Com o intuito de obter informações que ecoam nos processos formativos dos sujeitos participantes da pesquisa, apresentamos neste tópico o perfil das docentes do Cmei pesquisado, na busca por delinear dados gerais dos sujeitos que integram esse contexto específico. Ressaltamos, com esse propósito, que não temos a intenção de padronizar as docentes num determinado perfil, no entanto, consideramos importante reunir tais informações para compreender a configuração do grupo que acompanhamos no desenvolvimento da pesquisa.
De acordo com as respostas assinaladas no questionário aplicado às docentes, considerando o conjunto de 09 respondentes26, todas se identificaram sendo do sexo feminino (100%), com idade entre 40 e 61 anos, em consonância com as pesquisas que informam a predominância histórica das mulheres no magistério (CERISARA, 2002). A maior parte das respondentes é casada (4), solteiras temos 3 e divorciadas 2. A maioria indicou que tem filhos (6).
Quanto ao município de residência, 3 docentes assinalaram que moram no município da Serra, seguido de Vitória (1) e Vila Velha (1). Mesmo que boa parte não tenha respondido essa questão (4), depreendemos que a maioria reside na Grande Vitória, local de trabalho das docentes e de realização da pesquisa.
Conforme apontam os dados, o movimento sindical é o movimento que mais tem participação, com 5 adesões. A participação em movimento social foi assinalada por 2 docentes e em movimento político por 1. Com isso, entendendo a participação nos movimentos como uma atividade formativa, os indicadores demonstram que a maior parte das docentes participa de outros espaços de formação, que vão além dos organizados pela instituição ou pela Seme.
No que se refere à formação escolar, compusemos o seguinte gráfico:
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Informamos que o quantitativo de docentes que participou dos encontros é 12, mas estamos trabalhando com um total de 09 respondentes visto que 3 participantes estavam ausentes no dia de aplicação do questionário (2 tiveram consulta médica e 1 estava de licença-maternidade).
Gráfico 5 – Formação escolar das participantes
Fonte: Elaboração da autora.
Considerando tais indicadores, observamos que, dentre as respondentes, a maioria não cursou a EI na idade de 0 a 3 anos (4), sendo que apenas 2 cursaram em instituições privadas. Na idade de 4 a 5 anos, o mesmo quantitativo não cursou (4) e 1 cursou em instituição privada. Quanto ao ensino fundamental, 3 cursaram em rede pública, 2 em rede privada e 4 não responderam. O ensino médio foi cursado em rede pública por 5 docentes, e nenhuma o cursou em rede privada, sendo que 4 não responderam. No que se refere ao ensino superior a maioria cursou em rede pública (5), e 4 cursaram em rede privada. Tais dados indicam, tendo em vista as respostas obtidas, que nenhuma docente cursou a EI na rede pública, possivelmente pelas dificuldades de acesso a essa etapa da educação básica no período da infância, que dialogam com os indicadores nacionais mais recentes (CÔCO; GALDINO; VIEIRA, 2016). Esses resultados podem indicar também, conforme aponta Côco (2013), que não frequentar a EI possibilita, como consequência, transportar o que se tem de referência (nesse caso, a estrutura da escola) para o trabalho na EI. Assim, as ressonâncias dessa falta de acesso podem ser compreendidas como um desafio no campo da profissionalidade docente e do reconhecimento da especificidade da EI.
Quanto ao ensino superior, observamos que a maioria cursou o ensino superior na rede pública (5), ainda que também haja uma quantidade significativa que efetivou sua formação inicial no ensino privado (4), indicando, se comparado à EI, que os
0 1 2 3 4 5 6 EDUCAÇÃO INFANTIL 0 - 3 EDUCAÇÃO INFANTIL 4 - 5 ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO ENSINO SUPERIOR NR NÃO CURSOU PRIVADA PÚBLICA
movimentos mais recentes de formação aconteceram, conforme a maior parte das respondentes aponta, no ensino público.
O tempo de experiência na educação varia de 8 a 35 anos, na EI varia de 3 a 30 anos e no Cmei pesquisado varia de 5 meses a 20 anos. Considerando que esses dados acenam para as diversas temporalidades da carreira, evidenciamos que os tempos distintos de trabalho na educação em geral, que contempla um maior número de docentes com experiência entre 20 e 30 anos, indica um grupo de professores experientes que estão se aposentando ou se aproximam da possibilidade de se aposentar por tempo de contribuição.
Em relação ao período dedicado à EI, o tempo de experiência varia de 3 a 14 anos em sua maioria, enfatizando, assim, que a maior parte das docentes já trabalhou em outras etapas da educação básica. A profissão docente exercida no Cmei pesquisado reúne tempos bastante diversificados, tendo de um lado uma docente com 5 meses na instituição e no outro uma com 20 anos (desde a fundação da instituição), com os demais variando entre 3, 10 ou 14 anos no local. Nessa relação entre as que chegam e as que já estão há bastante tempo no Cmei, podemos considerar que há pouca rotatividade, principalmente considerando que em relação ao tipo de vínculo com o Cmei, todos (9) são estatuários/concursados. Nesse mote, realçamos que “[...] índices elevados de rotatividade geram desafios para a constituição de princípios comuns a uma coletividade educativa” (CÔCO, 2012, p. 63), e que, portanto, por apresentar pouca rotatividade, há possibilidade de construir um grupo com um conjunto de profissionais que participam de experiências formativas com aprendizagens recíprocas de modo mais contínuo e aprofundado.
No que diz respeito ao desenvolvimento de funções paralelas ao trabalho no Cmei, 4 respondentes assinalaram ter outro trabalho, sendo todos na EI, evidenciando a opção/necessidade de trabalhar em mais de um turno. Como nenhuma delas trabalha na mesma instituição no turno vespertino, observamos o deslocamento para outros Cmeis, que não são localizados no mesmo município, indicando a necessidade de ajustar seus horários considerando o período de trabalho em outra instituição.
Considerando a caracterização apresentada, com o intuito de potencializar a compreensão do contexto da pesquisa, complementamos esse processo de caracterização com a descrição do Cmei pesquisado, focalizando seus aspectos físicos, organizacionais e pedagógicos.