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4. INTRODUCTION

4.2 Cellular and Molecular Mechanisms Underlying Animal Regeneration

4.2.2 Hydra Morphallactic Regeneration

Jean-Paul Sartre intelectual francês é tido como ‘consciência crítica de nosso tempo’; reconhecido filósofo, literato, dramaturgo. Entretanto, se nos atentarmos para a produção de sua obra técnica, constatamos, a formulação de uma Psicologia. O eixo de sua trajetória intelectual é a constituição de uma Psicologia que superasse os entraves desta disciplina que não considerava o homem concreto, enclausurando-o na “vida interior”, deixando-o inacessível na “imanência”. Ou seja,

Quando seguimos cuidadosamente o fio condutor de suas pesquisas e as conseqüentes produções teóricas, vamos verificar que ele foi acima de tudo, um Psicólogo; e que sua incursão no campo da elaboração filosófica, deveu-se a razões de ordem técnica, com que se deparou no curso de suas investigações, sobre fenômenos psicológicos (Bertolino, 1995, p.24).

Nos relato de Simone de Beauvoir, encontramos o movimento vivo do intelectual francês, colocando-se o projeto de constituir essa nova Psicologia. “O que lhe interessava antes de tudo eram as pessoas. À psicologia analítica e empoeirada que ensinavam na Sorbonne, ele desejava opor uma compreensão concreta, logo sintética, dos indivíduos” (Beauvoir, 1961, p.37). E, foi exatamente por se propor a recuperar o homem concreto que Sartre se viu imediatamente atraído pela Fenomenologia, apresentada por Aron, como a filosofia das coisas concretas, e do fenômeno humano sem cair nos males do idealismo e do realismo. (Beauvoir, 1961).

Com o intuito de se aprofundar na fenomenologia, em 1934 Sartre foi a Berlin fazer pós-graduação em Fenomenologia, onde apresentou como tese A Transcendência do Ego em 1936. Nessa primeira obra técnica, esclarece a consistência ontológica do Ego, ou seja, da personalidade. Em outros termos, verifica que pela própria realidade da consciência, como pura espontaneidade, o ego não poderia pertencer à consciência, ser imanente a ela, mostrando-se ao contrário, objeto para esta. Deste modo, constata e define o Ego como um objeto do mundo, possível de ser conhecido tal como qualquer outro. Tendo como ponto de partida a verificação da distinção entre ego e consciência, Sartre lançou-se no seu projeto

intelectual. Segundo Beauvoir “a partir daí, cumpria revisar toda a psicologia e ele já começara, com o ensaio sobre o Ego, a atacar essa tarefa” (Beauvior, 1961, p.166).

Seguindo esse projeto intelectual de fundar uma nova Psicologia, em 1936 ele publica A imaginação, onde revisa criticamente as psicologias da imaginação de Descartes até Husserl, e em 1940 publica O imaginário, onde funda uma nova teoria do fenômeno do imaginário compatível com a verificação da personalidade como objeto para a consciência expressa no “Transcendência do Ego”, em 1934. Na continuidade pretendia realizar La psyché, um tratado onde estabeleceria uma nova Psicologia. Entretanto, deparou-se com uma constatação técnica: não era possível formular uma nova Psicologia sobre as bases ontológicas postas pela filosofia de até então. Tornava-se necessário, num primeiro momento, esclarecer a consistência ontológica do homem e do mundo, ou seja, do ser das coisas e da consciência, para então formular uma epistemologia, ou seja, esclarecer as condições de possibilidade do conhecimento científico, para poder, consolidar sobre essas constatações, uma Psicologia científica. Em 1939 publica então, fragmentos do que até então trabalhara na sua La psyché, sob o título de Esboço de uma teoria das emoções (Bertolino, 1995, p.28).

Em 1943 vem a público O ser e o nada - ensaio de ontologia fenomenológica, onde se esclarece a consistência do ser, que independe da consciência para existir; e da consciência como intencionalidade, desdobrando daí o esclarecimento das condições de possibilidade do conhecimento científico. Aprofunda também a teoria da personalidade reafirmando sua objetividade e trabalhando o problema da temporalidade e da relação com o futuro, desenvolvendo a noção de projeto de ser, em termos totalmente outros que postos até então pela Psicologia, esclarecendo o homem como um ser ontologicamente livre, que elege seu projeto de ser a partir da faticidade que se lhe impõe.

Era necessário também avançar nos desdobramento da verificação da transcendência do Ego, fazendo o esclarecimento da relação do homem singular com o universo dos demais homens, trazendo à tona o método necessário para compreender qualquer homem, ou seja, o caminho do singular ao universal e do universal ao singular, compreendendo o homem no movimento dialético constituindo-se na relação com os outros e com a materialidade (Bertolino,1995, p.33). Sartre publica, para tanto, na década de 60, Crítica da razão dialética, precedido pelo Questão de método, estabelecendo assim uma psicologia de grupos.

Em 1972, Sartre publica Gustav Flaubert – o idiota da família, onde mostra como é possível compreender inteiramente uma personalidade, realizando a biografia de Flaubert com o intuito de compreender como o escritor francês, autor de Madame Bovary, tornou-se tal literato, sendo considerado na infância, o idiota da família, apresentado péssimo desempenho escolar. Nesta obra explicita como é possível compreender inteiramente um homem a partir de seu movimento concreto no mundo encontrando os meios para se dar um futuro. Expõe, deste modo, a aplicação da noção do projeto e desejo de ser, eixo fundamental da psicologia que construíra.

Deste modo, fica expresso, se atentarmos para a trajetória intelectual de Sartre, como ele levou a cabo o seu projeto de constituir uma nova Psicologia, não num tratado único, mas no decorre de suas obras técnicas (Bertolino,1995, p.34). Precisamente no eixo desta psicologia, expresso no conceito de projeto de ser, em que Sartre constata o homem enquanto um ser temporal, inscrito numa materialidade concreta necessariamente pro-jetado para um futuro livremente eleito, que fomos verificar a contribuição para a superação da lacuna teórica na psicologia da Orientação Profissional expressa por Bohoslavsky, quanto ao esclarecimento da relação do homem com o futuro.

Entretanto, antes de mais nada, para não darmos a entender erroneamente que a definição de Projeto de Ser resume-se a um conceito isolado na obra de Sartre, faz-se necessário uma apresentação sumaria desta Psicologia formulada nos rigores da ciência e a localização de que o Projeto de Ser constitui precisamente o eixo que perpassa inteiramente esta Psicologia, que concebe o homem voltado para o futuro. Verificaremos que nas suas obras técnicas anteriores ao Ser e o nada esta definição já vem sendo apontada e trabalhada, até ser definitivamente esclarecia no tratado de ontologia.