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Module d’Annotation et d’Acquisition

6.2.4 Le Module de Stockage

Esse novo formato de participação surgiu desde o final dos anos 70, quando os chamados movimentos sociais populares começaram a proliferar-se pelo Brasil afora, bradando contra o Estado, aflorou então estudos que objetivavam explicar a natureza, a eficácia e os mecanismos de sustentação destes líderes comunitários. Incontáveis são os estudos de caso, inúmeros ensaios teóricos, mas pouquíssimos são aqueles que focalizaram o papel do líder na configuração do perfil de tais movimentos. Um desses estudos é o da autora HERKENHOFF B. L. (1995), a qual me embasei para produção de grande parte desses escritos.

É intrigante refletir sobre a questão do papel do líder, uma vez que as formulações teóricas predominantes até há pouco subsumiam a própria possibilidade do líder. Penso nisso, lembrando dos primeiros líderes com interpretações autonomizantes, com idéias marxistas, que além de conceberem esses movimentos sociais como novos sujeitos (políticos, coletivos, etc), lhes atribuíram a capacidade de se auto construírem com espontaneidade, seja na esfera das contradições da sociedade, seja no âmbito de sua própria experiência de lutas. Naquela época os “sujeitos” eram celebrados em sua suposta condição de autonomia e independência diante do Estado, dos partidos, das vanguardas, da igreja, em fim, e de tudo o mais. O que contava era a democracia de base, pela qual se diluía a clássica relação entre dirigentes no processo de tomada de decisões, por isso o papel do líder não tinha tanta relevância. Eles não tinham tantas

oportunidades de ações diretivas neste tempo de experiência, onde eram considerados como dispositivo privilegiado para o encaminhamento dos primeiros passos de luta.

No que se refere ao tema “funções do líder”, nada fazia sentido, pois era um tempo de se caminhar com as próprias pernas, por fora dos tradicionais canais de representação política. Um tempo de se reelaborarem, com autonomia, as utopias de transformação das relações de exploração de classe. Enfim, tudo o que conspirasse fora desses marcos valorativos ou era simplesmente desconsiderado ou era visto com reservas e suspeitas.

Hoje, após um longo processo de liberação política, de avanço democrático e de absorção das lideranças autônomas e independentes pela institucionalidade política, entendem-se perfeitamente o alerta feito por pesquisadores: sinal de novos tempos. Tempos de pluralidade, de diversidade e de conhecimentos das diferenças. Tempos de convivência positiva com a institucionalidade política.

A liderança é um processo de influenciação social que ocorre em circunstâncias, momentos e níveis os mais diversos. São tão variados os fenômenos de liderança que se torna lícito indagar se de fato se trata de um só tipo de ocorrência.Eles se manifestam em microgrupos, como no caso de famílias, equipes de trabalho e grupos de amigos, mas também no âmbito dos processos societários e no das complexas relações internacionais. Por tais razões o tópico das lideranças interessa tanto aos psicólogos quanto aos cientistas sociais, embora venhamos a encontrar, se passarmos de uma área a outra, diferenças marcantes na temática, teorização e metodologia de pesquisa. É importante, portanto fazermos duas distinções conceituais acerca do termo liderança.

A primeira delas se aplica às idéias de liderança e dominação. Esta última é um processo baseado na força física, sexo e idade em que os animais de espécies infra-humanas exibem seu poderio e subjugam outros do mesmo grupo, mantendo-os unidos e dilatando sua probabilidade de sobrevivência. A liderança, porém, é um conceito mais adequado à nossa espécie, aplicando-se ás relações interpessoais. Basicamente se entende que ocorra liderança alguma pessoa se torna capaz de modificar as crenças, atitudes e comportamentos de outros indivíduos, organizando-os e orientando suas ações para objetivos que passam a desejar atingir.Assim interpretada, compreende-se que, como processo de influenciação, a liderança guarde diferenças em relação à chefia. Este é o segundo paralelo a fazer. No fundo, a chefia é um poder nominal, ao passo que a liderança se manifesta num circuito sócio-cultural muito mais amplo. Se ainda pudermos acolher

a contribuição de Weber (1957, sendo a primeira edição de 1922), que distinguiu a autoridade legal da tradicional e da carismática, poderemos declarar que a chefia se alimenta, sobretudo da primeira, um tanto da segunda e nada da terceira, mas a liderança de todas elas.

Até hoje, o conhecimento de liderança é amplo e ao mesmo tempo deficiente para uma compreensão completa e utilizável na prática. Muitas teorias têm sido elaboradas a respeito de liderança a partir de um foco de atenção ou abordagem predominante.

Cabe fazer uma distinção entre líder e estilo de liderança. Um líder é a pessoa no grupo à qual foi atribuída, formal ou informalmente, uma posição de responsabilidade para dirigir e coordenar as atividades relacionadas à tarefa. Sua maior preocupação prende-se à conquista de algum objetivo específico do grupo.

A maneira pela qual uma pessoa numa posição de líder influencia as demais pessoas no grupo é chamada estilo de liderança.

Se o foco principal de atenção é a figura do líder, o estudo é feito em torno das características pessoas procurando uma diferenciação de atributos entre líderes e não-líderes.

Assim, as teorias do grande homem, do líder nato e a decorrente teoria de traços de personalidade buscam determinar o conjunto de traços que identificam o líder. Embora muitas pesquisas empíricas tenham sido feitas, seus resultados são inexpressivos para o objetivo explícito de distinguir seguramente líderes de seguidores. Sem dúvida, há algumas características pessoais que facilitam o desempenho do líder em determinadas circunstâncias e não em outras, e que podem ser desenvolvidas para maior eficácia no seu desempenho.

Para PENTEADO (1986), que cita o Dicionário Webster, ele nos diz que o vocábulo "líder" vem do Inglês "leader", por sua vez originário do antigo celta, e cujo significado é, conforme aquele dicionário, "a person who goes before to guide or to show the way or one who precedes or directs in some action, opinion or movement "- "a pessoa que vai à frente para guiar ou mostrar o caminho, ou que precede ou dirige qualquer ação, opinião, ou movimento" (p.1). Para este autor, para uma compreensão correta da palavra "líder" é indispensável considerar suas dimensões. "Estaremos diante de um líder toda vez que o observarmos ou sentirmos não apenas se destacar no grupo, mas, e principalmente, influenciar o grupo" (p.2).

O livro O Vôo do Búfalo, de BELASCO & STAYER (1994) é um exemplo bastante interessante sobre a questão da liderança. Manadas de búfalos costumam seguir cegamente seus líderes, enquanto os pássaros voam em "v", ou seja, na impossibilidade de liderança daqueles que vão à frente, os demais assumem a direção do vôo, cada qual em sua vez, sem prejudicar a trajetória. O desafio que o livro coloca é: como colocar os búfalos em "v"? Essa leitura é, no mínimo, instigante.

Pelo Dicionário de FERREIRA (1993), estratégia é conceituada como "arte", enquanto liderança é "função", assim: "LIDERANÇA = S.f. 1 - Função de líder. 2 - Capacidade de liderar; espírito de chefia. 3 - Forma de dominação baseada no prestígio pessoal e aceita pelos dirigidos" (p.1030). Portanto, "Liderança, assim, seria a função do líder que a exerce no e sobre um grupo, em determinada situação" (PENTEADO, 1986, p.4). Ou seja, não dá para imaginar que um homem sozinho, ou um animal solitário possa ser um líder, porque "a liderança é um fenômeno social, expressão que implica na existência de uma sociedade e de um ambiente" (p.4). Ou, ainda, "não bastam certas qualidades de liderança para ser um líder. A liderança é uma função da situação, da cultura, do contexto e dos costumes, tanto quanto é uma função de atributos pessoais e estrutura de grupos. É a combinação equilibrada de três elementos vitais e dinâmicos: o indivíduo, o grupo e a situação” (p. 11).

Vê-se com isso que, liderança para ontem e hoje é: assumir riscos; ter auto-reflexão humilde; é solicitar opiniões; ouvir cuidadosamente e ter abertura a novas idéias; porque o processo de mudança se dá de forma diferente nas pessoas e nas organizações. Portanto, chefes são diferentes de líderes. A função da liderança é comprometer, avaliar, mensurar e, principalmente, confiar delegando responsabilidades.

Para o terceiro milênio, que está apenas começando, o novo paradigma da liderança procura: a superação do paradigma militar tradicional pelo paradigma da educação; o líder como mentor, desenvolvedor, facilitador; o desenho de um novo modelo de organização: a "Organização da Aprendizagem"; o desenvolvimento de equipes altamente motivadas, responsáveis por pensar, planejar, avaliar e executar (LONGO, 2000).

Entretanto, para se conseguir essa quebra de paradigmas, algumas estratégias para uma liderança eficaz são imprescindíveis: postura de não procrastinar; enfocar os problemas como oportunidades desafiadoras; perceber os erros como fontes de aprendizado; erradicar a cultura de "caça aos culpados"; desenvolver atitude de: "como posso ajudar?", em substituição a "isso não é comigo!"; encarar a realidade como ela é (LONGO, 2000).