A Revolta do Busão foi um movimento iniciado a partir da decisão da prefeitura de Natal de reajustar o valor da tarifa de ônibus de R$ 2,20 para R$ 2,40. O aumento foi anunciado no dia 28 de agosto e despertou a reação especialmente dos estudantes, que se mobilizaram para protestar a partir da parada do circular do Via Direta, na UFRN. O primeiro protesto ocorreu já no dia 29 de agosto e o percurso dos estudantes envolvia, como destino final, o cruzamento das Avenidas Bernardo Vieira e Salgado Filho. Houve conflito com as forças policiais e o reconhecimento, por parte de uma coordenadora do DCE da UFRN, de que houve exageros por parte de pessoas do movimento que tentaram incendiar um ônibus, mas divergências de que a agressividade policial seria uma reação aos exageros29. O protesto foi divulgado e mobilizado através das redes sociais e não envolveu mobilização de estruturas para a sua organização. Não houve ônibus saindo de pontos específicos da cidade e também não houve a contratação de carros de som para acompanhar a passeata. Nas demais atividades públicas do movimento, o cenário se repetiu. O único instrumento amplificador de voz utilizado pelos manifestantes foram megafones levados pelas próprias lideranças, sem que disso decorresse monopólio da voz que ecoava nas mobilizações.
O segundo protesto ocorreu dois após o primeiro, mas com ponto de partida e horário diferentes. A manifestação ocorreu no Centro da cidade, à tarde, com início no Palácio Felipe Camarão, onde funciona a prefeitura, e desceu a avenida Rio Branco até o
29 Movimento "Revolta do Busão" protesta contra aumento da tarifa em Natal e entra em confronto com a polícia <https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/09/03/revolta-do-busao-protesta- contra-aumento-da-tarifa-em-natal-e-entra-em-confronto-com-a-policia.htm?> Acessado em 13 de abril de 2019
local onde funciona o Seturn, no bairro da Ribeira. Em seguida, o movimento seguiu até a avenida Senador Salgado Filho. Nesse protesto não houve confronto com a polícia.
Os estudantes marcaram um terceiro protesto, para o dia 6 de setembro, agora rumo à Câmara Municipal, com o intuito de cobrar um posicionamento dos vereadores sobre o reajuste. Pressionado, o legislativo, de maneira inédita e através do Decreto Legislativo n. 37/2012, revogou o aumento tarifário, mantendo a tarifa no valor anterior, de R$ 2,20. Uma demonstração de força social e de prestígio do movimento Revolta do Busão foi a instalação de um telão no lado de fora da Câmara Municipal para que os estudantes pudessem assistir à sessão plenária ordinária que votou o Decreto Legislativo e o movimento ainda foi parabenizado pelos vereadores pelo enfrentamento ao aumento da tarifa de ônibus30.
Após decisão da Câmara Municipal, o Seturn reagiu decidindo, de maneira unilateral, suspender o sistema de integração gratuita no transporte público de Natal a partir do dia 17 de setembro. O anúncio ocorreu no dia 15 e um comunicado foi posto nos ônibus da cidade com os dizeres: “Comunicamos aos nossos clientes que, devido ao desequilíbrio econômico, a integração gratuita não poderá ser mais realizada”. A integração gratuita permite que o usuário de ônibus possa utilizar mais duas linhas de ônibus do município pagando apenas uma tarifa desde que tenha se passado dez minutos desde o primeiro embarque e menos de 60 minutos do segundo embarque. Apesar da revogação do aumento da passagem, o movimento Revolta do Busão não encerrou as mobilizações. Foi o suficiente para inflamar mais uma vez os manifestantes.
A manifestação do dia 19 de setembro foi a mais enérgica dentre as manifestações da Revolta do Busão. Assim como na primeira manifestação, o protesto saiu da parada do circular do Via Direta e, em seguida, ocupou as duas faixas da Avenida Salgado Filho, em frente ao shopping. Os ônibus tinham seu fluxo interrompido e só eram liberados após a abertura da parte traseira para que os populares, que estavam na parada, entrassem sem pagar tarifa. Imagens registradas desse protestos mostram vários ônibus pichados. Nesse protesto, dois veículos da empresa Guanabara foram incendiados, o que mereceu grande destaque na mídia local, a despeito da matéria no Blog do BG, um dos veículos de informação mais acessado no RN31:
30 CMN revoga reajuste das passagens de ônibus. <http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/cmn-revoga- reajuste-das-passagens-de-onibus/230884> Acessado em 13 de abril de 2019.
31 Manifestação ultrapassa os limites do aceitável e conquista antipatia da população. Entenda por que: <https://www.blogdobg.com.br/manifestacao-ultrapassa-os-limites-do-aceitavel-e-conquista-antipatia-da- populacao-entenda-por-que/> Acessado em 13 de abril de 2019.
O protesto contra a suspensão do Passe Livre, realizado na noite de ontem, ultrapassou os limites do aceitável. A manifestação que deveria reivindicar o direito do usuário de ônibus a fazer a integração se transformou em selvageria e vandalismo. Ônibus foram incendiados, pessoas agredidas e o patrimônio alheio destruído.
Diferente de antes, o movimento que estava em alta conta com a população por ter conseguido pressionar contra o aumento no preço das passagens, conquistou a total reprovação da população. O respeito acabou.
E olha que o ponto defendido por eles é completamente justo. O Passe Livre é um direito conquistado pela população e eles têm mais é que lutarem a favor desse benefício. Mas o modo como isso foi feito é que não foi correto. Erraram muito na dose.
Há vários relatos e imagens que demonstram a maneira como o movimento foi conduzido ontem. Pessoas comuns, muitas delas usuárias de ônibus também, tiveram seus carros depredados ou foram agredidas simplesmente porque, por um motivo ou outro, precisavam passar no meio do manifesto.
Os manifestantes, sempre muito agressivos, tinham como palavras de ordem “bater”, “quebrar” e queimar. Os rostos, eram escondidos pelas próprias camisetas. E se valendo disso, picharam, destruíram, queimaram. Passeavam sobre os ônibus num grande clima de terrorismo.
Dois ônibus foram incendiados, um em frente ao Midway e outro no Bairro Nordeste. Ainda teve a tentativa de queimar outro na Prudente de Morais (vejam o vídeo). E enquanto os ônibus queimavam, os bombeiros eram impedidos de trabalhar. Só conseguiam intervir quando já não havia mais solução.