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Monte Carlo simulation

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4.3 Impact of the tracking system properties on the path estimation

5.1.1 Description of the study

5.1.1.2 Monte Carlo simulation

Um dos grandes nomes relacionados aos estudos culturais contemporâneos é o do antro- pólogo, sociólogo e filósofo argentino Néstor Garcia Canclini, que tem desenvolvido pes- quisas relativas à globalização e às mudanças culturais na América Latina. Enfatizando a importância das relações entre culturas, etnias, referências midiáticas, populares e tradi- cionais, Canclini (2008) sugere que, na atual situação social, em que vivenciamos uma pós-modernidade comunicacional, o popular não pode mais ser considerado monopólio dos setores populares.

O autor (op. cit.) revela que as manifestações artísticas tradicionais, bem como os meios de produção, confecção e comercialização aos quais artefatos artesanais estão atrelados, não são mais exclusivas dos grupos étnicos, nem mesmo dos setores agrários mais am- plos. Ao contrário, os cruzamentos entre as mais diversificadas culturas, provenientes das mais diversas classes sociais e territórios, permitem o surgimento do que ele chama de culturas híbridas. Nestes cenários de miscigenação cultural, as culturas híbridas são caracterizadas pela mistura de elementos simbólicos de culturas distintas e, portanto, não há uma divisão clara entre os elementos provenientes de uma cultura erudita, da popular ou de massa, da identitária ou da globalizada.

Dessa forma, Canclini (2008) coloca no mesmo plano as variadas manifestações da cul- tura contemporânea, rompendo as fronteiras estabelecidas pela lógica da modernidade, na qual o culto deveria estar nos museus e o popular nas praças e feiras. Isso quer dizer que “é possível pensar que o popular é constituído por processos híbridos e complexos, usando como signos de identificação elementos procedentes de diversas classes e na- ções” (CANCLINI, 2008, p. 220-221). Trata-se, portanto, de fenômenos culturais que têm, como agentes de intervenção, os ministérios da cultura e de comércio, fundações privadas e empresas de diversos setores, como as de bebidas e decoração, além dos meios de comu- nicação de massa, como o rádio e a televisão.

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Assim sendo, concordamos com o autor (op. cit.) quando considera que o tradicional e o moderno não são mais antagônicos, assim como outros pares de oposições convencio- nais. Neste sentido, surgem novas formas de identidade cultural que já não podem mais ser consideradas como puramente legítimas nem ligadas apenas a um território.

No entanto, é importante ressaltarmos que as hibridizações não anulam a autenticidade das identidades culturais, nem das manifestações vernaculares locais, e sim nos coloca frente a uma nova forma de interpretar nossas raízes culturais, inserindo-as num contex- to mais amplo que transcende regiões e classes sociais. O historiador Cardoso, R. (2005), ao reunir estudos sobre as produções gráficas brasileiras antes da instituição de cursos superiores de Design (Desenho Industrial/Programação Visual) no Brasil, elucida que podemos encontrar referências da identidade cultural brasileira a partir de impressos das últimas décadas, produzidos por artífices populares. Ele explica que

Se existiram atividades projetuais em larga escala no Brasil entre 1870 e 1960, e se estas não tiveram como base uma linha única de pensamento, uma determinada doutrina ou estética, então a produção que delas resultou é representativa de uma tradição rica, varia- da e autenticamente brasileira, que terá assimilado e conciliado uma série de influências díspares. (CARDOSO, R., 2005, pág. 11)

De forma análoga, José Teixeira Coelho em sua obra Dicionário Crítico de Política Cultural (1997), pondera que as transformações dos códigos culturais fazem parte de um processo natural e, portanto, os resultados dessas mudanças não significam nenhuma calamidade relevante. Ao contrário, apenas são consideráveis para aqueles que vêem a cultura como uma instituição estática, sinônimo de tradição, de traço distintivo. Para ele, apesar de ser possível identificar as manifestações culturais locais, a cultura se comporta como um pro- cesso dinâmico que jamais, em momento algum da história, manteve-se igual ao longo do tempo.

Mas para melhor entender esses processos cambiantes, sugerimos que voltemos nosso olhar para as questões relativas aos próprios agentes produtores dessas manifestações, que influenciam e são influenciados por diversas fontes, referências, culturas e estéticas, independente de suas classes sociais, econômicas, ou região geográfica em que nasceram e/ou vivem. Sobre esse aspecto, Anjos (2005) alude que, superando os receios sobre o processo de homogeneização cultural que a globalização evoca, no qual as culturas he- gemonizadas pelos espaços de difusão midiáticos recalcariam ou suprimiriam as mani- festações culturais tradicionais ou locais por todo o mundo, há uma reação de adaptação e transformação das culturas não-hegemônicas, as quais acabam por promover “formas

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novas de pertencimento ao local, e criando, simultaneamente, articulações inéditas com o fluxo global de informações” (ANJOS, 2005, p. 11).

Sendo assim, Anjos (2005), em seu livro Local/Global: arte em trânsito, chama a atenção para as mudanças de percepção culturais que vêm ocorrendo no Nordeste do Brasil. Ele lembra que durante muito tempo a valorização da produção artística dos estados nordes- tinos só se dava se nestas estivessem intrínsecos aspectos tradicionais, genuínos ou exó- ticos de sua cultura local, os quais, mesmo inseridos num “contexto de um mundo cada vez mais poroso e interligado”, deveriam seguir supostamente impermeáveis à produção simbólica de outros lugares (ANJOS, 2005, p. 11).

Portanto, concordamos com o autor (ANJOS, 2005, p. 14), quando sugere que o que vêm distinguindo uma cultura local de outras culturas não são mais os sentimentos de clau- sura, afastamento ou origem pura e tradicional, e sim as diversas maneiras pelas quais as comunidades posicionam-se nesse contexto de inter-influência e estabelecem relações com o outro.

Por conseguinte, no próximo tópico iremos abordar a especificidade humana sob a pers- pectiva da alteridade, que resulta da relação que se estabelece com a realidade de um outro ou das relações com outros: via atividade, o letrista popular se apropria das diversas mani- festações culturais – sejam elas locais ou transnacionais –, e concomitantemente nelas se objetiva, constituindo-se assim como sujeito transformador da estética local.

1.2 Alteridade: as influências culturais do letrista popular no Recife

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