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Nonlinear nano-optics

Dans le document Td corrigé III 6 EQUIPE PEDAGOGIQUE pdf (Page 106-119)

Spécialité : Nanosciences

Lecture 4 : Second harmonic generation

3. Nonlinear nano-optics

O ideal seria uma criança sem dono, que aparecesse como nuvem, Que não tivesse destino nem nome -

senão que um sorriso triste E que nesse sorriso estivessem encerrados

Toda a timidez e todo o espanto das crianças que não têm rumo [...].

(MANOEL DE BARROS)

Um sorriso nos conduziu à nossa primeira conversa. Foi o sorriso de uma Paneleira que nos acolheu com suas palavras doces. Ela nos contou sobre o funcionamento do galpão. Segundo ela, ali todos são livres para falar e nos sugeriu consultar quem queria participar da pesquisa. Foi dito sobre a tradição e o alto custo de se fazer panelas hoje. Observamos a individualidade do processo, em que cada uma faz e vende sua própria panela, o que reforça a ideia de uma Associação e não de uma Cooperativa, ideia que refutam com veemência. Como algumas escolas de Vitória estavam em greve no início da pesquisa, encontramos crianças lisando10 panela. Eram filhos, netos e vizinhos da região que iam ao galpão na esperança de ganhar um trocado ajudando na feitura das panelas. É possível encontrar mulheres no galpão que recebem somente para alisar as panelas, fase imprescindível para deixar o produto uniforme e brilhante.

Enquanto circulávamos pelas cabines, percebíamos a intenção das Paneleiras em deixar suas marcas naquele espaço no qual os artefatos se misturam ao barro e as tábuas de modelar. Também a cuia, a faca, o tanino e as fotos de jornais nas paredes. A própria produção exposta nas cabines com panelas empilhadas demonstrava uma maior ou menor dedicação ao ofício por motivos diversos.

Para as Paneleiras, conversar sobre seu ofício enquanto modelam as panelas já faz parte de sua rotina. Algumas compartilharam suas impressões sobre o trabalho, histórias pessoais, enquanto outras apenas sorriram discretamente na intenção de não serem incomodadas. O galpão provisório da Associação das Paneleiras de Goiabeiras (APG) é um lugar de encontros que movimentam a economia local, assim como a horta que fica atrás dele. Verificamos que um grupo de artesãos e Paneleiras moram em municípios vizinhos.

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Figura 4 – Horta particular atrás do galpão provisório

Fonte: Produzida pela Autora durante a realização da pesquisa.

As marcas do barro estão impressas, inclusive no telefone público, em função da necessidade de atender aos pedidos de compra e ao agendamento de oficinas.

Figura 5 – Telefone público do galpão provisório

Fonte: Produzida pela Autora durante a realização da pesquisa.

As oficinas acontecem no galpão e nas escolas. Algumas narrativas das Paneleiras nos ensinam o funcionamento da oficina. As entrevistas foram gravadas em junho/2011:

A oficina, as professoras, a diretora vai e agenda com a gente, fala quantas crianças tão vindo e a gente prepara o barro, a vasilhinha, a taubinha, igualmente a gente faz as nossas panelas, tudo o que a gente usa, eles usam também, a gente só não deixa eles ter acesso ao arco e a faca que é perigoso... Tem a queima que a gente mesmo queima para eles, a gente ensina e ajuda a fazer as panelas, eles colocam

os nomezinhos nas panelas, deixa aqui, aí depois de duas semanas a gente pega essas panelas é leva pra fogueira, queima e a professora manda buscar e aí essa oficina, para gente ter um dinheiro assim, um extrazinho, a gente cobra, quando é particular, cobra cinco reais (PANELEIRA BC do galpão).

A Paneleira que atender aquele telefone ali na hora fica responsável pra dar a oficina e receber os alunos, porém, para a oficina é cobrada uma taxa. A visita pode vir, fazer a visita, fazer as perguntas, a gente não cobra nada, mas a oficina, a gente tá lá moldando o barro, fazendo a panelinha, é cobrado uma taxa. Nós estamos parada ali duas horas, com colégio, tamo deixando de fazer nosso trabalho, por isso que cobramos uma taxa por criança. Tem 18 anos que começamos as oficinas (PANELEIRA MC do galpão).

Você sabe que agora, depois que a oficina é feita no galpão eles preferem agora com o galpão, arrumar o ônibus e trazer as crianças, pois eles veem a queima da panela, arrumaram um lugar para as crianças lanchar, vê o manguezal (PANELEIRA BC do galpão).

No primeiro dia, entrevistamos seis mulheres sem fazer uso da gravação.

Fomos até o CMEI JS,11 que está localizado ao lado do galpão das Paneleiras, no mesmo dia. Elas chamam essa escola de “Crechinha”. A pesquisa, em uma escola municipal em Vitória, deve ser precedida da definição clara do que se pretende, dando entrada num processo de aprovação e ciência pela escola e pela Secretaria de Educação (Seme). O primeiro contratempo encontrado foi o movimento de greve, o que poderia afetar o cronograma. A ideia inicial era acompanhar as atividades da escola concomitantemente ao cotidiano das Paneleiras. Em função da greve, iniciamos a pesquisa pelo galpão onde planejamos ficar por dois meses.

Retornamos ao galpão para conversar com a presidente da APG e fomos informadas que a eleição da diretoria se aproximava. Poderíamos aguardar a finalização do processo ou prosseguirmos com as entrevistas, uma vez que, naquela Associação, cada uma respondia por si. Consultamos sobre a possibilidade de acompanhar a extração do barro e do tanino, porém tivemos dificuldade de obter uma resposta.

Talvez por conta de pesquisas anteriores sem o devido feedback, a visitação frequente as deixava receosas. Isso nos pareceu claro ao ouvirmos de uma Paneleira: “Vocês ainda não conseguiram o que precisam pra estudar?”.

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Em uma das conversas com uma Paneleira, fomos apresentadas ao tirador de barro, seu irmão, que nos convidou a conhecer o Vale do Mulembá, local onde se encontra a jazida de barro. Aceitamos.

Na data marcada, chegamos atrasadas ao galpão, pois tivemos um contratempo e encontramos a irmã do tirador que nos informou que ele já havia ido, mas havia deixado o filho para nos mostrar o caminho. Nesse meio tempo, procuramos a presidente da Associação novamente para acertar alguns detalhes, como entrega do projeto e declaração de pesquisa. Ela se mostrou surpresa ao saber que havíamos sido convidadas a conhecer o barreiro.12 Perguntamos a ela se haveria algum problema, e ela nos informou que não. Outra pista desfocada que passou despercebida. Dirigimo-nos, então, até o Vale do Mulembá com o filho do tirador de barro informando o caminho e contando um pouco do lugar e do trabalho, já que ele ajudava o pai de vez em quando e possuía outra ocupação. O rastreio nos levava a outros territórios.

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