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Need Better Direction to School Divisions

Dans le document 2012 Report – Volume 1 (Page 40-43)

School Divisions 1.0 M AIN P OINTS

Grade 12 Graduation Rates 1.0 M AIN P OINTS

5.1 Need Better Direction to School Divisions

O presente estudo orientou-se por um referencial calcado, sobretudo, na reflexão sobre as mudanças sociais que percebemos na sociedade e no Estado, no plano local e global, e suas conseqüências para a educação superior e para a extensão universitária. Partimos do pressuposto de que a organização da extensão universitária em rede só poderia ser examinada pela ótica da teoria dos sistemas ou da teoria da complexidade e, por este motivo, optamos por um tipo de pesquisa qualitativa. A pesquisa qualitativa não se opõe ao formato de pesquisa quantitativa, uma vez que a dicotomia entre quantidade e qualidade está superada nos dias atuais, mas, ela se impõe sempre que se trate de temas que se interessem mais pela intensidade do que pela extensão dos fenômenos.

Diante disso, nossa intenção não foi negar os métodos quantitativos, pois quantidade e qualidade são faces da mesma moeda, mas, apenas, focalizar os horizontes ditos qualitativos em razão do objeto que tratamos. Além disso, como tratamos de categorias como cidadania, democracia, emancipação, compromisso social, ética, etc, entendemos que os

métodos qualitativos podem melhor captar o que pensam os sujeitos do processo. Ao deixarmos de lado a representatividade estatística, buscamos o aprofundamento subjetivo da questão. Pretendemos mais a exemplaridade dos casos e não a quantidade ou freqüência.

Deste modo, compreendemos que não é o pesquisador e sim o tipo de investigação que define qual o método de pesquisa a ser adotado. Portanto, as nuances do problema proposto nos levaram a adoção de uma metodologia de pesquisa qualitativa que assegurasse, o mais possível, a livre expressão dos sujeitos. O tipo de pesquisa proposto, de fato, não comportava senão esta opção, na medida em que se buscava uma compreensão extensiva e com mais objetividade e validade conceitual do que propriamente estatística, acerca da visão de mundo de setores populares da sociedade sobre a relação entre universidade e sociedade. Interessava ainda as perspectivas que apontem para um projeto de universidade identificado com a sua história, feita de necessidades, mas também de sonhos e utopias.

Pretendemos com isso garantir uma gama de manifestações que possam compor, com o maior número de possibilidades, uma visão analítica das questões levantadas e que indiquem soluções e propostas para a extensão. Nossa intenção foi a de contribuir para o debate sobre as transformações porque passa a extensão universitária, sugerindo pontos de reflexão crítica de sorte a fornecer informações para aqueles interessados em desenvolverem projetos e programas de extensão mais sintonizados com as necessidades dos setores populares.

Entretanto, sabe-se que a mera denominação da abordagem não é um indicador claro do caminho a ser seguido. Sob a denominação qualitativa apresentam-se as mais diversas e muitas vezes antagônicas inspirações teóricas e filosóficas. A opção pela abordagem qualitativa não decorre de uma oposição simplista às abordagens quantitativas, afinal ninguém desconhece as profundas conexões entre estes dois termos e que um elemento

da equação não existe sem o outro. Esta opção significa muito mais do que discordância semântica existente entre aqueles que denominam suas investigações de qualitativas, pois o uso de uma ou outra técnica não é nenhuma garantia a priori, do rigor de um determinado trabalho científico.

Sabendo-se, então, que esta opção implica muito mais do que discordância semântica existente entre aqueles que denominam suas abordagens de qualitativas, entendeu- se que, num primeiro momento, dever-se-ia explicitar as inspirações que funcionaram como determinação conceitual. Para superar as armadilhas da qualidade positiva, é pertinente lembrar as advertências de Goldmann de que um dos principais problemas das ciências sociais é que “elas deixam escapar as transformações qualitativas das estruturas sociais e a dimensão histórica dos fatos humanos” (GOLDMANN,1993,p.11).

A demarcação genérica dos caminhos seguidos em qualquer investigação seguramente quer exprimir certos juízos de valor e, de fato, eles estão presentes em qualquer investigação das ciências humanas. Comparando a manifestação de juízo de valor a ideologia, Goldmann diz que “esta precisa ficar subordinado à realidade dos fatos investigados, e que não se trata de suprimir toda pré-noção e todo juízo de valor, mas, ao contrário, integrá-los conscientemente na ciência e fazer deles instrumentos úteis na investigação da verdade objetiva” (GOLDMANN, 1993, p.34).

É o mesmo Goldmann (1993) que salienta a importância da captação pela pesquisa, daqueles elementos de inovação e de transformação presentes nas concepções e práticas humanas, mas, neste caso, reforçando a combinação destes elementos com a história e a análise de conjunto. No mesmo sentido Touraine preleciona,

[...] é preciso que o ator passe das condições de respostas e de adaptação para as condutas de projeto e de conflito através do pesquisador. Somente a intervenção ativa e pessoal do pesquisador, ao puxar o ator para as relações mais fundamentais nas quais se acha envolvido, permitirá que ele deixe de se definir como um respondente da ordem estabelecida (TOURAINE,1996, p.39).

Como parte da pesquisa é concebida sob a forma de depoimentos, a busca dos interlocutores mais adequados coloca-se como um desafio, exatamente na perspectiva de capturar os elementos de inovação. Para tanto, buscamos em Gramsci inspiração para a realização mais segura da trajetória. Segundo Gramsci (1978, p.24), “uma parte das massas, ainda que subalterna, é sempre dirigente e responsável, e a filosofia da parte precede sempre a filosofia do todo, não só como antecipação teórica, mas também como necessidade atual”.

Nossa tarefa foi a de buscar, entre estes sujeitos aqueles que poderiam preencher mais adequadamente esta condição de dirigentes e de responsabilidade que podem antecipar fragmentos teóricos relevantes; segundo Gramsci (1978, p.24), “esta busca não significa a possibilidade de formular resultados plenos e definitivos, mas extrair antecipações parciais e fragmentárias de concepções, prognósticos e propostas”.

Nesse caso, em razão da multiplicidade de iniciativas na extensão universitária decidimos utilizar o critério do estudo de casos exemplares. Como não era possível juntar todo o universo da extensão universitária em um único objeto de estudo com a intenção de síntese, recorremos a um estudo de casos exemplares tentando buscar nessas experiências novas tendências para esta função da universidade. Nesse sentido, optamos pela realização de um estudo de caso, que é a modalidade de pesquisa que consiste em um estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento, ou ainda a observação detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico (GIL, 2002).

O objeto do estudo de caso é a unidade-caso, que pode ser, por exemplo, um indivíduo, uma família, um grupo social, uma organização, um conjunto de relações, um papel social, um processo social, uma comunidade, uma nação ou uma cultura ou, ainda, algum evento, como decisões, processo de implantação de alguma coisa em alguma empresa,

uma mudança organizacional, a economia de um país, uma determinada política econômica. Os estudos de caso podem ser constituídos tanto de um único quanto de múltiplos casos (GIL,2002).

Nesse aspecto, nossa unidade-caso consistiu da investigação de três experiências de redes de extensão universitária no Brasil. Deste modo, estudamos as experiências da Rede Nacional de Extensão Universitária (RENEX); da Ação Nacional de Extensão Universitária (ANEXU); e da Rede Unicidadania. Essas experiências foram escolhidas em razão de estarem entre as principais formas de organização da extensão universitária em redes no Brasil. Além disso, essas redes foram escolhidas em razão do nosso conhecimento sobre o processo de constituição dessas experiências. Nesse aspecto, realizamos um estudo de caso múltiplo sobre as redes de extensão universitária no Brasil.

O processo de coleta de dados no estudo de caso é mais complexo que o de outras modalidades de pesquisa. Isto porque na maioria das pesquisas utiliza-se uma técnica básica para obtenção de dados, embora outras técnicas possam ser utilizadas de forma complementar. Já no estudo de caso utilizam-se múltiplas técnicas. Os resultados obtidos no estudo de caso devem ser provenientes de convergências das observações obtidas de diferentes procedimentos dessa maneira é que se torna possível conferir validade ao estudo, evitando que ele fique subordinado à subjetividade do pesquisado.

Como o estudo de caso não tem uma forma prescrita, montamos nosso projeto de investigação levando em consideração as características do objeto investigado. Nesse sentido, nossa primeira atitude no trabalho foi a construção de um sistema de representação da realidade nos moldes propostos pela teoria da complexidade, a partir de uma interpretação teórica das categorias estudadas, reconstituindo os seus diversos sentidos, trabalhados não apenas na teoria política contemporânea, mas, também, na prática política pelos diversos atores sociais. Nesse sentido, foram escolhidos conceitos básicos que nos permitiram

identificar nas práticas políticas dos atores sociais fragmentos e partículas de uma razão existente ainda que complexa.

A segunda atitude que tivemos neste trabalho foi procurar uma efetiva inserção na realidade estudada. Procuramos fugir da confortável posição de observador passivo da realidade e procuramos interagir com os grupos analisados. Nesse aspecto, nosso trabalho teve como base as diretrizes da pesquisa ação integral e sistêmica (PAIS). A primeira fase do estudo (olhar - look) foi de coleta de informações consideradas relevantes e mapeamento da situação analisada. A segunda fase (pensar – think) foi de exploração e análise do que acontecia e era observado. A terceira fase (agir – act) foi de elaboração do plano de investigação, implementação das ações de pesquisa e avaliação das informações tendo como objetivo aprender o significado das diversas ações coletivas, a posição dos atores envolvidos, os meios e recursos utilizados e os efeitos dessa ação em relação às instâncias de poder.

Figura 11 – Fases da pesquisa ação

A terceira atitude que tivemos nesse trabalho foi à escolha de ferramentas adequadas à investigação. Nesse sentido, nenhuma das fontes de evidências em um estudo de caso possui vantagem absoluta sobre as demais. Na verdade, as várias fontes são complementares, e um bom estudo de caso utilizará o maior número possível de fontes. Nesse sentido, nossa pesquisa se valeu da conjugação de vários métodos de pesquisa como:

1) pesquisa exploratória; 2) pesquisa bibliográfica;

Olhar

(look) Pensar Think Agir

3) pesquisa documental;

4) levantamento de campo (eventos-campo); 5) realização de entrevistas abertas;

6) observação participante.

A seguir esclarecemos cada um desses passos.

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