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2.9 Protocole d’´evaluation et de comparaison propos´e

2.9.1 Obtention de la v´erit´e terrain

O termo “economias de mercado emergentes ou em desenvolvimento” é comumente atribuído a Antoine W. van Agtmael, do International Finance Corporation – World Bank (INTERNATIONAL FINANCE CORPORATION, 2006, e AGTMAEL, 1984), e é definido como sendo aplicável a economias com baixa a média renda per capita. Nessa categoria, estariam incluídos países representando 80% da população e 20% do Produto Interno Bruto mundial. Uma vez que essa definição tende a abarcar mercados tão díspares, como China ou Tunísia, em termos de seu tamanho econômico, importância geopolítica e grau de desenvolvimento de reformas políticas e sociais, outros indicadores tem sido utilizados para melhor categorizar esse grupo. Indicadores tais como estabilidade política, grau de corrupção, infra-estrutura física e social, maturidade da sociedade civil também têm sido empregados por diversos organismos públicos e privados nessa avaliação. O conjunto desses fatores, portanto, denotaria uma trajetória de crescimento econômico e oportunidades de mercado.

De forma geral, economias de mercado emergentes são caracterizadas por serem de transição, significando estarem em um processo de mudança de uma condição de mercado fechado para uma de maior abertura. Durante este processo de transformação, são normalmente implementadas reformas econômicas, políticas e sociais que conduzirão esses países a apresentarem uma performance mais consistente e duradoura, assim como levando a uma maior transparência e eficiência ao sistema. Mercados emergentes têm tradicionalmente sido foco de atenção para corporações multinacionais que buscam acesso a novos mercados, fontes de matérias-primas, inovações e mesmo talentos humanos a serem agregados ao seu corpo executivo. Um indicador comumente utilizado para medir o grau de confiança que governos e empresas têm em relação a uma dada economia emergente seria o volume de investimentos diretos recebidos (ver Tabela 3.1 e 3.2 para indicadores de investimentos diretos no exterior de regiões ou países selecionados).

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Tabela 3.1 - Estoque de Investimentos Diretos no Exterior como Percentual do Produto Doméstico Bruto (em %) – Diversos Países – 1990-2005

Região/País 1990 2000 2005

Mundo 8,6 20,6 23,9

Países em desenvolvimento e em transição 4,3 13,4 12,8

Brasil 9,4 8,6 9,0 Rússia - 7,8 15,7 Índia 0,0 0,4 1,2 China 1,2 2,6 2,1 Hong Kong 15,7 234,9 264,7 China 13,4 24,3 16,1 Fonte: PROCHINIK, 2007.

Tabela 3.2 - Estoque de Investimentos Diretos no Exterior como Percentual do Produto Doméstico Bruto (em US$ bilhões) e Crescimento Anual Médio (em %) - Diversos países - 1980- 2005 Região/País 1980 1990 80/90 2000 90/00 2005 00/05 Mundo 565,5 1.722,2 11,8% 6.123,6 13,5% 9.746,9 9,7% Países em desenvolvimento e em transição 71,6 139,6 6,9% 748,9 18,3% 1.067,3 7,3% Brasil 38,5 41,0 0,6% 51,9 2,4% 71,6 6,6% Rússia - - - 20,1 - 120,4 43,0% Índia 0,1 0,1 2,5% 1,9 34,2% 9,6 38,3% China - 4,5 - 27,8 20,0% 46,3 10,7% Hong Kong 0,1 11,9 55,1% 388,4 41,7% 470,5 3,9% África do Sul 5,5 15,0 10,5% 32,3 8,0% 38,5 3,6% BRICs 44,3 72,5 5,0% 522,4 21,8% 756,8 7,7 Fonte: PROCHINIK, 2007.

Do ponto de vista geográfico, mercados emergentes poderiam ser encontrados na América Latina (Brasil e México), Ásia (China, Índia, Vietnam e Indonésia), Europa Central (Rússia, Polônia, Hungria e República Checa), África (África do Sul, Nigéria e Quênia) e Oriente Médio (Turquia, Egito, Arábia Saudita, Iraque e Irã). Em termos de áreas de crescimento, os principais mercados incluiriam China, Índia, Brasil, Europa Central, Oriente Médio e México. A Tabela 3.3 mostra que a participação de países emergentes selecionados, tais como China e Índia, na economia mundial, como percentual do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, cresceu nas últimas décadas, ao passo que a dos grandes centros desenvolvidos diminui.

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Tabela 3.3 - Produto Interno Bruto (PIB) na Paridade de Poder de Compra (PPP) como % do PIB mundial - Diversos países - 1985-2005 1985 1995 2005 Brasil 3,2% 3,0% 2,6% China 4,4% 8,9% 14,3% Índia 3,8% 5,0% 6,3% Japão 8,1% 8,3% 6,5% México 2,1% 1,9% 1,8% Rússia - 2,6% 2,6% USA 21,7% 21,7% 20,4% Europa Ocidental 23,6% 23,1% 20,2% Fonte: EIU, S.d..

Todavia, da mesma forma que esses mercados atraem atenção de multinacionais em busca de novos mercados, também se observa que as chamadas multinacionais de países emergentes estão cada vez mais presentes no cenário econômico global, competindo com multinacionais de países desenvolvidos em várias indústrias ao redor do mundo. Essas empresas desafiam a concepção estabelecida de que firmas de países emergentes são pouco inovadoras e dependem de tecnologia desenvolvida em países desenvolvidos. As multinacionais de países emergentes são encontradas em diferentes indústrias e apresentam grau de sofisticação tecnológica crescente.

A Embraer, empresa brasileira do setor aeroespacial, é um exemplo de multinacional emergente operando em um mercado global altamente competitivo e intensivo em tecnologia. Em 2005, considerando apenas a aviação comercial, a Embraer era a terceira maior fabricante de aeronaves mundial, atrás da Boeing americana e da Airbus européia e à frente da canadense Bombardier. Algumas empresas têm presença regional, outras têm presença global. Em sua grande maioria, elas são líderes em seus mercados locais. Empresas como a mexicana Cemex e a coreana Samsung são exemplos de empresas de países emergentes com crescente presença internacional, enquanto firmas como a brasileira Petrobras3 e a indiana Mahindra & Mahindra ainda atuam mais no âmbito regional.

Em 2004, de acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês), o fluxo de investimentos brasileiros para o exterior atingiu US$ 9,5 bilhões. No mesmo período, o estoque de investimentos brasileiros no exterior foi de cerca de US$ 66,0 bilhões (BCB, S.d.) assegurando ao Brasil a quarta

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Embora tenha investimentos em países africanos e na América do Norte, os investimentos externos da Petrobras ainda estão fortemente concentrados na América do Sul, notadamente Bolívia e Argentina e, em menor escala, Venezuela e Equador.

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colocação entre os países em desenvolvimento, atrás de China/Hong Kong, Cingapura e Taiwan. Entretanto, a despeito do aumento do estoque e do fluxo com relação a anos anteriores, o estoque de investimento brasileiro no exterior em relação ao Produto Interno Bruto ainda é pequeno, em torno de 11%. No Sudeste Asiático, esse coeficiente sobe para 16%. Adicionalmente, apesar de ser o 5o maior país do mundo em extensão, de ter a 6ª maior população, ser a 14ª maior economia, o Brasil responde por apenas 1,1% do comércio mundial, ocupando a 53ª posição de um total de 62 países listados (Foreign Policy, 2004).

Estudo do Boston Consulting Group (BCG), datado de 2006, identificou 100 empresas com faturamento acima de 1 bilhão de dólares por ano e com taxas de crescimento superiores à média de mercado, oriundas de países emergentes em crescentes, embora diferentes, estágios de inserção internacional. A pesquisa sugere que, em 2010, a maior parte delas terá dobrado o seu faturamento e apresentará receitas internacionais crescendo dos atuais 28% para 40% das suas vendas totais, sendo várias delas listadas entre as cinco maiores empresas mundiais no seu respectivo setor. São empresas como a chinesa Lenovo, que em 2005 adquiriu da IBM sua divisão de computadores pessoais (PCs), e a indiana Wipro, a maior empresa mundial de serviços terceirizados de tecnologia.

No agregado, 88% das empresas citadas pelo estudo decidiram se globalizar como uma forma de buscar maiores economias de escala, enquanto 60% são de capital aberto ou têm subsidiárias negociadas em Bolsa de Valores. Adicionalmente, elas investem, em conjunto, aproximadamente US$ 9,0 bilhões em pesquisa e desenvolvimento e dispõem de, aproximadamente, 300.000 técnicos, engenheiros e cientistas trabalhando nas suas empresas. Do ponto de vista de estratégia de expansão, 80% do crescimento dessas empresas se processou de forma orgânica, tanto por meio de exportações quanto pela abertura de filiais. Embora cerca de 200 aquisições internacionais tenham sido feitas por essas firmas entre 2000 e 2005, apenas 24 das 100 empresas emergentes listadas realizaram mais de três fusões ou aquisições no período compreendido entre 1988 e 2005.

Embora estudos e pesquisas similares corroborem esta tendência de internacionalização de firmas advindas de países emergentes, a internacionalização das empresas brasileiras tem-se processado de forma lenta e tardia. No estudo desenvolvido pelo BCG, das 100 empresas pesquisadas, apenas 12 são empresas brasileiras, contra 44 firmas de origem chinesa e 21 firmas indianas (ver Quadro 3.1).

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Empresa Setor País Empresa Setor País Empresa Setor País

AméricaMóvil Telecomunicações México Galanz Eletrodomésticos China Reliance Química Índia

Bajaj Auto Automotivo Índia Gazprom Combustíveis Rússia Rusal Metais não-ferrosos Rússia

Baosteel Siderurgia China Gerdau Siderurgia Brasil Sabanci Química Turquia

Bharat Forge Automotivo Índia Gree Eletrodomésticos China Sadia Alimentos e bebidas Brasil

Birla Hindalco Metais não-ferrosos Índia Gruma Alimentos e Bebidas México SAIC Automotivo China BOE Tecnologia e computação China GrupoModelo Alimentos e Bebidas México Satyam Serviços de TI Índia

Braskem Petroquímica Brasil Haier Eletrodomésticos China Severstal Siderurgia Rússia

BYD Eletroeletrônico China Hisense Eletroeletrônico China Shougang Siderurgia China

Cemex Material de construção México Huawei Telecomunicações China Sinochem Química China

Chalco Metais não-ferrosos China Indofood Alimentos e Bebidas Outros Sinopec Combustíveis China China Aviation Aeroespacial China Infosys Serviços de TI Índia Sisecam Material de construção Turquia China FAW Automotivo China Johnson Electric Engenharia China Skyworth Eletroeletrônico China China Huaneng Combustíveis China Koç Eletrodomésticos Turquia SukhoiAviation Aeroespacial Rússia China Minmetals Metais não-ferrosos China Konka Eletroeletrônico China SVA Eletroeletrônico China China Mobile Telecomunicações China Larsen & Toubro Engenharia Índia Tata Motors Automotivo Índia China Shipping Navegação China Lenovo Tecnologia e computação China Tata Steel Siderurgia Índia Chunlan Eletrodomésticos China Li & Fung Têxtil China Tata Tea Alimentos e bebidas Índia

CIMC Navegação China Lukoil Combustíveis Rússia TCL Eletroeletrônico China

Cipla Farmacêutico Índia Mahindra & Mahindra Automotivo Índia TCS Serviços de TI Índia

CNC Telecomunicações China Midea Eletrodomésticos China Techtronic Engenharia China

CNHTC Automotivo China MISC Navegação Malásia Thai Union Frozen Alimentos e bebidas Tailândia

CNOOC Combustíveis China MTS Telecomunicações Rússia Tsingtao Beer Alimentos e bebidas China

COSCO Navegação China NAC Automotivo China TVS Motors Automotivo Índia

Coteminas Têxtil Brasil Natura Cosméticos Brasil UTStarcom Telecomunicações China

CP Foods Alimentos e Bebidas Tailândia Nemak Automotivo México Vestel Eletroeletrônico Turquia Crompton Greaves Engenharia Índia Norilsk Nickel Metais não-ferrosos Rússia Videocon Eletroeletrônico Índia

CVRD Mineração Brasil ONGC Combustíveis Índia Votorantim Indústria de processamento Brasil

DongfengMotor Automotivo China OrascomTelecom Telecomunicações Outros VSNL Telecomunicações Índia Dr. Reddy's Farmacêutico Índia Pearl River Instrumentos musicais China Wanxiang Automotivo China

Embraco Engenharia Brasil Perdigão Alimentos e bebidas Brasil WEG Engenharia Brasil

Embraer Aeroespacial Brasil Petrobras Combustíveis Brasil Wipro Serviços de TI Índia

Erdos Têxtil China PetroChina Combustíveis China ZTE Telecomunicações China

Femsa Alimentos e Bebidas México Petronas Combustíveis Malásia Founder Tecnologia e computação China Ranbaxy Farmacêutico Índia Quadro 3.1 Empresas Selecionadas de Países Emergentes em Processo de Internacionalização

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Considerando-se o tamanho e a diversidade da indústria brasileira, deveríamos esperar um maior número de empresas. Surpreende, portanto, a baixa representatividade de empresas exportadoras brasileiras e a reduzida diversificação da pauta de exportações de manufaturados, a pouca penetração nos mercados internacionais e a quase inexistência de verdadeiras empresas multinacionais no universo de empresas brasileiras (ver Quadro 3.2).

Empresa Setor Características do Processo de Internacionalização

Embraer Aeroespacial Lidera o mercado mundial de jatos de porte médio. Firmou joint-

ventures em Portugal e na China.

Natura Cosméticos Além de uma loja em Paris para divulgar a marca, tem operações no México, Peru, Argentina, Chile e Bolívia.

Vale do Rio Doce Mineração Maior produtora mundial de minério de ferro, a empresa opera em 18 países de cinco continentes diferentes.

Votorantim Cimento Controla 46 unidades de cimento e concreto nos Estados Unidos e no Canadá. Investiu 1,2 bilhão de dólares.

Coteminas Têxtil É líder mundial no setor de têxteis para cama, mesa e banho, após a fusão com a americana Springs.

Perdigão Alimentos Exporta mais da metade de sua produção para 110 países. Tem escritórios na Holanda, Inglaterra e Emirados Árabes.

Gerdau Siderurgia Um dos maiores fabricantes mundiais de aços longos, opera 19 usinas em sete países.

Sadia Alimentos Exporta mais da metade da produção. Associou-se à russa Mirartog para produzir carne na Rússia.

Braskem Petroquímico Associada à venezuelana Pequivesa, erguerá duas fábricas ao custo de 2 bilhões de dólares.

Petrobras Petrolífero Maior estatal brasileira, opera em 15 países espalhados por três continentes.

WEG Motores Industriais

Um dos três maiores fabricantes mundiais de motores industriais, possui unidades na Argentina, China, México e Portugal. Embraco Engenharia

Industrial

Maior fabricante mundial de compressores, possui unidades industriais na Itália, Eslováquia e China.

Quadro 3.2 Empresas Brasileiras Selecionadas em Processo de Internacionalização Fonte: Boston Consulting Group, 2006.

As empresas brasileiras representadas na arena mundial são, com algumas exceções, ainda firmas ligadas a setores de base e não de manufaturados ou de tecnologia e serviços de alto valor agregado. Procedendo a uma análise comparativa de alguns dos fatores citados anteriormente, observam-se diferenças entre países que podem contribuir para explicar por que países como China e Índia parecem estar devidamente representados nessa amostra, em detrimento de outros, como o Brasil. As seções subseqüentes irão descrever e comparar, de forma sucinta e não extensiva, alguns dos modelos utilizados por países como Brasil, China, Índia e Rússia que podem sinalizar possíveis variáveis que expliquem diferenças no processo de internacionalização desses países e suas empresas.

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