Analisando as correlações entre o Tempo de Internamento e as variáveis Idade (n = 154; ρ = -.051; p = 0.533), Número de Fatores de Risco do paciente (n = 154; ρ = -.101; p = .214), Total de Co-morbilidades (n = 154; ρ = .146; p = .071), Tamanho de AAA (n = 154; ρ = .185; p = .022), e Ano de Intervenção (n = 154; ρ = -.150; p = .064), verificamos que em apenas um caso existe uma correlação estatisticamente significativa e que é entre a variável AAA e o Tempo Total de Internamento.
Através de uma Correlação de Pearson, por ambas as variáveis serem contínuas, com um valor de prova de 0.022 valor desta correlação é 0.185 ((n = 154; ρ = .185; p = .022). Este valor mostra que existe uma ligação no sentido positivo, ainda que muito ténue, entre o tamanho do AAA e o tempo Total de Internamento.
Aplicando o teste de Kolmgorov-Smirnov à variável Tempo Total de Internamento, verificamos que as hipóteses de esta variável seguir uma distribuição de tipo Normal (n = 154; Z = 3.458; p = 0.000), ou Uniforme (n = 154; Z = 9.537; p = 0.000), ou Poisson
(n = 154; Z = 4.488; p = 0.000), ou Exponencial (n = 154; Z = 3.869; p = 0.000), são todas rejeitadas, com um valor de prova de 0.000.
Isso significa que terão que ser usados testes não paramétricos para análise desta variável.
Verificando se existem diferenças através de um teste Mann-Withney, entre grupos nas variáveis Género, HTA, Dislipidemia, DM, Tabagismo, Obesidade, DPCO, DCI, IRC, AVC, ICC, ou EAM, concluimos que apenas no caso do Género, existem diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos, dado que o valor de prova do teste foi de 0.003, sendo que os pacientes do sexo feminino, apresentaram um tempo médio de internamento superior aos do sexo masculino. No entanto, devido ao grande desnível das diferentes classes (8 pacientes do sexo feminino versus 146 do sexo masculino), os resultados deste teste não devem ser encarados como válidos.
Em todos os restantes casos, os valores de prova são superiores a 0.05, pelo que estatisticamente, não existem diferenças significativas entre os grupos, nem quanto à existência ou ausência dos fatores de risco, nem quanto à existência ou ausência de co- morbilidades, ou seja, individualmente, nenhum fator de risco e nenhuma comorbilidade tem a capacidade de afetar o tempo de internamento.
Por fim, para verificarmos se o tempo de internamento segue o mesmo tipo de distribuição nas diferentes categorias da variável ASA, aplicamos um teste de amostras independentes de Kruskal-Wallis (n = 154; K-W = 18.785; p = 0.001).
O mesmo apresentou um valor de prova de 0.001, pelo que se rejeita a hipótese de todas as categorias desta variável apresentarem a mesma distribuição de tempo de internamento.
No entanto, quando se analisam as diferenças entre pares, verificamos que apenas em dois casos, as diferenças são estatisticamente significativas, nomeadamente entre os pacientes ASA II, e os pacientes ASA IV, com um valor de prova de 0.005, e em que os pacientes ASA II apresentam um tempo médio de internamento inferior em relação aos pacientes ASA IV (n = 154; K-W = -3.485; p = 0.005).
A outra situação em que existem diferenças, é entre os pacientes ASA III, e os pacientes ASA IV, com um valor de prova de 0.037, e em que o tempo de internamento dos pacientes ASA III é estatisticamente inferior ao tempo de internamento dos pacientes ASA IV (n = 154; K-W = -2.901; p = .037).
Em todos os restantes casos, não existiram diferenças estatisticamente significativas entre as categorias, como podemos observar:
ASA II – ASA III: n = 154; K-W = -1.477; p = 1.000; ASA II – ASA IIIE: n = 154; K-W = -2.514; p = .119; ASA II – ASA IVE: n = 154; K-W = -1.841; p = .657; ASA III – ASA IIIE: n = 154; K-W = -2.072; p = .383; ASA III – ASA IVE: n = 154; K-W = -1.552; p = 1.000; ASA IV – ASA IIIE: n = 154; K-W = -.691; p = 1.000; ASA IV – ASA IVE: n = 154; K-W = -.758; p = 1.000; ASA IIIE – ASA IVE: n = 154; K-W = -0.300; p = 1.000).
3.2.2 Análise Económica
Efectuar uma análise económica, revelou-se uma tarefa extremamente difícil, devido ao que podemos classificar como a opacidade do sistema.
O objetivo de uma análise económica consistia em obter de forma discriminada os valores dos custos respeitantes a cada cirurgia e a cada tipo de prótese, e tratá-los de forma a verificar se existiria ou não algum tipo de sistematização distintiva dos custos. Contudo, não foi possível obter o valor de cada prótese, com a argumentação de não existir um valor fixo. A única informação obtida foi que os valores médios, se situariam
no intervalo dos 8000 a 8500€. Adicionalmente, também foram fornecidos valores médios de custos de enfermaria e cuidados diferenciados, por dia. Ambos referentes ao ano de 2012, quando o mais adequado teria sido a identificação dos custos em cada caso, por ano. No mínimo, e sendo impossível esse tipo de discriminação, apontar os valores médios de cada ano, pois os valores de anos anteriores não serão, certamente, idênticos aos de 2012 e estarão longe de serem influenciados apenas pelo fenómeno da inflação não foi possível atingir o resultado pretendido. Existem variações próprias relacionadas com o sector da saúde como os cortes de custos, maior envolvimento do sector privado, maior I&D em áreas como a das próteses, maior propensão ao uso de próteses, entre outros.
Desta forma, considerou-se o ano de 2012 como o base e todos os valores remetidos a este ano, o que é muito redutor, mas tornou-se a única hipótese possível com os dados obtidos. Foi também fornecido o custo médio de ocupação do bloco operatório, mas sem o custo dos materiais utilizados em cada cirurgia, o que se traduz numa clara injustiça, pois estes gastos não são uniformes. A indicação de valores médios acaba por se traduzir, uma vez mais, num reflexo da opacidade do sistema. Todas estas limitações impedem a obtenção de valores certeiros que nos permitissem tirar conclusões o mais fiéis possível à realidade.
Contudo, foi possível efectuar um teste que distinguisse os dois tipos de prótese, por via dos tempos gastos em internamento, e no bloco operatório.
Inicialmente, foi aplicado um teste de Kolmogorov-Smirnov para averiguar se a distribuição dos dados seria Normal. Aquilo que se verificou é que a hipótese da distribuição ser Normal, é rejeitada, com um valor de prova de 0.021. Tal sucede para a variável Custos de Cirurgia (n = 154; Z= 1.509; p = .021), quer para a variável Custos de Internamento, esta última com um valor de prova de 0.000, (n = 154; Z= 3.692; p = .000).
Utilizando o mesmo teste para averiguar se a distribuição dos dados seria Uniforme (n = 154; Z= 4.972/9.140; p = .000), de Poisson (n = 154; Z= na/9.509; p = .000), ou Exponencial (n = 154; Z= 5.409/4.248; p = .000), todas elas foram rejeitadas, com um valor de prova de .000.
Desta forma, optou-se pela aplicação de um teste de Kruskal-Wallis (pois existem três categorias, em ambos os casos), para identificar se existiriam diferenças quanto ao tipo de anestesia utilizada, e quanto ao tipo de prótese.
Relação Tipo de Anestesia – Custo Cirurgia
No caso dos Custos de Cirurgia, verificamos que se rejeita a hipótese da distribuição dos custos serem os mesmos consoante o Tipo de Anestesia, com um valor de prova de 0.012. Isto sucede porque existe uma diferença estatisticamente significativa entre o tipo de anestesia loco-regional, e o tipo de anestesia geral (n = 154; K-W= 8.894; p = .012). Os valores do teste são mais elevados para o caso da anestesia geral, do que para os casos da anestesia loco-regional. O valor de prova do teste de diferença de pares é de 0.037 (n = 154; K-W= 2.504; p = .037). Os custos são assim mais elevados, no caso de existir Anestesia Geral.
Não existem diferenças estatisticamente significativas, nos pares que envolvam situações de passagem da anestesia Loco-Regional para a Anestesia Geral comparados aos dois tipos de anestesia individualmente, nem no caso em que se compara com a anestesia Loco-Regional (n = 154; K-W= -1.834; p = .200), nem no caso em que se compara com a Anestesia Geral (n = 154; K-W= -1.238; p = .647).
Relação Tipo de Anestesia – Tipo de Internamento
No que concerne à variável Custos de Internamento, verificamos que, por aplicação do teste de Kruskal-Wallis, com um valor de prova de 0.108, podemos assumir que a distribuição dos custos de internamento é a mesma independentemente do tipo de anestesia (n = 154; K-W= 4.454; p = 0.108).
Relação Tipo de Prótese – Custo de Cirurgia
Relativamente à análise dos custos tendo em conta o Tipo de Prótese utilizada, verificamos que a distribuição dos custos de cirurgia difere consoante o tipo de prótese, com um valor de prova de 0.000 (n = 154; K-W= 19.259; p = .000). Observa-se que os custos são mais elevados quando se comparam os pares ABI e AUI, em que os custos da prótese de tipo AUI são mais elevados do que do tipo ABI.
Relação Tipo de Prótese – Custo de Internamento
Da mesma forma, também os Custos de Internamento seguem diferentes tipos de distribuição consoante o tipo de prótese, por aplicação de um teste de Kruskal-Wallis, com um valor de prova de 0.009 (n = 154; K-W= 9.434; p = .000). Uma vez mais, existem diferenças estatisticamente significativas entre as próteses de tipo ABI e as próteses de tipo AUI, sendo que estas apresentam custos de internamento mais elevados. Assim, podemos ponderar que cirurgias que envolvam próteses do tipo AUI, impliquem maiores custos de cirurgia e de internamento, contudo o facto das sub-amostras possuírem tamanhos diferentes, uma vez que existem 112 casos de ABI e 41 casos de AUI, não nos permite validar estes resultados, assim como, a inexistência do custo real da prótese.
Seguidamente será apresentada a Discussão Resultados obtido. O Capítulo 4 está dividido em subcapítulos, sendo o primeiro relacionado com a discussão dos resultados obtidos na análise descritiva, permitindo-nos responder á nossa primeira questão de investigação: Qual o perfil clínico dos doentes e perfil de desempenho técnico da
cirurgia EVAR no CHP ?
Posteriormente a esta análise, é feita a discussão dos resultados obtidos na Análise Inferêncial, obtendo a resposta das questões de investigação: Existe uma relação entre
as variáveis pré e intra – operatórias e o resultado do tratamento cirúrgico? Qual a Taxa de Sucesso Efetiva e Taxa de Sucesso Técnica da cirurgia EVAR no CHP?
Uma vez que a Análise Económica efetuada, apenas foi efetuada tendo em conta os dados obtidos, mas insuficientes, não se tornando o objetivo do estudo, mas sim uma perspetiva futura, não irá ser efetuada a discussão do resultados, uma vez que como já foi supracitado, não nos permitem uma análise de custos real, sendo apenas uma análise hipotética.