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Nombres et proportions architecturales

CHAPITRE III Les nombres

IV. Nombres et proportions architecturales

Essa é a segunda etapa para nós chegarmos à discussão da tese dos três mundos e do

mundo três, consequentemente. O papel da verdade em Popper está intimamente ligado à

noção de realismo metafísico e de progresso científico. A teoria da verdade da qual Popper

é adepto, foi elaborada por Tarski de um ponto de vista semântico, opondo-se dessa forma,

de alguma maneira à concepção sintática de verdade elaborada por R. Carnap. Popper,

porém, aponta três teorias rivais da teoria semântica da verdade formulada por Tarski. São

elas: a teoria da coerência, que segundo Popper confunde consistência com verdade; a

teoria da evidência, que confunde verdadeiro com conhecido como verdadeiro; e a teoria

pragmatista ou instrumentalista, que confunde utilidade com verdade.

Mas, em que consiste tal teoria semântica da verdade? A verdade nesta teoria é

focalizada como correspondência, isto é, correspondência com os fatos. Aqui não interessa

de forma alguma um estudo da palavra verdade e, nem se trata de considerar a verdade

como um tipo especial de crença, estado mental ou disposição. Para podermos falar da

verdade em correspondência com os fatos, temos que considerar o uso de uma

metalinguagem, isto é, uma linguagem na qual podemos fazer referência da linguagem de

9 (T. do A.) [...] podemos resumir, a manera de conclusión, lo dicho em los siguientes puntos que,

considerados por Popper como propios de la teoria del conocimiento de Jenófanes, describen los rasgos fundamentales de su realismo científico: 1. nuestro saber consta de enunciados. 2. los enunciados son verdaderos o falsos. 3. la verdad s objetiva, y consiste em la conformidad del contenido proposicional con los hechos. 4. incluso cuando expresamos la verdad completa no lo podemos saber. 5. como “saber”, em el amplio sentido de la palabra, es “saber seguro”, no existe ningún saber, síno solo saber presunto: “todo está entretejido de suposición”. 6. pero em nuestro em nosso saber hay un progreso hacia lo mejor. 7. el mejor saber es una mejor aproximación a la verdad. 8. pero permanece siempre saber prseunto, saber entretejido de suposición

que nos utilizamos no dia-a-dia. Portanto, a neve é branca só e somente só se a neve for

branca de fato, e a erva é roxa só e somente só, se a erva for roxa de fato. Poderíamos nos

perguntar então, se se trata de elaborar uma metalinguagem científica que pudesse

representar a transformação ou pudesse explicar a passagem da realidade, daquilo que o

mundo é efetivamente, para uma teoria científica. Pensamos que não seja este o interesse de

Popper. Isso seria um empreendimento meramente lingüístico, que é claro, foi tentado por

alguns filósofos esperançosos de ter em mãos uma linguagem universal, que fizesse tal

tradução entre o mundo e a representação que temos do mundo. Mas, o que interessa aqui é

que um enunciado será verdadeiro, só e somente só, se ele corresponder ao fato, e será falso

só, e somente só, se tal enunciado não corresponder a fato algum. Outra questão que

poderia ser levantada é, ou está relacionada, com a característica que Popper imprimiu à

teoria da correspondência de Tarski. Diz Popper que tal teoria é, ou implica, no detalhe de

que, trabalhamos com uma idéia de verdade (ou que ela nos dá uma idéia de verdade) que é

objetiva ou absoluta. Poderíamos neste caso nos perguntar um tanto assombrados, se é a

verdade para Popper uma aproximação ou uma busca. Então, como pode ele dizer que a

teoria de Tarski sobre a verdade é absoluta? Novamente não devemos nos deixar trair pelas

aparências. Popper é muito astucioso, e diz ele que “[...] isto, como indica Tarski, é uma

noção objetivista ou absoluta da verdade. Mas não é absolutista no sentido de permitir que

falemos com absoluta certeza ou segurança. Pois isto não nos proporciona um critério de

verdade” (POPPER, 1975, p.53). Popper é bastante claro aqui. Uma teoria é considerada

fundamentadora, acabada ou completa e absoluta, se quiser pretensamente propor-se um

critério de verdade. É isto que Popper não tolera na concepção Positivista. E diz: “[...] ao

aritmética), então não pode existir um critério geral de verdade. Só em linguagens artificiais

extremamente pobres pode haver um critério de verdade” (Idem, p.53).

Outro problema que poderíamos articular, é alegar que a consideração de que a

verdade é aproximativa, é muito intuitivo. Popper admite este problema, uma vez que o

termo intuição foi por demais usado por outros filósofos, o que poderia acarretar confusões.

Como resposta apresenta a noção lógica de verossimilitude.

A verossimilitude combina a noção de verdade de Tarski e a concepção de conteúdo

lógico de um enunciado. Este diz respeito à classe de todas as conseqüências lógicas

dedutíveis do enunciado ou da teoria. As tautologias são um caso especial em que o

conteúdo de verdade é zero. Por outro lado, todos os outros enunciados ou teorias, mesmo

que sejam falsas, têm um conteúdo de verdade diferente de zero. Dessa maneira, a

verossimilitude pode ser descrita, segundo Popper, como o aumento ou diminuição da

verdade e da falsidade. Dizendo de outra forma mais simples: a verossimilitude é descrita

como o aumento do conteúdo de verdade e a conseqüente diminuição do conteúdo de

falsidade. Diz Popper:

[...] em suma, dizemos que T2 está mais perto da verdade, ou é mais semelhante à verdade, do que T1 se, e apenas se, mais asserções verdadeiras decorrem dela, porém não mais asserções falsas, ou pelo menos igualmente tantas asserções verdadeiras, porém menos asserções falsas (POPPER, 1985, p. 58).

A aproximação da verdade como tentamos explicar até aqui, diria mais respeito à noção de

conteúdo lógico de um enunciado ou de uma teoria. Por outro lado, a aproximação da

verdade tem a sua noção intuitiva ainda mais esclarecida, se considerarmos que além do

conteúdo lógico, há o conteúdo informativo de uma teoria que colabora para o

entendimento dessa noção de aproximação da verdade. O conteúdo informativo é descrito

teoria. Se um enunciado x pertence ao conteúdo informativo de A, então a negação do

enunciado (não x) pertence ao conteúdo lógico de A. Isso nos leva a entender a estreita

relação que há entre o conteúdo lógico e o conteúdo informativo ou empírico de um

enunciado.

Uma última questão a considerar, é a pouca atenção e o desprezo que os Positivistas

Lógicos tiveram pela teoria da correspondência de Tarski. Isso é notório no pensamento de

Schlick. Ele tenta reduzir o seu problema com a teoria da correspondência a um problema

meramente lingüístico. Essa teoria, segundo Schlick, deveria esclarecer o que deveríamos

entender pelo termo correspondência (ou conformidade) com os fatos. De qualquer forma,

tal teoria é desprezível para Schlick, pois ela não se propõe a dar um critério unívoco de

verdade. É claro que Schlick tem razão. Porém, ele esquece de que Tarski, como Popper

mesmo diz, nem está preocupado em fornecer um critério geral de verdade. Além de tudo,

diz Schlick que a coerência deve-se somar a algo a mais, isto é, um princípio segundo o

qual esta deve ser verificada: este princípio seria propriamente o verdadeiro critério. Essa

forma de pensar certamente não é a de Tarski nem a de Popper. Aliás, comentando Schlick,

diz Popper que este interpretou a correspondência como uma relação biunívoca entre as

nossas designações e os objetos designados, não reparando que pode haver muitas

designações para um objeto e uma designação para muitos objetos. Portanto, a