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2 Synthèse bibliographique

2.4 Les politiques publiques visant à réguler l’environnement alimentaire à l’école

2.4.2 Offre alimentaire en dehors du restaurant scolaire

Quanto à natureza do estudo, pretendemos, neste ponto em análise, clarificar os aspetos metodológicos inerentes à jornada intensiva de estudo e da pesquisa a realizada, que neste caso obedeceu a uma combinação de métodos quantitativos e qualitativos.

O debate em torno das diferenças entre os metódos quatitativo e qualitativo é muito frequente e, ainda, de difícil aceitação nas academias tradicionais, havendo posições contraditórias e favoráveis à sua integração. Ao desenharmos para a nossa pesquisa a combinação das duas abordagens – quantitativa e qualitativa, são, de imediato, geradas “dúvidas e inquietações sobre como utilizá-las sem ferir o rigor dos métodos, a especificidade, a sofisticação, metodológica e reflexiva de cada uma delas” (Brüggemann & Parpinellli, 2008, p. 563). Conforme apontam Brüggemann & Parpinellli (2008), mais do que selecionar o método, o mais importante na escolha da abordagem é ter o conhecimentoo sobre a sua utilidade e adequação ao objeto de estudo, além da sua pertinência social, isto é, a quem esse conhecimento irá servir.

Todavia, as abordagens, ainda que integradas, são muitas vezes insuficientes para abarcar a realidade estudada. A relação entre as abordagens quantitativa (objetividade) e qualitativa (subjetividade) não pode ser entendida como contraditória, além de que também não se reproduz a uma continuidade. Ou seja, ambas “permitem que as relações sociais possam ser analisadas nos seus diferentes aspetos: a pesquisa quantitava pode gerar questões para serem aprofundadas qualitativamente, e vice-versa” (Brüggemann & Parpinellli, 2008, p.564). Com base nos aspetos teóricos apresentados, consideramos que a triangulação metodológica produzida pela combinação dos métodos quatitativo e qualitativo é a estratégica de pesquisa que melhor se adequada aos nossos objetivos, os quais, numa relação entre opostos complementares, buscam a aproximação do positivismo e do compreensivismo. Assim, considerando a complexidade que envolve um estudo sobre a mudança estratégica de um dado sistema ação concreto como os CCI, constituiu-se um objeto de pesquisa que requereu abordagens diferenciadas para aproximar as mútltiplas facetas envolvidas. Usamos, por

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conseguinte, uma abordagem quantitativa para identificar as relações diretas entre as variáveis do sistema, o grau de influência entre os atores e a posição dos atores face aos objetivos; a abordagem qualitativa para conhecer os fatores de evolução do sistema, compreender os mecanismos através dos quais são formuladas as estratégias dos atores-chave e identificar os “futuros possíveis” para o sistema de CCI sob o ponto de vista dos atores. A triangulação constitui uma estratégica de pesquisa que contribui para aumentar o conhecimento sobre a nossa problemática, alcançar os objetivos traçados, observar e compreender a realidade estudada.

Para além desta combinação, e, conforme exposto anteriormente, o presente estudo procura estabelecer uma articulação entre a análise sistémica e a análise estratégia de atores, que obedece a duas linhas dicotómicas de pesquisa e interpretação da vida - a teoria dos sistemas e a teoria da ação. O primeiro à luz das determinações estruturais e o segundo sustentado pelo património teórico do sentido da ação social.

Neste caso, coloca-se uma outra questão: como articular metodologicamente a análise dos atores e a análise do sistema? Em resposta a esta questão, Guerra (2002) salienta que a questão metodológica fundamental reside no facto de saber como impedir um raciocínio determinista associado às análises “estruturalistas”. Segundo a autora, a passagem do ator para o sistema é difícil para pensamento sociológico, tanto ao um nível teórico, como metodológico, isto porque o objeto de estudo da sociologia não passa por analisar as ações particulares, mas antes os fenómenos sociais a partir das representações dos sujeitos face às ações individuais e coletivas. Impõe-se, portanto, aceitar uma descontinuidade articulada entre os níveis “estruturais” e “compreensivos” de observação social. Esta descontinuidade dos níveis de análise resulta não só dos “efeitos de agregação” que

potencialmente opõem as racionalidades da acção individual aos efeitos colectivos dessa mesma acção, mas também das desigualdades de poder que, atravessando todos os níveis do social, têm uma função de “determinação” e de hierarquização das regras de jogo de funcionamento do sistema (Guerra, 2002, p.41).

Consideramos, assim, que os factos sociais são produtos de ações individuais agregadas e que a compreensão dos fenómenos sociais passa por entender que as racionalidades dos atores (entendidas aqui como a forma de utilização dos seus recursos próprios ou coletivos) podem alterar em contextos de interação, sendo, portanto, possível orientar a mudança social de forma negociada e coletiva (Guerra, p. 35). A este respeito, Friedberg (1993) defende que é

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“inútil e falicioso pretender opor uma sociologia dos atores a uma sociologia dos sistemas, uma perspectiva accionista (ou cultural) e uma perspectiva sistémica”, justificando que

um sistema só é explicável a partir da acção que o institui e o reinstitui constantemente. E a acção só tem sentido se relacionada com um sistema. Com efeito, está esvaziada de todo o deterministmo funcional de que poderia ser portadora (Friedberg, 1993, p. 229).

Para o autor, “existe um mínimo de ordem e de regularidade através da aparente desordem das estratégias de poder dos atores individuais e colectivos colocados numa situação de interdependência estratégica num espaço de ação determinado” (Friedberg, 1993, p. 229). É na interseção da ação com o sistema onde a nossa pesquisa se situa. Ao compatibilizar a análise da estratégia dos atores com a análise da estrutura do sistema social, o nosso olhar recai nas dinâmicas de um determinado sistema de ação e na diversidade dos pontos de vistas dos atores intervenientes, o que, segundo Guerra (2002), nos traz implicações ao nível da opção de estratégias de investigação, particularmente, a preferência por uma análise qualitativa, com recurso a uma análise quantitativa de dados, e, por conseguinte, uma postura de indução aliada à dedução.

A nossa problemática constrói-se, assim, através da articulação entre estes dois modos de entender a realidade, cujos problemas específicos de investigação emanam de experiências e conhecimentos pessoais e se alimentam de uma abordagem teórica multifacetada, que procura captar a diversidade das teorias que servem de auxílio à análise da realidade, o que, na nossa perspetiva, nos permite responder com melhor eficácia à complexidade do fenómeno estudado. Se o raciocínio indutivo se enraíza nos casos particulares e chega a generalizações de que se pode avaliar a verosimilhança pela confrontação com outros casos particulares, o raciocínio dedutivo tem a sua fonte em formulações gerais abstratas e universais (algumas vezes apelidadas «leis gerais») da qual se obtêm hipóteses para casos particulares. Tais abordagens propõem aplicar mais de um método na pesquisa, ampliando, assim, as possibilidades para se realizar uma análise e se obter respostas para os problemas a serem estudados. Uma característica comum, aos métodos dedutivo e indutivo, é que ambos utilizam a lógica e chegam a uma conclusão. Em última instância, ambos têm sempre fundamentos ontológicos e epistemológicos subjacentes, onde o processo de teorização assume um lugar de destaque na produção de conhecimento científico. A partir do acima exposto, depreende-se que o conhecimento científico é conjetural, uma vez que verdades inquestionáveis não existem e que uma teoria pode ser refutada e substituída por outra mais adequada. No fundo, o

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conhecimento científico não segue um itinerário previsível com procedimentos definidos e infalíveis. A pesquisa científica carateriza-se, na nossa concepção, como um processo permanente de busca e investigação.

Nesta medida, ao perspetivarmos o sistema de Cuidados Continuados Integrados como um caso particularmente significativo no campo das políticas sociais e de saúde, por ser um projeto inovador e revelante na busca de estratégias conjuntas na construção de um novo espaço de práticas de CCI, a presente investigação assumirá, pela complexidade do fenómeno em estudo, a forma de um estudo de caso21 prospetivo.

Johansson (2003) explica que “O estudo de caso deve ter um "caso" que é o objeto de estudo. O "caso" deveria: ser uma unidade de funcionamento complexa; ser investigado no seu contexto natural, com uma multiplicidade de métodos; e ser contemporâneo” (Johansson, citado por Pescada, 2006, p. 148). Ao adoptar a forma de um estudo de caso, a presente pesquisa tomará a forma de caso de tipo descritivo, exploratório e explicativo e/ou analítico. A intenção do nosso estudo é procurar captar uma perspetiva heurística e coerente do objeto de estudo, valorizando uma olhar interpretativo, que procura compreender como é a realidade do ponto de vista dos participantes (Yin, 1994).

Contudo, não podemos deixar de ponderar e refletir criticamente sobre algumas questões. A generalidade dos autores considera que um estudo de caso “se reveste de uma ausência total de controlo e por via disso de escasso valor científico. No máximo, terá apenas a utilidade de suscitar hipóteses” (Freixo, 2011, p. 110). Contudo, o nosso estudo, mais do se apoiar numa «descrição grossa», ou seja, “factual, literal, sistemática e tanto quanto possível completa do seu objeto de estudo”, procura ter uma “alcance analítico, interrogando a situação, confrontando-a com outras situações já conhecidas e com as teorias existentes, podendo desta forma originar novas teorias e novas questões para futura investigação”, procurando, deste modo, responder positivamente à questão da sua validade externa. Como sabemos, para muitos autores, a importância de uma investigação encontra-se na possibilidade da generalização dos resultados (Freixo, 2011). Contudo, Robert Yin (1994) responde a essa ausência referindo que esses estudos “podem não generalizar para um universo contribuindo para uma generalização em extensão, mas ajudam a fazer surgir novas teorias ou a ajudar a

21 Yin (1994) define “estudo de caso” com base nas características do fenómeno em estudo e com base num conjunto de características

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confirmar ou infirmar as teorias já existentes” (Yin, citado por Freixo, 2011, p. 113). Na verdade, em determinados estudos de caso, a generalização não faz qualquer tipo de sentido, devido à especificidade do “caso” ou pelo caráter irrepetível do mesmo, mas antes a formulação de hipóteses de trabalho a testar em novas investigações. Estamos, por isso, cientes de que, ao optarmos por esta estratégia, estaremos a condicionar a natureza do alcance das nossas conclusões finais.

Como dissemos, o presente estudo será metodologicamente orientado pelas designadas metodologias prospetivas, cujo interesse passa por desenvolver a capacidade de orientar os vetores de mudança a partir de decisões conscientes sobre a evolução e futuros possíveis do sistema estudado.

As vantangens de um estudo prospetivo, quando aplicado a um território regional, como é o nosso, leva-nos a considerar a sua real importância e contributo na (re) definição das abordagens de planeamento por parte de uma multiplicidade de atores do sistema, que, ao tomar conhecimento das perspetivas e das estratégias dos outros atores, podem desenvolver e propor estratégicas coletivas e concertadas de intervenção.

Em suma, a essência da metodologia do estudo de caso é a triangulação, a combinação de diferentes níveis de técnicas, métodos, estratégias e teorias. Acreditamos que, desta forma, o nosso estudo se desenvolva através do poder destas combinações. Contudo, a combinação das abordagens quantitativas e qualitativas, leva-nos a ponderar que os diferentes padrões de qualidade (a respeito da verdade, da aplicabilidade, da consistência e da neutralidade) presentes nas pesquisas qualitativa e quantitativa são ainda difíceis de codificar. Retomaremos esta discussão no ponto alusivo aos critérios de qualidade da investigação, mas antes importa refletir sobre a abordagem da prospetiva na investigação e, em particular, nas pesquisas de natureza sociológica.