• Aucun résultat trouvé

Notre organisation en bref

Dans le document DES MINISTRES (Page 10-15)

Segundo Iorio (2002) a origem do conceito de empoderamento é objeto de disputa de dois movimentos. O movimento negro na luta por direitos civis nos Estados Unidos nos anos sessenta, que sacudiu o cenário político americano exigindo o fim do preconceito e da discriminação que marcavam a vida dos negros, com o propósito de busca por valoração da raça e conquista de uma cidadania plena. O movimento feminista que se inicia entre as décadas de 70 e 80, momento em que grupos de mulheres de todo o mundo se reúnem para desenvolver

[...] um árduo de conceitualização e trabalho de implementação de estratégias de empoderamento, com a qual buscaram romper com as diferentes dinâmicas que condicionavam a existência e impediam a participação e a cidadania plena das mulheres. (IORIO, 2002, p. 3).

Admite a autora que “[...] é na interseção com gênero que o conceito de empoderamento se desenvolve tanto em nível teórico como instrumento de intervenção na realidade [...]”, sinalizando, ainda, que é nos anos 90 que “[...] se observa a expansão do uso deste conceito para todas as áreas de debate sobre desenvolvimento [...]”. E, ao partir desta perspectiva de poder a estratégia de

empoderamento que prevalecia era de que “para as mulheres romperem a situação de dominação, elas deveriam ser “empoderadas” de forma a conquistar espaços na estrutura econômica e política da sociedade e, dessa forma vir a participar do processo de desenvolvimento [...]”. Trata-se, portanto, de uma perspectiva de empoderamento ancorada no conceito de “poder sobre”, cuja idéia subjacente está a “reversão da relação de poder”, que podem ocasionar a perda do poder ou o uso dele por outrem contra quem o detém, o homem. Então, “[...] as estratégias de empoderamento dentro desta perspectiva não propõem mudanças estruturais nas relações de poder dentro de uma sociedade e nem questiona a forma como o poder é distribuído na sociedade [...]”. (IORIO, 2002, p. 4).

Neste mesmo cenário, novos esforços analíticos sinalizam para diferentes conceituações de poder, com foco em processos e não mais em resultados, surgem, então, outras descrições conduzindo a novas perspectivas de empoderamento: “poder para” (processo que conduz a realização de capacidades, cria possibilidade, sem que haja dominação sobre o outro) “poder com” (reforça á idéia de que a união de forças favorece o alcance de mudanças), e “poder de dentro” (força espiritual, que reside em cada ser humano).

Sobre o “poder de dentro” afirma Iorio (2002, p. 5-6): “[...] é a base da auto- aceitação e do auto-respeito, que por sua vez significa o respeito e aceitação dos outros como iguais. Este poder pode permitir que uma pessoa mantenha uma posição ainda que a grande maioria possa estar contra [...]”. Seguindo essa lógica, o empoderamento não deve se dá somente com o alcance do “poder sobre”, já que este impõe a submissão ao outro, mas, também do “poder com” ou “poder de dentro”, “poder para”, pois, o desenvolvimento destes nos conduz, a uma visão de empoderamento bastante diferente. Trata-se de uma noção de poder que privilegia a capacidade do ser humano de expressar e agir por si, sua liberdade de expressão, de dirigir seus passos rumo à plena realização.

A essência desse processo pode ser entendida nos postulados de outros autores:

O empoderamento se ocupa da comunidade coletiva, e por fim, da conscientização de classe, para entender de forma crítica a realidade com o propósito de usar o poder que ainda resta aos despossuídos, como uma ferramenta de desafio aos poderosos, e em última análise, para transformar a realidade através de batalhas políticas conscientes. (OAKLEY; CLAYTON, apud GRAIG; MAYO, 2003, p. 11).

Nas palavras de Costa (2006), o termo começou a ser usado pelo movimento de mulheres, com a compreensão de que a alteração radical dos processos e estruturas reduz a posição de subordinação das mulheres como gênero. Para esta autora o termo pode ser definido como um mecanismo pelo qual às pessoas, as organizações, as comunidades tomam controle de seus próprios assuntos, de sua própria vida, de seu destino, tomam consciência da sua habilidade e competência para produzir e criar e gerir.

Em seus estudos sobre o tema, Oakley e Clayton afirmam:

[...] que o enfoque sobre o empoderamento reconhece a importância do aumento de poder das mulheres, tende a identificar o poder menos em termos de dominação sobre outros e mais em termos da capacidade das mulheres de adquirir confiança em si mesmas e se fortaleceram internamente. Isso se traduz como o direito de exercer escolhas em sua vida e de influenciar os rumos das mudanças, através da capacidade de controlar os recursos materiais e não materiais. Ao contrário dos enfoques centrados na equidade, não enfatiza tanto o status das mulheres em comparação com o dos homens, mas busca provocar seu empoderamento através da redistribuição do poder dentro e entre as sociedades. (OAKLEY; CLAYTON, apud MOSER, 2003, p. 12)

Ao que se vê, então, o termo empoderamento evoca diferentes interpretações e significados associados. Estabelece forte relação com a palavra “poder” e o conceito de poder enquanto relação social, seguindo uma lógica diferente do sentido da palavra inglesa empowerment. Na perspectiva feminista é um poder que afirma, reconhece e valoriza as mulheres. E nas palavras de Freire (1986), no contexto da Filosofia e da Educação, a pessoa, grupo ou instituição empoderada é aquela que realiza, por si mesma, as mudanças e ações que a levam a se fortalecer e evoluir.

Seguindo esta ótica o empoderamento de mulheres deve ser entendido como um processo que nos leva a pensar na questão do poder em outra perspectiva. Um processo que assume formas mais democráticas e constrói novos mecanismos de articulação e responsabilidade coletivas e compartidas, interferindo nas tomadas de decisões. Freire (1986) sugere que o empoderamento seja concebido como processo e resultado, cuja emersão se dá num processo de ação social, no qual os indivíduos tomam posse de suas próprias vidas pela interação com outros indivíduos, gerando pensamento crítico em relação à realidade, favorecendo a construção da capacidade pessoal e social e possibilitando a transformação de relações sociais de poder.

em três grandes áreas: o poder como maior confiança na capacidade pessoal, para levar adiante algumas formas de ação; o poder como aumento das relações efetivas que as pessoas desprovidas podem estabelecer com outras organizações e como resultado da ampliação do acesso a recursos econômicos. Dessa forma, entendem que,

[...] o desenvolvimento como empoderamento não vê os indivíduos pobres como carentes de apoio externo, mas de uma maneira mais positiva, busca criar uma perspectiva de desenvolvimento interativo e compartilhado no qual se reconheçam as habilidades e conhecimentos das pessoas. O empoderamento não é simplesmente uma terapia para fazer com que os pobres se sintam melhores com a sua pobreza, nem é simplesmente apoio às “iniciativas locais” ou fazer com que tenham mais consciência política [...] o empoderamento está relacionado à uma “mudança positiva” nos indivíduos e nas comunidades, e em sentido estrutural, à organização e à negociação[...] (OAKLEY; CLAYTON, 2003, p. 13)

Sendo assim, partindo do pressuposto de que a iniciativa das mulheres da pesquisa reside na tomada de consciência em favor da mudança de sua própria condição, este estudo busca com o uso do termo, a conseqüência da experiência de vida dessas mulheres na conciliação das atividades do lar/trabalho/escola, vislumbrando o que/como foi possível possibilitar a expansão de seus horizontes, e não a conformação com a “própria sorte”; o que as fez perseverar na luta por seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Então, compreender que dimensões como gênero, classe, raça/etnia, idade/geração se entrelaçam e são elementos estruturantes fundamentais da vida social; conhecer um pouco da história da educação feminina no Brasil; entender que educação e empoderamento se articulam como tendência real de ascensão sociocultural e econômica de mulheres, constituíra-se passo importante para situar em que bases teóricas foram buscadas referências para dirigir a discussão, que procura dar voz a sujeitos “silenciados”, vislumbrando as trajetórias de vida e de escolarização de mulheres, situando-as em tempos e espaços diferenciados, para apreciação de imagens e tensões geradas no transcurso de idas e vindas pela escola.

Dans le document DES MINISTRES (Page 10-15)

Documents relatifs