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CINÉMA BRÉSILIEN

CHAPITRE 2 AUTOUR DU NATIONALISME POLITIQUE ET CULTUREL ET DE LA CHANCHADA

Os professores discorreram a respeito de suas práticas docentes em Artes Visuais falando das metodologias e de seus conteúdos. Quando interrogados sobre os fundamentos teóricos que utilizavam para fundamentar suas práticas pedagógicas, responderam: “[...] Não me recordo os nomes dos teóricos [...] Pego um pouco de cada autor, sem usar como bengala [...]” (P1, P3, P5). Observa-se que esses educadores não vinculam os conteúdos curriculares ministrados em sala de aula a uma fundamentação teórica, mas o fazem de modo aleatório.

O saber em Artes Visuais não foi percebido como algo importante e relacionado à formação dos educandos. Os docentes minimizam a importância de aquisição dos conhecimentos sobre Artes Visuais, achando desnecessária uma base teórica em que possam

ancorar suas práticas: “[...] na verdade, eu não utilizo nenhum livro ou autor específico, minhas ações são baseadas mais em experiências práticas.” (P8).

A substituição do emprego de fontes bibliográficas pela opção de basear-se mais nas experiências práticas dá indício de que a disciplina de Artes Visuais na escola é percebida apenas como propiciadora de técnicas descontextualizadas para ocupação do tempo de duração das aulas: “[...] os alunos gostam muito da aula de Arte porque é uma aula mais leve.” (P5). Por essas razões, o ensino de Artes Visuais se apresenta como um momento de lazer, não sendo explorado e valorizado pelo docente como um fazer artístico vinculado aos processos pessoais afetivos, cognitivos e subjetivos.

Alguns professores apontaram que recorriam a livros e textos de autores que abordam sobre o ensino e a história da Arte.

[...] Utilizo a coleção de livros didáticos Arte e habilidade – da Editora IBEP [...]

História da Arte – Editora Ática [...] Textos da coleção Arte e habilidade – da

Ângela Anita Cantele e da Bruna Renata Cantele [...] Textos de Marilyn Diggs Mange, do livro Arte brasileira para crianças. (P1, P2, P7).

Ana Mae Barbosa, Gisa Picosque, Miriam Celeste, Rosa Iaverberg, César Coll, Fernando Hernandez, dentre outros. (P6).

Embora tenham dito que utilizam livros, textos e os referidos autores, não ficou claro se os profissionais usam os conteúdos como base teórica e/ou como materiais que disponibilizam para seus alunos ampliarem seus conhecimentos. Vale ressaltar que os referidos livros, textos e autores também apresentam pouca sintonia com as descrições de suas práticas docentes.

As Diretrizes Curriculares em Artes do município de Fortaleza, Ceará, foram apontadas como fonte teórica para o embasamento das práticas pedagógicas da mencionada disciplina: “[...] As Diretrizes Curriculares (Artes) da Prefeitura Municipal de Fortaleza são um material muito importante [...] uso os conhecimentos práticos que possuo nas linguagens das Artes e as experiências com êxitos de outros colegas da área.” (P3).

A Secretaria de Educação do Município (SME) elaborou as Diretrizes Curriculares em Artes e as disponibilizou para os professores da rede municipal como base norteadora do ensino. Apesar disso, dentre os sujeitos investigados, apenas um anunciou que tinha conhecimento das diretrizes, o que não significa que ele considere esse documento como parâmetro de sua própria prática pedagógica, visto que afirma que o pano de fundo de sua ação docente está pautado nos conhecimentos práticos que possui e nas práticas que conhece de seus colegas (seus pares).

Apenas um dos professores, o único que tem graduação em Artes Visuais dentre os participantes, fez uma alusão aos teóricos que subsidiam suas práticas pedagógicas, embora não especificasse o que adotava de cada um dos autores mencionados: “[...] norteio minha prática docente através das minhas pesquisas individuais e livros didáticos [...] Trabalho com teóricos como Ana Mae Barbosa, Fernando Hernandez e Edith Derdik.” (P4).

Com as referências teóricas insinuadas, esse participante referiu-se a seus saberes profissionais, disciplinares e experienciais, estes últimos (os experienciais) considerados como os saberes de sua pesquisa individual. Todos os docentes participantes escutados mencionaram os Parâmetros Curriculares Nacionais em Artes: “[...] uso os PCN Arte (MEC) para nortear.” (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8). Os educadores afirmaram que se utilizam dos PCN como norteadores de suas práticas em Artes Visuais, embora isso não seja revelado em suas ações pedagógicas. A respeito disso, inclusive, cabe mencionar que tais profissionais não conseguiram especificar o que de fato utilizam do documento mencionado.

6.3.5 A avaliação da aprendizagem dos alunos

A avaliação da aprendizagem dos alunos se apresentou como parte do processo de ensino e se configurou constituída de uma diversidade de critérios em que cada um mostrou os seus modos diferenciados de avaliar. Para alguns, a atribuição da nota se apresentou como mais importante, a qual foi cominada num somatório de vários critérios sem coerência com os saberes em Artes Visuais, de modo que ao final o mais importante é o somatório de modo quantitativo.

[...] para cada trabalho que eles produzem lhes é atribuída a nota exigida pelo sistema educacional [...] Avalio o desempenho, interesse, criatividade, participação nas atividades [...] como também a frequência, comportamento na sala de aula, organização das tarefas e qualidade dos trabalhos produzidos. (P1, P2, P3, P5, P7). Os indicadores mencionados como pontos considerados para avaliação da aprendizagem são bem distintos e há alguns, como frequência e comportamento, que não denotam nenhuma coerência com as especificidades da disciplina. Enquanto que, para uns, o foco é de cunho quantitativo, para outros, como os sujeitos da narrativa seguinte, o foco é defendido como algo mais qualitativo e realizado através de mediações práticas e dialogadas.

As avaliações de todo trabalho realizado em sala não cabem numa simples nota [...] Os critérios de avaliação não vêm de certo e errado, bonito ou feio, mas da busca e das tentativas [...] através dos trabalhos em equipe e individual, portfólio ou cadernos, conversas e mediações práticas. (P3, P4, grifo do pesquisador).