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Boundary Protection

5. ICS Security Architecture

5.2 Boundary Protection

Um ponto chave de competitividade da empresa é o Desenvolvimento de Novos Produtos (DNP) baseado “fortemente em um processo eficaz e constante de Inovações”. Seu mercado e modelo de negócios adotado de venda direta exigem “lançamentos de novos produtos no máximo a cada 21 dias”, trazendo uma “pressão por novos lançamentos relevantes”. (HORTA, 2013, p.86)

A Natura possui cerca de 800 SKU’s no seu portfólio de produtos (informação verbal).87 Há uma renovação de 30% do portfólio anualmente e foram lançados uma média de 230 novos produtos nos últimos três anos88, mas somente de “produtos que representam uma nova proposta de valor para o consumidor, incluindo novas embalagens e formulações” (NATURA, 2017, p.21).

Quando lança um produto há indicadores a serem alcançados de sustentabilidade ambiental, econômica e social, e ocorrem trade-offs neste processo, uma troca constante porque este produto é desenvolvido através de um fluxo - funil de inovação com vários gates ou etapas que tem que passar. Existem produtos que chegam em determinada etapa com um consumo muito superior à média prevista, de água, de energia ou de papel e papelão gerando mais resíduos, não atendendo os objetivos que a empresa coloca. Neste caso, voltam para fazer um loop até chegar no que foi planejado. A área de desenvolvimento e marketing deve conseguir um produto com determinadas caraterísticas e, para isso, precisa verificar quanto está gerando

87 Citação de entrevista com Gerência de Meio Ambiente.

de resíduo, quanto utilizará de água, de energia, geração de CO2 etc. Há sempre uma ida e volta até chegar em um meio termo (informação verbal)89.

Com relação ao processo de Inovação na Natura, há o uso das calculadoras mencionadas para todo novo produto, quando passa pelos funis de inovação, para saber o retorno do produto “considerando grandes categorias – tipo de produto, tipo de embalagem (vidro, plástico etc.); tipo de fórmula; volume previsto; coloca na calculadora, para saber” (informação verbal)90.

Na Natura o conhecimento tradicional e científico foi unido ao design sustentável no DNP, utilizando um modelo de inovação aberta. Este modelo envolve parceiros nacionais e globais em rede no desenvolvimento de novas linhas de produtos através do compartilhamento de conhecimento tradicional, ciência e design (HORTA, 2013).

6.10.1 Ecodesign

O Ecodesign foi incorporado no processo de desenvolvimento de embalagens de produtos da empresa fazendo parte do início do processo de DNP, com os seguintes objetivos: contribuir para a redução de impactos ambientais, viabilizar a reciclagem, por exemplo através de desacoplamento de componentes, utilizar menos material obtendo custos menores. Além de parâmetros tradicionais, o ecodesign considera novas exigências tais como Análise do Ciclo de Vida (ACV), componentes possíveis de segregação no pós-consumo, maior resistência para permitir uso de refis, além de necessitar estruturar a cadeia de suprimentos e necessitar de times multidisciplinares (HORTA, 2013, p.179).

O ecodesign contribui com a meta da empresa de “disponibilização de indicadores de impactos socioambientais com metodologias reconhecidos pelos especialistas no mundo” (HORTA, 2013, p.159).

6.10.2 DNP, Inovação e Prioridades Competitivas das Operações

A grande inovação da Natura é a forma de elaborar os conceitos e propostas de valor de suas linhas e de seus produtos, realizando as combinações entre temas de forma diferenciada e embasando estas combinações com conhecimento aprofundado sobre cada parte. Deste modo, a empresa estuda e constrói as propostas como um todo. A começar pela combinação de cosméticos, um mercado considerado não essencial, com os princípios de sustentabilidade” (HORTA, 2013, p. 167)

89 Citação de entrevista da Diretoria Industrial.

Figura 13 - Estratégia de Operações da Natura.

Dimensões Qualidade Custo Perspectivas Competitivas Prazo Flexibilidade do TBL

Desempenho Operacional Qualidade Custo Prazo Flexibilidade Fonte: Adaptado de HORTA (2013, p; 134)

A Figura 13 traz o esquema parcial da Estratégia de Operações da Natura com relação ao DNP, apresentado por Horta (2013, p.134).

Horta (2013, p.222) ressalta que para a empresa conseguir “desempenho operacional superior comparado aos competidores” é necessário considerar outras medidas além das tradicionais, caso tenha a sustentabilidade incluída em sua proposta de inovação. “Isto porque, ao forçar a busca por níveis de desempenho superiores segundo parâmetros tradicionais e comparados ao mercado, a organização poderá direcionar iniciativas que não são compatíveis com esta estratégia escolhida”. Um exemplo seria a meta de menor custo através da definição de níveis de estoques de matérias-primas, já que se forem da BDB seguirão as safras das plantas, e necessitaria recorrer a outras fontes não sustentáveis ambientalmente para manter a produção abastecida.

O prazo e a flexibilidade são impactados no DNP, pois qualquer mudança necessita passar pelos gates de revalidação no funil de produtos e na questão da Qualidade, já que será necessário rever quais impactos poderá ter na gestão da qualidade. (HORTA, 2013)

6.10.3 Desenvolvimento de Novos Produtos e Estratégia Ambiental Competitiva

Horta (2013, p. 220, 221) ressalta “... a clareza do papel do NPD91 em relação às estratégias ambientais competitivas ... como a sustentabilidade seria incorporada à estratégia da organização. (Liderança em além de compliance e Ecobranding)”.

91 Sigla em inglês de Desenvolvimento de Novos Produtos

Mercado Estratégia da Firma Estratégia de Operações

A relevância da contribuição do NPD92 para a incorporação da sustentabilidade na organização é evidente, pois a maioria dos diferentes temas relacionados à sustentabilidade, com exceção dos relacionados à educação, foram também viabilizados por iniciativas do processo de NPD. Isto ocorreu através de projetos de desenvolvimento dos produtos e de projetos de pesquisa que permitiram o discurso com embasamento científico. Deste modo, foram desenvolvidos argumentos dentro dos princípios éticos e com credibilidade, como, por exemplo, a certificação de matérias-primas vegetais, o ACV, o manejo e cultivo sustentável, o banimento de testes em animais, o aumento do nível de vegetalização, a redução e neutralização de gases de efeito estufa, a eliminação de parabenos e o uso de materiais reciclados, pós-consumo, com processos e cadeia urbana estruturados. (HORTA, 2013, p.220, 221)