Atualmente, o pólen apícola é utilizado principalmente como suplemento alimentar natural, já que possui baixos teores de lipídeos, o valor nutricional deste produto deve ser de particular interesse para aqueles que têm uma dieta desequilibrada ou deficiente e para a comunidade científica, face aos potenciais benefícios deste produto para a sociedade (SCHMIDT e BUCHMANN, 1992; KRELL, 1996). Recomenda- se o consumo diário do pólen de 5 a 25g (CAMPOS, CUNHA e MARKHAM, 1997; BASTOS et al., 2003). Barreto et al., (2006), referem que valor calórico do pólen apícola brasileiro varia entre 235 a 274kcal/100g. No entanto, segundo Magalhães (2005), um adulto pode consumir por dia até 20 gramas e uma criança 7 gramas. Uma colher de chá contém aproximadamente 8 gramas de pólen e a de sopa 25 gramas de pólen apícola.
Os benefícios, cientificamente comprovados associados ao consumo de pólen apícola, ao seu extrato ou comprimidos conhecidos como Cernilton®, relacionam-se com a prevenção de problemas da próstata (BECKER E EBELING, 1988; BUCK, REES e EBELING, 1989; BUCK et al., 1990; SUZUKI et al., 1992; RUGENDORFF et al., 1993; KRELL, 1996; SHOSKES, 2002; SHOSKES e MANICKAM, 2003, SHAPLYGIN E SIVAKOV, 2007; WAGENLEHENER et al., 2009), dessensibilização frente às alergias, ganho de peso em animais com alimentação suplementada de pólen apícola, efeito bacteriostático, bactericida e proteção contra efeitos adversos dos raios X nos tratamentos com uso de radiação (SCHMIDT e BUCHMANN, 1992; KRELL, 1996; EATON e LAW, 2000). Além disso, existem estudos comprovando a atividade benéfica do pólen apícola relativa à aterosclerose (WOJCICKI et
al., 1986) e neoplasias (ZHANG et al., 1995). Os mecanismos de ação do
extrato de pólen que produziram resultados favoráveis nos tratamentos da prostatite crônica, hiperplasia benigna da próstata, adenoma da próstata da fase I-II, não são conhecidos. Acredita-se que o pólen apícola iniba a produção de prostaglandina e leucotrieno pelo organismo, reduzindo o
congestionamento e agindo como anti-inflamatório. Como a teoria não explica a redução do tamanho da próstata deve haver mais de um mecanismo de ação (LOSCHEN e EBELING, 1991).
Outros efeitos benéficos atribuídos ao pólen apícola descritos na literatura como o aumento do desempenho de atletas, de vitalidade da pele, melhoria e cura da acne, anemia, úlceras, hipertensão, resfriados, carecem de suporte científico (KRELL, 1996).
De acordo com a literatura o pólen apícola apresenta atividade antioxidante devido aos seus compostos fenólicos, onde os derivados do ácido cinâmico são os mais efetivos. Esta atividade é responsável por propriedades regenerativas e pelo aumento da longevidade dos consumidores deste produto (CAMPOS, CUNHA e MARKHAM, 1996; NAGAI et al., 2002; CAMPOS et al., 2003).
2.4 Antioxidantes
Antioxidante é qualquer substância que, quando presente em baixa concentração comparada à do substrato oxidável, diminui ou inibi significativamente a oxidação do mesmo (SIES & STAHL, 1995; HANDELMAN, 2001; HALLIWELL, 2000; AL-MAMARY, AL-MEERI e AL- HABORI, 2002; BECKER, NISSEN e SKIBSTED, 2004). Na indústria de alimentos, os antioxidantes são empregados com a finalidade de evitar a deterioração dos produtos e manter o valor nutricional (RAMALHO e JORGE, 2006), sendo ainda de grande interesse para profissionais da saúde visto que, podem proteger o organismo contra os danos causados pelas espécies reativas do oxigênio (ERO´S) e doenças degenerativas (SHAHIDI, 1997).
Os radicais livres podem ser definidos como moléculas ou átomos que tem um elétron isolado, livre para se ligar a qualquer outro elétron, sendo assim extremamente reativas (SOARES, 2002; HALLIWELL e GUTTERIDGE, 1998).
A oxidação nos sistemas biológicos é uma consequência da ação dos radicais livres no organismo. Os radicais originam-se de fontes exógenas, substâncias com as quais entramos em contato, ou de fontes endógenas, substâncias originadas de processos biológicos do próprio organismo. Nos processos biológicos há formação de uma variedade de radicais livres que englobam: radicais de oxigênio ou espécies reativas do oxigênio ((íon superóxido; O2-●), hidroxila (OH●), peróxido de hidrogênio
(H2O2), alcoxila (RO●), peroxila (ROO●), peridroxila (HOO●) e oxigênio
singlete (1O2)); complexos de metais de transição (Fe+3/Fe+2 e Cu+2/Cu+);
radicais de carbono (triclorometil (CCl3●)); radicais de enxofre (tiol (RS●));
radicais de nitrogênio (fenilhidrazina (C6H5N=N●), óxido nítrico (NO●))
(SOARES, 2002; VASCONCELOS et al., 2007).
O mecanismo de ação antioxidante pelo qual um composto exerce sua ação permite classificá-lo como primário ou secundário, este último subdivido em sinergistas, removedores de oxigênio, biológicos, agentes quelantes e mistos. Quando estes são capazes de doarem prótons ao radical livre impedindo o início do processo oxidativo ou ainda interrompendo a propagação da auto-oxidação, são classificados como primários (REISCHE; LILLARD e EITENMILLER, 2002).
A Figura 11 mostra do mecanismo de ação dos antioxidantes primários.
ROO° + AH → ROOH + A° R° + AH → RH + A° ROO° + A° → ROOA R° + A° → R A
onde: ROO° e R° são radicais livres; AH, antioxidante com um hidrogênio ativo; A°, radical inerte
Figura 11 - Mecanismo de ação dos antioxidantes primários. Fonte: SHAHIDI e NACZK, 2004.
Na molécula do antioxidante, o átomo de hidrogênio ativo é abstraído pelos radicais livres ROO° e R° mais facilmente que os hidrogênios alílicos das moléculas lipídicas insaturadas, por exemplo. Com a doação do hidrogênio o radical antioxidante formado é estabilizado por ressonância e torna-se relativamente fraco, assim a taxa de propagação da oxidação é diminuída (RAMALHO e JORGE, 2006; REISCHE; LILLARD e EITENMILLER, 2002).
Os antioxidantes primários mais utilizados para prevenir ou retardar a deterioração oxidativa dos alimentos são compostos sintéticos pertencentes à classe dos compostos fenólicos como: BHA (butil- hidroxianisol), BHT (butil-hidroxitolueno), TBHQ (terc-butil-hidroquinona), THPB (tri-hidroxi-butilfenona) e PG (propil-galato). Esses antioxidantes tiveram seu uso aprovado em alimentos após investigações que comprovaram a segurança dentro do limite de ingestão diária, ficando sujeitos às legislações (TAKEMOTO, TEIXEIRA FILHO e GODOY, 2009). Antioxidantes naturalmente presentes em alimentos também podem agir como antioxidantes primários e são habitualmente adicionados em alimentos, como é o caso dos tocoferóis e dos carotenoides (REISCHE; LILLARD e EITENMILLER, 2002).
Os antioxidantes secundários podem bloquear e decompor os peróxidos e hidroperóxidos (produtos da reação oxidativa), convertendo-os à forma inativa, desativar o oxigênio singlete, absorver radiação ultravioleta, agir como sequestradores de oxigênio, reduzir a taxa de oxidação, quelar metais pró-antioxidantes e desativá-los ou repor moléculas de hidrogênio para os primários (RAMALHO e JORGE, 2006; DONNELLY e ROBINSON, 1995; BRAVO 1998). Os antioxidantes secundários classificados como sinergistas promovem a atividade dos antioxidantes primários, são bons exemplos o ácido cítrico, ácido ascórbico e ácido tartárico (REISCHE; LILLARD; EITENMILLER, 2002).
Embora os antioxidantes sintéticos sejam largamente empregados na conservação dos alimentos, estudos toxicológicos têm demonstrado a possibilidade de estes antioxidantes apresentarem algum efeito tóxico ou
favorecer processos mutagênicos e carcinogênicos (BIRCH et al., 2001). O
Joint Expert Committee on Food Aditives (JECFA) da Food and Agriculture Organization (FAO) e World Health Organization (WHO) têm alterado nos
últimos anos a ingestão diária aceitável (IDA) destas substâncias como resultado de algumas pesquisas científicas (WÜRTZEN, 1990; SOARES; 2002). É grande o interesse por antioxidantes naturais que possam substituir os sintéticos ou atuar em conjunto com os mesmos, reduzindo sua quantidade nos alimentos (SOARES, 2002).