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Mots cl´ es Evaluation Empirique, Interaction 3D, Assistance

Para que se possa diferenciar um SIG de uma SDI, é importante entender o conceito de SDI e a sua definição. Um SIG pode ser parte de uma SDI, mas não pode ser considerado uma SDI por si só. Assim, na primeira geração das SDI, a meio dos anos 80, o seu principal objetivo era o de promover o desenvolvimento económico e a sustentabilidade ambiental. Neste período as SDI eram concebidas e desenvolvidas pelos países com base nas suas características nacionais, requisitos e prioridades (Rajabifard, Binns, Masser, & Williamson, 2006).

Nesta primeira geração, os países projetaram e desenvolveram SDI com base nas suas características, exigências e prioridades nacionais. Havia poucas experiências existentes no desenvolvimento das SDI, por isso, a criação das primeiras infraestruturas permitiu aos países aprenderem, e portanto, um dos principais resultados da primeira geração foi a documentação de experiências sobre iniciativas SDI (Rajabifard et al., 2006).

Embora várias organizações como a US Bureaux of the Census nos Estados Unidos da América e instituições académicas na Inglaterra tenham desenvolvido elementos das SDI no início dos anos 90, o principal desenvolvimento das SDI centrou-se em iniciativas dirigidas por agências de mapeamento nacionais que têm responsabilidade sobre as

A transição para a segunda geração de SDI ocorreu por volta de 2000 (Figura 50), modelo de desenvolvimento baseado no processo SDI, quando alguns dos principais países que estavam a desenvolver infraestruturas de dados mudaram de estratégias e atualizaram o modelo concetual da SDI. Esta mudança deveu-se às oportunidades que resultaram do desenvolvimento da internet que criaram um conceito de SDI muito mais voltado para o utilizador, muito mais eficaz na maximização do valor agregado dos ativos de informação espacial de um país e mais rentável como mecanismo de disseminação de dados (Masser, 2005 in Rajabifard et al., 2006; Klinger, 2009).

Figura 50 – Relação entre a primeira e a segunda geração do desenvolvimento de SDI

Fonte: Rajabifard et al., 2006

Tal como o conceito de SIG, a SDI possui várias definições consoante os seus utilizadores, disciplinas e níveis administrativos ou políticos.

Para Rodríguez et al. (2009) a SDI é um sistema de computador composto por vários recursos, catálogos, servidores, programas, dados, aplicativos e sites que permitem a partilha de informações geográficas pela internet, cumprindo uma série de condições de interoperabilidade que permitem ao utilizador um simples acesso de acordo com a sua necessidade.

Segundo Groot, R. e J. McLaughlin (2000 in Klinger, 2009, p. 7) a SDI “engloba as bases de dados geoespaciais em rede e as facilidades de manipulação de dados, os recursos complexos institucionais, organizacionais, tecnológicos, humanos e económicos que interagem entre si e sustentam a conceção, implementação e

manutenção de mecanismos que facilitam o compartilhamento, acesso e o uso responsável de dados geoespaciais a um custo acessível para um domínio de aplicação ou empresa específica”.

Para Rajabifard et al. (2006, p. 1) a SDI “é uma plataforma para a partilha de dados. Baseia-se num conceito dinâmico, hierárquico e multidisciplinar que inclui pessoas, dados, redes de acesso, políticas institucionais, padrões técnicos e dimensões de recursos humanos, e que visa facilitar e coordenar a troca e partilha de dados espaciais entre as partes interessadas nos dados espaciais”.

O SDI Cookbook (Nebert, D., 2004 in Klinger, 2009, p. 8) afirma que o termo SDI denota a coleção base de tecnologias, políticas e arranjos institucionais relevantes que facilitam a disponibilidade e o acesso a dados espaciais.

Pode-se concluir que a SDI é mais do que uma BD, já que aloja dados e atributos geográficos, documentação suficiente em termos de metadados, permite pesquisar, visualizar, avaliar e fornecer acesso aos dados geográficos.

O SIG pode ser transformado em SDI estabelecendo cooperação e colaboração de diferentes disciplinas e autoridades, atribuindo privilégios de custódia e uso para subconjuntos de dados. Desta forma, os utilizadores em geral podem esperar que os dados estejam disponíveis e, com a tecnologia de rede, sejam acessíveis de forma transparente. A SDI consiste assim numa inovação que é mantida por muitos conceitos e tecnologias GIS, como a internet, as telecomunicações relacionadas, bem como a tecnologia em rede (ESRI, 2010; Phillips et al., 1999 in Klinger, 2009).

A SDI amplia os SIG garantindo que dados e padrões geoespaciais sejam usados para criar do ponto de vista tecnológico, os componentes básicos de uma SDI como são os dados espaciais, os metadados e os serviços.

 Os dados espaciais são os elementos geográficos disponíveis.

 Os metadados são os descritores dos dados, como por exemplo data da publicação, formato, fonte, etc, e que permitem que as informações sejam pesquisadas e encontradas.

ferramentas para a interação de dados. Os serviços podem ser de consulta, visualização, download, etc. (Rodríguez et al., 2009).

Os dados espaciais são obviamente o conteúdo mais importante de uma SDI porque sem estes não pode existir a infraestrutura. Os dados têm de ser precisos, atualizados, consistentes, mantidos livres de redundância e tratados por especialistas para permanecerem úteis para a aplicação da SDI (Klinger, 2009).

As SDI devem cumprir determinadas condições de interoperabilidade, que no caso dos metadados, são garantidas por regulamentos e normas, como a norma ISO 1915553 e as Regras de Implementação de Metadados da Diretiva INSPIRE (Rodríguez et al., 2009).

A SDI evoluiu para permitir a partilha de informações geoespaciais numa escala significativa. Muitos websites fornecem mecanismos para publicar, descobrir, avaliar, trocar recursos geoespaciais existentes em apoio às SDI (ESRI, 2010).

O principal objetivo no desenvolvimento de uma SDI a qualquer nível político e administrativo é o de apoiar nas tomadas de decisões económicas, sociais e ambientais. As SDI tornaram-se um método inovador e muito importante para determinar a maneira como os dados espaciais são usados em toda a organização, nação e diferentes regiões (Klinger, 2009).

Muitos países estão a desenvolver SDI a diferentes níveis políticos, desde o nível corporativo ao global, para facilitar o melhor gerenciamento e utilização de dados espaciais.

Um dos principais passos na criação de uma SDI eficaz é o investimento num modelo de comunicação eficiente entre os atores/utilizadores interessados nos dados espaciais. Isto permite a criação de parcerias, padrões e procedimentos que permitem que os dados sejam partilhados, comercializados ou comprados entre os diferentes fornecedores de dados (Klinger, 2009).

Quando uma SDI está definida muitas vezes presume-se que esta permanece estática, o que limita a compreensão da natureza e as possibilidades da SDI, assim como a otimização do seu potencial e da sua capacidade de evolução. É necessário difundir mais a capacidade multidimensional da SDI como uma estrutura de informação espacial inter e intrajurisdicional (Chan et al., 2001 in Klinger, 2009).

Ian Masser (2005) sintetizou quatro questões chave que desempenham um papel vital no futuro das SDI:

 Governança – é necessário ir além da instituição dos mecanismos de coordenação das SDI e priorizar a criação de uma governança apropriada. É importante que todos os atores que estejam envolvidos possam desenvolver uma visão compartilhada e sentir uma liderança comum;

 Facilitar o acesso – um dos maiores problemas para os utilizadores é a falta de metadados. Sem portais geoespaciais e serviços apropriados de metadados a SDI não será aceite nem usada pela comunidade;

 Capacitação – geralmente é necessária uma mudança nas organizações para o desenvolvimento de uma SDI;

 Interoperabilidade – o desenvolvimento de uma SDI envolve muito mais do que a criação de uma BD. A interoperabilidade em termos da infraestrutura, modelo de dados, partilha de dados e acesso aos dados deve ser alcançada usando os padrões internacionais.

Sendo esta tese uma proposta de um modelo concetual para um sistema integrado de dados geoespaciais para a AIM, e citando Klinger (2009) importa afirmar que uma análise dos futuros desenvolvimentos e imperativos relativos à SDI e à AIM clarifica uma ligação entre estes tópicos nas iniciativas europeias da INSPIRE (Infra- estrutura de Informação Espacial na Europa), tema a desenver no ponto 0 e o programa SESAR mencionado no ponto I.6.5.