Uma pesquisa detalhada sobre os artigos publicados no Brasil desde 1990 referentes ao tema ensino coletivo de instrumentos musicais também foi desenvolvida por Santos (2016). Em comparação ao crescimento verificado na produção de teses e dissertações sobre o tema, ele afirma:
Quando dirigimos nossa observação para artigos e comunicações publicadas, podemos perceber a ocorrência de um fenômeno similar. No período de 1990 a 2006, ou seja, 17 anos, foram publicados 63 trabalhos acadêmicos, no segundo período (2007 a 2013) foram publicados 142 trabalhos, ou seja, em apenas sete anos a quantidade [total] de produção na área mais que triplicou. (SANTOS, 2016, p. 34-35)
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Percebe-se, portanto, que o tema vem sendo alvo de discussões constantes, o que propicia um relevante desenvolvimento para a área.
Iniciativa que merece destaque é a da revista digital Violão+, editada pelo violonista Luis Stelzer, que mantém uma coluna que trata de violão em grupo nas suas edições mensais. Apesar da compreensão que a prática coletiva é uma estratégia que pode ou não ser utilizada em processos de ECV, o fato de que existe um espaço onde essa prática é abordada com frequência é a possibilidade de que o ensino coletivo como processo possa vir a ser abordado com mais visibilidade dentro de um universo onde o ensino individual ainda é a base da formação.
A coluna, intitulada Em grupo, surgiu na primeira edição com um texto de autoria da Profa. Márcia Braga e não foi publicada nas quatro edições seguintes. O tema foi retomado na edição de número seis através de uma entrevista com o Prof. Thales Maestre abordando o tema camerata de violões. A partir da sétima edição (março de 2016), a coluna Em grupo foi reativada e assumida por Maestre, permanecendo ativa até a edição mais recente disponível, a vigésima terceira, de julho de 2017.
Ao iniciar sua colaboração na revista, Maestre (2016, p.50) afirmou:
Nesta coluna, tratarei de assuntos relacionados à prática coletiva do instrumento, ao ensino coletivo, à formação de grupos pedagógicos e à importância da música de câmara no processo de ensino. Pretendo compartilhar com vocês, ao longo das próximas edições, uma explanação detalhada de como foi estruturado um dos mais recentes trabalhos que conduzi para uma camerata formada por estudantes. Abordarei desde a estruturação básica da definição do número de integrantes e disposição espacial dos blocos de naipes, passando pela padronização de notações, concepção de arranjos e pelas bases culturais.
Tendo como foco o seu trabalho na direção musical da Camerata de Violões do Programa Guri Santa Marcelina em São Paulo, Maestre já escreveu 18 artigos abordando enfoques diversos como aspectos da montagem do grupo, notação utilizada, arranjos, escolha de repertório e estratégias de ensino. Alguns artigos abordaram as obras originais que foram escritas para o grupo na ocasião da gravação de um CD, quando o grupo ainda estava sob orientação de Maestre. O lançamento do CD ocorreu em dezembro de 2016 com um concerto no teatro do Museu de Artes de São Paulo.
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Gravado em dezembro de 2013, sob regência do então maestro convidado Thales Maestre – professor do Guri e educador com grande experiência no ensino de violão –, o álbum tem obras originais de Paulo Porto Alegre, Geraldo Ribeiro, Douglas Lora e Celso Cintra, e uma composição do regente e professor Pietro Carlo Corrêa. Thales Maestre também deixa sua marca no repertório, assinando arranjos de peças de Canhoto, João Pernambuco e Mário Zan, e uma transcrição de A lenda do Caboclo, de Heitor Villa-Lobos. A lista se completa com o Choro Urbano, de Edmundo Villani-Côrtes, em transcrição do próprio autor. Simultaneamente ao lançamento do CD, o Guri publica também um Caderno de partituras contendo todas as obras do álbum. (SANTA MARCELINA ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE CULTURA, 2016)
Em contato com a coordenação do Programa Guri Santa Marcelina foi informado que, diferente do informado no texto acima, o álbum de partituras será lançado no primeiro semestre de 2017. Independente disso, é um passo importante para a área que as produções saiam do âmbito da sala de aula e palcos e ganhem registros impressos e de áudio.
Figura 1 – Capa do CD da Camerata de Violões Infanto-Juvenil do Guri
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Na edição de número 21, Maestre optou por iniciar a apresentação de algumas iniciativas de ECV espalhadas pelo mundo.
Nesta edição, abro espaço para iniciar um novo eixo temático. Trata-se da exposição de importantes trabalhos artísticos-pedagógicos existentes mundo afora, uma maneira de compartilhar e aproximar iniciativas que se assemelham pelo potencial educativo e relevância social. Busco aproximar, também, os diversos educadores que se dispõem a promover, por meio da música, a nobre missão de atuar na formação humana em ambientes coletivos de aprendizagem. (MAESTRE, 2017, p. 70)
Percebe-se que o enfoque maior de Maestre é sobre o seu trabalho à frente de uma camerata de violões e isso se justifica em função desse grupo, a Camerata de Violões Infanto- Juvenil do Guri, ter sido criado como uma atividade prática diferenciada dentro do Guri Santa Marcelina. O grupo foi concebido em 2010 como um espaço de prática com alunos da instituição selecionados através de teste (SANTA MARCELINA ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE CULTURA, 2017). Mesmo desvinculado, de certa forma, das estratégias utilizadas nas aulas coletivas de violão da instituição, ganha importância na medida em que reúne apenas alunos formados nessa modalidade de ensino. O Núcleo de Cordas Dedilhadas do Neojiba, por exemplo, possui uma outra proposta, incluindo como integrantes músicos bolsistas que são alunos de bacharelado em violão da UFBA. Esse fato foi constatado em visita à instituição em outubro de 2010 motivada por convite da gerência pedagógica e se encaixa dentro da proposta descrita no site que destaca a prática e a excelência musical como objetivos principais. (NEOJIBA, 2017)