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LES RÉSULTATS 18

Dans le document DES MINISTRES (Page 21-33)

Algumas ideias postuladas sobre o estudo de “trajetórias” têm sido trazidas por pesquisadoras alemãs (Born, Kruger, Lorenz e Meyer) e aos poucos vem sendo conhecidas e discutidas por pesquisadores e pesquisadoras de outros países, a exemplo do Brasil, e se configurando perspectiva de importante contribuição para os estudos de gênero. Fazendo referência a Luz Araújo (1998), Gonçalves e Lisboa (2007) procuram traduzir a trajetória social como um “ciclo de vida”, como uma “etapa da vida”. E, apresentando o que postula a pesquisadora colombiana aduz:

[...] “trajetória social” é o encadeamento temporal das posições que os indivíduos ocupam sucessivamente nos diferentes campos do espaço social. Em cada momento de sua existência, os indivíduos ocupam simultaneamente várias posições, que resultam, obviamente, do entrelaçamento entre os campos profissionais de familiares. (GONÇALVES; LISBOA, 2007 p. 88).

Dubar (1998, n.p.), trata da temática a partir da distinção entre dois universos de sentidos vinculados à palavra “identidade”. O primeiro denominado de processo identitário individual, geralmente apreendido a partir de produções de linguagem do tipo “biográfico” e se refere às diversas formas como indivíduos tentam dar conta de suas trajetórias (familiares, escolares, profissionais...) por meio de uma “história”, no intento, por exemplo, de justificar sua “posição” em dado momento e, às vezes, antecipar seus possíveis futuros. O que vem a ser um processo de (re) construção subjetiva de uma “definição de si” ou de “identidade biográfica”, ou, ainda, “identidade para si”. O segundo se refere ao que Kaufman denomina de quadros sociais de identificação ou, então, quadros de socialização, que envolvem categorias utilizadas na identificação de um indivíduo num dado espaço social. O que para este autor pode ser denominado de “identidade estrutural” ou “identidade para outrem” e ser tratada como “categorias do discurso do indivíduo definindo-se do ponto de vista de outrem (quer este outrem seja “significativo” e personalizado, quer seja “generalizado” e institucional)”.

Nesse sentido, admite que “as categorias sociais, interiorizadas no decorrer do ciclo da vida (níveis escolares, categorias profissionais, posições culturais...), constituem o material a partir do qual os indivíduos inventam para si identidades singulares”, com vistas a “unificar suas existências” e “fazer valer sua pretensão em um ou outro campo da prática social”. E, ainda, que é a “trajetória social objetiva”, categorizada pelas instituições, que determina as “identificações subjetivas”, individuais, e, se manifesta validando as tentativas recentes de desenvolver abordagens com diversos tipos de grupos, integrando as relações entre a subjetividade dos “relatos de vida e a “imposição das categorizações institucionais”, porque valoriza “dados sociológicos importantes e suscetíveis de interferir nos processos sociais mais estruturantes”. (DUBAR, 1998, [n. p])

Gonçalves e Lisboa (apud Dausien, 2007, p. 88) vêm afirmar que “a trajetória de vida é denominada cientificamente de “transcurso”, pois analisam mudanças sociais, passagens de status, de situação econômica, de atividades profissionais, utilizam datas, significativas, períodos, números [...]”. Nesta perspectiva, a trajetória de vida é considerada uma instituição social, um sistema de regras que rege/conduz o indivíduo e suas relações no mundo.

Nas palavras de Born (2001, p. 243), a trajetória de vida pode ser descrita como “um conjunto de eventos que fundamentam a vida de uma pessoa.

Normalmente é determinada pela freqüência dos acontecimentos, pela duração e localização dessas existências ao longo da vida.” Ao que assinala essa autora, o curso de uma vida se estrutura pela localização desses acontecimentos, pelos estágios de tempo biográfico, e, é formalmente, o resultado de informações que perpassam os grupos. A idade de ingresso escolar, anos de escolaridade, idade para o trabalho, dentre outros, são dados reveladores de diferenças e peculiaridades de uma trajetória, que tanto se estrutura por meio de instituições reguladoras (como o sistema escolar, o mercado de trabalho e o sistema de bem-estar com suas leis específicas), como pela padronização de normas, ações e comportamento individual e coletivo.

Assim, as “trajetórias” podem ser definidas como partes de uma “história” de vida, um determinado percurso ou ciclo, vivenciado pelos sujeitos no seu cotidiano, em meio aos mais diversos contextos socioculturais. O que nas palavras de Gonçalves e Lisboa (2007, p. 91) significa afirmar que a modalidade trajetórias de vida “poderá ser mais uma possibilidade de leitura do social com aporte de múltiplos construtos, inicialmente de forma individual, em seguida categorizado e analisado sob a perspectiva da totalidade, sobre uma realidade viva, histórica e coletiva”.

Em outro sentido, penso que trabalhar com trajetórias de vida significa dar voz a sujeitos “silenciados”, ou, ainda, procurar por uma história individual e subjetiva da vida de uma pessoa, na perspectiva de conhecer e entender o mundo em que vivem e as relações estabelecidas num dado contexto de vivência, como ao longo da vida vêm tecendo seus desejos, direitos, conhecimentos, significados e, consequentemente, imprimindo possibilidades de transformações de si e de seu entorno. Ademais, esse debruçar de olhar sobre o espaço de vivência, os sujeitos e novas noções, constituiu a linha introdutória para retraçar a história de vida e a trajetória escolar de mulheres, que dirige o propósito de conhecer e refletir sobre os contextos de vivência e as influências que dirigem as trajetórias, numa evidente mescla de tempos de vida e tempos de escola, que para (ARROYO 2007, p. 96-97) “[...] são tão duros e conflitivos quanto às condições e possibilidades de ser criança ou adolescente na família, na cidade, no campo, na rua ou no trabalho [...]”

3.2 TEMPOS DE VIDA: ENTRE PASSOS E PERCALÇOS

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