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Dans le document Quelques applications de la localisation (Page 33-45)

Compreender as condições de possibilidade de um referencial teórico nos permite desnaturalizar o processo de fundamentação e disseminação de uma teoria como contínuo e sem rupturas. Em virtude disso, iniciaremos com a discussão das características do Pensamento Moderno e Pós-Moderno, as quais foram fundamentais para refletir sobre as descontinuidades e o campo que possibilitou a emergência do Construcionismo Social nos dias atuais.

Para situar tais condições, Íñiguez (2002) discute, inicialmente, sobre a pós- modernidade, ressaltando dois aspectos: sociológicos ou dimensão sociológica e aspectos discursivos ou dimensão discursiva, os quais escolhemos abordar da mesma forma.

Sobre o aspecto sociológico podemos compreender que Modernidade é um processo histórico com descontinuidades e rupturas, portanto não é linear. Até porque esse momento deve ser considerado por sua heterogeneidade e variabilidade. Pode ser conceituada como uma época ou um período histórico, iniciado aproximadamente no século XV ou XVI,

fundamentalmente na Europa. É a primeira época compreendida como um movimento particular da história (ÍÑIGUEZ,2002).

No entanto, o que podemos caracterizar nesse período para marcar seu início ou um dos

inícios é a imprensa como uma tecnologia da inteligência, ou seja, uma tecnologia que muda

nossa forma de pensar. Ela dá abertura para instauração da ciência ou razão científica, favorecendo a objetividade porque fixa o conhecimento (ÍÑIGUEZ, 2002). Nos dias atuais, podemos refletir ainda sobre os efeitos da imprensa e problematizar como ela engendra novas formas de ser e estar no mundo.

A dimensão discursiva caracteriza-se pelas ideias de Descartes que permitiram uma hiper valorização ou megavalorização da razão, a qual tornou-se condição sine qua non para chegar à liberdade, ao progresso e à emancipação, estabelecendo uma relação intrínseca com o desenvolvimento da ciência. Essa dimensão também é constituída pela concepção de dualização da pessoa, um sujeito humano composto por um lado mais físico e outro lado mais mental (ÍÑIGUEZ,2002).

Outro conteúdo enfatizado durante esse período é a compreensão de que conhecer é representar fielmente os objetos do mundo, fundamentando, assim, a Ideologia da racionalidade. Notamos que muitas ciências, especialmente as ditas naturais, permanecem utilizando este modelo como prioritário. Há também a crença em uma fundamentação segura da verdade (universalismo) e em um sujeito como autônomo, dono de si mesmo, responsável e agente da própria situação (centralidade do sujeito e ideologia do indivíduo) (ÍÑIGUEZ,2002). Essas concepções foram essenciais para constituir a crítica realizada pelo Construcionismo, a qual será abordada posteriormente.

Salientamos que esses aspectos se tornaram inquestionáveis, o que podemos problematizar como algo no mínimo preocupante, visto que a modernidade constrói um discurso totalizante e totalizador, excluindo outras possibilidades de ser e pensar.

Em relação à pós-modernidade, Íñiguez (2002) discute-a nas mesmas dimensões supracitadas (sociológica e discursiva). Para ele, essa época é um processo que ainda está acontecendo. Em relação à dimensão sociológica, aponta o computador como tecnologia da inteligência, o qual modifica nossa forma de pensar e produzir tecnologia e, principalmente, transformou nossa relação com a realidade, possibilitando a simulação, virtualidade e inovação. Ele não simplesmente permitiu a globalização, mas a constituição de outras formas de ser, como as biotecnologias e, nos dias atuais podemos vivenciar, os órgãos artificias. Portanto, o conhecimento está intrinsecamente ligado a essa nova realidade.

Quanto ao aspecto discursivo, nesse período há uma crítica aos conceitos e valores da modernidade. E as novas características ainda estão em construção. Não é um processo homogêneo, mas bastante diverso de argumentos, ideias, conceitos entre mais. Portanto, a pós- modernidade marca uma época em que começamos a pensar diferente (ÍÑIGUEZ,2002).

Em contraponto, Spink (2004) para discutir as condições de emergência do Construcionismo utiliza o conceito de Modernidade Reflexiva de Ulrich Beck (1993 apud SPINK, 2004) como referência, adota o termo Modernidade Tardia para referir-se aos nossos tempos atuais. Apesar das divergências entre vários autores sobre as nomenclaturas, há um consenso de que nossa época rompeu com a Modernidade Clássica, apesar de não sabermos ao certo os efeitos e produtos desse período.

Na Modernidade Tardia, existem três características que são fundamentais para o argumento construcionista. A primeira delas é a globalização que, por meio de Giddens (1998, apud SPINK, 2004) podemos conceituá-la como o encontro entre a presença e a ausência, ou a união entre as relações e eventos sociais que estão distantes dos contextos locais. Para Spink (2004), a mídia eletrônica, por meio das comunicações em tempo real, é a face mais visível do processo de globalização. Esse conceito é importante para o Construcionismo para refletirmos como esse processo mudou nossas relações interpessoais. Fato já pontuado por Íñiguez.

Outra característica é a individualização. Hoje há uma diversidade de identidades e características a que podemos nos referir, as quais estão profundamente imbricadas com os processos de destradicionalização, que atualmente vivenciamos na família, no trabalho e na educação (SPINK, 2004).

Em relação ao trabalho, presenciamos as transformações em suas relações, como as novas vinculações a ele por meio da tecnologia (SPINK, 2004). Acompanhamos reuniões, até mesmo sessões de terapia por Skype. Pessoas que trabalham em casa, com blog’s entre mais. Na família, vemos mudanças no núcleo familiar, principalmente uma maior autonomia econômica e da autoestima nas mulheres. Na educação, houve uma extensão da linha educativa, que começa desde a vida no útero até a terceira idade (SPINK, 2004).

A terceira e última característica é reflexividade, que consiste na problematização de práticas instituídas por meio de novas informações. Caracteriza-se por dois lados: por um, é intrínseca à própria ciência, que começa a questionar a si mesma e romper com determinadas hegemonias e, por outro, fora dela, questionamentos sobre os produtos da ciência (SPINK, 2004).

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