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Offer/Answer Model Extensions

3. SDP Capability Negotiation Solution

3.6. Offer/Answer Model Extensions

3.1

Introdução

Mais da metade das espécies que habitam a Terra, se alimentam de outros orga- nismos para sobreviver, seja matando e depois consumindo, seja consumindo pastagem. A característica dessas espécies é que existe uma relação de exploração que prejudica o organismo com o qual eles interagem (CAIN; BOWMAN; HACKER, 2011).

Nestes termos, a predação é caracterizada quando um organismo livre se alimenta de outro. Com essa definição, podemos considerar os herbívoros como predadores dos vegetais, os carnívoros como predadores dos herbívoros e, assim, os organismos que servem de alimento para outros são chamados de presa (CAIN; BOWMAN; HACKER, 2011). Os fatores que determinam a busca por alimentos são diversos. Os organismos podem ser atraídos pelo odor do alimento, ou ao comer substâncias como açúcares que o estimulam a comer mais (DAJOZ,2005).

Os predadores tem hábitos distintos em relação à busca por alimentos. Eles podem se mover em busca de suas presas ou esperar que elas fiquem ao seu alcance (CAIN; BOWMAN; HACKER, 2011)

Os predadores tem um papel importante que é o de limitar o aumento indevido de uma determinada espécie. A introdução de predadores em determinados ambientes, torna possível o controle de outras espécies que servem de presas para esses predadores (DAJOZ, 2005)

Geralmente, predadores não mostram preferência a determinda presa, eles consomem pela disponibilidade. Verificamos que se um predador prefere uma presa mesmo que ela esteja escassa, dizemos que ele é um predador especialista (CAIN; BOWMAN; HACKER, 2011).

Por outro lado, os predadores podem modificar seus hábitos alimentares, mostrando preferência por outras presas que varia dependendo de suas abundâncias relativas. Esse fenômeno conhecido como switching foi observado em insetos, peixes e aves (DAJOZ, 2005).

Algumas aves, por exemplo, não comem certo tipo de inseto, que é seu favorito, quando ele se torna raro e passa a se alimentar de outro. Mas o incorpora na sua dieta,

bruscamente, quando este se torna abundante novamente. Isso mostra como essas aves têm a aptidão de fazer uma imagem de busca e a selecionar presas pouco visíveis (DAJOZ, 2005).

O modelo presa-predador de Lotka-Volterra é um modelo de importância histórica na matemática de sistemas ecológicos. Em (KOT, 2001), vimos que o modelo surgiu em meados da década de 1920, quando Umberto D’Ancona, que era um biólogo marinho italiano, desenvolveu entre 1910 e 1923, uma análise estatística com dados sobre peixes vendidos nos mercados de Trieste, Fiume e Veneza. Com a suspensão da pesca em parte do mar Adriático, durante a Segunda Guerra Mundial, Umberto D’Ancona mostrou que houve um aumento na frequência relativa em algumas espécies (predadores) e redução da frequência relativa de outras espécies (presas). Com base nesses dados, Umberto D’Ancona propôs a Vito Volterra a questão para que ele modelasse o comportamento das presas e dos predadores. Então, Volterra encontrou um par de equações diferenciais para descrever o sistema. De acordo com (COELHO, 2000), Lotka propôs o modelo quase que simultaneamente nos Estados Unidos. Então, o modelo ficou conhecido como modelo de Lotka-Volterra.

Neste modelo, consideramos que tanto a concentração de indivíduos do tipo presa quanto do tipo predador sejam funções do tempo t e que seus crescimentos dependam de suas respectivas taxas de natalidade e mortalidade. Rotulando por x a população de presas e por y a de predadores temos, em sua forma mais simples,

dx

dt = ax − bxy

dy

dt = −cy + dxy, (3.1)

onde a, b, c e d são constantes positivas. O parâmetro a é a taxa de crescimento das presas,

c é a taxa de mortalidade dos predadores e b e d são as medidas de interação entre as duas

espécies.

Esse sistema vem sendo explorado de várias maneiras. Em (MORITA; TAINAKA, 2006) foi estudada a interação presa-predador de duas formas. Através de interação local e de interação global. A interação local é feita apenas com pares de sítios adjacentes em uma estrutura espacial. A interação global é feita com teoria de campo médio.

Foi observado que as amplitudes de oscilação diminuem com o tamanho da rede como pode ser visto na figura 36. Há uma diminuição dos efeitos estocásticos no sistema quando o tamanho da rede aumenta.

Figura 36 – Oscilações estocásticas em redes de dimensões 30 × 30, 50 × 50, 100 × 100 e 200 × 200, onde o eixo X representa a concentração de presas e o eixo Y a concentração de predadores. Figura retirada de (MORITA; TAINAKA,2006).

Em ecossistemas reais, onde muitas espécies estão presentes, os predadores têm a possibilidade de encontrar diferentes presas (AJRALDI; VENTURINO, 2008). Como foi mencionado anteriormente, os predadores podem modificar seus hábitos alimentares e mostrar preferência por outras presas que varia em função de sua abundância relativa. Esse fenômeno é chamado de switching (DAJOZ,2005).

Esse efeito é inserido através das funções de Tansky (TANSKY, 1978),

K1(x, y) = a1 1 + (yx)n K2(x, y) = a2 1 + (xy)n, (3.2)

onde x e y são as concentrações das duas espécies de presa e a1 e a2 são os termos de

interação. Deste modo, passamos a ter mais uma equação no modelo de Lotka-Volterra (equação 3.3). dx dt = 1x − K1zx dy dt = 2y − K2zy dz dt = −3z + K1xz + K2yz, (3.3)

onde 1 é a taxa de reprodução da presa tipo 1, 2 é a taxa de reprodução da presa tipo 2,

3 é a taxa de mortalidade do predador e z representa a concentração de predadores. A

equação 3.3tem as características de switching. Quando uma população de uma espécie de presa fica rara, o predador passa a escolher a outra espécie de presa disponível. Aqui n é a intensidade do switching. Quanto maior o valor de n, mais rápido o sistema entra no seu estado de equlíbrio (TANSKY,1978).

Nos estudos feitos por (BEAN et al.,2006), os autores afirmam que o comportamento do predador em deslocar a preferência de uma determinada presa por outra, funciona de maneira a estabilizar o sistema e garantir a coexistência e a competição permanente das espécies.

Ainda em (BEAN et al., 2006), é verificado que sem utilizar o efeito switching, uma das espécies de presa é extinta. E ao utilizar o efeito switching, o sistema converge assintoticamente para seu ponto de equilíbrio. Isto é, o sistema é estabilizado como um todo e garante a coexistência das três espécies. E a intensidade do switching, n, é responsável pela rapidez com que o sistema atinge a estabilidade. Quanto maior a intensidade do

switching, mais rápido o sistema estabiliza.

Devemos levar em conta que fatores como heterogeneidade ambiental e variações locais de densidade populacional, entre outros não são considerados no modelo presa- predador de Lotka-Volterra. No entanto, esses fatores podem ser relevantes para a dinâmica do sistema (ARAUJO; AGUIAR, 2012). Quando utilizamos modelo de campo médio, não somos capazes de controlar variações ambientais, ou com quem a interação será feita. Com a modelagem utilizando estrutura espacial, podemos incluir parâmetros, de diversidade ambiental, por exemplo, como também a taxa de reprodução podendo variar de uma região para outra.

A heterogeneidade ambiental pode ser verificada através da inclusão de recursos na estrutura espacial (JÚNIOR; FERREIRA; OLIVEIRA,2014). Desta forma, as espécies do tipo presa terão, apenas, a quantidade de recurso que estiver disponível no sítio em que está inserida, para utilizar na sua perpetuação. A heterogeneidade ambiental é um fator que proporciona a diversidade das espécies (CAIN; BOWMAN; HACKER, 2011;JÚNIOR; FERREIRA; OLIVEIRA, 2014).

No modelo proposto em (JÚNIOR; FERREIRA; OLIVEIRA, 2014), as espécies competem por recurso em uma estrutura espacial. Nesse modelo, recursos são distribuídos nos sítios de uma rede quadrada com condições de contorno periódicas e as espécies utilizam esses recursos para sua perpetuação através da equação (3.4)

fki = min  R i1 Kk1+ Ri1 , Ri2 Kk2+ Ri2 , . . . , Rin Kkn+ Rin  (3.4)

onde fki representa o fitness da espécie k no sítio i. Rin representa o recurso n no sítio i e

Kkn representa a constante de meia-saturação da espécie k para o recurso n. A constante

de meia-saturação reflete a quantidade de recurso que uma espécie precisa para atingir a metade de sua taxa de reprodução máxima. Assim, com uma constante de meia-saturação pequena, temos uma espécie que é uma boa competidora naquele recurso, enquanto que para valores grandes, a espécie não é uma boa competidora no determinado recurso. Os autores trabalharam com esse tipo de equação para a função de adaptação porque se trata de recursos essenciais e, de acordo com a Lei de Liebig, o recurso essencial com menor quantidade limita o crescimento de uma determinada espécie.

Simulações são feitas em habitats homogêneos e heterogêneos. É verificado que ao aumentar o número de recursos a coexistência das espécies passa a existir. Mas esse comportamento só é verificado em habitats heterogêneos.

Em (Szwabi `NSKI; PE¸ KALSKI; Trojan, 2006), foi considerado um modelo de duas presas e um predador em uma estrutura espacial, onde as espécies do tipo presa competem entre si e existe um parâmetro de preferência do predador por uma das presas. Observa-se que para redes pequenas (L = 50), não obtem-se a coexistência das três espécies. Mas para tamanhos grandes de rede (L = 200), é possível obter a coexistência das três espécies. Em linhas gerais, o autor mostra que é possível obter coexistência com as simulações em uma estrutura espacial, mesmo que o resultado esperado tenha uma grande chance de ser a extinção de uma das presas. O autor acredita que a extinção é devido à competição entre as presas.

A destruição, ou fragmentação dos habitats são fatores significantes que causam extinção das espécies. Com a crescente devastação do meio ambiente devido às atividades humanas, o problema tornou-se ainda mais significativo (Szwabi`nski; P¸ekalski, 2006). Quando uma espécie se extingue, muitos estudos investigam sua origem. Na maioria dos casos, não se pode determinar a causa da extinção. Isto implica que a relação causal entre a extinção de espécies e destruição de locais de habitat é muito complexa (NAKAGIRI; TAINAKA; TAO, 2001).

Um modelo de presa-predador em uma estrutura espacial é estudado em (Szwabi`nski; P¸ekalski, 2006). Ele investiga os efeitos da fragmentação no sistema. O modelo considera uma espécie de presa e uma espécie predadora. Os recursos das espécies não são infinitos e eles podem morrer se os recursos acabarem. Os autores observam que a fragmentação causa a extinção do predador mais rápido que da presa, isto é, o predador sofre mais com

a fragmentação (figura 37). A fragmentação não é benéfica nem para o predador nem para a presa e diminui a chance de coexistência. Quando a fragmentação se torna muito grande, acaba por separar os indivíduos, criando pequenas populações que podem ser extintas mais facilmente.

Figura 37 – Variação do número de indivíduos no tempo para diferentes percentuais de fragmentação cd. Figura retirada de (Szwabi`nski; P¸ekalski, 2006).

A relação entre a destruição de habitats e a extinção das espécies foi estudada por (NAKAGIRI; TAINAKA; TAO, 2001). Os autores consideram um modelo presa-predador e investigam a influência da fragmentação com modelo de campo médio e com simulações em uma rede. Os autores consideram que o predador, ao encontrar uma presa, consome e deposita sua prole no lugar da presa, e pode morrer com probabilidade d. A presa, ao encontrar um sítio vazio, se reproduz com probabilidade r. Na simulação na rede, um indivíduo só pode interagir com seu sítio adjacente. Existe um parâmetro p que é o percentual de barreiras que são colocadas entre dois sítios vizinhos, que impede a presa de se mover de um sítio para outro. Essa barreira não impede a mobilidade do predador.

Apesar de as barreiras não afetarem os predadores de imediato, eles sentem mais esse procedimento. Com o aumento do percentual de barreiras, a densidade de predadores vai dimunuindo, até serem extintos quando p atinge um valor próximo de 0.5 que é o valor de transição de percolação. Já a densidade de presas não evolui dessa maneira. Ela vai aumentando com o aumento de p, até o valor próximo do valor de transição de percolação e, a partir desse ponto, passa a cair com o aumento de p. Os predadores são extintos

porque ficam isolados em pequenas regiões e conforme as regras de interação, com o passar do tempo eles morrem. Já as presas, mesmo quando p atinge o valor crítico, não seriam extintas, a menos que seja inserido um parâmetro de morte.

Ecologistas que estudam dinâmica de populações preferem não se preocupar com a possibilidade de mudança evolutiva que afetam seus organismos de estudo, pois o entendimento dos resultados de interações entre uma população de presas e predadores já é uma tarefa complicada (TURCHIN,2003). Fazer a suposição de que os processos evolutivos são muito lentos em escalas ecológicas facilita enormemente a tarefa de modelar as oscilações populacionais comumente observadas. Mas um estudo realizado por (YOSHIDA et al., 2003) mostra uma evidência da hipótese de evolução rápida.

Em (YOSHIDA et al., 2003) foi observado que sob intensa predação, a população de presas sofre mutação e se torna resistente ao predador. Quando a maioria das presas são resistentes, o número de predadores cai. Embora a abundância de presas seja recuperada, devido à baixa pressão de predação, as presas mutantes não são resistentes a ponto de suportarem os predadores sobreviventes, pois estes passam a consumir as presas mutantes. Assim, a população de predadores volta a crescer dando início a um novo ciclo.

Neste trabalho, investigamos o papel da heterogeneidade ambiental no modelo de duas presas e um predador. Através da adição de recursos na estrutura espacial, variamos a heterogeneidade. As duas espécies do tipo presa utilizam esses recursos disponíveis para se reproduzirem. A taxa de reprodução das presas é dada pela equação de Monod (equação 3.4). Observamos que a heterogeneidade favorece a coexistência das três espécies e diminui a probabilidade de extinção. A partir de um limite, h = 1024, a extinção volta a ter chance de ocorrer.

3.2

Modelo

Através de simulação computacional, implementamos um modelo de duas presas e um predador em uma estrutura espacial igual a apresentada no capítulo 2. Também variamos a heterogeneidade h em 1, 4, 16, 64, 256, 1024, 4096, 16384, 65536 e 262144, mas neste caso, utilizando apenas dois recursos. Distribuímos as três espécies na rede de forma aleatória através de uma distribuição uniforme, de modo que as quantidades iniciais são aproximadamente as mesmas. Distribuímos dois recursos distintos em cada sítio da rede como mostrado nas Figuras 12 e 13. As constantes de meia saturação da presa tipo 1 variam no intervalo 1 ≤ k11 ≤ 9 e 2 ≤ k12 ≤ 10 com k12 sempre maior que k11. As

constantes de meia saturação da presa tipo 2 são, k21 = k12 e k22= k11. Isso torna cada

presa i no sítio j, fij, é dada pela lei de Liebig (equação 3.5) fij = min R1j R1j+ Ki1 , R2j R2j + Ki2 ! . (3.5)

A taxa de mortalidade das espécies do tipo presa, é fixada em mpres = 0.06. A taxa de

reprodução da espécie predadora, varia de 0.01 ≤ rp ≤ 0.1 em passos de 0.01 e sua taxa

de morte tem valor fixo de m = 0.01.

Após o preenchimento da rede com as espécies, com os recursos e a determinação da vizinhança, procedemos com a dinâmica do modelo.

1. Escolhemos um sítio aleatoriamente da rede;

2. Se o sítio estiver vazio, voltamos ao passo 1;

3. Se o sítio estiver ocupado por uma das presas, ela morre com probabilidade mp. Caso

não morra, verificamos se existem sítios vazios na vizinhança. Se existir, a espécie se reproduz com probabilidade fij, referente à espécie i no sítio j, e coloca sua prole

no sítio vazio. Caso exista mais de um sítio vazio na vizinhança, a escolha é feita aleatoriamente.

4. Se o sítio estiver ocupado por um predador, ele morre com probabilidade m. Caso não morra, escolhemos aleatoriamente um sítio de sua vizinhança e verificamos se o sítio escolhido está ocupado por uma das presas. Se estiver, o predador a consome e coloca sua prole no lugar com probabilidade rp. Se o sítio escolhido estiver vazio ou

ocupado por um predador, voltamos ao passo 1;

5. Contamos um passo de tempo depois de visitados N sítios.

3.3

Resultados

Nas Figuras 44 a 53 apresentamos os diagramas de fase para 0.01 ≤ rp ≤ 0.1,

respectivamente e fixamos a taxa de mortalidade do predador em m = 0.01, a taxa de mortalidade das presas em mpre = 0.06 e a rede com 2 recursos distintos em cada sítio.

Cada cor representa um estado diferente. As representações são: verde para coexistência das três espécies; azul indica que restaram duas presas na rede; laranja uma das presas com o predador; cinza sobrevivência de uma presa apenas; vermelho a extinção das três espécies. A área de cada cor nos retângulos, indica a probabilidade de cada estado ocorrer. Quanto maior a área da cor, maior será a probabilidade de ocorrer aquele estado para o determinado conjunto de parâmetros. Podemos observar das Figuras 44, 45 e 57 que a

espécie predadora não consegue se manter na rede. Isso ocorre porque ele se reproduz com a mesma taxa que morre (Figura 44) e no caso da Figura 45, tem taxa insuficiente para sua manutenção na estrutura.

O comportamento apresentado nas Figuras44 e 45 é aproximadamente igual. Para

h = 1, temos uma grande região de extinção (cor vermelha) com uma pequena região do

diagrama de fase em que a probabilidade de uma das presas se manter na rede (cor cinza) é maior. Três fatores importantes levam a este panorama: a extinção da espécie predadora é devido a sua taxa de reprodução ter o mesmo valor da taxa de morte impedindo, assim, que a espécie se mantenha. Para as espécies do tipo presa, o ambiente homogêneo não dá suporte para a coexistência das duas espécies, pois, como observamos no Capítulo 2, a espécie que melhor se adaptar ao ambiente, para o caso homogêneo, ficará na rede levando a outra a extinção. Por fim, os valores das constantes de meia saturação, na região que possuem valores mais altos, tornam as presas pouco adaptáveis aos recursos, levando a uma taxa de reprodução menor que a taxa de morte.

Ainda com relação às Figuras 44 e 45, aumentando a heterogeneidade de h = 1 para h = 4, a região de extinção diminui, levando as regiões em que observávamos maior probabilidade de ocorrência de uma presa apenas, para maior probabilidade de coexistência das duas presas no ambiente (cor azul). E a região em que a extinção era certa, ou quase certa, passa a ser menor, aumentando a probabilidade de duas presas coexistirem ou uma presa apenas. O que leva a este estado, é a heterogeneidade ambiental. Nesse caso,

h = 4, a rede possui quatro ambientes distintos, dando a possibilidade das espécies do tipo

presa procurarem as regiões em que melhor se adaptem e nelas permaneçam. Observamos também que mesmo nas regiões em que as constantes de meia saturação tem valores mais altos, a probabilidade de extinção diminui, devido a heterogeneidade ambiental que torna possível a escolha de uma região mais adequada para a espécie (Figura 38).

(a) (b)

Figura 38 – Estado final da rede para rp = 0.01, m = 0.01, mpre = 0.06 e 2 recursos.

presa 1,

presa 2.

Fazendo a heterogeneidade ambiental aumentar para h = 16, a região de extinção no diagrama de fase diminui ainda mais. A partir de h = 64, passa a não mais existir, mostrando que a heterogeneidade é um fator de extrema importância para a manutenção das espécies no meio. As Figuras 40,54 e56mostram que apesar de as constantes de meia- saturação assumirem valores mais elevados, a heterogeneidade aumenta a probabilidade de sobrevivência das espécies, mesmo que seja em uma concentração menor. As Figuras 39(a) e (b) mostram que as espécies do tipo presa habitarão as regiões que melhor se adaptarem e como as constantes de meia saturação assumem valores menores, a concentração de presas é maior quando comparado ao cenário apresentado na Figura 40.

(a) (b)

Figura 39 – Estado final da rede para rp = 0.01, m = 0.01, mpre = 0.06, 2 recursos, k11= 1

(a) (b)

Figura 40 – Estado final da rede para rp = 0.01, m = 0.01, mpre = 0.06, 2 recursos, k11 = 9

e k12= 10. (a) h = 16, (b) h = 64.

presa 1,

presa 2.

Porém, continuando a aumentar a heterogeneidade, observamos que a probabilidade de extinção volta a surgir na região em que as constantes de meia saturação assumem valores maiores. Quanto maior a heterogeneidade, maior será a probabilidade de existirem habitats com recursos insuficientes para a manutenção das espécies que são pouco adaptáveis. Para o tamanho da rede que utilizamos, L = 512, o maior grau de heterogeneidade em que a extinção é pouco provável ou inexistente é h = 4096. A Figura41 (a) mostra que quando o grau de heterogeneidade é h = 4096, teremos poucos habitats com recursos suficientes para as presas, que neste caso, estão com valores elevados de constantes de meias saturação. A Figura 41 (b) mostra que quando as presas tem constantes de meia saturação com valores baixos, elas são mais adaptáveis e a heterogeneidade não põe em risco sua manutenção no ambiente.

(a) (b)

Figura 41 – Estado final da rede para rp = 0.01, m = 0.01, mpre = 0.06, 2 recursos,

Seguindo com a mesma análise, aumentando a heterogeneidade para h = 65536 e

h = 262144, observamos que a região de extinção aumenta, porque aumentamos ainda

mais o número de habitats tornando mais provável o surgimento de habitats com recursos insuficientes para as presas que possuem constantes de meia saturação com valores mais elevados e aqueles habitats com recursos suficientes não possuem área com tamanho mínimo para que uma população consiga escapar da extinção. Por isso, a probabilidade de sobrevivência das espécies do tipo presa, aumentam quando as constantes de meia saturação assumem valores mais baixos, pois, dessa forma, a taxa de reprodução será mais alta.

Com a taxa de reprodução no valor de rp = 0.03, Figura 46, a espécie predadora

terá maior probabilidade de sobreviver. Para o ambiente homogêneo, Figuras 46 e 42 (a), com as constantes de meia saturação com valores mais baixos, surge a probabilidade de o predador coexistir com uma das presas (cor laranja). Isso ocorre porque a taxa de reprodução da espécie predadora atinge um valor mínimo necessário para que ele consiga sobreviver, mas para uma oferta maior de presas. Por isso que apenas surge essa

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