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2. OBJECTIVES FOR RADIOACTIVE WASTE MANAGEMENT,

2.2. Objectives

Criado em 2004 por iniciativa da Profa. Flavia Cruvinel, docente na Universidade Federal de Goiás (UFG), o Enecim chegou a sua sétima edição no ano de 2016, sendo a edição mais recente realizada na cidade de Sobral, estado do Ceará. Ao longo dos anos, o encontro se mostrou um importante mecanismo para o crescimento da área e isso se refletiu claramente na quantidade de participantes e de trabalhos apresentados. Mesmo com uma

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diminuição verificada na quantidade de trabalhos na edição de 2016, o crescimento entre a criação do evento e a sua sétima edição é relevante, como se pode verificar no Gráfico 6 onde foram considerados apenas os trabalhos apresentados nas categorias comunicações de pesquisa, relatos de experiência e arranjos.

Gráfico 6 – Quantidade de trabalhos apresentados no Enecim por ano

Fonte: O autor.

Nas edições de 2008, 2010 e 2012 o Enecim ocorreu de forma concomitante com outros eventos científicos, sendo difícil avaliar a quantidade de trabalhos específicos da área. Apesar da redução de trabalhos apresentados na mais recente edição do evento, ainda assim se percebe o crescimento em relação às edições iniciais.

O I Enecim aconteceu na cidade de Goiânia em dezembro de 2004 e contou com a participação de docentes de diversas regiões e IES do Brasil que, de certa forma, estavam envolvidos com o ensino coletivo de instrumentos musicais naquele momento. Na apresentação dos anais, a Profa. Flavia Cruvinel, coordenadora geral do evento, descreveu os objetivos a serem alcançados:

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Busca-se através do evento fomentar discussões atuais como forma de enriquecer o pensamento acadêmico e o movimento artístico-cultural do país. Além disso, o evento oportuniza discussões sobre políticas públicas que viabilizem a formação e capacitação de professores visando a democratização do Ensino de Música por meio de metodologias de Ensino Musical e Ensino Coletivo de Instrumento Musical nas escolas de Ensino Básico, pública e particular, bem como, espaços de ensino não formal e/ou espaços alternativos. (CRUVINEL, 2004a, p. 4)

O Prof. José Coelho de Almeida, um dos precursores do ensino coletivo no país, proferiu a conferência de abertura e afirmou:

É preciso, primeiramente, analisar com extremo cuidado as necessidades e os anseios de cada comunidade, a fim de que as coisas possam se desenvolver a contento. Transplantar pura e simplesmente um projeto que deu certo num lugar para outro, a nosso ver, constitui uma grande temeridade. Corremos o risco de ver todos os esforços dispendidos se diluírem como a espuma na areia. Outra sugestão que me parece apropriada nos dias atuais, quando vemos o estado brasileiro – tanto na esfera municipal, como estadual e federal – sem recursos para atender às necessidades do povo, é utilizarmos as associações de pais e mestres das escolas e/ou ONGs (organizadas especificamente para atender às necessidades culturais de cada comunidade), para desenvolver nas comunidades os projetos de cunho sócio-culturais [sic]. Creio que a mobilização da comunidade seja a grande força capaz de impulsionar com sucesso os projetos de ensino coletivo de instrumentos musicais, nos dias atuais. Esperar que o Estado seja o realizador de todos os nossos anseios, infelizmente, é utopia. (ALMEIDA, 2004, p. 29)

É significativo observar que já se percebia o problema da escassez de recursos públicos para as áreas de educação e cultura e que, mais de uma década depois, esses problemas permanecem existindo.

Estiveram presentes no evento docentes que desenvolviam ações de ensino coletivo em diversas instâncias, tanto nas IES como também em projetos sociais. Cruvinel relata que:

Estiveram representadas através de seus profissionais vinculados às seguintes instituições de ensino: UFG-promotora do encontro, UNIRIO, UFPA, FUNDARTE-UERGS [Fundação Municipal de Artes de Montenegro – Universidade Estadual do Rio Grande do Sul], UEMG [Universidade do Estado de Minas Geraes], UnB, UFRN, UFBA, UNASP [Centro Universitário Adventista de São Paulo] e UNICAMP. O Governo do estado

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de São Paulo, através de professores representantes do Projeto Guri [inserção social]. (CRUVINEL, 2004a, p. 4)

O Projeto Guri (São Paulo), que nesse momento despontava como o maior projeto de ensino coletivo do país, foi representado pelos professores Carmen Borba e Marcelo Brazil.

Figura 2 - Mesa no I Enecim formada pelo Prof. Joel Barbosa da UFBA e os professores Marcelo Brazil e Carmen Borba do Projeto Guri - SP

Fonte: O autor.

Em agosto de 2006, também na cidade de Goiânia, foi realizado o II Enecim, mais uma vez sob a coordenação geral da Profa. Flavia Cruvinel. Esse evento se deu de forma concomitante com o VI Encontro Regional da Abem - Centro-Oeste, tendo sido este coordenado pela Profa. Cássia Virgínia Coelho de Souza, na época docente na Universidade

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Federal de Mato Grosso (UFMT) e atualmente atuando na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

No texto de apresentação dos anais do evento surge a importância de manter viva a discussão sobre os aspectos do ensino coletivo iniciada dois anos antes:

A oportunidade de reunir educadores musicais pesquisadores para continuar as discussões iniciadas no I Enecim (Goiânia, 2004), sobre os diversos aspectos do Ensino Coletivo de Instrumento Musical, e o debate sobre os diversificados sistemas de educação musical, concebidos como redes de conhecimentos, de divulgação e de estratégias metodológicas, foi um empreendimento que indicou aspectos relevantes da situação do ensino de música na Região Centro-Oeste e propiciou a aproximação mais estreita entre a Universidade brasileira e a educação musical. Durante dois dias e meio profissionais e estudantes atuantes nesse campo tiveram uma oportunidade ímpar de divulgar, debater, refletir e produzir trabalhos que favoreceram o crescimento e a qualidade das suas atividades e alavancaram o desenvolvimento do ensino coletivo como metodologia eficaz e uma das formas de democratização do acesso à educação musical. (SOUZA; CRUVINEL, 2006, p. 6)

O III Enecim aconteceu na cidade de Brasília no mês de agosto de 2008, dessa vez juntamente com mais dois eventos: o VII Encontro Regional da Abem - Centro-Oeste e o I Simpósio sobre o Ensino e a Aprendizagem da Música Popular. O III Enecim foi coordenado pela Profa. Maria Isabel Montandon, docente que também esteve presente nas duas edições anteriores. No texto de apresentação, a coordenadora geral do evento, Profa. Cristina Grossi, destacou a recente aprovação da lei 2732/2008, como segue abaixo:

O momento não poderia ser melhor, uma vez que no último dia 15 de agosto, o Presidente Lula sancionou o Projeto de Lei 2732/2008, que dispõe da obrigatoriedade do ensino de música na escola regular de ensino básico. Muito trabalho a frente para preparar tanto escolas para a formalização da presença da música, quanto futuros profissionais para que façam a diferença na formação de nossas crianças e jovens; quanto às políticas públicas é preciso garantir concursos e contratações específicas. (GROSSI, 2008, p. 3)

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O ensino coletivo de instrumentos musicais será abordado neste III Enecim, com ênfase para a análise de metodologias eficientes, aspectos históricos e o ensino coletivo musical nas escolas regulares como forma de inserção e transformação social. (GROSSI, 2008, p. 3)

De volta à cidade de Goiânia, o IV Enecim foi realizado entre setembro e outubro de 2010 e novamente coordenado pela Profa. Flávia Cruvinel da UFG. Outros dois eventos aconteceram simultaneamente: o XIX Congresso Anual da Abem e o III Encontro Goiano de Educação Musical.

Figura 3: Divulgação do IV Enecim

Fonte: O autor.

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O tema geral do evento é “Políticas Públicas em Educação Musical: dimensões culturais, educacionais e formativas” e apresenta-se como uma valiosa oportunidade de refletir sobre temática atual no cenário político brasileiro. O contexto atual é marcado por grande complexidade no quadro socioeconômico e cultural brasileiro que exige reflexões e ações concretas no campo da educação musical. Pensa-se que o evento venha contribuir para as reflexões acerca dos campos de atuações e o papel do educador na sociedade, entendendo que a Educação Musical deve ser vista não apenas como mais um item na trama das dinâmicas da cultura no fragmentado cenário contemporâneo, mas como um campo de conhecimento de fundamental (importância) para o desenvolvimento do ser humano e da sociedade. (CRUVINEL, 2010, p. 10)

Também em Goiânia foi realizado o V Enecim, no mês de dezembro de 2012. Os eventos que aconteceram simultaneamente foram o V Encontro Goiano de Educação Musical (EGEM) e o IX Seminário do Ensino da Arte (SENARTE).

Figura 4 – Divulgação do V ENECIM

Fonte:

https://www.facebook.com/SenarteEnecimEgem/photos/a.292273187541631.51947.292272187 541731/292273190874964/?type=3&theater

Nessa edição, foi aceita a submissão de arranjos musicais voltados ao ensino coletivo pela primeira vez, prática que se repetiu no sexto e sétimo encontros.

Na cidade de Salvador, Bahia, no mês de novembro de 2014, aconteceu o VI Enecim, edição que comemorou os dez anos de criação do encontro.

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Figura 5: Divulgação do VI Enecim

Fonte: O autor.

O texto de apresentação do evento destaca mais uma vez a necessidade de fomentar as discussões sobre o tema diante das políticas públicas vigentes, ressaltando a importância da realização do I Enecim em 2004:

Naquela ocasião, vislumbrou-se o encontro como uma primeira oportunidade brasileira de reunir educadores musicais e pesquisadores para discutir questões referentes ao Ensino Coletivo, tais como: metodologias e experiências no Brasil; o Ensino Coletivo de Instrumento Musical na Educação Básica e no Ensino Especializado; o Ensino Coletivo de Instrumento Musical como forma de inserção e transformação social; projetos sócio-culturais e o ensino coletivo. (Anais do VI Enecim, 2014, p. 5)

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O momento atual exige um posicionamento das instituições formadoras no sentido de socializar as pesquisas e práticas pedagógicas, articulando seus resultados positivos nas decisões que implementam políticas para melhoria do ensino musical nas escolas. Entende-se que esse comprometimento levará às escolas e novos espaços físicos e socioculturais, performances na vida cotidiana que se conectem aos aspectos ético, estético, social e político. O papel da cultura e da arte nesse processo é fundamental para se pensar em políticas públicas educacionais que, de fato, promovam uma transformação social. (Anais do VI Enecim, 2014, p. 6)

É possível perceber, pelas falas dos coordenadores das edições do Enecim, a constante preocupação com a implementação de políticas públicas que viabilizem os processos educacionais de música nas escolas e demais espaços educativos.

Figura 6: Divulgação do VII Enecim

Fonte: http://encontronacional.virtual.ufc.br/Enecim/

Finalmente, em 2016 foi realizada a sétima edição do evento na cidade de Sobral, Ceará, sendo coordenado pelos professores Marco Toledo e Adeline Stervinou, ambos da UFC.

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Ao lado de outros instrumentos, o ECV esteve presente de forma efetiva em todas as edições do Enecim, sendo sempre objeto de mini-cursos e de diversos trabalhos apresentados. Em entrevista concedida em dezembro de 2016, ao ser questionada sobre a importância do Enecim para o ensino coletivo no Brasil, a Profa. Flávia Cruvinel afirmou:

Penso que desde a criação do I Enecim - Encontro Nacional de Ensino Coletivo de Instrumento Musical, realizado pela Universidade Federal de Goiás em Goiânia-GO, no ano de 2004, houve um crescimento da divulgação dos trabalhos da área e consequentemente, o interesse de novos pesquisadores pelo tema. Da mesma forma, houve um fortalecimento político da área, trazendo maior comunicação entre os pesquisadores e visibilidade para este campo de pesquisa e de atuação docente. (CRUVINEL, 2016, entrevista9)

1.1.3 Livros e métodos

Um outro aspecto a ser destacado é a crescente, embora ainda tímida, produção de livros e métodos sobre o assunto nos últimos anos. Sá e Leão (2015a) analisaram alguns desses materiais da área específica de violão. Eles afirmam:

Após um extenso levantamento bibliográfico em editoras, livrarias e bibliotecas, foi possível confirmar que ainda existem poucos materiais didáticos publicados no Brasil elaborados para a iniciação musical por meio do ensino coletivo de violão. Foram encontrados apenas três materiais em que os próprios autores os conceituam como destinados a aulas coletivas de violão (...) (p.183)

Adiante, eles destacam a importância desses materiais para a área:

Desse modo, acredita-se ser relevante no processo pedagógico articular e definir o que e como ensinar. Acredita-se que a formação de um professor de música reflexivo também está diretamente ligada ao conhecimento de

9 Em 2016, a Profa. Flavia Maria Cruvinel concedeu uma pequena entrevista que se encontra no

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diferentes propostas metodológicas e ter acesso aos diferentes materiais didáticos elaborados para o ensino coletivo de violão poderá contribuir com a sua própria reflexão como professor em sua prática pedagógica. (p. 188)

Apesar de relevantes na opinião dos autores, os livros encontrados não se enquadram na categoria de métodos. “Os materiais se enquadram melhor na classificação de livros de repertório ou materiais didáticos direcionados ao ensino coletivo de violão.” (SÁ; LEÃO, 2015a, p.187). Dos três livros destacados pelo autores, apenas um deles foi publicado nos últimos dez anos, o livro de Marcelo Brazil intitulado Na ponta dos dedos: exercícios e repertório para grupos de cordas dedilhadas (2012). As outras duas publicações são de 2003, sendo uma do professor Cláudio Weizmann e a outra dos professores Cristina Tourinho e Robson Matos.

Apesar de não citada por Sá e Leão (2015a), a coleção elaborada pelo Professor André Campos Machado em 2002 (Editora da UFU) também pode ser considerada material relativo ao ECV, apesar de se tratar de coletâneas de repertório. No site do Núcleo de Música e Tecnologia da UFU10 consta a seguinte descrição do material:

Os três volumes de "Em Conjunto" foram escritos com o objetivo de enriquecer o repertório para o ensino de instrumento em grupo. Neles estão presentes duos, trios e quartetos para violão, flauta, ou violão e flauta. O nível técnico das músicas abrange desde peças para iniciantes até o nível avançado. (UBERLÂNDIA, 2012)

A Profa. Flávia Cruvinel também destacou as dificuldades para a publicação de livros sobre o tema na entrevista que concedeu para este trabalho, afirmando:

Este realmente é um ponto a ser trabalhado. (...) Acredito que a dificuldade em publicar novos livros e métodos de forma comercial se dá primeiramente pela dedicação que uma publicação exige e a descoberta das editoras deste segmento. Neste sentido, o educador musical que trabalha com Ensino Coletivo e quer publicar material referente a seu trabalho pedagógico, além de sistematizar o processo, ele deverá exercer o papel de captador de recursos para a publicação do autor ou articular a publicação via alguma editora, o que necessita de tempo e de conhecimento e reconhecimento na área editorial, o que não é simples, pois grande parte das editoras querem ter

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certeza da devolutiva do investimento por meio das vendas ou inserção no mercado. Apesar deste quadro atual, penso que esta será uma das principais metas da próxima etapa de desenvolvimento do ECIM no Brasil. (CRUVINEL, 2016, entrevista)

No entanto, destacou que algumas iniciativas estão sendo realizadas como fruto da parceria entre a UFG, o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a instituição Ciranda da Arte, ligada à Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte do estado de Goiás. Uma delas é o lançamento da coleção Tocar Junto com material destinado ao ensino coletivo de instrumentos musicais.

A publicação comercial mais recente sobre ensino coletivo foi a das professoras Mabel Macêdo e Cristina Tourinho que lançaram, em 2016, o livro Violão para crianças.

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