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Chapter 3 Materials and Methods 35

A.4 Objectifs

O surgimento do VIH/Sida (Síndrome de imunodeficiência adquirida) no início da década de 1980, abriu a reflexão sobre a necessidade de modificar o comportamento sexual; a liberdade dos anos 1960 – 1970 é substituída por uma liberdade mais consciente, mais cautelosa. Renascem associações anteriores ao risco e ao perigo, reaparecendo os medos das doenças sexualmente transmissíveis, acerca da prostituição e outras minorias étnicas ou sexuais. Isso levou a uma reaproximação dos conceitos religiosos como intervenientes na política da sexualidade. “Acreditava-se que a nova doença decorria da anarquia sexual e do colapso dos valores morais. Profetas do apocalipse definiam o final do século XX como um período de horror, marcado pela falência da instituição familiar, pela ruína da religião e pela instauração do caos sexual com a revolução proclamada pelos movimentos feministas e homossexuais” (Dantas, 2010, p722).

São promovidas campanhas a favor da abstinência sexual, como resultado do crescimento do número de casos de Sida e gravidezes entre as adolescentes. O sexo aparece como algo perigoso, provocando doenças e gravidezes precoces.

“As epidemias de doenças venéreas são a forma apocalítica de anarquia sexual, e a sífilis e a Sida ocuparam posições semelhantes nos finais dos séculos XIX e XX, como doenças que parecem resultar de transgressões sexuais e que geraram pânico moral. Ambas as doenças deram margem a campanhas de castidade sexual e social e caracterizaram o recuo na liberalização das atitudes sexuais” (Showalter, 1993, p. 245).

Esta geração, que hoje vive na infância e na adolescência, nasceu sob o impacto da última revolução sexual do século XX. Assim, o surgimento do VIH e o aparecimento da Sida levou a um fenómeno que obrigou a uma mudança comportamental, do "amor livre" para o "sexo seguro" (Hebert, 1991). Apesar de tudo, o VIH/SIDA levou à necessária discussão no seio da sociedade, dos assuntos ligados ao sexo e à sexualidade, tornando visível e explícita a informação que até então não estava disponível.

2.2.7. Cybersexo

A Internet cresceu rapidamente e os jovens utilizam-na cada vez mais para fins tanto informativos, académicos ou de entretenimento, principalmente quanto à sexualidade (Salmon & Zdanowicz, 2007). Os autores realizaram uma revisão da literatura dos últimos anos para investigar a influência da Internet sobre a sexualidade do adolescente em França. Observaram que 44% dos jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos, procuravam informação sobre sexualidade na Internet, todavia, não existia uma comunicação direta com um adulto ou profissional na obtenção de informação. Parece também que o nível de risco da sexualidade (sexualidade compulsiva, perversão, hipersexualidade), mas também em termos de saúde (falta de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis) possam estar presentes e em parte devido a algum uso da Internet. A depressão entre adolescentes às

24 vezes parece correlacionada com uma solicitação sexual traumática na rede. No entanto, os autores afirmam poder esse instrumento servir para tentar desenvolver formas efetivas de proteger os jovens, sem privá-los do potencial desses meios de comunicação.

Nesse sentido, no âmbito de umas jornadas, com o tema “A saúde sexual dos jovens do Québec (Canada), realizadas no Québec em Dezembro de 2011, Bluza (2011), defendeu a utilização da internet como forma de dar a conhecer aos jovens, informação clara, real e de qualidade em relação à sexualidade.

Outros autores têm uma posição mais rígida em relação aos perigos da internet. As mensagens de apelo sexual nos meios de comunicação e como apontam Lopes & Maia (1993) o corpo e a sexualidade têm sido usados exaustivamente para divulgar e vender “desde sabão em pó até toalhas de banho”, tornando-se produto consumível. Essa banalização da sexualidade tem dificultado a tarefa de educar, de associar sexo a afeto, responsabilidade e promoção da saúde.

Atualmente, existe uma infinidade de formas de explorações artísticas e comerciais do sexo em programas televisivos, revistas, filmes, linhas telefónicas eróticas, vídeos, etc. Mas provavelmente o mais poderoso meio de comunicação que explora os temas sexuais é hoje a Internet. Os avanços na área da comunicação propiciaram o aparecimento do chamado “sexo virtual”.

A masturbação, evidentemente, está muito presente na prática do sexo virtual. Considerando que na base da masturbação estão as fantasias sexuais, no sentido do senso comum, entende- se que a Internet é de facto um contexto predileto para criar e mergulhar numa fantasia sexual, onde os sujeitos estão protegidos pelo anonimato. Segundo Civiletti e Pereira (2002), podem ser considerados dois tipos de internautas: os que consideram a Internet como um prolongamento da vida real tendem a levar para a cama os seus relacionamentos afetivo- sexuais "virtuais". Por outro lado, os que consideram a Internet como uma espécie de "universo paralelo", diferente da "vida real", tendem a manter seus relacionamentos apenas no campo do virtual. No primeiro grupo, os internautas vão criando as relações sociais entre eles, nos “chats”, através das afinidades e o relacionamento pode vir a desenvolver-se consoante a vontade de cada participante. Por vezes, a relação passa do campo do virtual para o real, progredindo através de troca de mensagens e fotos para os telefonemas até chegar aos encontros. Estes internautas consideram os encontros amorosos que se restringem apenas ao contato virtual como uma fantasia, "brincadeira”.

Outro tipo de internauta seria o que busca o cybersexo como o objeto para realização do desejo. Este internauta tende a ver a Internet como uma espécie de "universo paralelo", alheio à realidade, onde ele pode realizar os seus desejos mais reprimidos.

25 O cybersexo é uma nova modalidade potencializadora da exploração de certos campos da sexualidade que habitualmente são socialmente e moralmente reprimidos. O anonimato liberta o indivíduo do seu papel social, possibilitando-lhe vivências de diversas personagens, permitindo-lhe a expressão dos seus desejos mais reprimidos (Civiletti & Pereira, 2002). Conforme refere Amorim (1998), esses são novos canais de sociabilidade que aparecem tanto na Internet quanto nos serviços virtuais oferecidos à população.

“Independentemente do que os desenvolvimentos científicos e tecnológicos trouxeram aos nossos corpos e relações, os significados futuros do sexo serão moldados pela sociedade e pela política” (Mottier, 2010, p 148).

Se por um lado, o recurso à internet neste contexto, facilita o isolamento das pessoas, por outro, também cria novas formas de comunidades, de se encontrarem, de partilha, as quais permitem a ausência do contato físico, reduzindo desse modo o risco das DST´s.

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