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NSP STATES

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4.0 NSP STATES

Tendo em vista a necessidade de conhecer aspectos referentes à existência ou não de relação entre o trabalho desenvolvido pela professora do CAEE e pela professora da classe comum, nessa categoria buscou-se reunir os relatos de fala das professoras a respeito dessa temática.

Como determinado pelo Decreto 7.611/11, o AEE se configura como um serviço que tem como papel realizar a suplementação e/ou a complementação do processo de ensino aprendizagem do aluno PAEE, podendo este ser realizado pelos professores de AEE no contexto das SRM e nos CAEE, devendo estar articulado com a proposta pedagógica do ensino regular (BRASIL, 2009). Essa forma de organização pressupõe o estabelecimento da relação entre professor especializado e o professor da classe comum pautado nos princípios da colaboração, constituindo-se como importante elemento para favorecer a inclusão escolar.

Todavia, foi possível verificar através do relato de fala das professoras participantes desse estudo que a relação entre o trabalho desenvolvido por ambas é inexistente, sendo essa relação muito frágil e incipiente. A professora Yolanda, atuante no CAEE, destacou que não tem conhecimento a respeito do que a professora da sala comum desenvolve com os alunos haja vista que na instituição não é realizado o

67 acompanhamento dos conteúdos trabalhados no ensino regular:

Não, até mesmo porque aqui a gente não acompanha os conteúdos da escola, a gente não dá tipo um “reforço”. Não, a gente trabalha mais direcionado à autonomia,independência. Mas nesse trabalhar a autonomia e a independência a gente também trabalha os conceitos básicos: grande, pequeno, em cima, embaixo, as cores. Mas a gente não é como uma aula de reforço da escola (Relato de fala da professora Yolanda).

O posicionamento apresentado pela professora indica que a mesma considera o trabalho de acompanhamento do conteúdo curricular que deveria ser realizado pelo CAEE como mero reforço escolar, indicando a ausência de clareza quanto ao papel a ser desempenhado por este contexto de ensino e a sua importância enquanto parceiro da escola regular, conforme verificado no estudo de Delpretto e Santos (2013). Essa problemática foi verificada também no estudo de Milanesi (2012) no qual se constatou na realidade investigada dificuldades na compreensão quanto à forma como o AEE deve ser organizado bem como em torno da relação entre o currículo desenvolvido na classe comum e no contexto desse atendimento especializado.

Além disso, durante o processo de desenvolvimento de grupo focal no qual participaram professoras atuantes na Educação Especial, as mesmas também indicaram que o AEE não se constitui como reforço escolar, porém, apresentaram indefinições quanto a intencionalidade desse atendimento bem como sobre a relação que deve ser estabelecida com a escola regular do ponto de vista curricular.

Essas inconsistências apresentadas pelos professores quanto ao papel do AEE pode encontrar explicação também no fato de que, por muito tempo, o trabalho das instituições especializadas pautou-se nas práticas assistencialistas e nos cuidados da área da saúde, sendo essas características ainda presentes na concepção desses profissionais, o que acaba por repercutir nas práticas desenvolvidas no AEE. Esse determinante histórico é indicado na própria Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2009), que destaca o impacto desse aspecto no âmbito da Educação Especial e, consequentemente, na organização da escolarização dos alunos PAEE:

Por muito tempo perdurou o entendimento de que a Educação Especial, organizada de forma paralela à educação comum, seria a forma mais apropriada para o atendimento de alunos que apresentavam dificuldades ou que não se adequassem à estrutura rígida dos sistemas de ensino. Essa concepção exerceu impacto duradouro na história da Educação Especial, resultando em práticas que enfatizavam os aspectos relacionados à deficiência, em contraposição à sua dimensão pedagógica. (BRASIL, 2008, p. 15)

68 apresentar em seu relato os conceitos básicos trabalhados por ela na instituição (grande, pequeno, em cima, embaixo, cores) atribui uma concepção simplista e reducionista ao currículo, contribuindo para que haja um distanciamento dos alunos PAEE do currículo escolar formal – constituído pelos conhecimentos historicamente construídos e produtor de identidades sociais e individuais (EFFGEN, 2011).

Para tanto, uma vez que o trabalho com o currículo não está sendo desenvolvido no âmbito do CAEE e nem na escola regular, suscita-nos o questionamento sobre qual contexto de ensino tem então garantido aos alunos PAEE o acesso e a apropriação do conhecimento. Dessa forma, verifica-se o distanciamento existente entre o que é determinado no âmbito das políticas públicas de Educação Especial e a realidade que tem sido identificada nos contextos especializados e também nas classes comuns das escolas regulares, tal como assinalado por Vieira (2012):

Muitas vezes temos assumido os espaços de intervenções especializados como momentos reduzidos ao trabalhar com jogos, materiais concretos, uso do computador e atividades de alfabetização, sem uma proposta sistematizada e sem um acompanhamento nascido a partir das necessidades do aluno. Essa ação, quase sempre, também é vivida na sala de aula comum, minimizando, em nome da deficiência, o currículo a um conjunto de atividades xerografadas, brincadeiras ou jogos. (VIEIRA, 2012, p. 305)

Nesse sentido, embora o AEE se constitua como um importante subsídio para que o aluno tenha condições adequadas de aprendizagem no contexto da classe comum, a literatura tem indicado a ausência de articulação entre os professores mesmo quando esse atendimento é realizado no próprio contexto regular de ensino no qual o aluno está matriculado (OLIVEIRA, 2016; GONÇALVES; MANTOVANI; MACALLI, 2016; PAGNEZ; PRIETO, 2016).

Portanto, sendo a articulação entre esses profissionais fundamental para a construção de processos de escolarização inclusivos e que atendam às especificidades do PAEE, buscou-se conhecer as concepções das professoras no tocante a este aspecto e as contribuições advindas da colaboração para a implementação de recursos de TA.

3.1.5 Possibilidades de articulação entre a professora do CAEE e a professora da

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