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E-opérateurs au sens large

Dans le document 2.1 Condition de Galochkin au sens large (Page 48-53)

A análise das respostas dos estudantes à questão que investigou suas concepções sobre a contribuição dos conhecimentos geocientíficos para sua formação como engenheiro ambiental evidenciou a emergência de uma única linha de argumentação. Os alunos ressaltaram a contribuição da Geologia para o entendimento sobre processos e sistemas naturais.

A Tabela 5.6 apresenta a quantificação de respostas. Algumas respostas não foram categorizadas porque, no caso da Facthus, um estudante não respondeu à questão, e, no caso da UFTM, as respostas enfatizaram outros aspectos (quatro delas mencionaram a contribuição da geologia para o entendimento das mudanças climáticas).

Tabela 5.6 - Percepções dos respondentes sobre a contribuição das geociências para sua formação Categoria Geol. para engenharia/ geoq. ambiental (Facthus) Geologia ambiental (UFTM) TOTAL GERAL

Quantidade de alunos que se referiram à categoria Absolut o Relativo * Conhecimento sobre sistemas/processos naturais para o seu estudo e manejo (base para diagnóstico)

8 16 24 82,76%

*Relativo ao total de respondentes

Os alunos expressaram sua concepção de que através da Geologia pode-se conhecer melhor o meio em que se desenvolverá determinado projeto. Embora demonstrem compreender o estudo das relações entre as esferas terrestres como um dos campos da Geologia (em frases tais como “a disciplina (...) permite compreender os principais fenômenos que alteram e originam as estruturas geológicas conhecidas e assim podem servir como base para diversos estudos ambientais (...)” [UFGA4.09]; “Você tem que conhecer e entender todos os processos e fenômenos geológicos que ocorrem para realizar projetos (...) todos os processos afetam diretamente a dinâmica da Terra” [UFGA4.10] e “faz com que todo engenheiro ambiental tenha uma visão holística sobre o problema a ser tratado. É importante para adquirir conhecimentos sobre os ciclos naturais e estes interferem diretamente nos fenômenos ambientais” [UFGA4.16]), as expressões utilizadas nas respostas são genéricas (“processos e fenômenos geológicos que ocorrem”, “processos afetam a dinâmica da Terra”, “ciclos naturais interferem nos fenômenos ambientais”), e os alunos não explicam a que fenômenos/processos/ciclos se referem.

Os argumentos são focados em aspectos de diagnóstico para resolução de problemas ou na concepção de projetos. As respostas UFGA4.06, UFGA4.09, UFGA4.12 e UFGA4.15 exemplificam esta afirmação: “(...) na implantação de um aterro sanitário, temos que

conhecer o tipo de solo para entender o melhor lugar para alocar o mesmo, assim como o conhecimento do mesmo para locação de habitações, para evitar desmoronamentos, escorregamentos (...)”; “(...)para a análise da viabilidade de instalação de empreendimentos como aterros sanitários, redes de abastecimento de água e esgoto (...)”; “(...) melhor compreensão dos desastres naturais (...)”; “(...) ir a campo e saber identificar as características que ali existem e poder dar um diagnóstico para a construção ou não de algum empreendimento ali naquele lugar (...)”. Um aluno mencionou os campos de planejamento e gestão pública e de qualidade de águas subterrâneas. De forma geral, a Geologia é compreendida como um campo que contribui para a resolução de problemas ou a implantação de projetos.

Os campos de atuação mencionados nos trechos descritos não destoam da ementa da disciplina de Geologia Ambiental, que inclui tópicos como riscos geológicos, introdução à geoquímica e uso e ocupação do solo, o que pode ser um indício de que os conteúdos abordados foram apreendidos pelos alunos. Isto pode ser um indício de que essa abordagem focou em casos em que os futuros engenheiros ambientais podem trabalhar. A partir das respostas dos alunos, não podemos aprofundar a discussão acerca da abordagem das interações entre esferas terrestres e das escalas temporais e geográficas, porque os alunos não mencionaram estes aspectos da contribuição do conhecimento geocientífico para o estudo do meio ambiente. Não obstante, há que se reconhecer que os alunos percebem a disciplina como importante para sua formação profissional, dentro de uma concepção ainda resolutiva e mais aplicada.

As respostas dos alunos e seu reconhecimento da contribuição da Geologia para a sua formação, dão indícios sobre a forma como a Geologia Ambiental é ensinada no curso da UFTM. Essa abordagem concorda com as sugestões de especialistas no ensino de Geologia para engenheiros, entrevistados por Furegatti (2006), em seu trabalho que investigou o conteúdo geológico presente em cursos de Engenharia Civil do estado de São Paulo e o comparou à concepção de conteúdo formada pelas sugestões dos especialistas. Para um dos entrevistados, deve-se fornecer conhecimento para que o engenheiro busque soluções para os problemas que encontrará e deve-se despertar sua consciência para a necessidade do conhecimento geológico no desenvolvimento de projetos de Engenharia. Segundo o especialista, o conhecimento de Geologia é necessário para compreender como processos geológicos interferem nos projetos de Engenharia, devendo o professor dar exemplos para

sensibilizar os estudantes. A partir das respostas discutidas, pode-se afirmar que abordagem da disciplina no curso da UFTM concorda com as sugestões do especialista.

Quanto à Facthus, todos os alunos da turma de Geologia para Engenharia/Geoquímica Ambiental apontaram as geociências como importantes para o estudo do solo. Os estudantes não mencionaram noções relativas ao estudo das interações entre as esferas terrestres e às escalas de tempo e espaço, evidenciando que, segundo sua concepção, a grande contribuição da Geologia se dá no estudo do solo, e que eles entendem que o conhecimento acerca deste recurso natural é importante para o desenvolvimento de seus futuros trabalhos. Todas as respostas enfatizaram este ponto de vista. Buscamos a ementa da disciplina de Geologia para Engenharia e confirmamos a abordagem do assunto. Os tópicos listados na ementa são: noções de geologia histórica; gênese e classificação das espécies minerais; rochas magmáticas, metamórficas e sedimentares; produtos do intemperismo; mineralogia da fração argila; propriedades de superfície dos coloides do solo; fatores que atuam sobre a formação do solo; material de origem, clima, relevo, organismos e tempo. Este dado corrobora o que afirmam os especialistas entrevistados por Furegatti (op.cit), que alertam que o conteúdo transmitido aos estudantes de Engenharia privilegia o estudo de características de minerais, rochas e solos, ao invés de explorar processos, balanços e fluxos de matéria e de energia. Este tipo de abordagem não contribui para que os estudantes possam compreender os processos naturais a partir de uma visão integrada.

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