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NEGOTIATING ARRANGEMENTS

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O local de realização da pesquisa foi a Escola Municipal Epitácio Pessoa, localizada numa comunidade rural – Secção Jacaré – no município de Francisco Beltrão, Sudoeste do Paraná. Uma escola fundada em 1978 e que até o ano de 2015, atendia, aproximadamente, 110 estudantes, inseridos em turmas de Educação Infantil e Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Finais), a maioria proveniente de comunidades do campo circunvizinhas12.

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Tais como: Secção Progresso, Vargem Alegre, Vila Lobos, Volta Grande do Marrecas, Seção São Miguel, Linha São Roque e Linha São Paulo. O nome destas comunidades é mencionado nas narrativas das crianças, pois representa o lugar onde elas moram.

Figura 01– Escola Municipal Epitácio Pessoa

Fonte: Site da Prefeitura de Francisco Beltrão13

Na comunidade onde a escola está localizada, há uma predominância da cultura italiana, junto à alemã e à polonesa. A maioria é família de agricultores, que são proprietários ou arrendatários, de modo que a renda principal é oriunda de atividades de trabalho relacionadas ao meio rural. A partir disso, será possível observar, pelas narrativas orais das crianças e pelos temas de vida que as compõem, aspectos culturais que revelam características típicas de comunidades rurais.

A escolha por esta escola para o desenvolvimento da pesquisa se deu por várias razões. Primeiramente está relacionada às relações que já existiam com a instituição por meio de outras experiências14 investigativas que haviam sido desenvolvidas anteriormente. A partir das experiências e dos relatos positivos que ouvi, considerei-a como um espaço potencializador de pesquisa e de acolhimento. Avaliei que se tratava de aspectos importantes para um processo investigativo, por isso, decidi pela escola e sua comunidade. Outra razão foi o aceite dos professores e crianças para participarem da pesquisa. As histórias das

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Disponível em: www.franciscobeltrao.gov.pr 14

Exemplos disso são pesquisas de mestrado e de doutorado desenvolvidas junto à escola e à comunidade e projetos de extensão relacionados à formação continuada dos professores da escola, em parceria com a Universidade em que trabalho (Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE, campus de Francisco Beltrão).

crianças são evidências de que a escolha por este lugar se tornou potencializadora de muitos achados.

Os encontros com as crianças ocorreram principalmente na sala de aula da turma e, em algumas situações, no ônibus e na kombi escolar15, no retorno delas para casa. Ir junto com as crianças no ônibus e na kombi escolar foi uma estratégia metodológica que adotei, com o objetivo de poder me aproximar do cotidiano das crianças e de poder estar junto com elas em situações mais descontraídas, que não fossem o espaço escolar, e nas quais elas também pudessem contar histórias. Relatarei essa experiência no capítulo 5, ao abordar especificamente os aspectos metodológicos da pesquisa.

Os encontros16 ocorreram com as crianças entre os meses de abril e agosto de 2015, semanalmente, às quartas-feiras pela manhã, com duração aproximada de uma hora e quinze minutos; no entanto, houve encontros com mais tempo de duração. No total, foram 18 encontros – incluindo oficinas de criação de histórias, trajetos de volta para casa e entrevistas. A definição desse número se deu a partir dos encontros com as crianças e da potencialidade de histórias que foram narradas por elas. Todos os encontros aconteceram durante as aulas de Literatura Infantil que foram cedidas e acompanhadas pela professora responsável por este ensino neste tempo-aula.

A decisão de que os encontros com as crianças acontecessem durante a aula de Literatura Infantil se deu por uma indicação da escola. Ao visitá-la, no final do ano de 2014, e expor o desejo de fazer uma pesquisa com crianças daquela comunidade escolar, indiquei a possibilidade de realizar encontros semanais com elas em horário que fosse contrário ao do ensino regular. Porém, a direção da escola comentou que a maioria de seus estudantes depende de transporte escolar para se deslocar de casa até a escola e avaliou que esta proposta poderia ser difícil.

Além disso, a direção e a coordenação consideraram que as crianças estarem na escola uma vez por semana em horário contrário ao de aula, para participar da pesquisa, implicaria algumas questões

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Esta estratégia metodológica tomou como referência a experiência da pesquisa “Prática pedagógica e participação das crianças na escola”, em que a pesquisadora acompanhou as crianças no trajeto de volta para casa durante a coleta de dados (ROCHA, 2014).

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Posterior a isso, no final do ano letivo de 2015 e início de 2016, reencontrei as crianças, para dar-lhes um retorno sobre suas histórias e o trabalho de pesquisa. Adiante, no capítulo 5, falarei sobre isso.

práticas, como organizar almoço para elas e atividades que as envolvessem por todo o período (tarde ou manhã) em que ocorressem os encontros, isto é, além do tempo em que estivessem envolvidas nas atividades da pesquisa. Com relação a isso, considerei que permanecer uma tarde ou manhã inteira com as crianças em atividades da pesquisa poderia se tornar cansativo para elas.

Então, a escola – equipe de direção e coordenação pedagógica –, que prontamente já havia manifestado interesse e desejo de participar da investigação, sugeriu os momentos das aulas de Literatura Infantil para os encontros com as crianças. A escola avaliou que, por se tratar de uma pesquisa envolvendo discussões acerca da linguagem e de narrativas, seria uma experiência muito valiosa para as crianças, assim como manifestou que poderia se tornar uma experiência de formação17 para a professora que ministrava este ensino. Neste sentido, além de a professora acompanhar o trabalho de pesquisa com as crianças, via-se, a partir desse encontro, uma possibilidade de troca de experiências de trabalho e estudo acerca da Literatura Infantil e da narração de histórias.

No início do ano letivo de 2015, novamente visitei a escola e, juntamente com a professora de Literatura Infantil, direção e coordenação pedagógica, firmamos o “encontro” de pesquisa entre mim e as crianças, e que também teria a presença da professora18 de Literatura Infantil no acompanhamento do trabalho com as crianças durante os encontros de roda de histórias.

No encontro com a professora, procurei deixar claro que o objetivo não era observar as suas aulas ou o seu trabalho, mas, sim, desenvolver uma investigação com as crianças, tendo como principal objetivo propor atividades que as estimulassem a contar suas histórias, a elaborar narrativamente suas experiências. Naquela oportunidade, ainda, trocamos informações e falei do meu interesse em realizar a pesquisa

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A partir da proposta da escola de tornar os encontros de pesquisa com as crianças também encontros de formação para a professora de Literatura Infantil, cadastrei um Projeto de Extensão (Literatura infantil e a narração de histórias na escola) junto à Universidade em que atuo como docente para formalizar a participação da professora nos momentos de pesquisa.

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No decorrer da pesquisa, houve mudanças com relação à professora que ministrava as aulas de Literatura Infantil na escola. Porém, isso não alterou a organização dos encontros com as crianças, já que a nova professora manifestou tranquilidade em ceder as suas aulas para a pesquisa e expressou desejo de acompanhar os encontros e de termos, juntas, momentos de diálogo e de troca de experiências, da mesma forma que já havia sido pensado com a outra professora.

com crianças que tivessem entre 8 e 10 anos de idade, consequentemente, turmas de 4º ou 5º ano. A escola informou que, no ano de 2015, havia uma turma de 4º ano à tarde e uma turma de 5º ano pela manhã.

A partir desse contexto e do horário organizado pela escola para a aula de Literatura Infantil, optei pela turma do 5º ano. Para esta decisão, considerei o número de alunos (era uma turma menor) e avaliei que isso poderia oferecer mais condições de interação entre mim e as crianças nos grupos de trabalho. Isso de fato foi possível constatar depois, durante o trabalho de pesquisa.

Como estratégia teórico-metodológica da pesquisa, adotei o desenvolvimento de oficinas de criação de histórias, para que as crianças pudessem ser estimuladas a contar-compartilhar suas experiências – suas histórias –, por meio de exercícios, atividades e enunciados. Um dos objetivos das oficinas era, principalmente, encorajar as crianças e permitir-lhes sentirem-se autênticas contadoras, por meio de estratégicas metodológicas que as levassem a compreender que todos temos muitas coisas para contar; que nossas vidas contam histórias. Os principais encaminhamentos metodológicos das oficinas e como foram desenvolvidas serão relatados nos próximos capítulos (4 e 5).

2.3 ASPECTOS DA VIDA CULTURAL DAS CRIANÇAS:

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