THEORIES ET OUTILS DE LA RSE
Section 2 : L’instrumentalisation de la RSE
I. Les normes ISO pour l’amélioration de la RSE :
Do século XIII até o XVI, os contatos entre o Ocidente muçulmano e a Europa cristã foram muito mais profundos do que haviam sido até então. Seria errôneo, porém, considerar cada um dos lados como entidade única e homogênea, com rígida política de hostilidade contra o outro. Após o desaparecimento dos Almóadas, o Ocidente muçulmano cindiu -se em quatro entidades políticas: o emirado násrida de Granada, o sultanato marínida do Marrocos, o reino zaiânida de Tlemcen e o sultanato haféssida de Túnis. Seus adversários da outra margem do Mediterrâneo encontravam -se ainda mais divididos. Na península Ibérica, havia os reinos de Castela e Aragão, aos quais depois se juntou o de Portugal; na Itália, Gênova, Pisa e Veneza, assim como a Sicília (antes de ser anexada por Aragão), tinham políticas independentes e muitas vezes conflituosas. Os franceses, após o fracasso da última Cruzada, dirigida por São Luís, passaram a segundo plano, desempenhando papel menor no Magreb.
Com essa multiplicidade de Estados abrindo enorme gama de possibilidades a um jogo de alianças que tantas vezes ignorava as fronteiras religiosas, seria muito simplista reduzir as relações entre muçulmanos e cristãos do Mediter- râneo ocidental, nesse período, a uma guerra inexorável entre dois adversários inflexíveis, um animado pelo espírito do djihād (guerra santa), o outro imbuído do fervor das Cruzadas. Não que esses fenômenos fossem irrelevantes. Com efeito, chegaram a ser mesmo determinantes em certos períodos, mas pode -se discernir por trás deles um confronto de interesses econômicos e comerciais, que explica o emaranhado de alianças e contra -alianças firmadas entre Esta- dos muçulmanos e cristãos, incompreensível de outro modo. Como o capítulo 26 deste volume examina esses fatores subjacentes numa perspectiva ampla e intercontinental, aqui nos contentaremos em estudar os aspectos políticos das relações entre muçulmanos e cristãos.
Uma mudança decisiva marcou a história do Mediterrâneo ocidental em
meados do século XVII, quando a Reconquista7 atingiu seu ponto culminante
7 O termo Reconquista é utilizado na historiografia ibérica e europeia para designar o processo da resis- tência cristã à dominação muçulmana e as guerras que tiveram por objetivo sua expulsão da península. Cobre, tradicionalmente, o período que vai de 722 a 1492, isto é, da batalha de Covadonga até a queda de Granada. Nos últimos anos, alguns estudiosos espanhóis têm começado a criticar a noção mesma de “reconquista”, assinalando que nos períodos de 722 a 1031 e de 1252 a 1481 não houve conquistas nem reconquistas cristãs, e que o próprio termo “conquista” só poderia adequar -se ao período de 1035 a 1262, e mais especificamente aos anos que vão da tomada de Toledo, em 1085, à conquista de quase toda a Andaluzia, em 1249, e ao período que se estende de 1481 a 1492, culminando na queda de Granada. Ver CRUZ HERNÁNDEZ, 1970.
com a tomada dos territórios centrais da Andaluzia pelos cristãos. Os domínios muçulmanos que sucessivamente caíram em poder dos diferentes reinos ibéricos foram os seguintes: ilhas Baleares (Maiorca) em 1229, Badajoz em 1230, Cór- doba em 1236, Valencia em 1238, Murcia em 1243. Jaen (Djayyān) em 1246, Sevilha em 1248, Algarve (Gharb al -Andalus) em 1249, Cádiz (Kādis), Jerez e Niebla (Labla ) em 1260–1262. Assim, aproximadamente nove décimos da península Ibérica encontravam -se agora sob controle cristão, restringindo -se o território muçulmano ao pequeno emirado násrida de Granada, fundado em 1232. Graças à rivalidade entre Castela e Aragão, e à ajuda que os Marínidas lhe proporcionaram no primeiro século de existência, Granada conseguiu sobre- viver até 1492. Embora os emires násridas às vezes interviessem ativamente na política norte -africana, e assim contribuíssem para tornar ainda mais complexa a situação política, o papel da Espanha muçulmana enquanto potência mediter- rânica independente podia considerar -se praticamente encerrado.
Essa modificação no equilíbrio de forças não se fez sentir de imediato; como vimos, os Marínidas tentaram várias vezes mudar o rumo da situação – no seu entender, apenas provisória – na Espanha e assim reconstituir o Império Almóada nas suas antigas fronteiras. Foi somente em meados do século XIV que a vanta- gem dos cristãos tornou -se evidente, estando o Magreb reduzido à defensiva.
Já mencionamos alguns dos fatores que explicam o declínio do poder político e militar dos Estados muçulmanos. Em todos esses Estados, o poder político, centralizado quando do nascimento das novas dinastias, sofreu erosão regu- lar e crescente por parte de diversas forças centrífugas – membros dissidentes das famílias reinantes, chefes de tribos nômades, mercenários cristãos, xeques sufi, xarifes. Todos estes pretendiam seja participar do exercício do poder, seja adquirir o máximo de autonomia sem nenhuma preocupação com o que fosse de interesse geral. A dicotomia existente, de um lado, entre as cidades litorâ- neas, voltadas para o comércio exterior, e o campo, e, de outro, entre nômades e sedentários, constituía fator suplementar de divisão, numa sociedade em que se enfrentavam facções com quase nada em comum.
O agravamento da crise que afetava o Magreb deveu -se, igualmente, a fatores intrínsecos. Comparada com outras partes do Mediterrâneo, a região era rela- tivamente subpovoada, e parece que durante esses séculos críticos sua taxa de
crescimento demográfico manteve -se baixa8. O afluxo de refugiados andaluzes
8 A população do conjunto do Magreb em fins do século XVI era estimada em três milhões. Pela mesma época, a península Ibérica contava cerca de nove milhões de habitantes; a França, aproximadamente quinze milhões; e a Itália, doze milhões. Ver MONLAÜ, 1964, p. 39 -40.
mal compensava o número de vítimas causadas, em meados do século XIV, pela epidemia conhecida como peste negra. O regime feudal e a instabilidade generalizada resultaram, em várias regiões, no abandono das terras cultivadas. Documentos datados do início do século XVI trazem abundantes referências a terras abandonadas, mostrando que, mesmo em regiões anteriormente cultivadas e bem povoadas, a população tornou -se rarefeita. A progressiva deterioração dos solos também esteve entre as causas do abandono das terras; devia -se em parte aos rebanhos dos nômades, em parte à diminuição da fertilidade em zonas ári- das, exauridas por uma agricultura excessivamente intensiva. Além disso, a escas- sez de mão de obra não permitia que se recuperasse a produtividade anterior.
O comércio transaariano, que durante vários séculos assegurou a prosperidade econômica do Magreb, começava, a partir da década de 1350, a orientar -se mais e mais para o Egito. As repercussões dessa mudança fizeram -se sentir não apenas no seio da classe comerciante, mas também, e ainda mais, na classe governante, pois as taxas alfandegárias cobradas sobre as mercadorias representavam uma das suas fontes mais fáceis de renda.
Tudo isso acontecia na mesma época em que os Estados cristãos consolidavam seu poder político, militar e econômico. Embora o Magreb oriental, então sob o reinado dos Haféssidas, não se encontrasse tão ameaçado quanto as regiões mais a oeste, esteve sujeito de tempos em tempos a incursões e campanhas militares. Em 1282, Carlos de Anjou ocupa Collo; nos anos seguintes, forças sicilianas e aragonesas, sob o comando do almirante Rogério de Lauria, conquistam Djārba (Djerba), Kerkenna e Marsā al -Khāriz (La Calle ). A ilha de Djārba permaneceu em poder dos cristãos até 1335, como um espinho nos flancos do Estado haféssida. Pelo final do século XIV, as frotas cristãs retomam os ataques contra as regiões litorâneas. Os franceses, aliados dessa feita aos venezianos, assediam sem sucesso al -MahdĪyya (1390). As armadas de Valencia e Maiorca atacam Tedelles (Dellys) (1398) e Annāba (1399). Os aragoneses renovam a ofensiva contra Kerkenna e Djārba em 1424 e 1432; e até o final do século XV, os vários portos da região entre Trípoli e Argel irão sofrer inúmeros ataques e incursões de genoveses e venezianos. Esses atos hostis, assim como as ações dos corsários magrebinos, só podiam agravar as relações entre os Haféssidas e os Estados cristãos; no entanto jamais acarretaram a ruptura total dessas relações, e a atividade comercial nada perdeu de seu vigor. Politicamente, os italianos não representavam ameaça séria, já que, movidos por objetivos puramente comerciais, não aspiravam à conquista de novos territórios. Os dirigentes muçulmanos em geral relacionavam -se mais facilmente com os mercadores italianos do que com os da península Ibérica, cujas ambições eram, acima de tudo, políticas.
A situação que imperava no Magreb central e ocidental era diferente, e mais complexa. Durante todo o século XIV e a primeira metade do século XV, os reis de Aragão mantiveram relações políticas amistosas com o Marrocos e exerceram forte influência em Tlemcen. Essa conduta era ditada pela rivalidade que os opu- nha a Castela bem como por suas ambições políticas na Itália e no centro da bacia mediterrânica. Em compensação, Castela e Portugal esperavam apenas uma oca- sião para intervir no Marrocos. A vitória de Rio Salado marcou o fim da presença marroquina em solo espanhol, já que, a partir dessa batalha, a luta entre Castela e Granada assumiu mais o caráter de conflito feudal entre suserano e vassalo do que o de guerra entre cristãos e muçulmanos. Para os castelhanos, os verdadeiros inimigos eram os muçulmanos do Magreb; assim, esforçaram -se por repelir um duplo perigo: a ameaça de invasão marroquina e a intensificação das atividades dos corsários.
A pirataria não cessara no Mediterrâneo desde a Antiguidade, tendo sido praticada na Idade Média tanto por muçulmanos quanto por cristãos. Mas a reconquista da Espanha pelos cristãos deu a essa atividade – cujo principal objetivo era, obviamente, material – uma coloração religiosa; a partir do século XV os corsários muçulmanos, e muito especialmente os que haviam sido expulsos da Andaluzia, passaram a considerar suas ações como uma espécie de djihād (guerra santa) e como uma forma de represália por sua expulsão. Em alguns dos portos mais importantes do Magreb, os corsários haviam fundado “repúblicas” independentes, com base nas quais se dedicavam a atividades muitas vezes contrárias à vontade das autoridades oficiais. Perante os corsários, os Marínidas e Watássidas, assim como os Haféssidas, haviam adotado uma política oscilante: ora lhes emprestavam apoio, ora se empenhavam em conter suas atividades, temendo que fornecessem às potências cristãs pretexto para expedições punitivas. Algumas das incursões às regiões costeiras da África setentrional, mencionadas acima, foram na verdade represálias a ataques de corsários muçulmanos contra navios cristãos ou contra as costas da Espanha. Recolocadas em perspectiva histórica, as atividades dos corsários muçulmanos aparecem como uma espécie de resposta ao desafio cristão, numa época em que os governos dos Estados magrebinos, internamente debilitados, não estavam aptos a fazer frente à ofensiva europeia. Sob certos aspectos, as atividades dos corsários podem ser comparadas aos movimentos populares que se desenvol- veram no interior do Marrocos durante os séculos XV e XVI, sob a direção dos xarifes e marabus, contra um poder central que se mostrava incapaz de expulsar os portugueses.
A situação interna da Espanha antes da união de Aragão e Castela (1479) não lhe permitia lançar de imediato uma ofensiva conjunta contra o Magreb.
A ocupação temporária de Tetuan (TittāwĪn) pelos castelhanos em 1399, no correr da qual metade da população foi massacrada e a outra metade reduzida à escravidão, foi durante muito tempo a única intervenção espanhola de importância em território marroquino. A Espanha só voltou à ofensiva após a tomada de Granada, em 1492.
Os portugueses haviam -se revelado agressores muito mais perigosos, tanto para o Magreb quanto para o resto do continente africano. Após expulsarem os últimos mouros de seus territórios, os reis da dinastia de Avis, que tomaram o poder em 1385, decidiram levar adiante a luta contra os infiéis, em solo africano. Eram complexos os seus verdadeiros móveis, que aliavam o fervor religioso, a esperança de conquistar territórios e de reunir um rico butim e o desejo de acabar de uma vez por todas com os corsários muçulmanos.
Em 1415, sob o comando dos infantes Henrique (o futuro Henrique, o Navegador) e Fernando, filhos do rei D. João I, a frota e o exército portugueses conquistaram, após breves combates, o porto marroquino de Ceuta; essa vitória marcou os começos da expansão colonial portuguesa no além -mar. Para quase todos os historiadores, a tomada de Ceuta constitui marco importante na histó- ria europeia, ou mesmo universal: nela veem o ponto de partida para a expansão da Europa, além de suas fronteiras naturais, no rumo da conquista e da coloni- zação. Tal juízo deve, porém, ser matizado, pois as Cruzadas já representavam – não devemos esquecer – tentativa análoga de expansão no ultramar, de controle sobre o comércio oriental e de exploração de países e povos não europeus. Em compensação, é indiscutível que o ano de 1415 marcou o início dessa política de agressão ininterrupta dos Estados da Europa ocidental, que iria permitir -lhes adquirir pouco a pouco o domínio de outros continentes e descobrir terras novas, nas quais pudessem dar continuidade à sua empresa colonizadora. Esse aspecto geral será estudado mais amplamente na introdução ao próximo volume; aqui nos contentaremos em examinar as consequências da agressão portuguesa na África do noroeste e, em especial, no Marrocos.
As ambições dos portugueses não se limitavam, evidentemente, à conquista de um único porto; seu objetivo era ocupar a totalidade do território marroquino, visando obter o controle do lucrativo tráfico do ouro. Conforme já dissemos, a Dinastia Marínida revelara -se incapaz de resistir a tal ameaça, e foi, na verdade, o vizir Abū Zakariyyā’ al -WattāsĪ quem se empenhou em mobilizar o país. Em 1437, sob o comando dos dois infantes, os portugueses fizeram nova tentativa de conquistar Tânger (Tandja), mas sofreram formidável derrota e foram obri- gados a devolver Ceuta aos marroquinos vitoriosos, deixando como refém desse compromisso o infante Fernando. Apesar disso, seu irmão, o rei D. Duarte,
recusou -se obstinadamente a abandonar a posição -chave que ocupava em solo africano, e o infeliz Fernando morreu no cativeiro, em Fés.
A derrota de Tânger modificou, até certo ponto, a política e os projetos de expansão dos portugueses, na medida em que deixou evidente a impossibilidade de conquistarem o Marrocos e as vias comerciais sudanesas através de um ataque frontal. Precisaram, pois, buscar outros meios para chegar às fontes de provisiona- mento de ouro. Ao mesmo tempo, alimentavam a esperança de encontrar, ao sul do Marrocos, um aliado que pudesse ajudá -los a avançar sobre as terras do inimigo muçulmano. Essa mudança de prioridades não significava, obviamente, que os reis e a burguesia de Portugal tivessem abandonado seus projetos para a África do noro- este; sua atenção se fixava cada vez mais na costa atlântica. A partir de meados do século XV, ocuparam, sucessivamente, as seguintes cidades do litoral do Marrocos: al -Kasr al -KabĪr (1458), Anfā (1469), ArcĪla (1471), Massat (1488), Agadir (1505), SāfĪ (1508), Azammūr (1513), Mazaghan (1514) e Aghūz (1519). Foi em 1471 que conseguiram, finalmente, apoderar -se de Tânger. A seus olhos, a conquista do Marrocos não constituía simplesmente uma etapa a mais de seu avanço expansio- nista ao longo da costa africana; tinha também valor intrínseco, já que o Tesouro português retirava lucros substanciais das incursões efetuadas no interior do país. Durante essas incursões, muitas cidades (inclusive Marrakech, em 1515) e aldeias foram saqueadas, e seus habitantes escravizados e vendidos. Ao mesmo tempo, curiosamente, os portugueses continuaram a manter relações comerciais amistosas com os marroquinos, de quem compravam basicamente cereais, cavalos e, sobretudo, tecidos de lã, que depois trocavam na África ocidental por escravos e ouro.
Enquanto a expansão portuguesa prosseguia com sucesso ao longo da costa atlântica do Marrocos e mais ao sul, à procura de ouro e do legendário Preste João – em quem esperavam encontrar um aliado contra o inimigo muçulmano, inaugurando dessa forma a era dos grandes descobrimentos e dos impérios coloniais –, Castela e Aragão selavam sua união mediante o casamento do rei Fernando com a rainha Isabel. Depois de guerra que durou dez anos, Granada caiu em mãos dos espanhóis. No mesmo ano (1492), Cristóvão Colombo fazia sua primeira viagem, no curso da qual descobriria a via de acesso mais curta a esse Novo Mundo que, mais tarde, viria a receber o nome de América.
A descoberta de novos horizontes além dos mares não desviou, porém, a atenção dos espanhóis de seus inimigos imediatos na África setentrional.
Em 1494 o papa sanciona o acordo pelo qual os dois reinos da península Ibérica dividiam entre si o Magreb: as regiões a oeste de Ceuta caberiam a Portugal, enquanto as que estavam a leste seriam da Espanha. Os espanhóis não tardaram a se valer desse acordo, bem como da fraqueza dos Zaiânidas e
dos Haféssidas. Entre 1496 e 1510, apoderaram -se de vários portos mediter- rânicos; dentre os mais importantes, citemos Melilla (MalĪla), Mers al -KabĪr, Orã, Bidjāya (Bougie) e Trípoli. Foram, porém, incapazes de penetrar mais a fundo no interior do país; seus presidios (entre os quais Melilla, ainda hoje con- trolada pela Espanha) limitavam -se aos portos e só podiam ser abastecidos por mar, o que os tornava particularmente vulneráveis perante qualquer potência naval.
No final do século XV, portanto, o enfraquecimento do poder islâmico no Magreb chegou a seu ponto máximo. A maior parte dos portos muçulmanos, tanto no litoral atlântico como nas costas do Mediterrâneo, estava agora nas mãos dos cristãos; o poder central, em cada um dos Estados magrebinos, apresentava -se ineficiente e fraco; os próprios países encontravam -se divididos entre numerosas facções rivais; suas economias eram precárias e prejudicadas pelas tensões nasci- das da ruptura do equilíbrio global de forças. Embora o século XVI fosse para o Magreb uma era de renascimento, graças ao pujante movimento popular que se manifestou em suas partes ocidentais, bem como à intervenção dos corsários turcos e, mais tarde, à intervenção do próprio Império Otomano, o Magreb jamais tornaria a atingir o esplendor político, econômico e cultural que conhecera sob o reinado dos Almorávidas, dos Almóadas e dos primeiros soberanos haféssidas e marínidas.
C A P Í T U L O 5
Embora a historiografia do Magreb esteja bastante desenvolvida, pelo menos para algumas fases do período aqui estudado, a história social da região ainda não foi levantada. A escassez de obras de síntese sobre o assunto reflete esta situ-
ação1; faz -se necessário sério trabalho de pesquisa, de análise e de interpretação
de documentos. As generalizações sobre o Islã medieval não deixam, decerto, de ser úteis para a compreensão de muitas questões, mas é preciso considerar as diferenças entre o Oriente e o Ocidente e suas formas de evolução diversas,
ainda que se revelem vagas ou lentas2.