Na intenção de buscar definir o conceito de espaço não-formal, é importante conceituar o que é um espaço formal de educação. O espaço formal se constitui no espaço escolar, relacionado às instituições escolares da Educação Básica e do Ensino Superior, definidas na Lei 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; é a escola e suas dependências, as salas de aula, laboratórios, quadras de esportes, biblioteca, pátio, cantina, refeitório. Posto que espaço formal de Educação é um espaço escolar, é possível inferir que espaço não-formal é qualquer espaço diferente da escola onde pode ocorrer uma ação educativa (JACOBUCCI, 2008).
A respeito dos espaços educativos não formais, duas categorias podem ser sugeridas: locais que são Instituições e locais que não são Instituições. Na categoria Instituições, podem
ser incluídos os espaços que são regulamentados e que possuem equipe técnica responsável pelas atividades executadas, sendo o caso dos Museus, Zoológicos, Centros de Ciências, ou Unidades de Conservação (JACOBUCCI, 2008).
Lembremos que a cidade de Macau não dispõe de Centros de Ciências e Museus de história natural como aqueles existem na capital do estado. Entretanto, vale frisar que há em Macau uns poucos espaços não-formais institucionalizados que possuem também, entre outras finalidades, as de cunho pedagógico-científico. Apesar de estar deteriorado o museu do município José Elviro, é um importante ENF que aborda a história e cultura local, outro espaço é o Centro Cultural Porto de Ama (teatro), além dos destaques da economia local que são algumas empresas de sal, petróleo e de carcinicultura, e a própria RDSEPT, que por sua vez, possibilita amostras da biodiversidade local, com exemplares de fauna e flora em liberdade.
Vale salientar que assim como espaços não-formais são diferentes de espaços formais a Educação não-formal é diferente da Educação formal. Entretanto, o censo comum acredita que a Educação não-formal se diferencia por utilizar ferramentas didáticas, diversificadas e atrativas, isto nem sempre é verdade. Há vários exemplos de professores que adotam estratégias pedagógicas variadas para abordar um determinado conteúdo, se distanciando do tradicional método da aula expositiva não dialogada. E também há exemplos de aulas rigorosamente tradicionais e autoritárias sendo realizadas em espaços não-escolares (JACOBUCCI, 2008). A educação, na forma de ensino-aprendizagem, é adquirida no decorrer da vida dos cidadãos. Esta pode ser dividida em três diferentes formas:
[...] educação escolar formal desenvolvida nas escolas, educação informal, transmitida pelos pais, no convívio com amigos, em clubes, teatros, leituras e outros, ou seja, aquela que decorre de processos naturais e espontâneos; e educação não- formal, que ocorre quando existe a intenção de determinados sujeitos em criar ou buscar determinados objetivos fora da instituição escolar. Assim, a educação não- formal pode ser definida como a que proporciona a aprendizagem de conteúdos da escolarização formal em espaços como museus, centros de ciências, ou qualquer outro em que as atividades sejam desenvolvidas de forma bem direcionada, com um objetivo definido (GOHM, 1999; COLLEY, 2002 APUD VIEIRA; BIACONI; DIAS, 2005 p.21).
Por se tratar de espaços diferentes da escola, Rocha e Fachín-Terán (2010) destacam que os espaços não formais proporcionam motivação e interesse podendo representar uma importante oportunidade para observação e problematização dos fenômenos de forma menos
abstrata, proporcionando aos estudantes construírem conhecimentos científicos que auxiliem em tomar decisões na ocasião cabível.
A preparação das atividades a serem realizadas em campo, por meio de excursão envolve, obviamente, os aspectos de ordem prática, porém não se limita a isso. É importante preparar o estudante do ponto de vista intelectual e afetivo. Além de ser uma ocasião para que os discentes sejam aclarados em relação as intenções preteridas pelo professor, além disso, é um momento excepcional para envolvê-los em levantamento de suposições e problematizações, os quais, já sugerem os conteúdos que serão trabalhados na atividade em campo (BRASIL, 1998). Configura-se, também, como uma oportunidade de criar, junto à classe, o clima de pesquisa e investigação, sendo imprescindível as leituras de textos acerca do próprio local, para que possam expandir suas suposições iniciais. O registro dessa etapa é fundamental para que os dados e observações do local a ser visitado sejam comparados no momento pós visita. (BRASIL, 1998).
Além disso, autores como Krasilchik e Marandino (2007) ressaltam que o processo de letramento em ciências é contínuo e transcende o momento escolar, exigindo obtenção constante de novos conhecimentos.
No que tange a problemática, Gohn (2006), comenta sobre os resultados esperados para três tipos de educação, quais sejam: para a educação formal, a aprendizagem e a titulação; para a educação informal os resultados ocorrem na perspectiva da visão do senso comum; enquanto que na educação não formal há o desenvolvimento de múltiplos processos, dentre eles: “consciência e organização de grupo”, “construção e reconstrução de concepções”, “sentimento de identidade”, “formação para a vida”, “resgate do sentimento de valorização de si próprio”, “os indivíduos aprendem a ler e interpretar o mundo que os cerca”.
Concorda-se ainda com Rocha e Fachín-Terán (2010) por entenderem que apenas a sala de aula é a maneira de ensino utilizada por muitos professores, limitada em grande parte, ao ensino tradicional que não envolve a realidade do aluno, ou seja, não é satisfatório para que os alunos aprendam verdadeiramente.
Dessa forma, entendido que há grande proveito na relação de complementariedade, entre os espaços formais e não-formais. Contudo, para além dessa necessidade, diante do contexto de crise planetária, o uso relacional entre as duas abordagens assume um caráter emergencial. Acredita-se também, que ambos os processos educativos mencionados, podem estar permeados pelas práticas da EDS, para que assim se reflita melhor na sociedade.
A respeito disso, a UNESCO (2017) lançou um documento em formato de guia para profissionais da educação acerca do uso da EDS na aprendizagem para os ODS. Nessa
publicação, se recomenda, entre outros objetivos de aprendizagem, a reflexão entre as relações que envolvem o uso em conjunto da aprendizagem formal, não formal e informal para a promoção do desenvolvimento sustentável, de modo que esse conhecimento possa ser aplicado na sua prática profissional.