Seguidamente é apresentada uma tabela (Tabela 3) onde são apresentadas o tipo e o nível de medida das variáveis, bem como o tipo de estatística escolhida para a sua análise.
Tabela 3 - Tipo de variável; nível de Medida e Análise estatística
Nome Tipo Nível de Medida Justificação
Variáveis Dependentes Alinhamento Membros Inferiores Medida de
ângulo-Q Quantitativa Análise
Inferencial através do Teste paramétrico t-Student Kinovea Quantitativa Biomecânica do Joelho (Kinovea) Quantitativa
Dor (END) Quantitativa
Funcionalidade
(KOOS-PF) Quantitativa
Variáveis de
Atributo Idade Escala de medida nominal
Análise descritiva
Na fase de tratamento de dados, para haver a possibilidade de generalização dos resultados obtidos numa população após um estudo de investigação, será necessário a realização da Estatística Inferencial e Descritiva.
Para a elaboração na análise e tratamento dos dados, será criada uma base de dados que inclua toda a informação recolhida e registadas nas folhas de registro, sendo que para isso será utilizado o programa informático denominado por Statistic Package for Social Science (SPSS), por ser um dos mais adequado para o tipo de estudo apresentado.
De modo a resumir os resultados obtidos, de forma a facilitar a sua interpretação, será utilizada a estatística descritiva, com a ajuda de testes estatísticos, para tratar os dados de caracterização da amostra, como a variável de atributo (Idade), mas também relativamente às variáveis dependentes, onde serão incluídas as distribuições de frequência, as medidas de dispersão e as de tendência central, apresentando-os no final em forma de médias e valores percentuais. Porém, usando alguns dados obtidos na estatística descritiva, será utilizada a estatística inferencial, pois esta permite não só a generalização de resultados, mas também a estimação de parâmetros para a população em estudo e a verificação de hipóteses, através dos resultados obtidos da avaliação das variáveis dependentes (Fortin, Côté & Filion, 2009).
Assim, a fim de verificar as hipóteses e estabelecer relações de causa efeito, percebendo se existem alterações significativas ao não nas variáveis dependentes avaliadas inicialmente e após a intervenção, irá ser aplicado o Teste t de Student para grupos independentes, pois permite que sejam analisadas e comparadas, entre o grupo experimental e controlo, as mesmas variáveis, determinando se houve ou não melhorias a nível do Alinhamento dos Membros Inferiores, da Biomecânica e dor do Joelho e na Funcionalidade do utente, comparando as diferenças entre as médias dos conjuntos de scores obtidos nos dois grupos independentes (GC e GE). No entanto, de modo a perceber o comportamento das variáveis dependentes avaliadas antes e após a aplicação do método de RPG no grupo experimental, será utilizado o Teste t de Student para grupos emparelhados, pois este permite determinar a existência de diferenças entre as médias de dois conjuntos de scores registados para um mesmo grupo de indivíduos (GE).
REFLEXÕES FINAIS E CONCLUSÕES
Neste capítulo, após a realização de todas as etapas do projeto, são apresentadas as reflexões e conclusões finais, tendo como objetivo a elaboração de uma análise crítica do estudo, englobando os problemas e limitações do estudo, quais as contribuições do mesmo para a formação académica e profissional, e as competências adquiridas ao longo do processo de realização do projeto.
A realização deste estudo torna-se relevante uma vez que a Síndrome Patelo-femoral, caracterizada pela sintomatologia álgica a nível anterior do joelho, apresenta uma grande prevalência mundial, especialmente em mulheres e indivíduos ativos, tendo um forte impacto na vida destes sujeitos por redução da capacidade de realizar atividades desportivas e profissionais.
Contudo, apesar da grande prevalência e devido à natureza multifatorial da condição, a avaliação clínica, os fatores de risco e o tratamento desta patologia são vagos e controversos, existindo poucos estudos que evidenciam um plano de tratamento eficaz.
Porém, evidência científica comprova que os tratamentos fisioterapêuticos são eficazes, sendo que vários autores referem como foco dos tratamentos o fortalecimento muscular de modo a compensar os desequilíbrios existentes. No entanto, está corroborado que a presença de encurtamentos e retrações musculares de determinados grupos musculares também propiciam o desenvolvimento da SPF, sendo essencial, nesta perspetiva, a inclusão de alongamento no tratamento.
O Método RPG encontra-se em expansão na comunidade de fisioterapeutas e sabe-se que, através da utilização de posturas globais e ativas de alongamento, permite desenvolver força, comprimento e flexibilidade aos músculos hipertónicos, e oferece, consequentemente, efeito propriocetivo sobre a postura do individuo, promovendo a simetria postural e reduzindo a dor e incapacidade (Souchard, 2012)
Assim, neste estudo pretendeu-se verificar se o Método de RPG, ao alongar diversas estruturas em simultâneo e de forma global, é eficaz na redução da dor e na melhoria do alinhamento e biomecânica dos membros inferior, contribuindo assim para o aumento da funcionalidade dos indivíduos, reduzindo a incapacidade de realização de atividades desportivas e profissionais.
Ainda que não tenha sido aplicado e desenvolvido em prática clinica, é expectável que os resultados convirjam com as hipóteses acima referidas H1a, H1b, H1c e H1d, ou seja, que o alongamento dos Isquiotibiais, da Banda Iliotibial, do Psoas-Ilíaco, dos Adutores da anca e dos Gémeos, através da inclusão do método RPG no tratamento da SPF, tenha efeito positivo na melhoria do alinhamento dos membros inferiores, na biomecânica e na dor do joelho, bem como na funcionalidade do utente.
Durante a idealização e elaboração do projeto, surgiram diversas dúvidas e dificuldades, quer a nível do processo de investigação como a nível de veracidade do estudo em si. Inicialmente, as primeiras dificuldades sentidas foi a nível da realização da revisão da literatura, pois devido à grande diversidade de estudos sobre a patologia, tornou-se essencial realizar uma leitura e seleção cuidada dos artigos científicos a incluir. No entanto, em relação ao método de RPG, a escassez de estudos relacionados com a patologia em questão, também dificultou a execução do estado da arte, pois a investigação feita neste campo é essencialmente relacionada com patologias e disfunções da coluna vertebral.
Na metodologia, também apareceram algumas dificuldades, especialmente na sua estruturação, no entanto, com recurso a livros técnicos e esclarecimentos junto da orientadora, permitiram aperfeiçoar os skills no âmbito da investigação científica.
Quanto a aspetos específicos com o estudo, verificaram-se dúvidas na elaboração e definição dos objetivos concretos da investigação, pois a existência de diversas variáveis em estudo tornou a tarefa mais dificulta.
Por outro lado, de modo a avaliar corretamente as variáveis, foi necessária investigação das escalas e instrumentos mais adequadas para a realização da mesma, tendo sido constatado que, apesar da grande diversidade de instrumentos, estes não se encontram validados para a população portuguesa, sendo que tiveram de ser escolhidos os mais utilizados para a população em geral. De modo a utilizar as mais adequadas para a SPF, seria necessário passar por um processo de validação de diversas escalas, o que atrasaria todo a investigação, apesar de os resultados, no final, poderem ser mais viáveis e generalizáveis.
Além da dificuldade em selecionar os instrumentos de medida, é possível referir que durante a avaliação das variáveis existem aspetos técnicos, inerentes à aplicação manual, que podem ser passiveis de enviesamento dos resultados da investigação.
No entanto, de modo a reduzir o risco de inviabilidade dos mesmos, toda a avaliação será realizada por apenas um fisioterapeuta, expert na aplicação dos instrumentos selecionados. Outra dificuldade existente prende-se com o número de indivíduos que compõem a amostra, pois para esta ser representativa da população teriam de ser incluídos 30 indivíduos por cada variável em estudo, o que somaria um total de 120. No entanto, e de forma realista, dificilmente se consegue uma amostra com esta dimensão.
Devido à natureza multifatorial da SPF e à controvérsia dos tratamentos, surgiram dúvidas na definição e elaboração do plano de tratamento que será aplicado nos grupos de controlo e experimental, uma vez que não existem protocolos específicos, apenas estudos com linhas orientadoras de tratamento, que serviram de guia para a realização do mesmo. Na tentativa de selecionar as duas (2) posturas do Método de RPG mais abrangentes adequadas à condição em estudo e, de modo a conseguir testas as variáveis em estudo e oferecer maior evidência científica, também apareceram diversas dúvidas, pois na prática clínica, a seleção e aplicação das posturas está sempre depende das necessidades e evolução do utente.
Por outro lado, é importante referir que este estudo pode apresentar grande margem de erro dos resultados, pois tal como referido na avaliação, também a aplicação do método de RPG apresenta aspetos técnicos que podem alterar os resultados, incluindo a resposta fisiológica de cada utente, a tração executada pelo terapeuta e as possíveis solicitações de contração, aquando da presença de dor ou assimetrias de movimento, sendo estas passiveis de variações da aplicação método. Contudo, de modo a combater algumas destas variáveis, o fisioterapeuta selecionado irá realizar as intervenções a todos os elementos constituintes do grupo experimental.
Embora as dificuldades encontradas e as possíveis grandes margens de erro dos resultados, a investigação torna-se pertinente, na medida em que pode fornecer informação pertinente para a prática clínica, essencialmente no que respeita aos benefícios do Método de RPG, não só a nível da SPF, mas também a outras patologias que envolvem os membros inferiores e que requerem de alongamento muscular.
Apesar de tudo, é importante salientar que, mesmo para os indivíduos com esta patologia, os resultados podem ser controversos, pois como referido ao longo do documento, trata-se de uma patologia multifatorial, sendo essencial abordar o utente como um corpo único e não segmentar, devendo ser incluindo no tratamento o fortalecimento muscular, o alongamento, mas também outras técnicas interventivas que podem complementar os benefícios comprovados destas duas intervenções.
Em suma, apesar das dificuldades encontradas na elaboração deste projeto, é possível referir que este se demonstrou especialmente gratificante para o investigador responsável, pois é o primeiro trabalho de investigação planeado pelo mesmo, o que requereu um esforço acrescido, de modo a obter a maior e melhor quantidade de informação. Concomitantemente, este projeto permitiu a aquisição de novos conhecimentos relativamente à SPF e ao Método RPG, sendo pertinente a sua implementação, contribuindo assim para o aumento da resposta oferecida pelos fisioterapeutas a esta condição, proporcionando uma melhoria da qualidade de vida dos indivíduos com SPF.
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Ilustração 2 - Postura Rã no Chão
Anexo I – Ilustrações
Fonte: Souchard, (2012)
Ilustração 3 - Postura Bailarina
Apêndice I – Ficha de Caracterização da Seleção da amostra
Nome: _____________________________________________________________________ Data Nascimento: ____/____/____ Nº de Processo:_______________
Há quanto tempo tem dor no joelho? _______________________________________ Qual o joelho em que sente dor? _________________________________________________ Atividades em que sente dor no joelho
Agachar Sim Não Correr Sim Não Subir/Descer Escadas Sim Não
Muito tempo com joelhos dobrados
Sim
Não
Outra
Qual?___________________________________________________________ Alguma vez sofreu alguma lesão na cartilagem do joelho?
Sim
Não
Alguma vez sofreu uma luxação ou subluxação da rótula?
Sim
Não
A preencher pelo investigador:
Apêndice II – Pedido de autorização ao Instituto Português do
Desporto e Juventude, I.P.
Exmo. Diretor Geral do Instituto Português do Desporto e Juventude, I.P.
Eu, Cláudia Fernandez Vidal, na qualidade de aluna do curso de Fisioterapia da Escola Superior de Saúde Atlântica, venho por este meio, solicitar a Vossa Exa. a autorização para a realização de um estudo de investigação, no Centro de Medicina Desportiva, do Instituto Português do Desporto e Juventude, I.P., bem como para a utilização dos recursos materiais e humanos disponíveis no mesmo, e a autorização para fotografar o espaço disponível à investigação.
A investigação tem como objetivo verificar as alterações que ocorrem no posicionamento, na biomecânica e na dor do joelho, bem como na funcionalidade do utente, quando é aplicado o método de RPG para alongamento dos músculos que propiciam a Síndrome Patelo-femoral, em atletas federadas do sexo feminino.
A Síndrome Patelo-femoral (SPF) é caracterizada por dor difusa na região anterior do joelho e é comum em indivíduos ativos, tendo um forte impacto na vida destes sujeitos, uma vez que reduz a capacidade de realizar atividades desportivas e profissionais.
Existem evidências científicas que corroboram a relação entre a patologia e disfunções musculares do membro inferior, como encurtamentos musculares, uma vez que as retrações a nível dos membros inferiores promovem o incorreto posicionamento dos mesmos, repercutindo-se na postura e no movimento do individuo.
Nesta perspetiva, existe a necessidade de alongar estas estruturas e, a globalidade assente no método de RPG, é uma necessidade no alongamento, permitindo ir das consequências à causa da lesão, através da eliminação progressiva de retrações fixas, considerando todas as particularidades da patologia.
Assim, e tendo em conta a escassez de estudos que evidenciem a eficácia de um programa de fisioterapia para o tratamento da SPF, este estudo é de extrema relevância e pertinência para a prática clínica, pois vai permitir fornecer evidência científica sobre a inclusão de uma técnica fisioterapêutica como parte integrante do tratamento da SPF.
Posto isto, para a execução desta investigação, serão necessárias atletas registadas no IPDJIP e os fisioterapeutas que integram a equipa de profissionais de saúde do Centro de Medicina Desportiva, para aplicação do programa de tratamento definido pelo investigador e, nesta perspetiva, solicito a Vossa Exa. a autorização para que os mesmos possam participar na investigação. Peço ainda a autorização para integrar dois fisioterapeutas externos ao Centro, expert quer na avaliação dos utentes quer na aplicação do método RPG, de modo a que o estudo possa ser duplamente cego.
Sem outro assunto de momento, agradecida pela sua disponibilidade.
Assinatura: __________________________ _ __ Data: ____ __________ (Dia/Mês/Ano)
Apêndice III – Pedido de autorização ao Departamento de medicina
Desportiva de Lisboa do IPDJIP
Exmo. Coordenador do Centro de Medicina Desportivo, do Instituto Português do Desporto e Junventude, I.P.
Eu, Cláudia Fernandez Vidal, na qualidade de aluna do curso de Fisioterapia da Escola