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Network Segregation

5. ICS Security Architecture

5.5 Network Segregation

Trabalhar com a biodiversidade brasileira (BDB) agrega maior complexidade. A cadeia de fornecimento possui prazos diferenciados, exige planejamento contemplando “o período adequado de safras, tempos limite de transformação de matérias-primas vegetais em ingredientes; prazo de validade de ambos”. A consequência são normalmente “prazos maiores de fornecimento e estoques maiores para garantir o suprimento adequado da demanda e de suas variações” (HORTA, 2013, p.183).

A Natura tem quatro plantas de produção – três em Cajamar e uma em Benevides-PA - que enviam produtos para um hub logístico e oito Centros de Distribuição no Brasil e mais seis na América Latina, que utilizam tecnologias avançadas e que por sua vez enviam para 1,7 milhão de consultoras no Brasil no modelo de venda direta que foi rebatizado para Venda por Relações’ (NATURA, 2017, p.23, 24).

A Natura entrega “mais de 50% de todos os pedidos no Brasil e na América Latina em até 48 horas.” (Natura, 2016, p.7). Além disso, “20% do total de pedidos registrados pela Natura” são atendidos pelo CD SP inaugurado em 2013 e atuando com capacidade plena em 2016, “o maior CD em atividade na companhia”, resultando que “uma Consultora Natura que reside em qualquer cidade paulista demora, em média, 2,8 dias para receber o pedido em sua casa” (NATURA, 2016, p.70).

O planejamento logístico se for mal feito, pode impactar em necessidade de transporte aéreo, por exemplo “se para chegar na casa da consultora na Argentina ou no Nordeste, ao invés de fazer cabotagem, faz aéreo.” Como tem “o tracking dos indicadores ambientais, se tem a troca da cabotagem por transporte aéreo aparece no indicador no mês seguinte; a mesma coisa do lote sobre lote” (informação verbal)97.

6.12.1 Logística de Suprimentos e Gestão da Qualidade

A Diretoria Industrial da Natura trabalha com um “longo programa de qualidade assegurada feito junto com os principais fornecedores para melhorar a qualidade” e evitar ter

que checar novamente. É feito um acompanhamento das entregas, confiabilidade, habilidade de linha do fornecedor “para garantir que a hora que chega na fábrica não dê problema”. Como ocorre uma renovação constante de produtos “cada item é um novo item. Até qualificar novamente um novo item para qualidade assegurada leva tempo. Temos itens com fornecedores em estágios diferentes” (informação verbal)98.

Com relação aos fornecedores, são “aproximadamente 10,4 mil fornecedores, de todos os países em que a Natura atua”. O grupo de “240 parceiros”99 que “representam mais da metade (57%) do volume de compras e são, portanto, considerados estratégicos para o negócio”, “faz parte do programa Qlicar” – cujo principal objetivo é contribuir para o aprimoramento gradativo do desempenho em gestão e para os processos dessa rede” (NATURA, 2017, p.53).

O principal objetivo do programa Qlicar “é contribuir para o aprimoramento gradativo do desempenho em gestão e para os processos” da rede de fornecedores da empresa. Para atender este objetivo, a Natura “realiza uma série de avaliações com base nos pilares (Q)ualidade, (L)ogística, (I)novação, (C)ompetitividade, (A)mbiental e Social e (R)elacionamento. Os resultados podem se desdobrar em planos de ação, que são conduzidos pelos fornecedores, mas contam com o suporte da Natura”. Há um reconhecimento periódico dos “fornecedores produtivos” mais destacados (MP’s, embalagem e/ou fabricante de produtos finais em nome da Natura), operadores logísticos, transportadores e parceiros de tecnologia digital (NATURA, 2017, p.52).

A Natura estendeu o programa Qlicar para os seguintes outros programas (NATURA, 2017, p.52):

a) BIOQLICAR – para as “comunidades fornecedoras de insumos da sociobiodiversidade – Pontuação de 80% quanto à resultados no Sistema de Verificação das Cadeias da Sociobiodiversidade – “auditoria conduzida pela Natura com foco na rastreabilidade”; 20% quanto à entrega (volumes e prazo de entrega) - duas comunidades são premiadas por ano (maiores notas e evolução em qualidade e boas práticas); e

b) QLICAR INOVAÇÃO: “reconhece parceiros que atuam em pesquisa e desenvolvimento tecnológico” – modalidades premiadas em 2017: “tecnologia, produto e performance cosmética”.

98 Citação de entrevista de Diretoria Industrial.

6.12.2 Cadeia de Suprimentos de produtos da Biodiversidade

Com relação aos produtos da biodiversidade, tem as comunidades que fazem a extração das matérias-primas da floresta e há empresas parceiras transformadoras que obtém os extratos e envia para a Natura em Cajamar-SP. Uma parte destas matérias-primas originadas da biodiversidade vem de comunidades extrativistas, de agricultores familiares - cerca de trinta comunidades, três mil famílias no Brasil espalhadas principalmente na região Amazônica – “que produzem as coisas mais CLAIM, que a gente chama ... do tipo de Ekos ... açaí, castanha, maracujá, cacau...”. Essas MP’s são produzidas ou extraídas por comunidades. São especialidades que a Natura usa para compor e produzir os produtos diretos e também para servir de base de outros produtos, como o murumuru, que são bases de shampoo, de produtos de outras linhas, que são colocados em suas fórmulas. Essa é uma fonte desses produtos: são produzidos localmente, extraídos e cultivados localmente ou extraídos da floresta em vários casos (castanha, cacau, murumuru e outros). As amêndoas que geram os óleos e manteigas também podem ser secas e extraídas na comunidade, sendo um processo pré-industrial feito na própria comunidade com o suporte da Natura que “vai lá e ajuda a instalar em um filtro, prensa, tem todo um suporte para a extração dos óleos, do armazenamento para que de lá para cá já venha em boas condições. Eventualmente, o refino desses produtos é feito por uma empresa parceira em Benevides que é a SYMRISE “empresa alemã que faz a produção dos óleos e manteigas que não podem ser feitas na comunidade.” Essa empresa é um parceiro transformador e “tem outros que fazem os extratos devido às comunidades não terem tecnologia para produzir óleos e extratos das grandes categorias que vêm da biodiversidade brasileira” (informação verbal)100.

O óleo de palma utilizado pela Natura é produzido em municípios da região do estado do Pará, de Benevides, em compra “quase exclusiva” com parceiros que executam tanto a extração quanto a transformação. Já o álcool orgânico utilizado pela empresa é produzido no Estado de São Paulo pela empresa Native que é “produtor e transformador desse álcool” (informação verbal)101.

São esses os grandes volumes oriundos da biodiversidade. Nas comunidades os volumes são bem menores quando comparados aos volumes de derivados de óleo de palma e álcool e também tem produtos produzidos por produtores privados, também de pequenos volumes, alguns produzidos por fazendeiros ou por grandes traders. A Natura também compra pequenos

100 Citação de entrevista com Gerência de Meio Ambiente. 101 Citação de entrevista com Gerência de Meio Ambiente.

volumes de sub produtos e especialidades que vem da cadeia de grandes produtores (informação verbal)102.

6.12.3 Cadeia de Suprimentos e Gestão Ambiental

A Natura tem um foco na reinserção de materiais pós-consumo que de um forma geral no Brasil vão em sua grande maioria para aterros ou lixões a céu aberto dentro de um “sistema totalmente desorganizado”. O interesse da Natura está em reincorporar materiais pós-consumo nas embalagens e nos produtos que usa”. Neste sentido, com relação ao papelão, a Natura tem duas frentes a seguir resumidas e que se relacionam com a Gestão de sua Cadeia de Suprimentos (informação verbal)103:

a) Cadeia de ciclo fechado com o fornecedor de caixas de papelão de suas embalagens – As embalagens de papelão são constituídas de três camadas, e o fabricante utiliza papel ondulado na camada do meio produzido, sendo esta camada feita com 100% de papel reciclado pós consumo; e parte desse volume de matérias primas é equivalente em massa ao que a Natura vende de papelão pós consumo de suas operações, fechando um ciclo de logística reversa na origem da matéria prima. “Há um requisito para que o fabricante fornecedor de caixas de papelão para as embalagens ‘novas’ dos produtos Natura se utilize de papelão pós consumo com origem rastreada”. As caixas das operações das fábricas são recebidas da cadeia de fornecimento de terceiros e direcionadas para este fornecedor.

As caixas das embalagens dos produtos da Natura tem 40% do peso feito com esse tipo de papelão reciclado pós consumo, sendo que conhece boa parte dessa cadeia, sabe que as caixas novas tem papelão cuja origem é proveniente em parte (em balanço de massa) da própria Natura. Isto já é realidade na Natura (informação verbal)104.

b) Uso de papel reciclado pelos fabricantes de cartuchos de cosméticos – Os cartuchos se constituem em pequenas caixas de papelão – “cartão de cartucho” – e o “padrão do mercado é este cartão normalmente ser feito de papel virgem e a Natura desafiou estes fornecedores a fabricar o cartão com papel reciclado”. As fábricas de papel fornecem, a pedido, papel reciclado coletado de cooperativas, “caixas não de papelão, mas feitas, em sua maior parte, com papel branco ou papel de cartão que aparece no lixo reciclável e então retornam para incorporação na fabricação do cartão”. Em 2017, a Natura tinha cerca de 40% das pequenas

102 Citação de entrevista com Gerência de Meio Ambiente. 103 Citação de entrevista com Gerência de Meio Ambiente. 104 Citação de entrevista com Gerência de Meio Ambiente.

caixas ou cartuchos fabricadas com material pós-consumo na linha Ekos. Quanto às sacolinhas das consultoras, já foram feitas com 100% de reciclável advindo de papel pós consumo, mas devido a um problema de resistência e printabilidade, essa quantidade foi reduzida atualmente para 50%. À medida que a Natura conseguir expandir o uso de cartuchos para todos as linhas, pois “hoje só ocorre em algumas linhas, não são em todas que tem”, e aumentar as porcentagens de pós-consumo, a Natura entende como um caminho positivo de redução de impactos e logística reversa.

6.12.4 Cadeia de Suprimentos Ecológica versus Tradicional

A Natura tem uma linha principal de produtos que é a linha Ekos - carro-chefe da proposta de uso da biodiversidade, da questão ambiental colocada e trabalhada pela Natura. Essa colocação não ocorre para todos os produtos; há as linhas que tem características de uma proposta dita tradicional, onde os “Conceitos mais completos pela perspectiva de sustentabilidade não estão tão presentes como na linha Ekos, mas outras linhas trazem diferentes perspectivas complementares ao tema” (HORTA, 2013, p.167).

Sim, sim! Tem a linha Ekos, que tem esses ativos da biodiversidade, como norte, como claim como a gente fala. Então tem lá o shampoo de murumuru, que é claim do produto, é ele que traz o benefício principal, que carrega toda a comunicação... a linha Ekos é feita para isso, ela fixa isso de forma explícita. Agora tem diversos produtos como a linha Plant de shampoos, por exemplo, de outras essências x ou y ... esses produtos podem ser feitos por produtores privados e entram na cadeia da Natura; não tem produtores que tem um relacionamento especial, compra no modelo tradicional, compra o óleo x de alguém e faz o shampoo. Agora no modo claim, o relacionamento com os produtores é diferente desse x ... dentro desse shampoo, assim como dentro dos cremes de Chronos, dentro de maquiagem e outras categorias da Natura, tem óleo de castanha, por exemplo, ou óleo de maracujá e outros ingredientes que vem desse modelo da biodiversidade, das comunidades, ou seja, a relação das comunidades com a Natura não é só para a linha Ekos, mas alimentam também os grandes volumes... Porque o óleo de andiroba vai em muita coisa da Natura... então quando compra este óleo da comunidade não é só para usar no shampoo de andiroba da Ekos, não é só para os produtos da Ekos, é para colocar em uma gama de produtos supergrande da Natura que usa esse ingrediente. Então começou a comprar mais volume dessas comunidades e gerar mais negócios com eles e gerar benefícios para os nossos produtos também, porque são óleos bons (informação verbal)105.