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C OMPTE RENDU DE L ’ ATELIER D ’ INFORMATION ET DE CONCERTATION

FORÊTS Objectif:

C OMPTE RENDU DE L ’ ATELIER D ’ INFORMATION ET DE CONCERTATION

HusserlposterioresA 1938.

n) misCelâneAdeAnotAções.

Algumas dificuldades para a compreensão das obras e da pró- pria fenomenologia husserliana decorrem do fato de não estar- mos diante de uma obra projetada e sistematizada. Os textos vão se referindo entre si, com notas de rodapé, com futuros proje- tos. Além disso, também é possível encontrar em Husserl formas de referências cujo objetivo era levar a outros conceitos. Daí o discernimento crítico para relativizar conceitos que ele próprio elaborara e dar-lhes novo acabamento em reflexões posteriores ainda inéditas.

Talvez a maior dificuldade para compreender a fenomenolo- gia husserliana está no fato de ela ser um novo modo de ver a re- alidade; o próprio Heidegger descreve essas dificuldades em Meu

caminho para a fenomenologia. A dificuldade residia na questão

de “como dever-se-iam realizar os modos de proceder do pen- samento denominado Fenomenologia. O elemento inquietante desta questão resultava da ambigüidade que a obra de Husserl revela à primeira vista” (HEIDEGGER, 1979, p. 298). Retomando conceitos da tradição filosófica e partindo deproblemas já conhe- cidos, era preciso chegar a outros objetivos. Daí a existência de juízos equivocados e oriundos de más interpretações. Torna-se di- fícil nesse contexto oferecer conceitos precisos e exatos formula- dos de modo definitivo. Husserl trabalhava em grande parte com a perspectiva aproximativa, partindo muitas vezes de conceitos operativos de uso comum e desenvolvendo-os de modo temático. Segundo San Martin (1987, p. 9), a própria filosofia de Husserl implica dificuldade, pois “a fenomenologia consiste em entender e falar da realidade a partir da experiência da realidade, de modo diferente do que ocorre na experiência ordinária”.

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Sem pretender examinar mais amplamente as teses que fo- ram objeto de discussão entre os dois pensadores, mas indicar algumas pistas para ulteriores estudos, pode-se afirmar que esse problema não se esgota na questão do Lebenswelt nem se conclui em Ser e tempo. Muitos mal-entendidos surgiram e poucas vezes foram esclarecidos. Husserl se propõe desde o início a buscar um conceito de mundo que se distingue do conceito natural que o positivismo adotava e assim a fenomenologia apresenta o concei- to de “mundo imediato humano”, que depois será designado de

Lebenswelt. É sobre essa temática que Heidegger encontra “um

dos maiores estímulos recebidos de Husserl”, afirma Landgrebe (1963, p. 47). Merleau-Ponty também pensa mais ou menos pa- recido e afirma que “todo o Sein und Zeit nasceu de uma indi-

cação de Husserl, e, em suma, é apenas uma explicitação do

natürlichen Weltbegriff ou do Lebenswelt que Husserl, no final de

sua vida, apresentava como o tema primeiro da fenomenologia” (MERLEAU-PONTY, 1994, p. 2). Heidegger também recolhe de Husserl os conceitos de consciência, sujeito, subjetividade, a fim de enfrentar as armadilhas da relação sujeito-objeto; e ali critica Husserl a respeito da intencionalidade da consciência.

Para Heidegger, a intencionalidade é um comportamento da consciência frente ao ente. Ele não a utiliza como um recurso, pois entende que a tradição ontoteológica marcou profundamen- te esse conceito. Servia, por exemplo, para designar a tensão dos seres inferiores à procura da plenitude que se completa em Deus. Este se torna o fim de toda perfeição. O mundo orienta-se para esse termo de perfeição e, consequentemente, a intencionalidade significava um processo de divinização do mundo. Outro fator que dificulta a Heidegger a aceitação de tal conceito é a car- ga metafísica que este carrega consigo. No campo da teoria do conhecimento designava o ato cognoscitivo que tendia para o objeto que é exterior à consciência, resultando em subjetivismo. A estrutura do ser-no-mundo não se esclarece pelas vias intencio- nais, pois é ainda um sentido dependente ou subordinado.

Essa crítica parece não ter levado em conta todo o significa- do da intencionalidade, prendendo-se à dimensão psicológica e corrente, à intencionalidade dos atos singulares que praticamos. Poderíamos perguntar se alguma dessas dificuldades se enqua- draria no conceito que Husserl havia elaborado a partir da he- rança brentaniana. Outra crítica de Heidegger se refere ao puro contemplar teorético de um expectador desinteressado para se in- ferir às estruturas da subjetividade que possibilitam a experiência do mundo. Para Heidegger, somente a consumação da existência mesma seria capaz de tal ação. Está em jogo uma das ideias cen- trais da fenomenologia: a atitude do ego fenomenológico e sua pretensão de universalidade. Segundo Landgrebe (1963, p. 52), todas essas críticas “apoiam-se num mal-entendido a respeito do conceito de intencionalidade”. Entretanto, Heidegger entende

que as reflexões husserlianas não conduzem ao núcleo essencial da existência, à sua facticidade. Mas aqui é preciso um detalha- mento do Methode der Leitfäden, em que cada ente é apenas um fio, um índice que permite retroceder às efetuações sintéticas em que o ente se constitui. Trata-se da análise da multiplicidade de fases fluentes da consciência do tempo imanente que constitui o sentido das coisas. O ente enquanto fio condutor torna-se a base sobre a qual se dá a intencionalidade da consciência. Segundo Landgrebe, a facticidade em Heidegger “é o lugar metódico, fun- damento de todo possível mostrar-se, o mesmo que a subjetivida- de absoluta de Husserl, revelada pelo método da redução e dos fios condutores, retrocedente de modo interrogativo a partir do ser constituído” (LANDGREBE, 1963, p. 60). Nessas breves aná- lises é possível perceber a ideia da complexidade do problema da relação entre a fenomenologia de Husserl e o pensamento de Heidegger até 193710.

10 Gómez-Heras apresenta algumas obras que hoje se constituem marcos para

a análise da relação entre Husserl e Heidegger. Indica as obras deste: Prolegomena zur Geschichte der Zeitbegriffs, Marburger Vorlesung SS. 1925, herausg. Von P. Jaeger, Gesamtuausgabe, vol. 20, Francfurt J. M. Klostermann, 1979; Logik. Die Frage nach der Wahrheit, Marburger Vorlesung WS. 1925-26. herausg. Von W. Biemel, v. 21, ibid. 1976; Die Grundprobleme der Phänomenologie, Margurger, Vorlesung, SS. 1927. herausg. Von F. W. Von Hermann, ibid, vol. 24, 1975; Meta- physische Anfangsgründe der Logik im Ausgang von Leibniz. Marburger Vorlesung SS. 1928, herausg. Von K. Held, ibid., v. 26, 1978.

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