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2. Les outils d'analyse textuelle

2.2. La chaîne d'analyse morpho-syntaxique : NTM et XIP

2.2.1. Normalisation et analyse morphologique

Um dos principais conceitos na interação é o de turno conversacional, que conforme proposto por, Marcuschi (2007) é “aquilo que um falante faz ou diz enquanto tem a palavra, incluindo aí a possibilidade do silêncio” e constitui-se como “uma das unidades centrais da organização conversacional” (idem). Ou seja, é a forma coordenada entre os interlocutores pela qual há a alternância de tomadas da palavra.

A tomada de turno rege-se por alguns esquemas preestabelecidos, porém negociados durante a conversação. Geralmente a interação verbal dialogada ocorre com perguntas e respostas, ou seja, por meio de pares adjacentes, que, segundo Schegloff (1968, apud FAIRCLOUG; 2008), é a sequência em movimentos coordenados e cooperativos; sequências de dois turnos que coocorrem e servem para a organização local da conversação. Esses mesmos autores têm observado que as mudanças de turnos entre os falantes ocorrem de forma bastante cooperativa, que as falas sobrepostas são breves e que a transição de um turno para o próximo turno ocorre após um pequeno silêncio.

Na organização dos turnos entre os falantes, as sentenças podem não ficar inteiras e, por isso, serem completadas pelo próximo falante. O turno pode ser uma palavra, uma frase, uma sentença maior ou simplesmente um som. A duração do turno também varia e pode estar relacionada com o número de participantes na interação conversacional.

Uma entrevista, um debate, uma cerimônia religiosa ou uma aula podem possibilitar diferentes sistemas de turnos de fala, porque há restrições: quem pode falar, o que se pode falar, quanto tempo e em que ordem se fala. Nessa perspectiva, faz-se

necessário reconhecer que, segundo Thomas (1995), o sistema de turnos de fala parece ser organizado por um pequeno número de regras básicas, a saber:

 Se a virada de turno foi construída de tal forma que o falante atual seleciona o seguinte, a pessoa selecionada tem o direito de começar a falar no próximo turno;

 Se a virada de turno foi construída de uma forma que não se envolvem "falante atual seleciona próximo", pode haver auto-seleção e o próximo turno pode ser iniciado com quem começou primeiro a ganhar o direito á fala;  Se a virada de turno foi construída de uma forma que o falante atual não

selecionar o próximo, então o falante corrente pode continuar a falar a menos que alguém seja auto-selecionado.

Assim, para que os pares adjacentes aconteçam de forma cooperativa é necessário que os interlocutores partilhem um mínimo de conhecimentos comuns, tais como: aptidão linguística; envolvimento cultural e domínio de situações sociais. Caso um desses requisitos seja deficiente a interação entre os indivíduos fica prejudicada.

Os pares adjacentes mais comuns são: pergunta-resposta; ordem-execução; convite-aceitação/recusa; cumprimento-cumprimento; xingamento-defesa/revide; acusação-defesa/justificativa e pedido de desculpa-perdão. Fairclough (2008, p. 32-33) afirma que Sinclair e Couthard focalizaram a sala de aula “por tratar-se de uma situação formal cuja prática discursiva é passível de ser gorvernada por regras”. Trata-se do modelo tripartite: IRA – iniciação – resposta – avaliação, onde a primeira contribuição do professor é um lance iniciador, a contribuição do aluno é uma resposta e a segunda contribuição do professor é o retorno ou avaliação da participação do aluno.

Existem relações estruturais e linguísticas entre a organização da conversação em turnos e a ligação interna em unidades constitutivas de turno. Entre essas unidades estão os marcadores conversacionais, os quais podem ser de três tipos: verbais, não- verbais e supra-segmentais.

Outro conceito relevante na interação face a face é a coerência. Esta, na conversação não ocorre da mesma forma do texto escrito. A perspectiva do desenvolvimento é múltipla e cada turno pode colocar uma reorientação. Portanto, são permitidas mudanças ou quebras de ponto de vista em curso e a repetição de conteúdos por parte de vários falantes não é redundante. Quando há contradição, ela pode

apresentar dois aspectos: se o falante se contradiz a si próprio ou a seu parceiro. Nesses casos, há diferentes formas para realizar a correção: autocorreções auto-iniciadas, autocorreções iniciadas pelo outro e correções pelo outro e iniciadas pelo outro. A preferência maior é pela autocorreção auto-iniciada. (MARCUSCHI, 2007).

Um conceito importante no entendimento de turnos conversacionais é de Unidade Discursiva – UD – que, segundo Castilho (2004), “é um segmento do texto caracterizado semanticamente por preservar a coerência temática da unidade maior e, formalmente, por se compor de um núcleo e duas margens”. A UD está para a língua falada, assim como o parágrafo está para a língua escrita. Assim como o texto não é organizado apenas com as informações novas, o tópico conversacional é composto de informações novas e informações já conhecidas para a organização do tema. Na organização dos turnos, algumas UDs são relevantes apenas do ponto de vista interacional, ou seja, não têm o papel informativo para o tópico. Neste caso, postula-se que há uma hierarquia tópica no discurso. O tópico conversacional não se confunde com um turno, ou seja, um mesmo tópico pode ser desenvolvido em vários turnos conversacionais (Castilho, 2004).

Todos esses conhecimentos conceituais são de fundamental importância para entender o processo de apropriação da língua na sala de aula, uma vez que esse processo é construído e reconstruído no dia a dia do fazer pedagógico entre alunos e professora, conforme podemos ver nos dados desta pesquisa, seja nas atividades de leitura, de escrita ou de análise linguística. Em todas essas atividades, é possível definir como a interação é construída e como os sujeitos participantes são incluídos ou excluídos da conversa sobre o tema proposto.

Toda essa interação acontece no tempo e no espaço do ambiente escolar. Especificamente no tempo em que passam juntos professora e alunos. Sobre esse tema tempo nos detemos na próxima seção.