Nesta sala não existiu nenhum modelo curricular único utlizado pela educadora, mas sim uma mistura de métodos e técnicas em que o principal objetivo foi basear-se numa aprendizagem ativa.
Antes de mais importa clarificar e compreender o conceito de modelo curricular em educação de infância, o qual “é entendido como um conjunto de teorias e conceitos que estão na base de práticas diversificadas de ensino-aprendizagem de crianças em idade pré- escolar” (Bairrão & Vasconcelos, 1997, in Serra, 2004, p. 40).
Existem diversos modelos pedagógicos, tal como o método de High/Scope, o Movimento da Escola Moderna, a Pedagogia de Projeto, o Método João de Deus, o Método de Montessori, o Modelo Experiencial, entre outros.
O MEM possui determinadas características específicas, como a organização da sala por diversas áreas de atividade, consiste numa ação pedagógica baseada pelo espirito de cooperação, neste modelo os educadores incentivam as crianças a terem uma atitude crítica e participativa na organização semanal. Quanto à avaliação esta possui um carater diário, semanal e periódico. (Serra, 2004, p.55).
A Pedagogia de Projeto é baseada, tal como o próprio nome indica, num trabalho de projeto, em que o seu ponto de partida consiste num surgimento de um problema, de uma dúvida relacionada com a realidade social que é vivida nos jardins-de-infância. A educadora juntamente com as crianças elaboram um plano, em que nele está integrado as atividades que irão levar à resolução do problema inicial.
Por sua vez o Método João de Deus, este é demasiado estruturado, e está mais vocacionado para a aprendizagem precoce da leitura, do cálculo, da escrita, antecipando o currículo utilizado no 1º Ciclo, na Educação Pré-Escolar.
O Método Montessori consiste numa sequência de atividades rígidas que devem ser seguidas pelas crianças. Consiste num método onde é dada pouco relevância ao
desenvolvimento da linguagem e do jogo simbólico. Contudo, é dada uma grande importância ao respeito que as crianças merecem receber, aos materiais específicos para serem utilizados nas atividades de matemática e a adequação de mobiliário para as crianças pequenas.
O Modelo Experiencial trata-se de uma abordagem centrada na criança, em que esta experiencia diversas situações procurando desta forma promover o seu bem-estar emocional e o desenvolvimento de aprendizagens significativas. Segundo Laevers (1995), o modelo experiencial incide numa “ forte atitude exploratória, abertura ao mundo interior e exterior, um sentido de união” (in Serra, 2004, p. 60).
Por fim, o Modelo Curricular High/Scope parte do pressuposto que a criança aprende, fazendo, tal como a teoria defendida por Piaget, em que “o educador tem como função incentivar a acção, partindo do princípio que a experiência promove o
desenvolvimento cognitivo” (Serra, 2004, p.57).
Este modelo ainda defende que a interação entre o adulto e a criança tem um significado importante, o contexto onde se desenrola a ação também é um aspeto a ter em consideração, pois irá refletir-se no comportamento das crianças, o planeamento da rotina diária é outro aspeto, na medida em que permite que as crianças possam antecipar as suas atividades quando pretenderem e, por fim, a avaliação que deve ser feita diariamente, através de observações e registos.
Contudo muitos destes métodos complementam-se e alguns educadores utilizam apenas algumas características dos diversos métodos, não seguindo integralmente nenhum. Mas tal como já referi anteriormente, na sala onde estagiei, a educadora tinha como grande
finalidade utilizar uma aprendizagem através da ação, promovendo uma aprendizagem ativa, baseando-se desta forma na metodologia do High/Scope, apesar de não a seguir plenamente.
Importa salientar em que é que consiste uma aprendizagem pela ação, “é definida como a aprendizagem na qual a criança, através da sua acção sobre os objectos e da sua interacção com pessoas, ideias, acontecimentos, constrói novos entendimentos” (Hohmann & Weikart, 2003, p. 22).
Deste modo, durante as minhas atividades tive em consideração esta metodologia, e segui os elementos da aprendizagem ativa, nomeadamente: na escolha, em que dava alguma liberdade para escolherem o que preferiam fazer; nos materiais, muitas vezes escolhiam os materiais que gostavam mais; no manuseamento, as crianças podiam manusear os objetos da forma que entendessem; na linguagem, pois sempre que as atividades eram executadas as crianças comunicavam umas com as outras ou com os adultos da sala, e por fim, no apoio, na medida em que a criatividade das crianças era enaltecida e reconhecida.
Também de acordo com esta metodologia, uma das responsabilidades dos
educadores é proporcionar e manter um ambiente físico que encoraje às brincadeiras ativas e atividades das crianças. Neste caso concreto em relação à organização da sala esta estava disposta pelas diversas áreas, tal como refere Brickman e Taylor (1996), as áreas devem estar bem definidas e equipadas com materiais que todas as crianças possam ver e manipular quando entenderem. Ainda em relação a estas, as crianças sabiam perfeitamente o nome, o que era permitido fazer em cada uma e quantas crianças poderiam estar na mesma área em simultâneo (p.117).
Outro aspeto defendido pelo método em questão consiste em relembrar sempre o que foi feito ou o que está a ser feito. Deve ser constantemente, questionado à criança o que está a fazer, o que fez, como fez, e se as suas experiências forem significativas esta recordará perfeitamente. Por sua vez, “se as experiências forem demasiado abstractas ou se não
reflectirem interesses pessoais, (…) as crianças não fazem o seu registo mental e, por isso, serão incapazes de as recordar mais tarde” (Brickman e Taylor,1996, p. 130).
Em relação à rotina, esta é muito importante a meu ver num contexto destes, pois desta forma o educador não fica com a preocupação de decidir o que fará depois de uma determinada tarefa. Neste contexto de estágio, a rotina utilizada por mim foi ao encontro deste método, na medida em que era flexível, apesar de normalmente ser sempre a mesma, e também seguia praticamente todas as características apresentadas pelo High/Scope,
nomeadamente, o acolhimento, as atividades, a revisão das mesmas, o trabalho em pequeno grupo, o recreio ao ar livre e o trabalho em círculo. Segundo Formosinho et al (1996), a rotina baseada neste método, “é uma estrutura temporal flexível mas consistente e estável, na qual a criança pode realizar muitas e variadas experiências, com segurança e sem ansiedade” (p. 61).
Concluindo, podemos referir que segundo esta metodologia, a criança está no centro da aprendizagem, deve experienciar, opinar, participar no processo ensino/aprendizagem, planear, avaliar, ou seja, ter uma aprendizagem ativa.
É importante a criança participar ativamente na sua aprendizagem, na medida em que uma criança, tal como o adulto, aprende melhor sobre aquilo que tem interesse e curiosidade em aprender. “Quando a criança está interessada nalguma coisa, então será um agente activo no desenvolvimento da sua compreensão, em vez de um passivo consumidor de
conhecimentos” (Hohmann & Weikart, 2003, p. 57).