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Nonsingular Generalized Coordinates

Rigid Bodies

2.13 Nonsingular Generalized Coordinates

Este capítulo faz uma análise da relevância do contexto conjuntural sobre o desempenho das organizações com referência às peculiaridades do desenvolvimento econômico brasileiro, focalizando o período da ocorrência dos planos econômicos até o plano Collor.

O recorte temporal utilizado nesta análise decorreu das peculiaridades do período.

As expressões ‘crescimento’ e ‘desenvolvimento’ são muitas vezes consideradas como sinônimas, embora inadequadamente. “O crescimento econômico significa maior produção, enquanto que desenvolvimento econômico implica em maior produção e mudanças nas disposições técnica e institucional, pelas quais se chega a esta produção.” (KINDLEBERGER, 1976, p.1). O desenvolvimento, sob o ponto de vista do autor, representa um conceito muito mais amplo do que o de crescimento porque contempla a estrutura de produção, distribuição e alocação de insumos por setores, ou seja, considera o ambiente e os fatores condicionantes em que a produção é gerada – aspectos estruturais e funcionais.

Para SEN (2000), o desenvolvimento consiste em um processo de expansão das liberdades reais ou substantivas desfrutadas pelas pessoas. Essa abordagem também contrasta com visões reducionistas, que identificam o

desenvolvimento com o crescimento do PNB – Produto Nacional Bruto, taxa ou índices de industrialização, modernização social, avanço tecnológico ou aumento das rendas pessoais. Embora esses indicadores sejam importantes (numa dimensão fática), o crescimento da renda consiste em um meio de expandir as liberdades individuais.

As liberdades, todavia, dependem de outros fatores determinantes, como as disposições sociais e econômicas, a exemplo dos serviços de saúde e educação bem como os direitos civis, a exemplo da liberdade de participar do processo político.

As próprias sanções negativas constituem óbices à expansão das liberdades. Assim, a industrialização, modernização social e o progresso tecnológico podem contribuir para a expansão das liberdades humanas.

O desenvolvimento, na perspectiva de Amartya Sen (2000), enseja a expansão das liberdades. Os indicadores citados revelam apenas uma potencialidade de desenvolvimento, que tem como requisito essencial à remoção das principais fontes de privação da liberdade: negligência dos serviços públicos de saúde e educação, pobreza, carência de oportunidades econômicas.

Sen (2000) apresenta como cerne potencial da estratégia das políticas públicas a remoção das fontes cerceadoras das liberdades e não a otimização, sem critérios, de indicadores econômicos. A ascensão dessas medidas somente conduz ao desenvolvimento, se expandirem às liberdades substantivas (reais).

O Brasil, na década de 70 do século passado, viveu um período de aceleração econômica apesar da desigual apropriação desse crescimento e conseqüente concentração de renda por uma parcela minoritária da população; sendo posteriormente abalado por uma forte recessão, afetando as disposições sociais, retrato da privação de liberdade econômica (pobreza) conduzindo à privação de liberdade social (exclusão). O ‘milagre econômico’ expressava o crescimento observado na época, mas numa perspectiva mais ampla, não implicou em desenvolvimento de fato, o que tornou o país vulnerável à instabilidade econômica e social.

Este trabalho analisa o contexto do desenvolvimento histórico e econômico da década de 1980 e início da década 1990 (até o plano Collor), período marcado

pela descontinuidade de diversas empresas. Visa-se mostrar a importância da compreensão do entorno, dimensões, trajetória e complexidade dos principais problemas econômicos da época, para uma melhor avaliação da performance empresarial. A análise que se segue destaca como componentes importantes dessa trajetória a instabilidade do ambiente internacional, origens da crise e as diferentes respostas das políticas econômicas dos governos.

A diretriz deste capítulo se apóia-se na seguinte questão: De que forma as organizações são afetadas pelo fraco desempenho econômico da época? Qual o contexto em que viveram?

Acredita-se que o enfraquecimento das organizações, enquanto célula econômica deteriora as bases da economia, conduzindo a um crescimento econômico insatisfatório. Justifica a abordagem a necessidade de contextualizar o histórico do desempenho empresarial conferindo uma análise menos instrumental e melhor fundamentada numa perspectiva causuística e histórica.

A avaliação de desempenho das organizações passa necessariamente pelo entendimento do contexto em que as mesmas atuam, sendo essencial à leitura acerca da trajetória do desenvolvimento no período recortado para análise.

2. 1 CONTEXTUALIZAÇÃO

O general Figueiredo assumiu a Presidência da República em 15 de março de 1979 e seu principal desafio era manter o crescimento econômico e combater a inflação, repetindo o que se denominava ‘milagre econômico’. Sua gestão baseava-se no III Plano Nacional de Desenvolvimento 1980 - 1985. Dentre as intenções gerais do plano, destacaram-se:

- Aceleração do crescimento da economia, emprego e renda; - Melhora na estrutura da distribuição de renda;

- Melhora dos padrões de bem-estar das classes com menor poder aquisitivo;

- Diminuição das disparidades regionais; - Equilíbrio no balanço de pagamentos; - Contenção de inflação;

- Institucionalização do Estado de direito democrático.

O plano, todavia, não detalhava ações, nem tampouco quantificava metas, representando um grande desafio para a administração pública naquela circunstância, uma vez que ao final da década de 1970, a economia do país já revelava fragilidades, a exemplo da desigual distribuição de renda que aflorava os problemas sociais, e elevada dívida externa.

A economia seria ainda afetada por quatro alterações no cenário internacional, sobre as quais o país não tinha controle:

- Choque do petróleo em junho de 1979, elevando os preços do combustível, dos produtos industrializados e matérias-primas importadas. - Recessão observada nos países capitalistas com alto nível de industrialização, afetando o mercado internacional provocando quedas na demanda do mercado externo;

- Elevação das taxas de juros no mercado internacional, que teve como elemento catalisador a insolvência mexicana, refletindo em aumentos do custo de capital como a forma de remunerar e incentivar o investimento externo via mercado de capitais (devido a dependência constante do capital que os países emergentes se deparavam);

- Suspensão de novos empréstimos também reflexos da crise financeira mexicana.

A década de 1980 e início dos anos 1990 marcaram a história brasileira em face a dimensão e intensidade da crise instaurada, conhecida como ‘terceira grande crise’.

O Brasil elevou seu nível de endividamento baseando-se nos objetivos do II PND – Plano Nacional de Desenvolvimento1.

As razões que conduziram à aguda crise decorreram da combinação de diversos fatores internos e externos.

A extensão e a capacidade da crise advieram também da expressão populacional do país, das desigualdades e das contradições históricas da nossa sociedade, das mudanças ocorridas nas décadas anteriores, do tamanho e das características da economia brasileira e da natureza de seus vínculos com o exterior. (BRUM, 1999, p.419)

Nesse período, o Brasil e outros países da América Latina e do terceiro mundo tiveram o ritmo de seu desenvolvimento econômico e social diminuídos, gerando uma intensa recessão.

A década de 1980 foi um marco referencial de instabilidade monetária e estagnação econômica, não só no Brasil por conta dos sucessivos ajustes das políticas macroeconômicas realizadas nos governos Figueiredo, Sarney e Collor, mas igualmente por diferenças cambiais que refletiram nos termos de trocas e nas conversões da divida.

A pesada dívida externa exigia ajustes internos, os quais atendiam aos interesses dos credores internacionais, culminando na transferência de parcela significativa da riqueza do país para o exterior. Esse quadro resultou no abandono de projetos vitais por conta da ausência de recursos para financiá-los. Parte expressiva desses projetos era financiada por aporte de capital externo, comprometendo a infraestrutura necessária à manutenção do ritmo de crescimento.

O incremento da capacidade de financiamento e esforço de investimentos infraestruturais são essenciais para a renovação espacial, condição requerida para a transformação de uma economia primário-exportadora em um sistema industrial centrado num mercado interno. (FURTADO, 1981)

Como conseqüência do fraco desempenho econômico e do ineficaz desempenho dos planos econômicos que se sucederam, empresas sucumbiram provocando desemprego e condições insatisfatórias de vida.

1 O II PND priorizou o investimento nas indústrias de base e autonomia em insumos essenciais, o que gerou a necessidade de financiamento e o conseqüente incremento da dívida pública.

Analisando-se a variável ‘número de pessoas abaixo da linha de indigência’ no período compreendido entre 1976 e 2000, observa-se que as décadas de 80 e 90 experimentaram índices significativos de indigência (tabela 1), mostrando o agravamento do quadro social da época.

Tabela 1 : Pobreza: número de pessoas abaixo da linha de indigência

ANO POBREZA : NÚMERO DE PESSOAS ABAIXO DA