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A evasão escolar é um dos problemas que afligem as instituições de ensino em geral. No ensino superior, a evasão estudantil afeta todo o sistema educacional. Os estudantes que iniciam, mas não terminam seus cursos, geram perdas individuais, acadêmicas, sociais e econômicas. Tanto no setor público quanto no privado, a evasão causa transtornos para a administração de funcionários, professores, estudantes, espaço físico e equipamentos.

O fenômeno da evasão escolar apresentou-se como objetivo dos Programas e Planos Educacionais, como o Programa de Apoio à Restruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), integrado a uma das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e o Plano Nacional de Educação 2011-2020 (PNE). Esses instrumentos subsistem para

estratégias de monitoramento e prevenção, estimulando a permanência do estudante e a conclusão do curso.

Todavia, ainda são poucas as IES brasileiras que possuem um programa institucional de combate à evasão, com relato de experiências bem-sucedidas, planejamento de ações e seguimento de resultado. O interesse acadêmico por estudar a evasão escolar vem ampliando a cada ano seu acervo bibliográfico despertado, pela expansão do ensino superior e os problemas decorrentes da evasão escolar nesse nível de ensino. (PRESTES, 2018)

De modo geral, as instituições apontam como principal causa da evasão escolar a falta de recursos financeiros para continuidade dos estudos e também é o que relata o estudante quando questionado sobre o principal motivo da evasão. No entanto, outros aspectos precisam fazem parte da reflexão sobre esse fenômeno. Entre eles destacamos a expectativa do aluno em relação à sua formação, a adaptação à vida universitária, a escolha do curso e a integração do estudante na instituição de ensino superior.

A entrada na universidade envolve um processo de mudança, em geral, bastante significativa para o estudante. Muitas encontram dificuldade de adaptação ao novo estilo de vida e, em alguns casos, até mudança de cidade. Outro aspecto diz respeito à adaptação ao currículo escolar e à transição do ensino médio para uma universidade, que exige iniciativa, tempo de estudos e exercícios de crítica, além de expectativas quanto à profissão, que nem sempre estão junto aos requisitos e aptidões necessárias para aquela profissão escolhida. (BUENO, 1993)

O Instituto Lobo para Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia realizou um trabalho de coleta e organização de dados sobre a evasão brasileira. Em artigo que apresenta um panorama da evasão escolar na educação superior, a autora destaca:

 Inadaptação do ingressante ao estilo do Ensino Superior e falta de maturidade;

 Formação básica deficiente; dificuldade financeira;

 Irritação com a precariedade dos serviços oferecidos pela IES;  Decepção com a pouca motivação e atenção dos professores;  Dificuldades com transporte, alimentação e ambientação na IES;  Mudança de curso; e

 Mudança de residência. (LOBO, 2012, p. 18)

O índice de evasão de escolar no ensino superior no Brasil é duas a três vezes maior do que nos anos seguintes. (SILVA FILHO et al, 2007). A evasão pode ser entendida por meio de dois aspectos, porém nesta pesquisa utilizaremos esta relação a seguir:

A evasão total mede o número de alunos, que tendo entrado num determinado curso, IES ou sistema de ensino, não obteve o diploma ao final de um certo número de anos. É o complemento do que se chama índice de titulação. Por exemplo, se 100 estudantes entraram em um curso em um determinado ano e 54 se formaram, o índice de titulação é de 54% e a evasão nesse curso é de 46%. (SILVA FILHO et al, 2007, p. 642)

Fatores intra e extra-escolares parecem estar relacionados à questão da permanência dos estudantes na universidade. Certamente, a discussão para o enfrentamento da evasão escolar precisa considerar a multiplicidade dos fatores e o engajamento de toda a instituição para remover as dificuldades encontradas pelos estudantes em sua formação.

Sendo assim, a evasão escolar constitui-se por um conjunto de fatores multiplicativos, que definem as motivações e atitudes do estudante universitário. É uma questão ampla da escolha profissional, que não se delimitam em poucos aspectos. (BUENO, 1993)

Quando nos referimos ao número de estudantes evadidos das IES no Brasil, temos por base os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), que divulga a quantidade de estudantes matriculados, ingressantes e egressos no ensino superior brasileiro. No que se refere aos estudantes com deficiência no ensino superior brasileiro, o INEP não divulga os dados de concluintes, apenas os matriculados a partir de 2009. Desta forma, não temos números oficiais sobre a evasão dos estudantes com deficiência nas IES do Brasil.

Evidenciamos também a inexpressiva produção acadêmica sobre a evasão escolar dos estudantes com deficiência na educação superior no Brasil. Faltam dados desses estudantes, experiências sobre a permanência ou desistência nos cursos, relatos dos núcleos de acessibilidade frente a este assunto e o posicionamento das IES. Percebemos, entretanto, as dificuldades de permanência, fracasso e a evasão escolar desses alunos no cotidiano. As dificuldades aparecem na adaptação a vida universitária neste novo cenário educacional em que o estudante está inserido, na relação com o currículo escolar, na escolha dos cursos e no enfrentamento das barreiras socialmente construídas em relação às pessoas com deficiência.

Na instituição pesquisada, no ano de 2012, 41 estudantes com deficiência ingressaram nos cursos de graduação e, no ano de 2016, esse número reduziu para 19 ingressantes, provavelmente devido ao forte impacto da crise econômica do país. Nesse cenário, apenas sete estudantes com deficiência se formaram em 2014 e cinco no ano de 2018.15 Tudo indica que ocorreu algo no caminho desses estudantes que não concluíram seus cursos. Embora ainda seja inexpressiva a presença de estudantes com deficiência na educação superior, é

15 Consideramos o prazo de integralização do curso de uma graduação presencial ou a distância de quatro anos e

necessário que lhes sejam dadas condições de permanência, questionando suas dificuldades, dando-lhes voz e promovendo meios para que cada um deles seja presença presente.

4 PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E ESCOLARIZAÇÃO

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