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Oiseaux en période de reproduction

2 Etat initial volet Biodiversité

2.4 Faune terrestre et semi-aquatique

2.5.1 Oiseaux en période de reproduction

Egoscópio (2002) é uma telintervenção que foi realizada na Av. Brigadeiro Faria Lima, de 5 a 20 de agosto, em São Paulo. Interatores enviavam URLs que eram visualizadas em um painel eletrônico. A exibição se dava a cada três minutos, entre outros anúncios de propaganda, e durava dez segundos. Foram utilizadas tecnologias de banco de dados, Internet, intranet e webcam, como consta na figura 2 a seguir. Era possível, pelo site, tanto enviar as URLs como visualizar o painel em tempo e-real. ―Egoscópio discutiu não apenas novos formatos de subjetividades, mas também práticas em rede de autoria e recepção interceptadas por processos de aceleração e entropia". (Ibid., tradução nossa).48

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"Egoscope discussed not only new subjectivities formats, but also networked practices of authorship and reception intercepted by entropy and acceleration processes".

Figura 2 — Egoscópio: arquitetura de funcionamento

Fonte: BEIGUELMAN, 2002.

Assinalo neste trabalho algumas questões importantes relativas ao tempo: o fluxo, a velocidade e a desordem.

a. Fluxo:

No contexto da informática, a ideia de fluxo de informação consiste na medição da quantidade de informação que se veicula entre duas variáveis, medição esta que leva em conta a incerteza e a entropia. No contexto da arte, o fluxo é um movimento permanente, um working in progress (nesta ideia de fluxo não é possível identificar o início e o fim). No âmbito da arte mediada pelas novas tecnologias, a ideia de fluxo está associada ao contínuo da informação, à capacidade de processamento desta sem interrupções ou atrasos. O fluxo das informações no painel eletrônico propôs uma confusão entre o que era arte e o que era propaganda. De acordo com Beiguelman, o condutor ou pedestre desavisado poderia muito bem confundir uma com a outra. Por outro lado, quando utilizamos bancos de dados, temos um fluxo controlado, classificado, que organiza entradas e saídas e garante a visibilidade do dado para o observador. Temos aqui, portanto, um fluxo mediado. Para aquele que enviava as URLs eram confirmados por SMS (G) a exposição no painel e o horário. Ou seja, para quem participava, não havia propriamente uma ideia de fluxo contínuo, mas de um dado fixado no tempo e no espaço, localizado. E aqui temos o ponto de intersecção: ao mesmo tempo em que

a criação artística é virtualizada, esta também é localizada. Os referenciais da cidade passam a fazer parte do trabalho e passam a compor o corpo do Egoscópio, personagem caracterizado

por Beiguelman (Ibid., grifo nosso, tradução nossa) como ―desemboided, reprocessado e reclicado de fragmentos de mídia‖.49

Mas, por outro lado é possível vê-lo como formado por subjetividades alheias, pela poluição sonora e participando na poluição visual e, portanto, incorporado ao espaço cidade. Por fim, outro fator importante para o entendimento do fluxo é o tempo de permanência da teleintervenção50 por 15 dias, tempo comercial de exposição de outdoors, o que leva a uma relação a mais com a mídia de massa.

b. Velocidade

Numa avenida movimentada, como a Brigadeiro Faria Lima, o trânsito das pessoas se confunde com os 10 segundos de exposição para cada intervenção. A velocidade e o excesso da informação geram a alienação e a desorientação sobre a informação. Estabelece-se, dessa forma, uma relação entre as mídias de massa (o painel, a propaganda) e o que Lemos (2008, 2009b) chama de mídias pós-massivas (celular, Internet). É possível dizer que as mídias de massa são definidas como aquelas que enviam informações, enquanto as mídias pós-massivas estabelecem comunicações. Nesse caso, o trabalho parece evidenciar a ambiguidade entre essas duas possibilidades midiáticas como uma metáfora crítica à sociedade do consumo e o esvaziamento que sofremos pela velocidade com a qual somos atravessados diariamente por tantas informações.

c. Desordem

As relações que se estabelecem entre o fluxo e a velocidade, seja o fluxo e a velocidade das imagens no painel, seja o fluxo e a velocidade das pessoas na rua, provocam a desordem da informação e a desorientação de quem é informado. Essa confusão, que pode ser vista como resultado de aglomerações em grandes centros urbanos, é também estratégia de controle. Se por um lado temos um conjunto de regras, normas, leis que regem a vida social através da ordem, temos, também, um mercado econômico que rege o consumidor através da

desordem. As ―mídias pós-massivas‖ parecem ser uma possibilidade de ação por parte do

indivíduo, mas que por vezes são cooptadas com fins mercadológicos, ou, como Lemos (2009c, p.2)51 afirma: ―Quando sua operadora diz, ‗você é nômade‘, desconfie.‖. Criar esse ponto de contato entre a ordem do fluxo e a desordem do excesso de velocidade gera uma

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"Egoscope is (or was) a disembodied character, made of reprocessed and recycled media fragments."

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Teleintervenção associa os termos telemática e intervenção, e designa trabalhos artísticos que se utilizam da tecnologia telemática para gerar intervenções urbanas.

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reflexão crítica sobre como a arte vem se apropriando das novas tecnologias para discutir essas mesmas tecnologias. Nesse sentido, Egoscópio parece se utilizar da estratégia de confrontar a arte com a desmaterialização dela mesma, não no caminho da virtualização, mas da perda do reconhecimento de que um fenômeno estético está ocorrendo.

Essas três características aqui analisadas corroboram para o entendimento de possibilidades de articulação da questão do tempo no espaço ciberdigital. Mas, como dito, a ideia de tempo não existe isolada da ideia de espaço. O binômio espaço-tempo, neste caso, vincula o tempo e-real ao espaço ciberdigital. As características temporais parecem intermediar os processos de apropriação do espaço e vice-versa. Assim como, a reconfiguração do corpo no espaço ciberdigital é uma via de mão dupla: tanto o corpo reconfigura o espaço como o espaço reconfigura o corpo. Portanto, para melhor compreendermos de que forma o corpo se reconfigura através do espaço, será abordado a seguir o espaço ciberdigital como espaço público digital analisando alguns trabalhos de arte em espaços públicos digitais, como o Twitter, o Facebook e o Chatroulette, sendo deste último também a análise de No Fun, performance online de Eva e Franco Mattes.