais desafios. Um estudo pioneiro de investigação do efeito da ordem dos exercícios na performance do treino aparece com Sforzo e Touey (1996). Outras evidências são apresentadas em estudos posteriores a este, sendo frequente encontrar um maior número de repetições nos exercícios realizados no início do treino. O objectivo do treino é também um indicador para a escolha da ordem dos exercícios, dado que, na melhoria da força específica o treino deva iniciar pelos exercícios localizados que utilizam potência e força (Bacurau 2001).
De uma forma geral, podemos inferir que, em ambas as sequências, nos exercícios realizados no final do treino, tanto relativos a membros superiores como a membros inferiores, são aqueles em que é conseguido um maior número de repetições. Se por um lado, se poderia levar em consideração que a fadiga acumulada nos exercícios iniciais poderia afectar a prestação dos restantes exercícios do treino, por outro lado, a componente psicológica e o forte acompanhamento prestado a cada um dos indivíduos da amostra, na realização dos exercícios, poderão ter provocado uma alta motivação para a prestação, aumentado assim, o número de repetições ao longo do treino.
Nos resultados dos estudos de Monteiro, Simão e Farinatti (2005), são encontradas diferenças significativas em todos os exercícios. Estes autores concluem que o exercício realizado por último apresenta sempre menor número de repetições. No nosso estudo acontece, exactamente, o contrário, dado que o maior número de repetições foi encontrado no último exercício realizado em cada treino. Mais uma vez os nossos resultados reforçam a possibilidade da forte motivação externa dada ao executante durante a sua prestação ter tido uma importância fundamental na última parte do treino.
Um aspecto que poderá também ser determinante para o número total de repetições por exercício é a sua velocidade de execução. O facto de nesses estudos não ser referido, em termos quantitativos, a avaliação da velocidade de execução poderá, em parte, justificar as incongruências encontradas entre este e outros estudos
já referidos (Simão 2002; Novaes 2007; Simão 2007; Chaves s.d.). Neste sentido, sendo a velocidade, uma variável da potência, definimos a segunda hipótese:
H0₂ - A ordem dos exercícios não influencia significativamente a potência – a qual foi comprovada na sua totalidade.
Do ponto de vista fisiológico, é recomendado que os exercícios que tenham por objectivo o desenvolvimento da potência serem realizados no inicio de cada sessão, para que a potência máxima seja conseguida antes de o indivíduo entrar em fadiga (Bacurau 2001). No entanto, a sessão de treino aplicada não tem como objectivo o aumento da potência máxima. A potência média foi utilizada, neste estudo, como indicador indirecto da velocidade média de execução dos exercícios. A ausência de diferenças significativas na potência média, veio reforçar a semelhança das condições de realização de ambas as sequências, ou seja, a velocidade de execução dos exercícios foi mantida.
De facto, em nenhum dos exercícios foram encontradas diferenças significativas na comparação da velocidade (potência) de execução efectuada entre as duas sequências. Verificamos, assim, que a ordem de realização de cada um dos exercícios, é indiferente para o valor da média da potência obtido, o mesmo se pode dizer no que respeita ao pico da potência alcançada.
Apesar das diferenças encontradas não assumirem valor significativo, verifica- se que a média da potência tende a ser mais elevada no exercício realizado no final do treino. O mesmo se passa relativamente ao pico da potência. Tal como na apresentação dos resultados obtidos, na variável anteriormente apresentada (número de repetições), parece-nos que os incentivos verbais dados durante a realização dos exercícios se tornam num elemento fulcral para a prestação em treino com estas características.
No programa de exercícios, aplicado neste estudo, é importante considerar que cada grupo muscular foi exercitado num curto período de tempo. Assim, dado que o exercício é realizado até à exaustão, a fadiga deverá ter ocorrido a nível local não causando prejuízo na prestação dos restantes grupos musculares solicitados em cada
um dos exercícios, tal como Fox et al. (1991) referem relativamente à ausência de transferência dos efeitos do treino cruzado, o fortalecimento, por exemplo, dos membros inferiores não é transferido para os membros superiores e ombros.
Após a concretização deste estudo, podemos afirmar que mais um passo foi dado no estudo da gestão das várias componentes que constituem um programa de treino de força. Com efeito, a definição da ordem dos exercícios com vista à obtenção de uma melhor performance, traduzida, neste caso, por um, maior número de repetições, torna-se num tema bastante vago e no qual, ainda, há um longo caminho a percorrer.
Todavia, com os resultados, por nós obtidos, é possível, desde já, retirar duas conclusões:
Relativamente ao número de repetições, somente foram encontradas diferenças significativas nos exercícios de Prensa Pernas (PP) e na Flexão Pernas (FP), tendo sido obtido um maior número de repetições na SEQ.B (quando a sessão inicia dos pequenos grupos musculares para os grandes grupos musculares);
No que se refere ao estudo da potência, não foram encontradas diferenças significativas em nenhum dos exercícios quando comparamos a SEQ.A com SEQ.B, pelo que a velocidade de execução não pode explicar, neste estudo, as diferenças observadas na PP e na FP.
Assim, contrariamente a alguns estudos indicados ao longo deste trabalho, que referem a obtenção de melhores resultados nos exercícios realizados no início de sequências dos grandes para os pequenos grupos musculares, no nosso estudo o melhor resultado, respeitante ao número de repetições, foi obtido nos exercícios realizados no final da sessão e na sequência dos pequenos para os grandes grupos musculares.
Implicações práticas e futuros estudos
Parece-nos que o encorajamento verbal dado aos participantes ao longo das sessões terá sido fundamental para os resultados alcançados, tornando-se esta variável como objecto de estudo a considerada em próximas investigações. Também a sua avaliação em populações diferentes (mulheres e atletas treinados) pode trazer um maior enriquecimento aos resultados agora apresentados.
Considerando os resultados dos estudos já apresentados neste âmbito, a velocidade de realização dos exercícios não aparece como variável quantificada. Este estudo apresenta a avaliação indirecta da velocidade através do estudo da potência e mostra-nos não haver relação entre esta variável e a ordem dos exercícios. No entanto, esta variável deverá ser controlada em futuros estudos que tenham o mesmo objectivo.
Por último, a incoerência dos resultados observados na literatura referente à selecção da melhor ordem dos exercícios permanece insurgindo que a ordem poderá, de facto, ser indiferente para o treino de força. Porém, a grande maioria dos estudos realizados considerou poucos exercícios no seu plano de treino. É possível que em sessões de treino mais prolongadas e com mais exercícios a fadiga muscular ou percepcionada constitua de facto uma limitação à realização do maior número de repetições. Assim, parece-nos que seria importante estudar a influência da ordem dos exercícios no número de repetições em sessões de treino com mais exercícios.
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