B. De l’exception
2. Naissance et développement d’une exception équitable
Desde a entrada no terreno, como “sombra” da coordenadora da escola, que me apercebi, rapidamente, das inúmeras tarefas que eram realizadas diariamente por todos/as. Apesar de cada um/a desempenhar as funções que lhe competem, muitos assuntos que deveriam ser tratados ou desempenhados por outros/as profissionais recaem sobre a coordenadora. Esta, de acordo com as minhas observações, faz um esforço extraordinário para manter a escola em pleno funcionamento. Mesmo quando houve falta de funcionárias e professoras, coube-lhe acrescentar à sua lista de inúmeras funções, as das
Página 65 colegas.6 Pelo que considero que esta coordenadora para além de assumir o papel de líder, entenda-se a partir da mobilização dos atores do contexto que coordena de forma a ir de encontro aos valores e missão da escola (Salgueiro, 2012), assume, também, características de gestão, “(…) relativas ao planeamento, à organização e disponibilização de informação e recursos. Ambas funções são de primordial importância para o sucesso da ação de cada docente e para a eficácia da escola como um todo” (Blandford, 2006 in Salgueiro, 2012:33), batalhando com os recursos e necessidades do contexto para que pudesse encontrar um equilíbrio benéfico para todos/as.
Considerando que a cada escola são características um conjunto de especificidades que as tornam únicas e por sua vez portadoras de uma cultura própria (Ribeiro, 2016:28), “cabe aos adultos (professores, pais e outros agentes educativos) criar ambientes educativos propiciadores do desenvolvimento das crianças” (Abreu et al 1990:17). A identidade própria de cada escola, construída a partir da sua história, cultura e subculturas, torna-a singular, mas essa singularidade “(…) está muito dependente das pessoas que a integram e que, afinal, a constroem” (Ribeiro, 34:35). Naturalmente, vivendo de perto todos os acontecimentos e passando pela realidade não só do trabalho diário da coordenadora, mas também do contexto em questão, rapidamente me envolvi nas diversas tarefas e, também eu, fui auxiliando no que me ia sendo pedido direta ou indiretamente. Por vezes, mesmo sem o pedido ser expresso, atendendo às especificidades do contexto, voluntariava-me ou simplesmente ajudava no que podia.
Atendendo a Salgueiro (2012:44) todas as pessoas são dotadas de personalidades distintas, e estas refletem-se no seu comportamento, daí através da minha experiência, considerar que não é possível viver verdadeiramente a realidade de um contexto sem experienciar na primeira pessoa tudo o que lá é feito, especialmente quando se torna impossível ficar indiferente às pessoas, às crianças, às atividades, aos acontecimentos e a todas as situações com as quais nos deparamos. Assim, assumindo-me como agente educativo e parte integrante do contexto tentei nas minhas intervenções diretas com as crianças “(…) proporcionar e estimular a auto-estima, o controlo emocional e a autonomia, de modo a que as crianças se tornem cada vez mais capazes de adquirirem competências por si próprias.” (Abreu et al, 1990:17). Daí ter realizado várias tarefas, das
6 Observações que podem ser constatas na Tabela 1 – Exemplos de funções desempenhadas pela
Página 66 quais seguem exemplos na tabela seguinte, que sem encaixar numa categoria em concreto, encaixam numa experiência vasta e significativa, das vivências que adquiri no estágio.
Tabela 3 – Exemplos de momentos de participação no contexto
Momentos Participativos no Contexto
“(…) acompanhar a coordenadora na contagem das meninas e dos meninos por turma, para enviar para o agrupamento.” (8 de outubro de 2018)
“Novamente acompanhei as crianças nos exercícios que estavam a fazer.” (9 de outubro de 2018)
“Depois de voltarmos e de almoçar, acompanhei a supervisão do recreio e dos grupos de castigo.” (11 de outubro de 2018)
“(…) acompanhei um grupo de crianças interditas de usufruírem do recreio, por questões de comportamento desadequado ao mesmo. Juntamente com o grupo trabalhei formas de estar e não estar no recreio e como proceder quando acontece algo que não é do nosso agrado.” (15 de outubro de 2018)
“Ao passar por uma das turmas, foi-me pedido que ficasse até ao final da aula a ajudar a professora titular, uma vez que esta se encontrava doente.” (16 de outubro de 2018) “Neste período de tempo acompanhei um caso de uma criança que tem bastante dificuldade a nível da leitura.” (17 de outubro de 2018)
“No intervalo da manhã dirigi-me para o recreio e fiquei responsável por supervisionar e dinamizar o voleibol.” (22 de outubro de 2018)
“Quando surge alguma situação propícia de uma altercação intervenho posteriormente e por vezes tenho que me sentar com um dos elementos por cinco minutos para se acalmarem e/ou pensarem no que tinham feito.” (25 de outubro de 2018)
“Devido à falta de pessoal fico a supervisionar o almoço durante algum tempo (…)” (23 de janeiro de 2019)
“A manhã é passada a tirar a febre, a telefonar para casa, a dar medicamentos e a ajudar aqui e ali nos afazeres das auxiliares, uma vez que só há uma neste momento até às 11h00.” (11 de fevereiro de 2019)
“De seguida dirijo-me para o recreio onde organizo um jogo com alguns meninos e meninas do 1º ano.” (21 de fevereiro de 2019)
Página 67 “Pouco tempo depois dois meninos do 3º ano e uma menina vêm à minha beira falar sobre um problema que ocorreu durante o jogo de voleibol que se estava a desenrolar na parte lateral do recreio, junto à rede.” (21 de fevereiro de 2019)
“Um outro grupo de meninas do 3º ano desentende-se e vêm falar comigo.” (22 de fevereiro de 2019)
Pouco tempo depois um grupo de meninas vem falar comigo para as ajudar a resolver uma situação que aconteceu com elas. (12 de março de 2019)
Com base nestes exemplos, considero que enquanto profissional, este contacto com a realidade desta escola, me fez adaptar e procurar atuar de acordo com o que ia experienciando, não descurando a investigação e pesquisa de como o fazer face às situações com as quais me ia deparando. Para tal a orientação tanto local, da coordenadora, como da orientadora da faculdade, foi fundamental. Sendo para este contexto o desconhecimento dos profissionais das Ciências da Educação (CE) uma realidade, naturalmente foram-me surgindo algumas dúvidas de como deveria desempenhar o meu papel, mas recorrendo à minha formação académica nesta área, tomei atitudes e posições perante os desafios com os quais fui confrontada e considero que desempenhei papeis necessários atendendo à realidade e à especificidade dos atores, em particular das crianças, do contexto.
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