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Ao jovem de hoje, uma boa empresa para se trabalhar é aquela que permite sua colaboração, tal qual como é possível ele fazer na Internet. Eles querem oferecer também como sua força de trabalho a colaboração para o desenvolvimento da organização, com ideias de novos processos, com opiniões e até mesmo críticas, que podem ser muito positivas para a inovação, talvez essencial ao sucesso atual no mercado competitivo.

Jovens (e até crianças) trocam entre si suas criações, oferecem a baixo custo suas invenções (esse fato é evidente no universo das tecnologias, como ferramentas de software, músicas etc.) e estão o tempo todo tentando quebrar a exclusividade dos monopólios, destruir restrições de acesso, ‘xerocopiar’ (modernamente ‘copiar e colar’ na web) obras, disseminando vídeos, imagens e dores de cabeças por empresas e celebridades nas redes sociais e no YouTube” (BUENO, 2009, p.124).

Tecnicamente, as novas tecnologias, por meio dos wikis, fóruns, blogs e mídias socais, podem potencializar essa colaboração no ambiente interno das empresas à medida que os funcionários, entre eles mesmos, tenham condições de reunir ideias, sugestões, pensar novos procedimentos baseados em suas experiências diárias entre outros. A Dell do Brasil, fabricante de computadores, utiliza blogs para estimular a colaboração dos funcionários tendo em vista o aperfeiçoamento de seus projetos. Por meio do blog interno “One Dell Way”, são discutidas e compartilhadas ideias sobre novos projetos e novos conhecimentos. Eles são subdivididos nas seguintes áreas: indústria, marketing, operações globais, tecnologia da informação, serviços e vendas.

Esta estrutura permite aos colaboradores discutir dados sigilosos entre si e compartilhar com outras áreas, as quais no final devem ter participação no projeto. Um designer, por exemplo, pode incluir um novo post no blog interno de vendas para o consumidor, onde apresenta o layout do novo modelo ainda não lançado, com base no conhecimento da equipe de vendas que possui o feedback dos clientes, os vendedores podem sugerir e comentar este novo layout para a sequência do projeto (OLIVEIRA, 2010, p.11).

Os jovens trabalhadores gostam de ser desafiados, de usarem suas habilidades de raciocínio, de ganharem visibilidade, isto é, de serem reconhecidos pelo que fazem e não irem

ao trabalho somente para produzirem, baterem o cartão e voltarem para casa. “Os funcionários jovens querem agregar valor, fazer diferença, desafiar o status quo e entender como o seu trabalho contribui para o sucesso da empresa” (TAPSCOTT, 2010, 204).

Sobretudo, como estamos colocando ao longo desta pesquisa, a colaboração que ocorre por meio do diálogo não é viabilizada apenas pelo suporte tecnológico. Ele é importante, mas antes é necessário ter um ambiente organizacional adequado. As empresas e, consequentemente as lideranças, precisam estar abertas e as hierarquias mais flexíveis para não ocorrer sobreposições, intimidações e até o receio de falar, de dialogar.

A descentralização das decisões, assumida por aqueles que já reconheceram a força dessa capacidade colaborativa e se propõem líderes de um novo tempo, agrega valor, potencializa a inovação e provoca mudanças a curtíssimo prazo, gerando ao mesmo tempo oportunidades, desafios e ameaças (BUENO, 2009, 121).

Os chefes não são detentores do conhecimento absoluto, não podem estar em todos os lugares ao mesmo tempo, fazendo tudo. Contam com a contribuição dos demais funcionários para operacionalizar as atividades e aceitar que esses mesmo empregados, que estão na linha de frente dos processos, possam trazer valiosas informações para melhorias e desenvolvimento do negócio?

A colaboração não tem a função única de reter talentos, mas pode trazer inúmeros benefícios às organizações, com a produção do conhecimento, a qual só se dá coletivamente, com os membros possuindo interesses comuns e comprometidos. Essas características ficam difíceis de ser atingidas sem o diálogo. “As formas colaborativas devem ser adaptativas e flexíveis, para se adequar a diferentes realidades locais e precisam ser estabelecidas entre os membros da comunidade produtora” (LIMA; SANTINI, 2008, 37).

Se o ambiente interno não fornecer caminhos visíveis para a troca de informação, conhecimentos, experiências, além do aspecto da cultura organizacional propícia, a colaboração não irá constituir-se. “Contribuições não ocorrem no isolamento. Elas requerem relações entre as pessoas e a troca que ocorre entre as pessoas ou entre indivíduos e grupos aos quais pertencem” (JUE, MARR; KASSOTAKIS, 2011, p.96).

As novas tecnologias (mídias sociais e wikis) podem representar ainda um grande instrumento para aproximar lideranças dos funcionários, reduzindo a distância provocada pela hierarquia à medida que se consegue instaurar uma comunicação horizontalizada.

Os blogs corporativos, por exemplo, por meio de uma linguagem mais informal e de uma plataforma tecnológica de fácil utilização, podem ser utilizados para os setores

comunicarem-se entre si e construírem novos processos de trabalho. Na empresa 3M2 do Brasil, com sede em Sumaré (SP) e com um quadro de mais de quatro mil funcionários, a iniciativa de fomentar o diálogo via rede social partiu dos próprios funcionários. O setor de atendimento ao cliente criou um blog que tem como moderadores três profissionais da própria área. Nesse canal, que leva a identidade visual da 3M, eles divulgam e selecionam informações que são transmitidas pelo setor de Relações Públicas da própria empresa, mas colocam na linguagem que acreditam ser a mais adequada ao público do setor. Também, há troca de ideias sobre as atividades que os participantes desenvolvem na organização. A 3M, por meio do setor de Relações Públicas, não tem participação direta nesse canal de comunicação interna, apenas apoia e fica à disposição como consultor. O blog é restrito ao ambiente interno. Um exemplo pioneiro no Brasil foi do HSBC, segundo Cipriani, (2008, p.53), em que o presidente executivo, em 2006, implantou seu próprio blog na Intranet e os funcionários podem interagir e dar sugestões.

Se pensarmos em um representante da alta direção ou mesmo no responsável pelas comunicações internas escrevendo para todos os funcionários, estamos falando de uma ferramenta que pode trazer um retorno interessante ao reunir opiniões (praticamente instantâneas) dos funcionários e, ao mesmo tempo, abrir caminho para uma gestão mais transparente e clara (CIPRIANI, 2008, p.52).

A eficiência dos blogs, porém, como dos outros canais formais organizacionais, está condicionada à transparência, ao comprometimento e à seriedade com que a empresa o trata. Se ocorrer o contrário, posts que não condizem com a realidade, censura a opiniões, falta de transparência ou qualquer tipo de punição àqueles que tenham opiniões divergentes, esse canal não terá êxito. A implantação de uma politica de uso do blog deve existir para garantir a integridade da empresa, porém isso não significa ser um canal de comunicação fechado.

O que torna o blog uma página de sucesso é o conteúdo pessoal e o mais espontâneo possível; portanto, se sua política de uso estiver inibindo demais os funcionários, ou mesmo manipulando suas opiniões, desista da ideia de usar um blog, ou repense os valores atuais da sua empresa (CIPRIANI, 2008, p.57).

Como poderá ser visto no próximo capítulo, nas análises das entrevistas produzidas por este estudo, a maioria das empresas e pesquisadores até reconhecem o potencial das novas

2 Informações extraídas de entrevista realizada pela autora desta dissertação com a gerente de Relações Públicas

tecnologias para o melhor relacionamento com o funcionário, apesar de não terem receio ou não saberem como usá-las adequadamente. Mais ainda do que tais dificuldades, instaurar um modelo de colaboração efetiva dos funcionários para o desenvolvimento do negócio parece ainda muito distante da realidade organizacional brasileira, pois a interatividade com os funcionários está muito restrita à resposta de dúvidas e à permissão de comentários sobre informações vindas predominante de via única, da direção.

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